Relação das revistas da Mythos Editora, distribuídas em Portugal, pela LOGISTA PUBLICAÇÕES, para o mês de OUTUBROde 2011:
TEX 472 Os Soldado-Búfalo Texto: Mauro Boselli – Desenhos: Giovanni Ticci
No Utah setentrional, Tex e Carson seguem a pista de um feroz comancheiro, Pablo Carrizo, que está há mais de dez anos na mira dos dois parceiros. No percurso, encontram-se com um velho amigo, o sargento negro Bill Johnson, que ajuda os Rangers contra um bando de Utes. Os notórios Buffalo Soldiers, cavaleiros negros da Décima Cavalaria, estão estabelecidos em Fort Duchesne e medeiam as relações entre os aventureiros e bandidos de Destiny, cidadezinha ilegalmente erguida na reserva Ute, e os índios das Montanhas Uintah. Os peles-vermelhas são comandados por Ouray, chefe justo e sábio, mas cujo temperamento irritadiço é habilmente instigado pelos homens de Carrizo. Tex solicita a ajuda de uma patrulha de Buffalo Soldiers para parlamentar com Ouray. No entanto, ao longo da estrada, os nossos heróis vêem-se obrigados a entrincheirar-se na agência indígena de White River, assediada por comancheiros e por guerreiros rebeldes. 2,90€
TEX COLEÇÃO 264 Traficantes de Armas Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: G. Letteri
A guerra dos Rangers em Tucson contra Mark Winter e contra o seu cartel criminal atinge momentos decisivos.
Depois de uma grande batalha na cidade, os pards passam a jogar com cartas descobertas e, com a ajuda dos Chiricahuas de Cochise, preparam o golpe de mestre contra os traficantes de armas… 2,90€
ALMANAQUE TEX 38 O Matador de Índios Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: Andrea Venturi
Tex e Carson chegam ao vilarejo de Ponderosa para investigar alguns crimes bárbaros que ocorrem na região. Os apaches jicarillas estão aterrorizados com um fantasmagórico assassino que ataca os membros da tribo, matando-os e tirando o seu escalpe. Correndo grandes riscos os dois parceiros buscam descobrir o motivo dos crimes impiedosos e a identidade do misterioso matador de índios. 4,00€
OS GRANDES CLÁSSICOS DE TEX 28 Limpeza em Abilene/Deserto Trágico Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: A. Galleppini e F. Gamba
Esta edição traz mais duas histórias completas do primeiro período da saga de Tex. A primeira é Limpeza em Abilene. Tex e Carson chegam a essa movimentada cidade por ordem do Comando dos Rangers para desbaratar bandos de criminosos que dominam a cidade a ferro e fogo, roubando constantemente os transportes de ouro das minas da região antes que cheguem aos bancos ou ao trem. A segunda aventura é Deserto Trágico, a narração do épico da Mão de Ferro, a reunião de várias tribos comanches sob o comando de um misterioso chefe conhecido como Mão de Ferro. Mais uma brilhante trama que só a mente inquieta e criativa de Gianluigi Bonelli poderia armar. 8,00€
ZAGOR 121 O Homem com Dois Cérebros Texto: Moreno Burattini – Desenhos: Marco Verni
Aproveitando o ataque dos índios ao comboio que o estava escoltando, o mutante Colin Randall conseguiu fugir. Mas um ferimento de arma de fogo obriga-o a parar numa fazenda, onde mantém todos os moradores sob controle mental, com os seus poderes. E Zagor deverá fazer o impossível para conseguir deter o criminoso. 3,50€
Adolfo Verybad, o genial cientista, inventou um soro que miniaturiza coisas e pessoas por trinta horas. Mas o fantástico preparado acende a avidez do corrupto tenente Castle e do seu cúmplice sargento Craven, que sequestram Verybad e o fazem diminuir de tamanho. Mas Zagor sai em perseguição dos criminosos. 3,50€
Zagor é capturado por uma tribo de índios kutchins e torna-se um dos escravos de um velho inimigo que sobreviveu às águas geladas do rio que o havia engolido tempos atrás e que agora tornou-se invulnerável. Nenhuma arma pode ferir o vilão! O Espírito da Machadinha vê-se numa situação difícil, em que deve a todo o custo escapar dos seus captores e tentar chegar antes deles ao Forte Resolution, o objectivo dos rebeldes, para alertar os soldados e evitar a sua destruição iminente. 9,00€
