Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…
Caros Leitores – Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas: 1– O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches. 2– O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies. 3– E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1– Aquele de “fronteira”. 2– Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação –O ALFABETO DO VELHO OESTE – propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência –o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…
O
Oakley, Annie – Nome correcto: Phoebe Anna Oakley Mozee. Nasceu em 1859, morreu em 1926. Nos anos 60 do XIX século, nas florestas do Ohio, aprendeu a disparar com rifle modelo antigo. Tornou-se conhecida com apenas 18 anos, quando em 1877, venceu clamorosamente o célebre campeão de tiro, Frank Butler, numa disputa em Cincinnati. Butler casou-se com Annie, abreviando-lhe o nome para Oakley e a fez participar ao “Wild West Show” de Buffalo Bill. Com esse espectáculo, Annie viajou por toda a América e Europa, onde com um tiro de revólver, fez cair da boca do jovem Kaiser Guilherme II, o cigarro que ele mantinha nos lábios. Acertava com facilidade uma simples moeda de 50 cêntimos, segura entre os dedos por um homem, a uma distância de dez metros, e geralmente desafiava os melhores atiradores da região, vencendo-os a todos, sempre. Depois, sua morte foi imortalizada por Ethel Merman, em seu musical “Annie get your gun”. Quando fez a sua aparição como campeã de tiro, os cowboys chamaram os seus bilhetes ferroviários de “Annie Oakley”, porque o controlador furava os bilhetes com a segurança, igual a aquela que tinha Annie ao centrar o seu alvo.
Ok-Corral – Celeiro e curral em forma de ferradura, que existia em Tombstone (cidade com minas de prata, no Vale San Pedro, em Arizona), no cruzamento da Rua Frement com a Third. Tornou-se famoso pelo lendário tiroteio, que houve em 26 de Outubro de 1881 entre os irmãos Wyatt, Virgil e Morgan Earp e o conhecido dentista alcoólatra Doc Holliday de uma parte e os cowboys Tom e Frank McLowry, Ike e Billy Clanton e Billy Claiborne da outra. Três dos cowboys foram mortos. A relação oficial do Estado do Arizona classifica essas mortes como; “homicídios demonstrados”.
Oklahoma Annie – Cattle Annie (Annie McDougal) e Little Britches (Jenny Stevens, chamada também de Annie McDoulet e Jenny Midkiff), com a idade de 16 e 17 anos uniram-se ao “Bando Doolin”, após terem já feito parte de outros bandos. Quando na Primavera de 1894 o “Bando Doolin” foi exterminado, perto de Ingalls, as jovens dividiram-se e Little Britches casou-se na Primavera de 1895, com o agricultor Midkiff, originário de Newkirk. Quando, porém o esposo descobriu que a sua mulher procurava outros homens, quando ele estava ausente, levou-a ao seu pai em Pawnee, de onde a jovem fugiu após alguns dias, unindo-se a uma quadrilha de ladrões de cavalos. Também Cattle Annie, entrou a fazer parte desse bando e as duas jovens foram presas no Inverno de 1895, pelo “US-Deputy-Marshal” Canton. O Tribunal Distrital de Perry condenou-as a dois anos de prisão, no Reformatório de South Farmington, em Massachusetts. Dezoito meses depois, a libertação, Cattle Annie morreu tuberculosa, no subúrbio desprezível de New York, enquanto que Little Britches retornou para o Oklahoma. Viveu certo tempo na casa do pai em Sinnett, em Pawney County, depois casou-se, tornando-se ao que ficou registado, uma mulher respeitável.
Omahas – Na língua dos Sioux significava: “Aqueles que vão contra o vento”. Eram Índios da Família dos Sioux, que viviam no Nebraska norte-oriental, nas duas margens do Missouri River. Existem ainda cerca de 1600 indivíduos que vivem na Reserva dos Omaha, no Nebraska.
Operação Aquisição Oregon – Em 22 de Abril de 1847 o Superintendente dos Negócios Indígenas do território de Oregon, difundiu o seu primeiro documento àqueles que emigravam para o Oregon, neles eram descritos as vantagens paradisíacas do local na costa do Pacífico, e com indicação da trilha que se devia percorrer. A essa nova forma de “Recrutamento Humano”, fizeram com que vários outros tipos de informação se manifestassem, outros descreviam o Idaho, Montana, Wyoming, Nevada, Arizona, New Mexico, Colorado, Dakota, Nebraska, Kansas, Oklahoma e o Texas como Paraísos da terra. Mas logo, os primeiros túmulos de pioneiros, foram tantos como verdadeiros buracos de roedores, mas para as gerações sucessivas, começou a realizar-se aos poucos o quanto estava prometido naquelas formas de comunicação.
Orejana – Expressão usada pelos cowboys da Califórnia, para indicar um garanhão jovem e selvagem.
Osage – Da palavra “Osage” – (Wazhazha = Nome de uma das sub-tribos). Tribo da Família Linguística dos Sioux, que viviam ao longo do Osage River, Montana, tornou-se famosa como a inimiga jurada, daquelas tribos que usavam os cavalos, por causa de sua ordem social do tipo Militar. Em 1839 os “Osages” viveram numa Reserva do então chamado: “Território dos Índios”, tornando-se mais tarde o estado de Oklahoma. Índios de caráter em sua maioria pacíficos eram particularmente hábeis na feitura de cobertores, tapetes, cestas e vasos. Para evitar que na sua Reserva, já em 1835, atravessada por caravanas de pioneiros, surgissem conflitos sangrentos, instituíram rapidamente uma Polícia Indígena uniformizada; a “Osage Indian Police”, que com toda a sua energia, vigiava o trajecto das caravanas, através do seu território, afugentando os demais Índios, bandidos e ladrões brancos. O xerife mais conhecido foi o Índio Jacob Scott, que permaneceu no seu cargo de 1876 até 1893, do qual se falava de sua inteligência, seu temperamento diplomático e de sua habilidade em disparar e cavalgar. Quando na Reserva de Oklahoma, foi encontrado petróleo, os Osages foram o suficientemente inteligentes, em evitar a confusão nesses casos. Eles ficaram ricos e já há muito tempo, libertados da tutela do Governo Americano. Em 1937, viviam 3.649 Índios Osage.
Osceola – (1803-1838). Foi um dos grandes caciques da Nação Seminola. Era ao que parece alto em estatura, com expressão melancólica. Nasceu em 1803 à margem do Tappapoosa River, na região dos Índios “Creeks”. Seu avô por parte paterna era um Escocês e a pós a morte de seu pai, a mãe esposou um homem branco de nome Powell e isso fez com que Osceola fosse muitas vezes chamado de Powell. Ele não descendia de um cacique, mas, com a idade de trinta e dois anos, recebeu o cargo de cacique do seu Povo e tomou o comando dos guerreiros, quando os Americanos quiseram caçar os “Seminoles” da Flórida, para aprisiona-los na Reserva do “Indian Territory”. Osceola combateu nos “Everglades”, mantendo a superioridade às tropas inimigas até quando, finalmente, as suas tentativas de negociação, tornou-se realidade. Um dia Osceola apresentou-se diante do inimigo, com uma bandeira branca, mas foi prontamente atingido por bala rival, preso e colocado na prisão. Essa traição levantou a indignação de seus guerreiros, porém o jovem cacique permaneceu prisioneiro e morreu com o seu coração despedaçado em Fort Moultry, Flórida, em Janeiro de 1838.
Outrider – Era um cowboy ancião que, a cavalo, fazia inspecções nos pastos, para controlar a migração das boiadas, seu estado de saúde e para julgar a qualidade da água e da pastagem.
* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco
De 10 a 21 de Setembro de 2011, realizar-se-à na cidade de Viseu, oXVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, cujo tema central aborda a temática ”Cidades na BD“, mas onde também não deixará de estar presente em grande destaque a personagem Tex Willer, não só pela exposição associada ao Ranger (As Cidades do Velho Oeste), mas também pela presença do conceituado desenhador italiano Fabio Civitelli.
