Fabio Civitelli: de consagrado desenhador de Tex a estrela de publicidade

Por José Carlos Francisco (texto) e G. G. Carsan (fotos)


De consagrado desenhador da mítica personagem Tex Willer, criada por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini em 1498, Fabio Civitelli, o autor italiano que nasceu a 9 de Abril de 1955 em Lucignano, província de Arezzo e que comemorou no ano passado em Portugal, mais precisamente no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, os 25 anos de carreira a desenhar Tex e que nos dias 10 e 11 de Setembro próximo comparecerá no 17º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, onde teremos uma exposição com páginas suas, intitulada “As Cidades de Tex“, a estrela de publicidade, foi um feito, ao que julgamos, inédito até à data de hoje.

Conhecido por ser dono de um estilo caracterizado por um grande cuidado nos mínimos detalhes, por um hábil uso do preto e branco e pelo extremo asseio do seu traço, sendo a sua versão de Tex, uma das mais apreciadas pelos leitores, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo, moderna e cativante, Fabio Civitelli, foi eleito pelo fotógrafo Geraldo Guilherme Carsan, popularizado no meio da banda desenhada pelo nome G. G. Carsan, apelidado inclusive por muitos pards, de “o Tex brasileiro“, para ser um dos novos protagonistas do anúncio publicitário da Gerafoto Studio, empresa fundada em 2002 e que é propriedade do fã do Ranger de 46 anos que começou aos 7 anos a ler Tex nunca mais tendo parado, sendo hoje em dia fã, coleccionador e divulgador, tendo inclusive já realizado 5 exposições em João Pessoa e escrito um livro sobre a personagem no Brasil, e  localizada na Capital da Paraíba, a cidade de João Pessoa, no Brasil.

Segundo o lema da empresa fotográfica de G. G. Carsan, o objectivo é sempre surpreender a cada novo trabalho e esta publicidade colocada na montra (vitrine, no Brasil) da loja, comprova isso mesmo, como podemos ver nas fotos que ilustram este texto, porque acreditamos que até para o popular autor aretino, ela constituirá uma grande surpresa, já que certamente Civitelli não se imaginaria como sendo uma estrela de publicidade a cerca de 10.000 Km da sua casa e tendo até um Oceano a separar a sua Itália do Brasil…

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Tex retorna à grande e (novamente) a cores

Por José Carlos Francisco

TEX SPECIALE, 14 imperdíveis álbuns de grande formato em exclusivas edições a cores realizadas pelos mais importantes desenhadores de banda desenhada a nível mundial. Em cada volume, para além de uma explosiva e fascinante história completa, anedotas e curiosidades do mais importante mito da banda desenhada italiana.

Tex Speciale a colori (Tex Especial a cores): 14 grandes Mestres da 9ª Arte interpretando o estilo de Tex numa nova iniciativa da Sergio Bonelli Editore em colaboração com os periódicos “la Repubblica” e o “l’Espresso“, onde a cada sete dias, o “Tex Speciale” apresentará os álbuns “Gigantes” numa inédita versão a cores que começa no dia 1 de Setembro com “Tex il grande!” (“Tex, o grande“), desenhado por Guido Buzzelli e publicado pela primeira vez em 1988.

Oficialmente a iniciativa só prevê inicialmente 14 números, mas tendo em conta o estrondoso êxito alcançado pela “Collezione Storica a Colori” de Tex, proposta semanalmente também pelo quotidiano “la Repubblica” e pelo semanário “l’espresso”, desde o longínquo mês de Fevereiro de 2007 e que se encerrará daqui a duas semanas com o nº 239, estamos plenamente convictos que o Tex Speciale não se ficará por apenas 14 edições, mas antes pelo contrário, prosseguirá até ao último Tex Gigante publicado, adentrando assim em 2012, para deleite de todos os fãs e coleccionadores de Tex que esperam ver as míticas aventuras dos Tex Gigantes numa nova veste colorida.