MÁGICO VENTO 106 Confronto Final Texto: Gianfranco Manfredi – Desenhos: Luigi Siniscalchi O necromante Aiwass reencarnou como sósia perfeito de Mágico Vento. As duas existências estão entrelaçadas e, se um dos dois matar o outro, também se matará a si. Mas as coisas estão mesmo desse modo? Mágico Vento está disposto a correr o risco e vai ao encontro fatal, numa velha unidade militar, situada na colina mais alta de Washington, onde o serviço secreto preparou uma misteriosa emboscada. 4,00€
AVENTURAS DE UMA CRIMINÓLOGA 77 Ameaça em Domicílio Texto: Giancarlo Berardi & L. Calza – Desenhos: Enio
Óscar, um bandido sem-abrigo, está fugindo do local de seu último assalto quando é atropelado pelo carro da jovem mãe Adah Bennet. Adah quer socorrer o rapaz e levá-lo ao hospital, mas durante o trajecto começa o drama: mãe e filho, ambos a bordo do veículo, tornam-se reféns do criminoso que decide esconder-se justamente na casa deles. Júlia e Webb têm ideias diferentes sobre a forma de intervir: Webb quer usar a força e Júlia tenta colocar em prática um subtil jogo psicológico. 4,00€
Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (fotos)
O17º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, organizado pelo GICAV – Grupo de Intervenção Cultural e Artística de Viseu, abriu as portas ao maravilhoso mundo das “Cidades na BD”, inclusive às “Cidades do Tex”, no passado dia 10 de Setembro, no interior do Pavilhão Multiusos em plena Feira de São Mateus, voltando assim às suas origens, mas antes da inauguração do Salão e da chegada de Fabio Civitelli, a estrela maior do evento viseense, à capital da Beira Alta, já Tex Willer estava bem presente na secular Feira de São Mateus que conta já com uma história de 619 anos, sendo por isso a Feira mais antiga de Portugal, trazendo animação, espectáculos, comércio, diversão e milhares de pessoas à cidade, onde se incluíam este ano, dezenas de fãs e coleccionadores de Tex Willer.
Fabio Civitelli e a barraca de tiro do Tex
E ao passearem pela Feira de São Mateus, Fabio Civitelli e alguns texianos foram literalmente surpreendidos ao depararem-se com uma das inúmeras barracas de tiro ao alvo presentes no recinto da Feira, mais em concreto naquela denominada “HotelSilverado“, onde algumas pessoas, atraídas por uma voz alta que dizia “Vai um tirinho, freguês?”disparavam espingardas de pressão de ar contra balões, tentando ganhar o almejado brinde “debaixo” do olhar atento de Tex Willer.
Orlando Santos Silva em acção na barraca do Tex
A barraca de tiro que surpreendeu Fabio Civitelli, porque jamais tinha visto o uso da personagem Tex Willer em algo do género, até por ser ilegal, estava ricamente ilustrada com várias imagens de Tex, com destaque para duas imponentes e que foram inspiradas em ilustrações de Aurelio Galleppini (capa de Tex nº 74, “Na Fronteira do Colorado“) e Claudio Villa (capa de Tex Anual nº 6, “O Filho do Vento“) mas nenhuma delas inspirada em algum desenho do consagrado desenhador aretino… mas no fundo tratava-se de uma bela homenagem a Tex até porque o proprietário da barraca de tiro conhecia Tex, ficando muito honrado com a presença de um desenhador de Tex na sua barraca de tiro, prometendo em contra-partida visitar a exposição dedicada às Cidades do Tex…
José Carlos Francisco, José Eduardo Monteiro, Orlando Santos Silva, Fabio Civitelli e António Lança Guerreiro
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Caríssimo Mestre Roberto Diso, comecemos com os quadradinhos na sua infância. Roberto Diso: Quando era muito jovem, quase uma criança, eu me divertia em redesenhar do meu jeito as histórias que lia. Na prática, eu usava só os roteiros das revistinhas.