Desta vez Fabio Civitelli não quis fazer a habitual vista da cidade com o Tex a cavalo (até porque essa imagem já aparece no cartaz do evento da autoria do Engenheiro António Mata), tendo pensado antes em colocar o Tex emboscado no claustro da Sé de Viseu, tornando assim a presença do Rangerna cidade de Viriato muito mais original, como podemos ver de seguida num desenho que o blogue português do Tex divulga para o mundo, mas sobretudo para os apaixonados Texianos portugueses em mais um inédito e exclusivo mundial.
Tex emboscado no claustro da Sé de Viseu
Os texianos presentes, nos dias 10 e 11 de Setembro, no evento de Viseu, receberão uma cópia de alta qualidade (em formato A4) deste magnífico desenho que comprova a passagem de Tex por Viseu, devidamente autografado porFabio Civitelli, já que a organização do 17º Salão de BD de Viseu deseja oferecer uma recordação especial a quem prestigiar o evento marcando presença na bela cidade capital da Beira Alta. Trata-se sem dúvida de mais um motivo extra para se fazer presente, até porque para valorizar ainda mais este item texiano, a produção está restringida a apenas 100 cópias, por isso caro pard, seja um dos 100 texianos a terem esta preciosidade na sua colecção.
Como curiosidade e para efeito de eventual comparação deste magnífico desenho do autor italiano, mostramos 3 fotografias do claustro renascentista da Sé de Viseu e que certamente inspiraram Fabio Civitelli na realização desta homenagem que o autor italiano quis fazer à bela cidade de Viseu:
A Sé ou Catedral de Viseu é uma das construções mais antigas da cidade. Não se sabe ao certo quando se terá iniciado a sua construção. As referências mais antigas datam de 1094-1114, período de governo do Conde D. Henrique, que a terá mandado construir, ou então iniciou obras de reforma da catedral. As características românicas, que hoje apresenta, datarão dessa altura.
Sé de Viseu (Monumento Nacional)
A Torre do Relógio é românico-gótica, a fachada central e a Torre dos Sinos são maneiristas do séc. XVII-XVIII (autor-arquitecto de Salamanca, J. Moreno). Esta fachada substituiu uma fachada manuelina que existiu até 1635. Na interior da Sé encontramos as colunas encimadas por arcos ogivais, que suportam a abóbada dos nós do séc. XVI (autor João de Castilho). Os claustros inferiores da Sé datam do séc. XVI; os claustros superiores datam do séc. XVIII. Os vários portais do claustro inferior são românico-góticos.
Os azulejos do claustro da Sé são dos fins do séc. XVI, início do séc. XVII e também merecem alguma atenção.
No andar superior da Sé, existe o Museu de Arte Sacra, que é constituído pelo antigo tesouro da Sé e está localizado em dependências dos claustros, nas salas nobres do Cabido, lugar onde terão sido as casas de S. Teotónio, prior da Sé. Destes cofres de Limoges do séc. XIII, imagens, cruzes, hostiários, relicários e inúmeras peças de ouro e prata constituem o valioso património deste museu que teve igualmente a grande honra de receber a visita de Tex Willer.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Jorge Machado-Dias, Jorge Magalhães e Pedro Cleto na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (redactor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
O XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, a realizar de 10 a 21 de Setembro próximo e cuja temática é o das “Cidades na BD“, traz pela QUARTA vez Fabio Civitelli a Portugal, que deste modo, tornar-se-à o primeiro autor de nível internacional a ter sido convidado para estar presente nos quatro maiores eventos relacionados com a banda desenhada no nosso país, motivo mais que suficiente para esta nova entrevista do blogue português do Tex com o autor aretino que estará presente em Viseu nos dias 10 e 11 de Setembro, onde receberá inclusive o Prémio Anim’Arte 2010.
Para além da presença de Fabio Civitelli aquando do fim de semana inaugural do Salão, Viseu terá também uma nova exposição dedicada ao Tex: “As cidades do Tex” e dela constarão 18 pranchas deste que é um dos mais conceituados desenhadores do Ranger e que terão como pano de fundo, muitas das cidades onde Tex comparece ao longo da saga.
Caro Fabio, bem-vindo de volta ao blogue português de Tex. Depois dos grandes sucessos obtidos no País com as suas presenças (2007 em Moura, 2008 na Amadora e 2010 em Beja), você agora é o convidado de honra do 17° Salão Internacional de BD em Viseu, e torna-se assim o primeiro autor de nível internacional a ser convidado aos quatro maiores eventos que têm por objecto os quadradinhos em Portugal. O que isso significa para si? Fabio Civitelli: Este novo convite é, para mim, motivo de grande satisfação. Significa que as minhas visitas anteriores foram do agrado do público dos texianos portugueses, que o meu trabalho é apreciado no vosso belo País e que, sobretudo, sou cada vez mais considerado o embaixador de Tex. Se as mostras, os debates, e as sessões de autógrafos significarão interesse, alegria e diversão aos leitores, eu ficarei muito feliz.
Em Viseu você receberá o prémio Anim’Arte 2010. Com que estado de ânimo o receberá? E já agora quais são as suas expectativas em relação ao Salão de Viseu? Fabio Civitelli: Será uma grande honra receber esse apreciado reconhecimento, que considero sobretudo um prémio a Tex, do qual sou apenas um dos desenhadores. Tex é uma personagem que considero muito mais importante que os próprios artistas que a realizam e, sempre que um autor da equipa texiana obtém reconhecimentos, todos nos felicitamos, a começar por Sergio Bonelli, sempre impressionado positivamente com o afecto e a atenção que o Ranger suscita junto ao público português.
Os fãs portugueses de Tex são, de algum modo, diferentes dos outros que você conheceu? E em relação àqueles brasileiros?
Fabio Civitelli:Os aficionados por Tex caracterizam-se por um amor total pela personagem, e isso acontece em todos os Países em que é publicado, mas é claro que nos Países latinos isso é percebido com mais destaque: tanto na Itália quanto em Portugal o público presente às mostras é mais quente e aficionado, mais curioso para ver as antestreias e desejoso de expressar as suas opiniões. E, nesse sentido, devo dizer que não vi diferenças particulares em relação ao público brasileiro, também esse muito simpático e expansivo.
Pode nos contar alguma história curiosa ou divertida que você viveu durante alguma de suas visitas a Portugal? Fabio Civitelli:A minha participação na manifestação de Beja do ano passado foi caracterizada pela possibilidade de rever todos aqueles fãs que eu havia conhecido em Moura e na Amadora, mas a coisa mais divertida foi o encontro com o grande Hermann: quando cheguei ao hotel ele reconheceu-me de imediato (eu já o havia encontrado na Croácia) e, para meu grande espanto, ele pediu-me um desenho de Tex para um amigo belga. Incrível, eu não sabia que em Bruxelas Tex era conhecido, e muito menos o meu trabalho!
Em Beja nós o vimos desenhar Tex ao lado de Red Dust, que Hermann já havia desenhado na mesma folha. Enquanto você desenhava Tex veio-nos à mente que, se Jean Giraud estivesse presente àquele memorável almoço, talvez tivesse desenhado Blueberry. Seria sem dúvida outro desenho histórico e sem preço, não concorda? Os três cowboys europeus mais conhecidos no mundo da BD são personalidades distintas – talvez Red Dust mais próximo a Blueberry. Qual a sua opinião sobre esta diferença entre os três: o que distingue Tex, sempre limpo e barbeado (mesmo depois de alguns dias no deserto) de Dust e do tenente rebelde de Giraud, quase sempre sujos e com a barba quase sempre por fazer? Fabio Civitelli:Eu tenho uma recordação por demais agradável daquele almoço e, quando voltei para casa, o meu amigo José Carlos mandou-me uma cópia daquele desenho, que tenho afixada no meu estúdio. A bem pensar, é justo notar a diferença com Red Dust e, se queremos, também com Blueberry: esses representam um Oeste quem sabe mais realístico, mais sujo e poeirento, mas penso que isso seja, sobretudo, culpa do meu estilo, talvez por demais nítido e limpo. Se olharmos ao belíssimo Tex de Giovanni Ticci (que, além de meu amigo querido, considero o mestre de todos nós), essas diferenças são muito leves, e também nas suas páginas respira-se a verdadeira atmosfera do Velho Oeste. Claro que poder fazer um desenho com o grande Giraud seria a realização de um sonho!
