Henrique Plácido, 27 anos, publicitário, designer e ilustrador acompanha Tex Willer desde a infância, por intermédio do seu pai, que naquela época comprava, lia e depois lhe dava as revistas. Tinham já então um bom número de edições, mas não o apego e a organização suficiente para guardá-las — então a maioria acabou por se perder. Com o tempo, perdeu também o hábito e afastou-se por alguns anos das histórias do nosso Ranger.
Há cerca de dois anos, no entanto, os seus pais decidiram arrumar o sótão de sua casa e em meio à bagunça, encontrou alguns remanescentes daqueles exemplares antigos de Tex, que levou para casa e releu em poucos dias. Foi o suficiente para reacender a chama do pard que havia dentro dele.
Desde então, tem sido um leitor voraz. Compra as revistas com alguma frequência, inclusive edições usadas, e hoje é ele quem empresta as revistas de Tex ao seu pai!
Em resumo, pelos motivos acima, é um texmaníaco tentando recuperar o tempo perdido mas para além disso, é um texmaníaco com jeito para 9ª arte e que para além de Tex também gosta de Zagor e assim sendo, resolveu ilustrar um verdadeiro encontro de titãs: Os dois maiores heróis do Oeste que finalmente se encontram: Tex Willer, Ranger e chefe supremo dos Navajos e Zagor-Te-nay, o “Espírito com a Machadinha” da Floresta de Darkwood. Como há meio século de diferença entre as aventuras dos dois heróis, Henrique Plácido teve que dar uma pequena envelhecida no Zagor, conforme se pode ver de seguida:
Tex Gigante #23
Patagônia
Mauro Boselli (argumento) Pasquale Frisenda (desenho) Mythos Editora (Brasil, Outubro de 2009)
182 x 277 mm, 242 páginas, preto e branco, capa brochada 9,00 €
Resumo
A pedido de Mendonza, um antigo ajudante de Montales, Tex e o seu filho Kit deslocam-se à Argentina para servirem de intermediários entre o governo e os índios locais, tentando manter a paz numa zona conturbada.
Desenvolvimento
Fosse a bibliografia de Tex constituída apenas pelas edições gigantes (os italianos Texone) e o mais antigo western da BD mereceria igualmente um lugar de destaque na História das histórias aos quadradinhos, embora por motivos diferentes.
Apresentando um retrato (algo) diferente do Ranger em cada número, não só graficamente mas também pela adequação (contida…) do herói ao estilo – gráfico, narrativo, temático – do autor convidado, esta colecção reúne algumas das suas melhores histórias e também algumas excelentes bandas desenhadas.
É o caso deste “Patagônia” – convém dizê-lo pois a introdução já vai longa – que se inicia com uma das melhores sequências a preto e branco que vi nos últimos meses: o ataque nocturno a um posto fortificado, com os intervenientes muitas vezes apenas silhuetas, mergulhadas numa neblina que os torna quase invisíveis, com a tensão crescente que vai culminar logo de seguida com a aparição atroadora dos cavaleiros e no massacre de uma aldeia indígena.
Mas, se este início é, a um tempo, surpreendente, pela localização da acção – a pampa argentina -, e prometedor para o resto do relato, de imediato vem o que eu considero o ponto mais fraco da história: o motivo para Tex deixar o seu território habitual para se deslocar ao outro lado do mundo, o que soa pouco credível, seja qual for o ângulo pelo qual se considere.
Mas, ultrapassada esta questão (que não é só de pormenor numa BD de tanta qualidade), mergulhamos num épico magnífico e intenso, no qual vamos assistir à luta de um povo pela sua sobrevivência, à custa de muita tenacidade, determinação, heroísmo, vontade de viver livre, sacrifício, sangue e (muitos) mortos.
Um épico – com uma forte componente histórica e realista – no qual Tex, embora tendo um papel importante, é muito menos interveniente do que é habitual, lutando contra forças superiores às suas, mesmo que para vencer elas utilizem métodos menos limpos e estratagemas pouco sérios, quando a sede de glória (?) se sobrepõe à justiça e quando os imperativos militares são mais fortes do que a amizade e a honra.
E se é verdade que nada disto é novidade em BD, nem sequer em Tex, a força, o carácter, a determinação que Boselli conferiu aos índios das pampas faz a diferença, transformando mais um western – porque o é, apesar da sua deslocalização! – num western diferente e marcante cuja leitura, com toda a certeza, não deixará ninguém indiferente.
Até porque, o seu final – a batalha contra as tropas governamentais nas estreitas gargantas andinas atravessadas pelos indígenas na sua fuga pela liberdade rumo ao Chile – apresenta, de novo, páginas notáveis, passíveis de entrar em qualquer galeria de quadradinhos a preto e branco ao mesmo tempo que são das páginas mais violentas que eu já vi em Tex, pese o facto – ou exactamente por isso – de não conterem qualquer texto.
A reter
– A força do relato.
– A caracterização dos índios argentinos: fortes, determinados, dispostos a tudo pelos seus ideais.
– O limitado protagonismo de Tex, que deixa à narrativa tempo para respirar e desenvolver-se (quase) à sua revelia. – O traço de Frisenda, soberbo nas sequências inicial e final, muito bom em quase todos os restantes episódios.
Menos conseguido
– O pretexto que leva Tex e Kit até à Argentina.
– O facto de a sua fama o ter precedido junto dos índios locais.
Importante – Este álbum está actualmente disponível nas bancas e quiosques nacionais. Aconselho seriamente a sua compra. Aos fãs de Tex e – principalmente – aos que não o são.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.
Claudio Villa mostra nesta ilustração no coração da selva cruel, um dos guias da expedição científico-militar no isto do Panamá da qual participavam Tex e Kit Willer, usando na travessia do rio Coloveboro, o seu facão para desbravar um novo caminho na selva de modo à expedição avançar metro após metro debaixo de um calor asfixiante e uma humidade gigantesca e numa atmosfera de constante alerta.
Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Il solitario del West” de Guido Nolitta e Giovanni Ticci (Tex italiano #250 a #252).
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Giancarlo Malagutti, conceituado autor italiano que nasceu em Virgilio, Mantova, num dia de Abril de 1955 e que se define como sendo um roteirista que às vezes desenha e que para a Casa Bonelli colaborou no passado em Martin Mystère, depois de um período como publicitário, voltou à banda desenhada (mas agora só realizando as suas próprias BDs) e devido à sua grande paixão por Zagor (descobriu o Espírito da Machadinha aos 9 anos, durante umas férias em Abruzzo e ainda hoje o lê) resolveu a propósito dos festejos dos 50 anos de Zagor, realizar uma bela e interessante página humorística que o blogue do Tex disponibiliza a todos os seus leitores, já devidamente colorida por Eva Castelli, traduzida por Júlio Schneider e legendada por Marcos Maldonado, estes últimos dois dos maiores profissionais dos quadradinhos Bonellianos no Brasil e que atestam a importância desta homenagem que o blogue do Tex apresenta então em rigoroso exclusivo para gáudio de todos os fãs e coleccionadores de Zagor:
Para conhecer melhor este grande autor italiano e ver muitas das suas obras, inclusive algumas páginas de Zagor em estilo tipicamente Ferriano e realizadas nos finais dos anos 70, ou até mesmo algumas vinhetas de Tex em verdadeiro estilo Galleppiano, já não falando na fantástica história onde Tex encontra o mítico actor John Wayne, não deixe de ler a maravilhosa entrevista que Giancarlo Malagutti concedeu em exclusivo ao nosso blogue e que pode ser lida clicando aqui.
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