Segue a lista oficial das edições a publicar nesta nova colecção:

Nº 1, dia 1 de Setembro de 2011: Tex il grande! (Tex, o Grande); Claudio Nizzi e Guido Buzzelli

Nº 2, dia 8 de Setembro de 2011: Terra senza legge (Terra Sem Lei); Claudio Nizzi e Alberto Giolitti (Gilbert)

Nº 3, dia 15 de Setembro de 2011: Il segno del serpente (A Marca da Serpente); Claudio Nizzi e Aurelio Galleppini

Nº 4, dia 22 de Setembro de 2011: Piombo rovente (Chumbo Ardente); Claudio Nizzi e Sergio Zaniboni

Nº 5, dia 29 de Setembro de 2011: Fiamme sull’Arizona (Arizona em Chamas); Claudio Nizzi e Victor De La Fuente

Nº 6, dia 6 de Outubro de 2011: La grande rapina (O Grande Roubo); Claudio Nizzi e José Ortiz

Nº 7, dia 13 de Outubro de 2011: Il pueblo perduto (O Pueblo Perdido); Claudio Nizzi e Giovanni Ticci

Nº 8, dia 20 de Outubro de 2011: Il soldato comanche (O Soldado Comanche); Claudio Nizi e Aldo Capitanio

Nº 9, dia 27 de Outubro de 2011: La valle del terrore (O Vale do Terror); Claudio Nizzi e Roberto Raviola

Nº 10, dia 3 de Novembro de 2011: L’uomo di Atlanta (O Homem de Atlanta); Claudio Nizzi e Jordi Bernet

Nº 11, dia 10 de Novembro de 2011: L’ultima frontiera (A Última Fronteira); Claudio Nizzi e Goran Parlov

Nº 12, dia 17 de Novembro de 2011: Gli assassini (Os Assassinos); Mauro Boselli e Alfonso Font

Nº 13, dia 24 de Novembro de 2011: Sangue sul Colorado (Sangue no Colorado); Claudio Nizzi e Ivo Milazzo

Nº 14, dia 1 de Dezembro de 2011: L’ultimo ribelle (O Último Rebelde); Claudio Nizzi e Colin Wilson

Blogue português do Tex completa dois anos alojado na estrutura TexBR

O prestigiado Portal TexBR,  maior site brasileiro que trata de fumetti e faroeste, com especial atenção para o editor italiano Sergio Bonelli, e sua personagem de maior sucesso, Tex, através do seu coordenador Gervásio Santana de Freitas, recorda aos seus internautas, que neste mês de Agosto foi comemorado o segundo aniversário da parceria estrutural entre o TexBR e o blogue português do Tex, da seguinte forma:

Daqui da redacção do Portal TexBR enviamos os parabéns a José Carlos Pereira Francisco, o Zeca, e a Mário Marques, o Marinho, pelos dois anos de hospedagem do Blogue do Tex na estrutura TexBR, completados em 4 de Agosto último.

Nesse tempo de jornada do Blogue do Tex (somado ao tempo anterior que o blogue estava alojado em estrutura não profissional) percebe-se que os objectivos de divulgação de Tex foram e estão sendo amplamente alcançados.

O Blogue do Tex já é uma referência em idioma lusófono e não só, agrupando em torno de si – e coligado com o Portal TexBR, uma legião de coleccionadores e apreciadores do Universo dos Quadradinhos Bonelli.

Para ilustrar esta matéria, um belíssimo desenho produzido pelo desenhador brasileiro A.Moreira (Antônio Carlos Moreira), arte que representa bem uma das grandes paixões de Portugal e Brasil: o Ranger Tex Willer (clique sobre a imagem para ampliar a mesma), bem como – de certo modo – a parceria que une o Blogue do Tex com o Portal TexBR.

Parabéns ao Zeca e ao Marinho por este segundo aniversário na estrutura TexBR.

Acesse o Blogue português do Tex clicando no link abaixo:
https://texwillerblog.com/

Pela nossa parte, dizemos obrigado pelos parabéns e obrigado também pelas palavras e votos. Agora, passados dois anos do início desta parceria, podemos dizer que com este novo registo no domínio TexBR, estamos certamente mais eficientes e podemos corresponder em pleno aos anseios de todos os que diariamente nos visitam.

Nada disto teria sido possível sem o carinho e atenção de todos os que diariamente convivem no blogue e que nos encorajam. Nada disto teria sido possível sem a colaboração dos que nos enviam matérias. Nada disto teria sido possível sem a colaboração de autores, desenhadores, afinal quem está por detrás do pano. Nada disto teria sido possível sem o grande carisma, o elevado profissionalismo e a enorme paixão do pard Gervásio Santana de Freitas que tudo fez (e continua a fazer) para o pleno funcionamento do blogue português do Tex, pois esperamos estar sempre à altura de todos que nos visitam em busca de novidades, entrevistas, notícias e tudo o mais que tenha a ver com o mundo Texiano!