Por ter estado mais de uma vez em Portugal, você conhece algum facto da nossa História? Gostaria de sugerir algum tema aos desenhadores portugueses? Fabio Civitelli: Depois de visitar duas vezes o Brasil e ter visto os muitos sinais da colonização portuguesa na América do Sul, eu gostaria de ver algum episódio daquele período, da exploração aventurosa daquele imenso território. Daí poderia sair um belíssimo western sul-americano!
Alarguemos um pouco o horizonte da entrevista: pela qualidade, pelo nível e pelo reconhecimento de público e de crítica que atingiu, você sente-se um autor de Tex diferente (no sentido de superior) dos demais? Fabio Civitelli:Nem um pouco! Como eu já disse, considero esses prémios mais dirigidos a Tex do que a mim. Mas certamente eu fico muito orgulhoso, assim como tenho orgulho de trabalhar com uma personagem tão importante, numa equipa prestigiosa que compreende alguns dos maiores autores italianos de todos os tempos! Quanto a mim, nos últimos dez anos eu busquei desenvolver um estilo mais pessoal e autónomo e, com isso, cada prémio conforta-me sobre o facto que esta minha busca seja apreciada e considerada como um valor agregado para a série (tanto que, como muitos devem saber, Sergio Bonelli fez-me a grande honra de chamar-me para realizar um Tex Gigante, chamado de Texone na Itália, que deve sair no próximo ano).
Há alguma história de Tex não assinada por si e que você apreciaria ter realizado? Fabio Civitelli:Certamente O Passado de Carson, que eu considero uma verdadeira obra-prima. É uma pena que a minha colaboração com Mauro Boselli tenha começado há apenas dois anos (mas antes tarde do que nunca)!
Se lhe fosse proposto desenhar novamente uma aventura clássica de Tex, por exemplo, de autores como Galep ou Lettèri, como imagina que cumpriria a tarefa? E que história escolheria desses autores? Fabio Civitelli:Desde jovem eu sou fascinado pela clássica história do extraterrestre (O Vale da Lua), que considero perfeita como texto e desenhos, com um Galep no esplendor da forma. Não creio que redesenhá-la levaria a particulares melhorias, mas entro no jogo e digo que é esta que eu gostaria de ilustrar: eu poderia trabalhar muito sobre os claros-escuros e sobre os efeitos especiais, claro que sem mostrar a criatura e a deixá-la sempre envolvida pelas sombras.
Se não fosse desenhador dedicado a Tex, que outra personagem lhe agradaria ter levado adiante por 25 anos? Fabio Civitelli:Antes de Tex eu trabalhei por alguns anos com Mister No, uma personagem que amei demais e da qual eu era leitor há anos: se a publicação não tivesse sido encerrada, eu gostaria de desenhar uma história de vez em quando, como fiz em 1993 para o primeiro Almanaque da Aventura. Mas como trabalho continuado por tantos anos, Tex é o que eu sempre desejei, e por essa razão jamais tive o pensamento de dedicar-me de forma estável a outra BD.
Num certo momento da sua carreira você desenhou O Quarteto Fantástico e Homem-Aranha. Já pensou em reinterpretar, ao seu estilo, Dust ou Blueberry, ou qualquer outra personagem da BD que lhe agrada? Fabio Civitelli:Como eu disse, Tex representa o trabalho que eu quero fazer com continuidade, e somente se surgisse a ocasião de realizar um Blueberry, eu poderia traí-lo momentaneamente, mas seria só uma escapadela, uma fraqueza momentânea!
Você tem a ambição de, um dia, criar uma personagem toda sua? Fabio Civitelli: Certamente não. Eu espero apenas poder sempre trabalhar com bons roteiristas e fazer histórias cada vez melhores.
Na sua opinião o que é mais importante numa BD: o desenho ou o roteiro? E quais são, sempre na sua opinião, os ingredientes de base numa história aos quadradinhos? Fabio Civitelli:Eu penso que os dois elementos têm a mesma dignidade e importância; mas também é verdade que uma bela história com desenhos medíocres (e agora falo como leitor de BD) é sempre preferível a uma história ruim desenhada bem. O sucesso de Tex nasceu das características da personagem e do tipo de histórias que Bonelli e seus herdeiros escreveram em todos esses anos: tivesse sido uma personagem banal com histórias banais, não teria bastado a arte de Galep a fazer dela tamanho sucesso. É claro que, para um desenhador, pode ser frustrante saber que, por melhor que possa trabalhar, jamais poderá salvar uma história ruim! Quanto à segunda parte da pergunta, não creio que se possa responder com poucas palavras, mesmo porque não existe uma fórmula matemática para produzir bons quadradinhos.
Você já pensou em usar a informática e, como alguns desenhadores, mirar a novas técnicas, ou este é um método que não lhe agrada? Em caso positivo, porque? Fabio Civitelli:Eu sou absolutamente contra o uso do computador no desenho, mas isso é um ponto de vista estritamente pessoal. Eu gosto do carácter artesanal da BD, eu gosto de ver as páginas originais desenhadas à mão, e não impressões laser, eu gosto da leve imperfeição dos contrastes desenhados a pincel ou feitos com pontinhos, e também gosto que exista um mercado de desenhos originais que premeia o trabalho manual e artesanal (e, digamos, artístico).
Gostaríamos da saber algo mais sobre a sua técnica de desenho (belíssima, em nossa opinião): quando começa uma história, imaginamos que você deva documentar-se sobre os cenários, as armas, etc. Certo? As figuras humanas que desenha são totalmente criadas por si ou usa modelos como auxílio para certas posições do corpo, expressões ou outros detalhes? Fabio Civitelli: Na verdade a minha técnica é bastante tradicional, tanto que eu uso quase exclusivamente o pincel e o nanquim para a arte-final, e deixo as hidrocores apenas para os pontinhos. Claramente tudo começa com a documentação, hoje bastante fácil com a internet, depois eu desenho a página a lápis – e recorro, para as poses mais difíceis, a fotografias e fotogramas de filmes western que capturo de DVDs com o PC. Também tenho álbuns nos quais colecciono as fotos para certos assuntos, como atirar com o revólver, com a espingarda, cavalgar, ou primeiros planos com belas sombras. Também busco não repetir as mesmas poses ou os mesmos sombreados, então sempre busco novas imagens para recortar. Mas também é importante não se deixar condicionar pelas fotografias, e sim usá-las apenas como ponto de partida.
Como você analisa a ponte entre a escola clássica e a moderna nos quadradinhos italianos? Você concorda que houve uma evolução contínua na BD popular e uma ruptura naquela de alguns autores? Fabio Civitelli:Por sorte a BD chamada popular teve uma evolução no sentido de uma qualidade cada vez maior, favorecida também pela possibilidade que o editor hoje nos concede para dedicar mais tempo a cada página isolada. No caso de Tex, a presença contínua ou eventual de tantos mestres dos quadrinhos de autor representou uma rápida queda da barreira que parecia separar os dois géneros. De minha parte eu busco aplicar o mesmo empenho se desenho Mister No ou Tex e, se fosse chamado para realizar Blueberry, eu continuaria a trabalhar no máximo de minhas possibilidades, como sempre fiz.
Sabemos que a maior parte dos profissionais, depois de começar a trabalhar com BD, praticamente deixa de lado a leitura de quadradinhos. Você lê alguma personagem? Em caso positivo, qual o seu género preferido? Fabio Civitelli:Eu comecei a amar os quadradinhos desde pequeno, como leitor, e sempre mantive o prazer da leitura. Eu penso que é importante, também como autor, continuar a acompanhar o mercado e as novas personagens. Pessoalmente, além de Tex eu leio com muita regularidade Dampyr, Dylan Dog, Martin Mystère, os Romances em Quadradinhos e quase todas as mini-séries. Há alguns anos eu comprava muitos comics americanos, mas agora a qualidade dos super-heróis parece-me fraca e leio somente autores de ponta como Mignola, Ross, Hitch e poucos mais. Quanto à BD franco-belga, além de Blueberry eu acompanho o trabalho de Hermann e (do brasileiro) Leo. O meu preferido é Tex, que leio desde os meus oito anos!