Como chegou a ser desenhador de BD (Banda Desenhada)? Vocação ou acaso? Roberto Diso: Vocação eu não diria, eu gostava muito de desenhar, isso sim. Quando era bem jovem eu sempre pensei que fazer BD seria uma actividade, digamos, temporária, e que no futuro eu seria pintor, o que eu faço hoje junto com os quadradinhos. Todos sabemos que os jovens sempre têm pouco dinheiro e foi isso que levou-me a fazer os traços a lápis de minhas primeiras histórias aos quadradinhos, quando era estudante no liceu artístico em Roma. Também deve-se recordar que dedicar-se a esse tipo de actividade naqueles anos não parecia muito prometedor do ponto de vista financeiro e, coisa que hoje nos faz sorrir, nem era considerado uma profissão séria, ao menos na Itália.
Você começou sua carreira aos vinte e dois anos. O que pode nos contar disso? Roberto Diso: Digamos que muito cedo as coisas começaram a mudar sob vários aspectos e fazer BD começou a interessar-me cada vez mais, sobretudo porque, com o passar do tempo, eu comecei a perceber que a qualidade dos roteiros e dos diálogos melhorava, tanto que o género estava, ainda que de forma lenta, a conquistar uma maior dignidade cultural.
Depois da estreia, e antes de se encontrar com Sergio Bonelli, com quem você trabalhou? Roberto Diso: No início eu trabalhei para Vittorioso, uma revista que era editada em Roma e permitia-me um contacto mais fácil com aquela actividade. Em seguida eu trabalhei para vários editores, sobretudo do exterior (França, principalmente, e alguma coisa da Alemanha), até que comecei a actuar para a Fleetway Pubblication com histórias que, no início, eram de carácter bélico, e depois passei para outros géneros, numa colaboração que manteve-me ocupado por vários anos.
Em 1974 você conheceu Sergio Bonelli. Como aconteceu? Roberto Diso: Eu conheci Sergio Bonelli quase por acaso. Na época eu colaborava gratuitamente com o WWF (n.t: World Wide Fund for Nature, ou seja, Fundo Mundial para a Natureza) e, junto com Fulco Pratesi, o seu presidente, decidimos tentar envolver as publicações destinadas ao público jovem, com o objectivo de divulgar a protecção aos animais e ao ambiente àquelas pessoas que, no futuro, poderiam ser as mais adequadas a fazer isso. Eu e Pratesi fomos a Milão e, entre os editores com os quais mantivemos contacto, Sergio Bonelli foi o único que respondeu com entusiasmo à nossa iniciativa e, logo em seguida, as suas publicações passaram a mostrar inserções feitas por nós que diziam respeito a ambientes, animais e povos remotos que estavam a correr riscos de todo tipo, e cada vez mais graves, em várias partes do mundo. Não me espanta que Bonelli tenha respondido tão prontamente às nossas solicitações porque todos sabemos muito bem o quanto ele constatou pessoalmente a degradação de certos ambientes naturais que revia depois de alguns anos e o quanto isso o chocava. Claro que uma personagem desse tipo era, na época, muito rara e tornou-se ainda mais valiosa porque o próprio WWF estava a mover seus primeiros passos na Itália e no mundo. Uma coisa puxa a outra, ele ficou impressionado positivamente com o meu trabalho, apresentou-me uma proposta para colaborar com a sua Editora e eu, claro, aceitei de imediato.
A sua estreia na SBE aconteceu em Novembro de 1975, com o sexto número de Mister No, O Homem da Guiana, mas você já havia ilustrado duas histórias livres para a Editora de Sergio Bonelli, que depois foram publicadas na Collana Rodeo. O que se recorda desses dois episódios? Roberto Diso: Devo dizer que me recordo deles com emoção porque de imediato eu tive a impressão de que a colaboração com Bonelli iria mudar a minha vida profissional. Até aquele momento, como eu já disse, o trabalho que eu fazia com os quadradinhos parecia-me um preâmbulo para a que seria a minha actividade futura, a de pintor. Com Bonelli as coisas também mudaram porque, depois de ter a chance de conhecê-lo melhor, eu tive a nítida sensação de ter achado nele, além de um editor, um grande amigo.
Para começar o relacionamento profissional com o editor milanês, você fez páginas de teste para outras personagens? Roberto Diso: Depois daquelas duas primeiras histórias, Sergio Bonelli apresentou-me a proposta de trabalhar com Mister No, e não fiz outros testes.