Jack Tigre e as minorias dos quadradinhos, no Jornal de Notícias: 9 de Agosto de 2011

Texto da secção Cultura, de 9/08/2011
F. Cleto e Pina

Imensas minorias aos quadradinhos

* Criação de Homem-Aranha negro de origem hispânica volta a colocar a questão étnica na ordem do dia na BD

Se há semanas o anúncio da morte do Homem-Aranha mereceu grandes atenções mediáticas um pouco por todo o Mundo, a sua substituição por um negro de origem hispânica não lhe fica atrás. E, assim, a questão étnica volta ao território da banda desenhada.

Convém esclarecer que esta mudança, contudo, não diz respeito ao super-herói original, mas sim ao da versão da revista “Ultimate“, que transpunha a sua origem para os nossos dias. Nela, depois da morte de Peter Parker, o protagonismo está entregue a Miles Morales, descendente de africanos e de latinos. A sua origem será contada em Setembro, em “Ultimate  Comics Spider-Man #1“, onde, segundo o argumentista Brian Bendis, surgirá “como um Homem-Aranha do século XXI, um reflexo da cultura e diversidade norte-americanas“. Esta ideia estava em cima da mesa desde que Obama foi eleito para a Casa Branca.

Sendo verdade que a opção permite uma nova e diferente abordagem em termos narrativos — desde logo mostrando o novo Homem-Aranha como vítima de racismo —, possivelmente, por detrás desta mudança tão radical estarão apenas objectivos de marketing. Que resultaram quando o Homem-Aranha morreu às mãos do Duende Verde, com as vendas da revista a triplicarem, fruto também da mediatização do facto, tal como acontece agora.

Para já, resta aguardar pela reacção dos fãs, sendo certo que Miles Morales poderá conquistar novos leitores junto das comunidades negra e hispânica, uma vez que os quadradinhos norte-americanos (e não só) não têm sido pródigos na entrega de papéis de primeira grandeza a representantes de minorias.

Quase sempre secundários

Na verdade, presentes desde os clássicos da BD até ao presente, negros, latinos e outros raramente ultrapassaram papéis secundários, como ajudantes ou contraponto cómico do herói branco, bem parecido e com capacidade de decisão, como no caso de Mandrake, o mágico, que tinha como auxiliar Lotário, o hercúleo e musculado negro, que até era monarca de uma nação africana!

No campo dos super-heróis, durante anos, o companheiro de aventuras do Capitão América foi outro negro, conhecido como Falcão.

Blade, o caçador de vampiros; Pantera Negra e Luke Cage também são negros, sendo que a Cat Woman, o Lanterna Verde, Nick Fury, a X-Woman Tempestade e mesmo o Capitão América, o Super-Homem e a Super-Girl, estes num universo paralelo, já tiveram versões negras.

O western é um género em que os exemplos abundam: dois cowboys galantes, Cisco Kid e Jerry Spring, geralmente faziam-se acompanhar por mexicanos de nome Pancho, grande perímetro abdominal e o jeito para o disparate, tal como o seu compatriota Chico, ajudante regular de Zagor. Numa outra criação Bonelli, Tex, em muitas histórias, o ranger não dispensa a sombra de Jack Tigre, pele-vermelha, como Tonto, o amigo do Lone Ranger, e Comanche, a patroa de Red Dust, menos protagonista do que este apesar da série ter o seu nome.

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Álbuns de Tintin politicamente correctos

O retrato paternalista que Hergé traçou dos negros congoleses em “Tintin no Congo”, em 1930, valeu-lhe diversas acusações de racismo e, aos detentores dos direitos das suas obras, o processo que actualmente corre nos tribunais belgas. Essa imagem seria contrariada quase três décadas mais tarde, em 1958, quando o repórter e o capitão Haddock combatem um grupo responsável pelo tráfico de negros, em “Carvão no porão”. Apesar disso, ao longo dos anos, nos sucessivos melhoramentos que Hergé introduziu nos álbuns de Tintin, ao nível do desenho ou da cor, nalguns casos pontuais, negros, índios ou árabes foram substituídos por brancos, para atenuar o impacto das imagens originais, como é possível verificar comparando as duas versões disponíveis no mercado português de “Tintin na América”, a normal e o fac-símile da edição de 1945, recentemente lançado.

Copyright: © 2011 Jornal de Notícias; F. Cleto e Pina
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