Fabio, agradecemos muitíssimo pelo tempo que nos dedicou mais uma vez. Se desejar aproveitar este espaço para deixar uma mensagem aos seus admiradores que comparecerão em Viseu, sinta-se em casa. Fabio Civitelli: Espero encontrar muitos leitores, aos quais ficarei feliz em mostrar as páginas do meu Tex Gigante que estou a finalizar e que deve ser publicado em 2012, e os desenhos que fiz para o livro de ilustrações O Meu Tex e para a biografia texiana publicada na Itália na Primavera de 2011 para a Editora Mondadori. Espero que todo esse material em antestreia possa interessar ao público português (que a mim parece muito atento e também muito exigente!). Então, até breve. E viva Tex!
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Jorge Machado-Dias, Jorge Magalhães e Pedro Cleto per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (redattore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Dal 10 al 21 settembre prossimi si realizzerà in Viseu la 17ª Fiera Internazionale del Fumetto, il cui tema è “Le Città nel Fumetto”. E per la QUARTA volta avremo in Portogallo l’amico Fabio Civitelli, che così sarà il primo autore di livello internazionale ad essere stato invitato a presenziare ai quattro più importanti eventi, nel nostro Paese, in relazione al Fumetto.
Da qui è nato il desiderio impellente di questa nuova intervista del blog portoghese di Tex all’autore aretino che sarà presente a Viseu nei soli giorni 10 ed 11 settembre, quando riceverà, tra l’altro, il Premio Anim’Arte 2010.
Per illustrare la nuova esposizione “Le città di Tex”, a lui dedicata, Fabio Civitelli, che tutti riconosciamo come uno dei più validi disegnatori di Tex, ha voluto portare con sé, per farne partecipi gli amici visitatori, ben 18 stampe di suoi disegni, che avranno come sfondo molte delle città in cui Tex compare durante l’evolversi della saga.
Ciao Fabio, benvenuto ancora una volta al blog portoghese di Tex! Dopo i grandi successi ottenuti in Portogallo con le tue tre presenze (2007 a Moura, 2008 ad Amadora e 2010 a Beja) sei adesso l’invitato d’onore al 17° Salone Internazionale del Fumetto a Viseu, diventando così il primo autore di livello internazionale ad essere stato invitato ai 4 maggiori eventi aventi oggetto i fumetti in Portogallo. Cosa significa per te? Fabio Civitelli:Questo nuovo invito è motivo di grande soddisfazione, per me. Significa che le mie visite precedenti sono piaciute al pubblico dei texiani portoghesi, che il mio lavoro è apprezzato nel vostro bel paese, e che, soprattutto, vengo considerato sempre più come l’ambasciatore di Tex. Se le mostre, i dibattiti e le sessioni di autografi porteranno interesse, gioia e divertimento ai lettori, ne sarò molto felice.
A Viseu ti consegneranno il premio Anim’Arte 2010. Con quale stato d’animo lo riceverai? E già adesso quali sono le tue aspettative relativamente al Salone di Viseu? Fabio Civitelli:Sarà un grande onore ricevere questo gradito riconoscimento, che considero soprattutto un premio a Tex, del quale sono solo uno dei disegnatori. Tex è un personaggio che considero ben più importante degli artisti stessi che lo realizzano e ogni volta che un autore dello staff texiano ottiene dei riconoscimenti, tutti ne siamo felici, a cominciare da Sergio Bonelli, che è sempre rimasto favorevolmente colpito dall’affetto e dall’attenzione che il ranger suscita nel pubblico portoghese.
I fans portoghesi di Tex sono in qualche misura diversi dagli altri che hai conosciuto? E rispetto a quelli Brasiliani? Fabio Civitelli:Gli appassionati lettori di Tex si caratterizzano per un amore totale verso il personaggio e questo accade in qualunque nazione venga pubblicato, ma naturalmente nei paese latini questo si nota maggiormente: sia in Italia che in Portogallo il pubblico alle mostre è più caldo e appassionato, più curioso di vedere le anteprime e desideroso di esprimere i propri giudizi. In questo senso, inoltre, devo dire di non aver trovato differenze particolare con il pubblico brasiliano, anch’esso molto simpatico ed espansivo.
Vuoi raccontare qualche storia curiosa o divertente che hai vissuto durante qualcuna delle tue visite in Portogallo? Fabio Civitelli:La mia partecipazione alla manifestazione di Beja dell’anno passato è stata caratterizzata dalla possibilità di rivedere tutti quei fans che avevo conosciuto a Moura e ad Amadora, ma la cosa più divertente è stato l’incontro con il grande Hermann: al mio arrivo in albergo mi ha riconosciuto subito (l’avevo già incontrato in Croazia) e con mio grande stupore mi ha chiesto un disegno di Tex per suo amico belga. Incredibile, non sapevo che a Bruxelles conoscessero Tex, né tanto meno il mio lavoro!
Ti abbiamo visto a Beja disegnare Tex vicino a Red Dust, che Hermann aveva già disegnato nello stesso foglio. Mentre tu disegnavi Tex ci siamo ricordati che, se Jean Giraud fosse stato presente in quel memorabile pranzo, avrebbe forse disegnato Blueberry. Sarebbe senz’altro un disegno storico e senza prezzo, che ne dici? I tre cowboys europei più conosciuti nel mondo del fumetto sono personalità distinte – forse Red Dust più vicino a Blueberry… Ci piacerebbe conoscere la tua opinione su queste differenze fra i 3: cosa distingue Tex, sempre pulito e sbarbato (anche dopo qualche giorno nel deserto) da Dust e dal tenente ribelle di Giraud – quasi sempre sporchi e con la barba quasi sempre lunga? Fabio Civitelli:Ho un ricordo piacevolissimo di quella riunione e, al mio ritorno a casa, il mio amico Josè Carlos mi ha mandato una copia di quel disegno, che tengo appesa nel mio studio. Pensandoci bene è giusto notare la differenza con Red Dust, e anche se vogliamo con Blueberry: questi rappresentano forse un west più realistico, più sporco e polveroso, ma penso che questo sia soprattutto colpa del mio stile, forse troppo nitido e pulito. Se guardiamo il bellissimo Tex di Giovanni Ticci (che considero oltre che mio caro amico, il maestro di tutti noi) queste differenze sono molto lievi, e anche nelle sue tavole si respira la vera atmosfera del vecchio west. Certo che poter realizzare un disegno con il grande Giraud, sarebbe la realizzazione di un sogno!
Visto che sei stato invitato varie volte in Portogallo, conosci qualche fatto della nostra Storia? Vorresti suggerire qualche tema ai disegnatori portoghesi? Fabio Civitelli: Avendo visitato due volte il Brasile, e avendo visto i tanti segni della colonizzazione portoghese del Sud America, mi piacerebbe vedere qualche episodio di quel periodo, dalla esplorazione avventurosa di quell’immenso territorio. Potrebbe uscirne un bellissimo western sud americano!
Allargando adesso un po’ l’orizzonte dell’intervista: per la qualità, il livello ed il riconoscimento pubblico e di critica che hai raggiunto, ti senti un autore di Tex diverso (nel senso di superiore) rispetto agli altri? Fabio Civitelli:Affatto! Come ho già detto, considero questi premi più diretti a Tex che a me stesso. Ma certamente ne sono molto orgoglioso, così come sono fiero di lavorare ad un personaggio così importante, in uno staff prestigioso che comprende alcuni dei maggiori autori italiani di tutti i tempi! Per quanto mi riguarda, negli ultimi dieci anni ho cercato di sviluppare un mio discorso stilistico più personale ed autonomo: ebbene, ogni premio mi conforta del fatto che questa mia ricerca sia stata apprezzata e considerata un valore aggiunto per la testata (tanto che, come molti sapranno, Sergio Bonelli mi ha fatto il grande onore di chiamarmi a realizzare un Tex Speciale, chiamato Texone in Italia, che dovrebbe uscire il prossimo anno).
C’è qualche storia di Tex non firmata da te che ti sarebbe piaciuto di avere realizzato? Fabio Civitelli:Sicuramente Il passato di Carson, che considero un vero capolavoro. Peccato che la mia collaborazione con Mauro Boselli sia cominciata soltanto due anni fa (meglio tardi che mai, comunque)!