Certo, Mister No. Como foram os seus primeiros contactos com essa personagem inovadora? Roberto Diso: Bonelli passou-me todas as características psicológicas dessa personagem que, já a partir do seu perfil, era diferente de todas as que o haviam precedido, e a coisa despertou o meu interesse de imediato, porque Mister No enfrentava os problemas exactamente como eu mesmo gostaria que fossem enfrentados. A minha colaboração com o WWF já demonstrava isso, ao menos em relação à importância que tinha, para mim, a protecção nos seus vários aspectos. Em seguida essa sensibilidade difundiu-se bastante, mas ainda há muito, muitíssimo a fazer. Claro que Mister No não pode ser definido como um proteccionista em sentido estrito, mas se considerarmos as suas atitudes, pode-se ver que elas são direccionadas a preocupações desse tipo.
É verdade que Mister No deveria ser uma mini-série de apenas cinco números, e que você foi chamado às pressas para prosseguir as aventuras em razão das excelentes vendas dos primeiros volumes? Roberto Diso: É a primeira vez que ouço dessa mini-série, e pode até ser que tenha sido a primeira intenção, mas pessoalmente eu nunca fui informado disso.
Nos seus trabalhos na SBE você actuou com os mais importantes escritores italianos de BD (entre outros, Nolitta, Sclavi, Castelli, Nizzi, Faraci, Ongaro, Mignacco, Manfredi…). À parte Sergio Bonelli, com quem o feeling é visível em cada uma das dezenas de histórias de Mister No que fizeram juntos, com qual outro roteirista você sentiu-se em particular sintonia? Roberto Diso: Devo dizer que, ainda que pouco ligados ao espírito de Mister No, os roteiros de Tiziano Sclavi sempre me divertiram muito pelo seu estilo cinematográfico cheio de golpes de cena de efeito que normalmente não se vêem em histórias de tipo clássico.
Muitas jóias publicadas nas páginas de Mister No têm a sua assinatura: aventuras como A Máfia Não Perdoa, O Demónio Etrusco, Os Gângsteres ou os primeiros especiais de Verão são considerados pequenos clássico da BD popular italiana. Dentro da saga do piloto americano, há algum episódio do qual você se recorda com mais prazer que outros? Roberto Diso: Creio que as histórias saarianas foram as que me envolveram mais, junto àquelas que apresentam muitas cenas submarinas. O mundo subaquático interessa-me de modo particular, talvez porque eu pratiquei (n.t.: mergulho subaquático) pessoalmente e com grande interesse e prazer.
Com Mister No você pôde dar vazão a algumas de suas paixões, como a ecologia, a natureza, a fauna e, em certo momento, também refez a fisionomia de Jerry à sua imagem e semelhança. Quanto há de Roberto Diso no carácter da personagem nolittiana? Roberto Diso: Espero que seja mais que uma certa semelhança física, que é devida ao facto de que, na minha visão, quando um desenhador recebe liberdade gráfica com a personagem, tem a tendência quase inconsciente de lhe dar as próprias características físicas, e quem sabe até melhora-as um pouco, porque são as que conhece melhor. E que isso aconteça com frequência eu pude observar também no trabalho de meus colegas: quando pude conhecê-los pessoalmente, não raro eu notei uma certa semelhança entre eles e suas personagens.
E quais são as características de Mister No que você sente mais próximas à sua personalidade? Roberto Diso: Muitas, mas confesso que essa pergunta é meio constrangedora porque eu seria levado a dar uma imagem muito positiva da minha própria pessoa, visto que Mister No é uma personagem decididamente positiva. Mas eu diria que há mais de uma, embora não se possa dizer que somos iguais. Digamos, para fazer graça, que sou partidário dele no seu declarado interesse pelo mundo feminino.
Quando você começou a afastar-se do modelo gráfico original da personagem? E porque? Roberto Diso: Na verdade eu não me recordo, talvez com o passar do tempo e, ao aprofundá-la melhor, eu elaborei uma fisionomia da personagem que, na minha opinião, seria mais adequada às suas características psicológicas, como o seu desencanto com os males incuráveis do mundo sem deixar de se enraivecer com as coisas erradas que acontecem à sua volta. É provável que isso também esteja na base de uma expressividade fisionómica que procurei lhe dar para deixar mais evidentes certos estados de ânimo do momento.