Se ti proponessero di disegnare nuovamente un’avventura classica di Tex, per esempio di autori come Galep o Lettèri, come pensi che prenderesti questo compito? E quale storia sceglieresti di questi autori? Fabio Civitelli: Fin da ragazzo sono stato affascinato dalla classica storia dell’extraterrestre (La valle della luna, n. 55-56), che trovo perfetta come testi e disegni con un Galep al massimo della forma. Non credo che ridisegnarla porterebbe un particolare miglioramento, ma stando al gioco è proprio questa che mi piacerebbe illustrare, infatti potrei lavorare molto sui chiaroscuri e sugli effetti speciali, naturalmente senza mostrare veramente la creatura e lasciandola sempre avvolta nell’ombra.
Se non fossi disegnatore dedicato a Tex, quale altro personaggio ti piacerebbe aver portato avanti per 25 anni? Fabio Civitelli:Prima di Tex ho lavorato alcuni anni a Mister No, un personaggio che ho molto amato e del quale ero lettore da anni: se non avesse cessato la pubblicazione mi sarebbe piaciuto disegnarne una storia ogni tanto, come feci nel 1993 per il primo Almanacco dell’Avventura. Però come lavoro continuativo per così tanti anni, Tex è quello che ho sempre desiderato, quindi non mi ha mai sfiorato il pensiero di dedicarmi stabilmente ad un altro fumetto.
In un certo momento della tua carriera hai disegnato I Fantastici Quattro e L’Uomo Ragno. Hai mai pensato di reinterpretare, a tuo modo, Dust o Blueberry, o qualunque altro personaggio a te gradito dei fumetti? Fabio Civitelli: Come ho appena detto, Tex rappresenta il lavoro che voglio fare con continuità, soltanto se si presentasse l’occasione di realizzare un Blueberry potrei momentaneamente tradirlo, ma si tratterebbe solo di una scappatella, di una momentanea debolezza!
Hai l’ambizione di creare, un giorno, un personaggio tutto tuo? Fabio Civitelli: Certamente no. Spero soltanto di poter sempre lavorare con bravi sceneggiatori e realizzare storie sempre migliori.
Secondo te cosa è più importante in un fumetto: il disegno o il soggetto? E quali sono, sempre secondo il tuo giudizio, gli ingredienti di base in una storia a fumetti? Fabio Civitelli: Penso che i due elementi abbiano uguale dignità e importanza: è anche vero però che una bella storia con disegni mediocri (e adesso parlo come lettore di fumetti) è sempre preferibile ad una storia brutta disegnata bene. Alla fine il successo di Tex è nato dalle caratteristiche del personaggio e dal tipo di storie che Bonelli e i suoi eredi hanno scritto in tutti questi anni: fosse stato un personaggio banale con storie banali non sarebbe bastata l’arte di Galep a farne un tale successo. Certamente per un disegnatore può essere frustrante sapere che per quanto possa ben lavorare, non potrà mai salvare una storia brutta! Per la seconda parte della domanda, non credo che si possa rispondere in poche righe, anche perché non esiste una formula matematica per produrre dei buoni fumetti.
Hai già pensato di utilizzare l’informatica, evolvendo, come alcuni disegnatori, verso tecniche nuove, oppure questo è un metodo che non ti piace? In caso positivo, perché? Fabio Civitelli:Sono assolutamente contrario all’uso del computer nel disegno, ma questo è ovviamente un parere del tutto personale. Mi piace la artigianalità del fumetto, mi piace vedere le tavole originali disegnate a mano, e non delle stampe laser, mi piace la leggera imperfezione delle sfumature disegnate a pennello o a puntini, e mi piace anche che ci sia adesso un mercato dei disegni originali che premia il lavoro manuale e artigianale (e diciamolo, artistico).
Ci piacerebbe conoscere qualcosa di più circa la tua tecnica di disegno (bellissima secondo noi): quando inizi una storia, pensiamo che ti debba documentare per quanto riguarda gli scenari, le armi, ecc… giusto? Disegni le figure umane di testa tua, o utilizzi modelli per aiutarti in certe posizioni del corpo, espressioni o altri dettagli? Fabio Civitelli:In realtà la mia tecnica è abbastanza tradizionale, tanto che utilizzo quasi esclusivamente il pennello e la china per le inchiostrature, lasciando i pennarelli per i soli puntini. Chiaramente tutto inizia dalla documentazione, oggi resa molto più facile da Internet, poi disegno la tavola a matita, aiutandomi per le pose più difficili con fotografie e fotogrammi di film western che catturo con il PC dai DVD. Ho anche degli album dove raccolgo le foto per argomenti, tipo sparare con la pistola, con il fucile, cavalcare o primi piani con delle belle ombre. Cerco anche di non ripetere le stesse pose o le stesse ombreggiature, quindi cerco sempre nuove immagini da ritagliare. Però è anche importante non farsi condizionare dalle fotografie, ma usarle soltanto come base di partenza.
Come analizzi il ponte tra la scuola classica e quella moderna nel fumetto italiano? Sei d’accordo che c’è stata una evoluzione continua nel fumetto popolare ed una rottura nel fumetto di taluni autori? Fabio Civitelli:Fortunatamente il fumetto cosiddetto popolare ha avuto una evoluzione verso una qualità sempre maggiore, favorita anche dalla possibilità che l’editore ci concede oggi di dedicare più tempo ad ogni singola tavola. Nel caso di Tex la presenza continua o saltuaria di tanti maestri del fumetto d’autore ha comportato una rapida caduta della barriera che sembrava dividere i due generi. Da parte mia cerco di mettere lo stesso impegno se disegno Mister No oppure Tex, e se fossi chiamato a realizzare Blueberry continuerei a lavorare al massimo delle mie possibilità come ho sempre fatto.
Sappiamo che la maggior parte dei professionisti, dopo avere iniziato a lavorare nel fumetto, quasi tralasciano poi di leggere i fumetti. Tu leggi qualche personaggio? In caso affermativo, qual è il tuo genere preferito? Ed in caso negativo, quando e perché hai smesso di leggere? Fabio Civitelli: Ho iniziato ad amare i fumetti da bambino come lettore, e ho sempre mantenuto il piacere della lettura. Penso che sia comunque importante anche come autore continuare a seguire il mercato e i nuovi personaggi. Personalmente, oltre a Tex, leggo abbastanza regolarmente Dampyr, Dylan Dog, Martin Mystère, i Romanzi a Fumetti e quasi tutte le miniserie. Anni fa compravo molti fumetti americani, ma adesso la qualità dei super eroi mi sembra alquanto scarsa e leggo solo autori di punta tipo Mignola, Ross, Hitch e pochi altri. Riguardo al fumetto franco belga oltre a Blueberry, seguo i lavori di Hermann e di Leo. Il mio preferito: Tex, che leggo da quando avevo otto anni!
Fabio, ti ringraziamo moltissimo per il tempo che ci hai dedicato ancora una volta. Se desideri approfittare di questo spazio per lasciare un messaggio ai tuoi ammiratori che compariranno a Viseu, sei a casa tua! Fabio Civitelli: Spero di incontrare tanti lettori, ai quali sarò felice di mostrare le tavole del mio Texone, che sto ultimando e dovrebbe essere pubblicato nel 2012, poi i disegni per il libro di illustrazioni Il Mio Tex e per la biografia texiana uscita in Italia in primavera per l’editore Mondadori. Quindi tutto questo materiale in anteprima spero che possa interessare il pubblico portoghese (che mi sembra molto attento e anche molto esigente!). Quindi a presto, e viva Tex!
(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)
De 10 a 21 de Setembro de 2011, realizar-se-à na cidade de Viseu, oXVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, cujo tema central aborda a temática ”Cidades na BD“, mas onde também não deixará de estar presente em grande destaque a personagem Tex Willer, não só pela exposição associada ao Ranger (As Cidades do Velho Oeste), mas também pela presença do conceituado desenhador italiano Fabio Civitelli.
O blogue do Tex tem o privilégio de divulgar o cartaz do evento, da autoria do Engenheiro António Mata, assim como de fazer uma abordagem mais generalizada ao Salão de Viseu deste ano de modo a cativar um maior número de bedéfilos de todo o país a fazerem uma visita a Viseu, sobretudo no dia 10 de Setembro, onde pelas 17 horas se registará a inauguração do evento, com visita às exposições, entrega de prémios Anim’Arte BD, convívio de Texianos e outras actividades.