Dissemos que as suas páginas de Mister No lhe permitiram mostrar todo o seu amor pelos aspectos naturalistas, da flora à fauna. Nos anos Setenta, os leitores de BD bonelliana não estavam habituados a enquadramentos em que os animais e a vegetação dominavam o quadradinho, com as personagens principais ao fundo. Como reagiram os leitores daquela época? Roberto Diso: Na medida do possível, eu buscava colocar-me no lugar do animal que iria inserir na cena que estava a desenhar, de modo que o seu papel fosse, se não o do actor principal, o do coadjuvante. Eu também sempre considerei que qualquer outro ser deve ver qualquer situação como parte do seu mundo e não do nosso como nós, seres humanos, temos a tendência a fazer ao colocar esses nossos companheiros de viagem quase sempre como um mero objecto de fundo de cena. Quanto à reacção dos leitores, eu não saberia o que dizer, não tenho dados precisos sobre isso, mas o sucesso atingido pela personagem demonstra, ao menos em certa medida, um apreço pelo nosso esforço.
Você dedicou o seu trabalho a Mister No por mais de trinta anos com incontáveis histórias e, a partir de um certo ponto, também as capas levam a sua assinatura. Nos últimos tempos você sentia um certo cansaço narrativo? Gostaria de desenhar outras personagens da Editora? Que emoção sentiu ao ilustrar as páginas da edição italiana n° 379, que marcou o fim da série depois de 31 anos? Roberto Diso: Nenhuma das outras personagens envolveu-me como Mister No. Eu tive a grande sorte, humana e profissional, de estar em seu caminho, e jamais esquecerei o quanto essa personagem foi-me útil para amadurecer o meu estilo e, de alguma maneira, também o meu mundo pessoal, visto que qualquer coisa que se faça e que seja envolvente, deixa um rasto atrás de si. E Mister No foi realmente envolvente. Quanto à sua conclusão, eu creio que Mister No sofreu principalmente com a sua data pessoal de nascimento, que o levou a viver dois episódios de grande relevância histórica e rigorosamente situados no tempo: a Segunda Guerra Mundial, com o que se seguiu historicamente para o mundo, e depois a guerra da Coreia. Mas esses episódios estão a se afastar no tempo e, com eles, o mundo de Mister No. Quantos jovens leitores poderiam se sentir a participar emotivamente, como quem tem a nossa idade, do que representaram para nós aqueles acontecimentos? Poucos, eu diria, e insuficientes para permitir a sobrevivência de uma personagem que abriu muitos caminhos mas que hoje quase todas as trilhas são percorridas sem que se lhe dê muita importância, porque já estão consolidadas e têm uma normalidade que não consegue mais emocionar.
No período de Mister No você também colaborou com Rinaldo Traini. Que trabalhos fez para o editor romano? Roberto Diso: Com Rinaldo Traini eu pude matar certas vontades ao fazer coisas que me divertiam, inclusive roteiros. Normalmente histórias curtas com um final surpresa, mas também uma história longa que se intitulava Rodo, o Cavaleiro e que me permitiu escrever sobre o que poderia mudar com o passar do tempo no território em que vim morar, nos arredores de Roma, se tivessem acontecido as coisas que eu havia imaginado que poderiam acontecer. No conjunto, uma história de fantasia, com protagonistas que, se por um lado podem usar uma tecnologia extremamente avançada, por outro vivem situações que têm semelhanças e ligações históricas com o mundo dos principados e grão-ducados do nosso mundo da época do Renascimento. Não teve uma continuação e o primeiro episódio foi o único, ainda que eu tenha na gaveta os esboços de vários outros não realizados. Para Traini eu também fiz alguns episódios de uma personagem cujos roteiros eram feitos por vários autores, no momento eu não me recordo quais, e que chamava-se Rudi X. Mas devo dizer que foi uma iniciativa que não teve muita sorte.
Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. Em 2003 você chegou a Tex, mas na verdade a sua primeira história de faroeste foi feita 20 anos antes, com o episódio de Mister No Ombre Rosse (n.t.: o mesmo título italiano do filme No Tempo das Diligências), uma história surreal com ecos de John Ford (e outros mais) e escrita por Tiziano Sclavi, na qual você elaborou com a costumeira maestria cenas a cavalo, tiroteios, apaches, ataques à diligência. Visto o óptimo resultado, parece estranho que a redacção não tenha pedido para você dedicar-se a Tex desde aquela época. Roberto Diso: Mais que uma pergunta, essa parece uma constatação. Na época não me foi solicitado e, na minha opinião, a explicação é que havia a necessidade de que eu me dedicasse em tempo integral à personagem de Mister No. Tex, como bem sabemos, já contava com um grande número de óptimos desenhadores.