A cidade e o Salão BD justificam a viagem.
CENÁRIOS URBANOS … e do ermo nascem as cidades …
. A temática do XVII salão internacional de banda desenhada de Viseu conduz-nos ao encontro da arquitectura construída ou imaginada, transporta-nos aos cenários urbanos edificados pelas mãos de gerações de artistas da pedra ou cenários fantásticos imaginados pelo génio de inesquecíveis nomes da arte de desenhar aos quadradinhos. As histórias de vida que atravessam o tempo e o espaço e se animam nos desenhos que enchem a nossa memória e despertam a nossa curiosidade vivem de múltiplos sinais e arquitecturas; uma cidade é também uma paisagem coberta de sinais, “estruturas de memória” assinadas pelos homens que a edificam, e pelo tempo; e o tempo deixa marcas nas cidades, que se entrelaçam nas histórias de vida, mas também na arquitectura, elemento artístico e humanizado de contextualização e harmonização.
É desta dialéctica entre o espaço e o tempo, a arte e a vida que se constrói em grande parte este XVII salão e banda desenhada, procurando divulgar e honrar os espaços edificados por onde viajam, respiram e nos inspiram os autores e os heróis, dando brilho às histórias. Porque há cenários urbanos que brilham como pedras preciosas nas páginas da banda desenhada. E uma cidade torna-se num imenso universo quando estamos apaixonados por um dos seus habitantes, ou pelos seus espaços de memória, como acontece com o jovem repórter Tintin, ou com o eterno e enigmático viajante Corto Maltese , o histórico Alix ou obravo pistoleiro TEX. Boa viagem pelas cidades dos nossos heróis da banda desenhada. Boa estadia na cidade de Viriato, de Aquilino Ribeiro, de Grão Vasco e tantos outros heróis da História e da Memória da cidade. A organização (Gicav – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu) 2011.
PRÉMIOS ANIM’ARTE 2010
A banda desenhada nem sempre é reconhecida como uma manifestação de criatividade artística e fenómeno cultural secular. O GICAV pretende evocar e distinguir com estes prémios os criadores de BD com obra de reconhecido valor artístico e didáctico, que são apresentados no Salão de Viseu de Banda Desenhada. Premiados:Eugénio Silva e Fabio Civitelli
EUGÉNIO SILVA
Eugénio Rafael Pepe da Silva nasceu no Barreiro, em 1937. Frequentou o curso de Desenhador – Gravador – Litógrafo, onde se iniciou na banda desenhada, impulsionado pelo Mestre Rodrigues Alves. Datam desta época as suas primeiras experiencias em trabalhos incompletos: O Ultimo Moicano, O Escaravelho de Ouro, A Perfeição (de Eça de Queirós). A sua lista de trabalhos é curta, em parte devido ao seu carácter meticuloso de investigação histórica e documentação confirmada que sustenta a sua obra. Expôs em variadíssimos salões e festivais, nomeadamente na Sobreda, Lisboa, Barreiro, Viseu, Amadora, Moura, Ourique, Porto, Viana do Castelo, Castelo Branco, e também no estrangeiro: Japão e Roménia. Organizou o 1.º salão de bd do Barreiro em 1986. Recebeu o Troféu Sobredão, como Homenageado Nacional, na Sobreda/Bd 94, ano em que foi também convidado de honra do salão de Ourique. Tem participado como actor em vários projectos de teatro do Barreiro. Publicações: Amoni (Nau Catrineta); A Gruta dos três irmãos, no Pisca Pisca; História Pequena do Vidro (Espiral/Covina); Matias Sandor – álbum (Ed. Publica); Eusébio, o Pantera Negra (Meribérica/Liber); On a retrouve la foret perdue (Narration/Marselha); O Coelho Branco (Ed. Asa); Inês de Castro (Meriberica Liber – 1994), provavelmente o seu melhor trabalho. Em 1996 os Cadernos Sobreda BD n.º 11 reeditaram-lhe “Amoni” e “ A Gruta dos três irmãos”. Tem em execução um álbum sobre a figura do Zé do Telhado que aguarda publicação. Grande amigo do salão de Viseu, tem sido presença habitual neste certame que acompanha sempre com renovado interesse. Obrigado Eugénio.
FABIO CIVITELLI
Fabio Civitelli nasceu a 9 de Abril de 1955 em Lucignano, província de Arezzo, Itália. Desde tenra idade mostrou uma grande aptidão para o desenho e com apenas 19 anos começou a colaborar com o StudiOriga, desenhando diversas personagens para a Edifumetto, com destaque para Lady Dust por ter sido o seu primeiro trabalho no âmbito da BD.
Em 1977, com o pseudónimo Pablo de Almaviva, inicia a sua colaboração com a Editora Universo, desenhando para as revistas Il Monello e L’Intrepido. Dois anos mais tarde, ainda para a Universo, desenha Doctor Salomon nas páginas da revista Blitz, desenhando também o Homem-Aranha e o Quarteto Fantástico para a revista SuperGulp. Nesse mesmo ano, 1979, começa a desenhar Mister No para a Sergio Bonelli Editore, série onde realiza uma mão-cheia de histórias, até que em 1984 é chamado a desenhar Tex, personagem na qual trabalha até hoje com um estilo caracterizado por um grande cuidado nos mínimos detalhes, por um hábil uso do preto e branco e pelo extremo asseio do seu traço, sendo a sua versão de Tex, uma das mais apreciadas pelos leitores, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo, moderna e cativante.
AS EXPOSIÇÕES
As Cidades do Velho Oeste (Tex)
Tex Willer, a mítica personagem de Banda Desenhada criada em 1948, na Itália, pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, é hoje em dia uma das personagens de western, com maior longevidade na história dos quadradinhos a nível mundial, sendo inclusive ainda publicado em diversos países e ao contrário da quase totalidade dos heróis da BD, Tex percorreu, e continua a percorrer, um caminho inverso, seja nos confrontos com o público, seja naqueles com a crítica, facto este que é ainda mais interessante. Com efeito, enquanto as personagens comuns se vão desgastando ao longo dos tempos, com Tex acontece precisamente o contrário. Obrigado devido à sua natureza a navegar entre alvos bem definidos, que são obviamente aqueles das convenções do género western, ele continua a renovar-se interiormente, mas também exteriormente.
Por um lado, a Sergio Bonelli Editore está a nível editorial a proceder desde há alguns anos a uma sistemática actualização dos seus quadros criativos, sem descurar a qualidade, seja a nível de argumentistas, seja de desenhadores, como ficou bem patente na exposição dedicada à nova vaga de desenhadores do Tex, ocorrida em 2007 no Salão de Moura. Por outro lado, a editora italiana tem-se multiplicado nos anos mais recentes na sedução aos leitores, diversificando o produto, isto é, à série canónica dos clássicos volumes mensais a preto e branco acrescentou uma infinidade de outras séries, inclusive a cores, tendo também permitido a produção de outros itens associados à personagem e tem inclusive incentivado e patrocinado um cada vez maior número de exposições, como é exemplo “As Cidade do Tex” patente no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu.
Tex vive as suas aventuras principalmente na segunda metade do século XIX tendo por base de acção a reserva Navajo situada entre o Arizona, o Novo México, o Utah e o Colorado, um território em grande parte desértico que inclui o Monument Valley, parte do Deserto Pintado e parte da Floresta Petrificada, onde o inimigo não é representado apenas pelo homem, mas também pela própria natureza dura e hostil, mas como um verdadeiro herói, Tex está sempre pronto a acorrer em socorro dos amigos, seja sobretudo nas cidades do velho Oeste, que deste modo ainda hoje habitam a nossa imaginação, com as suas peculiares cadeias, barbearias, armazéns, saloons, hotéis, ferreiros, xerifes, pistoleiros e cheias de incríveis perseguições a cavalo e de duelos, seja inclusive nas principais cidades dos Estados Unidos da América como São Francisco, Nova Iorque, Boston, Nova Orleães, Washington, ou até mesmo em cidades canadianas e mexicanas ou ainda em terras mais distantes como a Oceania.
Muitas das cidades onde Tex comparece ao longo da saga, são caracterizadas por uma “main street” (rua principal) delineada por duas filas de construções dispostas paralelamente, única barreira entre o homem e os vastos espaços desabitados que as circundavam e que se tornaram célebres como teatros de duelos sanguinários, encontros mortais e desafios infernais, mas também convém dizer que por norma os fãs de Tex podem se considerar afortunados porque os ambientes citadinos das suas histórias revelam sempre um surpreendente recheio de elementos dramáticos, em grado de oferecer um bom campo de acção a quem, como Tex Willer, tenha a vocação de reparador de injustiças e é impossível não recordar também as histórias de Tex acontecidas em inquietantes e melancólicas “ghost towns”, pequenas cidades “fantasmas”, nascidas nas vizinhanças de minas no decurso de poucos meses e depois entretanto rapidamente abandonadas quando a veia aurífera se esgotava ou se tornava uma trágica ilusão, ou nos pitorescos e misteriosos pueblos, aldeias índias construídas com pedras e tijolos de barro, no flanco de uma montanha, ou ainda nas perigosas e inacessíveis robber towns, inteiramente geridas por bandos de ladrões, assassinos e criminosos de todos os tipos, mas também nas fantásticas e improváveis cidades “esquecidas pelo tempo”, habitadas por comunidades de espanhóis, vikings, egípcios, astecas ou russos.
Cenários esses que podem ser admirados na exposição integrada no XVII Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, intitulada “As Cidades do Tex” e que contará com a presença de um dos mais renomados e admirados desenhadores citadinos de Tex Willer: Fabio Civitelli.
Cenários intemporais – Portugal
Esta exposição é uma homenagem do Gicav a alguns dos nossos grandes desenhadores que procuraram nas suas histórias aos quadradinhos perpetuar imagens e cenários do nosso património edificado, espaços de eleição e memória por onde se passeiam, meditam, viajam, vivem, crescem e morrem os heróis da histórias ou as vidas de insignificância daqueles que nunca alcançam esse estatuto especial mas que imprescindíveis são na construção da narrativa.
Nomes como Eugénio Silva, José Garcês, Luís Diferr, Luis Louro, Vítor Mesquita, José Ruy, José Pires, Filipe Andrade e Filipe Pina, Luis Correia, ilustram esta mostra de cenários de Portugal, muitos deles presença habitual no salão internacional de bd de Viseu.
Destacamos um nome estrangeiro, em jeito de homenagem, que partilhou trabalho com Luis Diferr – Jacques Martin (Portugal – ASA) , recordando a sua obra e a sua recente partida do mundo dos vivos (também dele se destaca a exposição ALIX, baseada num dos seus mais conhecidos heróis).
A todos o Gicav agradece pela qualidade do trabalho desenvolvido em prol da preservação e divulgação do nosso património monumental e artístico espalhado por muitas das nossas belas vilas e cidades. Bem hajam.
Fábula de Veneza
Cenários urbanos, mistérios e segredos
“Acontecem coisas inacreditáveis nesta cidade”, diz Corto Maltese sobre Veneza, tão bela e encantada que gera todas as preguiças, deleites e sortilégios. Um desses sortilégios é possibilitar a existência de lugares mágicos, secretos, portas que se abrem a mundos fantásticos e histórias eternas.
As cidades são espaços de memórias , vivências e cenários que fazem delas especiais, eternas. É o caso de Veneza, visitada por Corto Maltese na obra “Fábula de Veneza”, e que nesta exposição se pretende revelar em alguns dos seus percursos e ambientes, a partir da obra referida e uma referência no conjunto da obra de Hugo Pratt.
As cidades nas aventuras de Alix
Em Portugal nas páginas da revista Tintin nascia um novo herói da banda desenhada de tema histórico, o jovem Alix. Filho de Astorix, chege de uma tribo gaulesa, e vendido como escravo no Oriente, no meio do caos dos conflitos bélicos entre impérios, seria libertado e adoptado por um senador romano. Doravante, os leitores podiam contar com um herói intrépido, generoso e humanista, num mundo onde a tolerância não abundava. Esse mundo, estranho e fascinante, do qual somos também herdeiros, era o Mundo Antigo na época de Júlio César e do seu rival Pompeu, em pleno século I a.C.
Nas aventuras de Alix, a par de figuras históricas como César e Cleópatra, os leitores convivem com uma galeria de personagens imaginadas pelo autor, entre as quais se destacam o jovem egípcio Enak, fiel companheiro de jornada de Alix ou Arbacés, o aqui-inimigo do herói.
Jacques Martin, o criador de Alix, falecido em 2010, é um dos grandes autores da escola fraco-belga, tendo também sido um dos mais importantes colaboradores de Hergé, pai de Tintin. Após 1991, com a vista gravemente afectada por problemas de saúde, continuou a desenvolver as aventuras de Alix, entre outros projectos, com o apoio de diversos colaboradores. Por vontade do autor, foi garantida a continuidade das aventuras de Alix pela Casterman, com recurso a diversos autores; em Portugal após o contributo das Edições 70 na década de 80 do século passado a edição das histórias de Alix é actualmente assegurada pela Asa.
Fascinado desde tenra idade pela Antiguidade Clássica e apaixonado pela arquitectura, Jacques Martin vai fazer viajar o leitor com Alix através de diferentes culturas, aquém e além fronteiras do poder romano, num mundo onde as cidades são elementos estruturantes da vivência política, social e económica.
Não se poupando a esforços na obtenção da documentação histórica necessária e mestre de traço elegante e da capacidade de encenação, Jacques Martin recria cidades antigas, reais e imaginadas de Roma à longínqua China. Na presente exposição seguimos alguns desses percursos urbanos nas aventuras de Alix, dos telhados dos edifícios às ruas, dos aquedutos ao sistema de esgotos, dos bairros populares às grandes praças monumentais. E a aventura começa precisamente numa cidade.
Tintin – Hergé
Hergé, pseudónimo de George Remi, nasce no dia 22 de Maio de 1907, em Etterbeek (Bélgica). Desde muito cedo revela alguma vocação para o desenho, tendo publicado a sua primeira banda desenhada na revista Le Boy-Scout Belge, intitulada Les Aventures de Totor, C. P., dês Hannetons. Em 1925, concluídos os estudos, começa a trabalhar no jornal diário belga Le Vingtième Siècle, que passará a incluir, a partir de 1 de Novembro de 1928, o suplemento juvenil Le Petit Vingtième, que publica a banda desenhada Les Aventures de Flup, Nénesse, Poussette et Cachonet, desenhada pelo jovem Hergé.
No dia 10 de Janeiro de 1929, no número 11 do Le Petit Vingtième, começa a publicar-se Tintin no País dos Sovietes, a primeira aventura de Tintin e Milou, a que se seguirão outras 22, durante quase meio século. Hergé morre no dia 3 de Março de 1983 deixando incompleto Tintin e a Alpha Arte, o 24º álbum de uma obra que fez sonhar milhões de adolescentes em todo o mundo.
Numa época em que o acesso à informação era limitado, foi com Tintin e os seus inconfundíveis companheiros que começamos a descobrir o mundo. Foi com Tintin que fomos ao Congo e aos Estados Unidos da América, ao Médio Oriente ou à China. Aos Andes, à Escócia e ao Tibete. Foi Tintin que nos levou à Bordúria e à Sildávia, nos balcãs, e à sul-americana República de San Theodoros, que muitos procurámos encontrar nos mapas, sem sucesso.
Inebriado por um desenho eficaz, linear e com cores planas e vivas, ao serviço de argumentos progressivamente mais consistentes, conhecemos Chicago, Port Said, Bombaim, Petra, Xangai, Genéve, Katmandou ou as fictícias Klow e Los Dopicos. E foi com Tintin que fomos à Lua, no início da década de 50, muito antes da viagem pioneira de Neil Amstrong.