Você encontrou dificuldades ao desenhar Tex? Teve que modificar o seu estilo costumeiro? Roberto Diso: Bem, a única dificuldade pode ter sido a de adequar-me ao aspecto físico da personagem, coisa que, francamente, não sei se consegui. Tex tem características sacramentadas e às quais não é de todo fácil adequar-se. Um desenhador da minha idade tem um estilo já consolidado e enfrentar um monstro sagrado como Tex comporta necessariamente também uma reavaliação desse estilo e, talvez, até uma boa dose de humildade, característica que possivelmente eu não tenho o suficiente e que normalmente – e também justamente – se vê nos desenhadores mais jovens. De todo modo, eu não modifiquei o meu modo de desenhar; apenas os ambientes, decididamente diferentes, comportam algumas adaptações estilísticas porque as luzes, as atmosferas, são diversas e devem ser encaradas como tal, mesmo nos limites do branco e preto.
Como você definiria graficamente o seu Tex? Roberto Diso: Com toda a honestidade, eu não saberia dizer. Só posso afirmar que, quando encaro uma nova personagem, e que se move em outros ambientes, eu esforço-me para me sentir naqueles ambientes. Em certa medida isso pode influir também na montagem gráfica do conjunto.
Você adoptou modelos de referência particulares?
Roberto Diso: Não, em geral eu faço referência às coisas que, com o passar do tempo, deram-me emoções de certa importância, como filmes, livros, etc.
Você já desenhou quatro histórias de Tex, quase todas longas e com temáticas digamos exóticas (a Legião Estrangeira, as Caraíbas). Como julga a sua abordagem a Tex e ao seu mundo? Concorda com alguns leitores que dizem que, depois de mais de trinta anos nas páginas de Mister No, você tem a tendência a repetir na figura de Tex movimentos e atitudes peculiares do piloto? Basta pensar na ironia, no sorriso irónico de Jerry que de vez em quando também se vê nas expressões do Ranger. Roberto Diso: Sim, devo concordar com a opinião desses leitores que me parecem bastante atentos em suas análises. Apagar os traços de uma personagem que nos acompanhou por tantos anos não é fácil, e é quase normal que possam aparecer aqui e ali. Devo dizer que sempre busquei dar expressividade aos rostos, de acordo com o que estão a fazer ou dizer, e isso leva fatalmente a fazer qualquer nova personagem a assemelhar-se a Mister No, que foi a minha primeira sob esse ponto de vista.
Podemos afirmar que a sua geração cresceu a pão e faroeste, tanto no cinema quanto no mundo dos balões falantes. Você também sentiu, primeiro como jovem e depois como profissional, o fascínio dos índios, cobóis e do pitoresco mundo do Oeste? Você conhece Tex somente do ponto de vista profissional ou também leu as suas histórias? Roberto Diso: Diacho, eu não consigo imaginar a minha infância e a minha juventude sem o cinema e as aventuras de Tex, ou sem as histórias que li em livros e que eram ambientadas no oeste americano e, de um modo geral, na Fronteira. Ainda hoje aqueles ambientes fascinam-me bastante e, a gostar dos cavalos como eu gosto, ainda monto em sela no estilo faroeste que, apesar de ser diferente do inglês, é igualmente fascinante e rico de ensinamentos para quem aprecia esse tipo de mundo. Aliás, se posso fazer uma observação sobre as histórias de Tex, elas ocupam-se muito pouco dos detalhes que dizem respeito ao mundo dos cavalos do Oeste que, não podemos nos esquecer, escreveram junto com os seres humanos aquela epopeia extraordinária. Mas isso, eu sei, é uma coisa minha, porque não se pode esperar que todos os roteiristas e desenhadores sejam peritos no assunto, e para enfrentar certos temas sem dizer disparates é preciso sê-lo, ao menos numa certa medida.