Cidades da ambição – Cenários intemporais
Os álbuns seleccionados para esta exposição marcam um período a todos os títulos notável na evolução da cultura e da mentalidade ocidentais: o período da Renascença Italiana (Renascimento). Os séculos XV e XVI tiveram uma influência determinante na construção da ocidentalidade moderna. A Pintura, a Arquitectura, a Escultura, a escrita, a Oratória, as Ciências Experimentais e outras áreas do saber tiveram progressos notáveis, onde se distinguiram alguns dos mais notáveis génios que a História já conheceu. Mas este período é também um tempo de crise nas mentalidades e na moralidade cristã, um período de excessos e cisões no seio do catolicismo, que vieram a resultar no aparecimento das igrejas protestantes. É neste ambiente de coabitação dos exageros de cortes papais arrogantes e imorais com a criatividade artística e literária em efervescência que decorrem os cenários e as histórias apontadas nesta exposição. O traço e a arte estão a cargo de alguns dos maiores nomes da banda desenhada europeia da actualidade: Didier Convard e Gilles Chaillet (VINCI) e Milo Manara/ Jodorowsky (BÓRGIA). Uma homenagem do Gicav a estes criadores de excelência, merecedores de uma Menção Honrosa neste Salão Internacional.
No 2.º Centenário do historiador e escritor Alexandre Herculano
O ano de 2010 chegou ao fim (e até deixou poucas saudades…). Como comemorações de grandes vultos da nossa Cultura, dois nomes: o desenhista Fernando Bento (1.º centenário do seu nascimento) e o historiador e escritor Alexandre Herculano (2.º centenário do seu nascimento). Evocando o primeiro citado, as entidades de BD dos Salões de Moura, Sobreda, Viseu, Amadora e Beja não o esqueceram.
Quanto a Alexandre Herculano, chegou agora a vez de Moura e Viseu relembrarem este gigante da cultura portuguesa, numa exposição em parceria. Alexandre Herculano (aliás, Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo), nasceu em Lisboa a 28 de Março de 1810 e faleceu em Vale de Lobos a 13 de Setembro de 1877. Está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.
Da grandeza da sua vida e obra não nos compete aqui falar agora, mas apenas da sua conotação à Banda Desenhada, pois vários textos seus foram adaptados à 9.ª Arte, a saber : «A Abóbada», por Fernando Bento, José Batista (Jobat) e Victor Mesquita; «O Bobo», por José Ruy, editado em álbum pela Editorial Notícias; «A Morte do Lidador», por Eduardo Teixeira Coelho, publicado na revista «O Mosquito». Há também uma versão por José Garcês; «Eurico, o Presbítero», por José Garcês, publicado na revista «Modas & Bordados», na revista «Falcão» e mais tarde reeditado em álbum pela Futura; «Nuno Gonçalves», por José Antunes, adaptação de «O Castelo de Faria»; «Alexandre Herculano», uma biografia da autoria de Baptista Mendes, publicada no Jornal do Exército; «A Dama Pé-de-Cabra», por José Garcês e Augusto Trigo; a versão de Trigo, onde o próprio Herculano aparece como narrador, está incluída no 2.º tomo de «Lendas de Portugal», pela Asa. Existe também uma versão, de José Pires, que se mantém inédita até hoje; «O Monge de Cister», pelo brasileiro Eduardo Barbosa; publicado em 1954 no n.º 80/ Extra da colecção «Edição Maravilhosa», pela Ebal.; «O Último Combate», por Baptista Mendes, no «Camarada»; «A Morte do Lidador», numa versão de José Pires, publicada no Tintin belga e que será, em breve, publicada pela primeira vez em português no «Alentejo Popular» e, posteriormente, no «Jornal do Exército». Por fim, e enquanto reuníamos todo o material para esta exposição, tivemos a grata surpresa de sermos contactados por José Ruy que nos enviou algumas pranchas, ainda em esboço, com a biografia (resumida) de Alexandre Herculano. Esta história destinava-se a ser publicada em jeito de preâmbulo na edição de «O Bobo» mas assim não aconteceu e este trabalho, até hoje, continua por concluir.
As Cidades dos sonhos (em redor das obras de Schuiten e Peteers)
“A capacidade da Arquitectura construir Cidade é incontornável, e por isso mesmo não deve ser negligenciada: “ (…) forma e espaço estão tão intimamente ligados que uma é negativo do outro, e vice-versa, pelo que não podem separar-se, assim as formas visualmente apreendidas mantêm entre si estreitas relações – harmónicas ou desarmónicas – mas de qualquer modo evidentes.” A forma de cada edifício produz, inevitavelmente, repercussões físicas no espaço onde se insere: a massa e o volume concretizam, configuram e condicionam espaço, enquanto a Imagem apenas o caracteriza.”
Assim inicia a Dra. Inês do Carmo Borges o seu artigo “As arquitecturas setecentistas de Piranesi e a das Cidades Obscuras da BD de Scuiten do século XX – um elo artístico no trajecto do risco urbano”, na Revista Cultura entre Culturas, onde magistralmente aproxima a obra La Tour (As cidades Obscuras – Schuiten e Peteers) da obra do arquitecto setecentista Giovanni Piranesi.
“Os binómios Arquitectura/Cidade e Forma/Imagem que Schuiten apresenta na BD do século XX, com a série As Cidades Obscuras, e concretamente com o álbum “A Torre”, evidencia a Excepção numa crítica à Cidade Moderna, e num processo de colagem de fragmentos sobreviventes de Piranesi. Há uma desmaterialização volumétrica da parte do edifício, e uma imperceptibilidade das suas infra-estruturas, nestes autores relativo às obras citadas. O efeito cenográfico decorrente da estética da Estampa (setecentista) /imagética da BD (contemporânea) é concretizado numa mestria no controle do traço, e do efeito Luz/Sombra. De facto, o seu contributo faz-se pela excepção enquanto ruptura. Schuiten defende em “A Torre” uma Cidade Obscura que não rompe com a História nem com a Cultura, pretendendo assim uma obra que seja referencial, contextual. Os elementos dissonantes e por isso de Excepção de Piranesi tornam-se referências formais reconhecíveis no imaginário da Cidade, que os perdurará numa permanência de “estruturas da memória”.”
Schuiten e Peteer
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“O ilustrador de Banda Desenhada, François Schuiten nasceu em Bruxelas, Bélgica em 13 de Abril de 1956, no seio duma família de arquitectos, área em que nunca fez estudos. Trabalha desde 1980, com Benoit Peeters na série As Cidades Obscuras, um dos melhores modelos das cidades/ficção da BD. Estes álbuns foram traduzidos numa dezena de línguas europeias e ganharam vários prémios, constituindo-se na sua obra mais conhecida.
Esta série ficcionada decorre num universo paralelo ao nosso onde os protagonistas são quase sempre Cidades com características peculiares: Samaris, Alaxis, Calvani, Brüsel, Urbicande, Mylos, Galatograd, Xhystos, Pâhry, Blosssfeldtstad. Delas foi elaborado um guia turístico: “Le Guide des Cites” pelos geógrafos de Pâhry onde aparecem os espaços existentes no Continente Obscuro; um jornal, “L`Écho des Cites”; um site de Urbicanda na Internet, www.urbicande.be e diversas exposições. Autor de trabalhos de cenografia concebeu o pavilhão das Utopias na Exposição Universal de Hanôver, em 2000 bem como o pavilhão belga na Exposição de Aïchi, no Japão em 2005, com o pintor Alexandre Obolensky. Em 2002 foi distinguido com o Grande Prémio de Angoulême pelo conjunto da sua obra, no decorrer do 29.º Festival de Banda Desenhada que decorreu em França. “
“O processo de concepção desta obra de Benoit Peeters e François Schuiten onde a Cidade é compreendida pelo binómio beleza etrusco-itálica / arquitectura romana Piranesica, enquanto realidade intrínseca e incontornável, assume-se como um processo projectual de servir o Homem contemporâneo na sua dimensão artística. (…) Somos colocados perante as questões da posição do observador face à obra de arte, num contextualismo integrado que não repete a Cidade Tradicional.
(…) A distância temporal desta referência comprova-nos que possui uma capacidade de permanência e sucesso, demonstrando-nos que pode persistir no tempo, desde que aliado a significados e valores mais profundos que a sua própria Imagem. Estamos assim perante uma abordagem de edifício Ícone, mas que ultrapassa a questão da construção de uma Imagem de BD contemporânea forte e efémera, dada a continuidade com as Estruturas da Memória. A Excepção integrada do edifício nas Cidades Obscuras permite-nos compreender o diferente modo de com ele construir Cidade.”
Esta exposição surge como singela homenagem a esta obra magistral no panorama da nova banda desenhada europeia.
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