Recentemente você trabalhou com Paolo Morales e juntos fizeram o belíssimo Mohican (2010), publicado na série Romances em Quadradinhos Bonelli. Mesmo numa rápida olhada nas páginas, percebe-se a qualidade da construção das cenas e nota-se como não só as paisagens e animais foram representados com a costumeira sabedoria e elegância, mas também que as personagens são dotadas de uma vitalidade autêntica. Como nasceu esse trabalho conjunto? Roberto Diso: Eu não tive o prazer de conhecer pessoalmente Paolo Morales, mas conversamos várias vezes por telefone para resolver pequenos problemas. É um grande argumentista e roteirista e sabe como estimular um desenhador para que esse dê o melhor de si. É evidente que eu já conhecia as personagens principais por ter lido O Último dos Moicanos na juventude, história que reli assim que recebi o argumento. Morales também forneceu-me uma documentação sobre os filmes que já abordaram aquele tipo de ambiente, o que, junto à minha documentação pessoal, permitiu-me trabalhar sem grandes problemas.
Recentemente Gianfranco Manfredi também o convidou para a equipe de Volto Nascosto, uma personagem com ambientação histórica para quem você fez um episódio que lhe permitiu elaborar dinâmicas cenas de batalha. Foi uma colaboração única ou você também desenhará alguma edição de Shangai Devil, a nova mini-série de Manfredi? Roberto Diso: Eu soube de um episódio dessa nova série que deverei desenhar, mas por ora não sei muito mais.
O que o futuro reserva para os seus leitores? Em Outubro de 2011 saiu na Itália um novo Romance em Quadradinhos com tema bélico, escrito por Tito Faraci. A colaboração com Tex também prosseguirá? Roberto Diso: Essa longa história bélica contém ambientes e situações que já vivenciei muitas vezes durante os meus trabalhos, principalmente com a Editora inglesa e, por isso, não tive dificuldades de documentação, da qual sou bem fornido. Com relação a outras histórias de Tex, eu não tive notícias, mas se receber novos roteiros, ficarei muito feliz.
Como é trabalhar para Sergio Bonelli? Roberto Diso: Como é trabalhar para um amigo?
Os quadradinhos da SBE sempre foram o seu objectivo ou você teria preferido fazer a chamada BD de autor como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Roberto Diso: Eu pensava que cedo ou tarde acabaria por dedicar-me à BD de autor, quem sabe também a fazer algumas pinturas, mas depois “infelizmente” encontrei Sergio… e não resisti ao seu fascínio… e ao de Mister No.
Em suas páginas você prefere deixar espaço somente à imaginação ou também usa material de suporte como fotografias, livros e outras coisas? Você usa a Internet para documentar-se? Os roteiristas o ajudam na busca de documentação? Roberto Diso: Eu uso tudo o que pode servir como documentação, e a Internet representa um suporte valioso nesse sentido. Os roteiristas costumam ser muito solícitos ao fornecer a documentação que considero necessária.
Como é o seu processo de criação? Você faz uma página completa e depois passa para outra? E quais são os seus instrumentos de trabalho? Roberto Diso: De um modo geral eu faço duas páginas por vez, principalmente para deixar a tinta secar na que acabei de fazer. Os meus instrumentos são os mais clássicos: pincel fino, pincel grosso e alvaiade (pigmento branco de chumbo), quando necessário.
Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Cumpre horários? Como é o seu dia, entre trabalho, leituras, manter-se informado, ócio, vida familiar? Roberto Diso: Eu não me imponho limites rigorosos de trabalho, a não ser quando torna-se urgente (ou urgentíssimo) concluir a história, mas não é uma coisa que acontece sempre. Dedicar tempo a outras actividades de que gosto é, para mim, tão importante quando o trabalho, por isso dedico a essas coisas todo o tempo necessário, mas não sou um programador meticuloso nem de um nem de outras.
Caro Mestre Roberto Diso, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Carissimo Maestro Roberto Diso, cominciamo dal posto che hanno avuto i fumetti nella sua infanzia. Roberto Diso: Beh, quando ero molto giovane, forse quasi un bambino, mi divertivo a ridisegnare a mio modo le storie che leggevo. In pratica utilizzavo solo la sceneggiatura.
Com’è arrivato a fare il disegnatore di fumetti? Vocazione o caso? Roberto Diso: Vocazione non direi, mi piaceva molto disegnare, questo sì, e fare queste cose mi permetteva appunto di disegnare. Ho invece sempre pensato, quando ero molto giovane, che fare fumetti fosse una attività per me, diciamo, interlocutoria e che in futuro avrei fatto il pittore, cosa che comunque faccio tuttora insieme ai fumetti. Sappiamo tutti però che i soldi per i giovanissimi sono stati sempre pochini ed è questo il motivo che mi ha indotto a fare le “matite” per le mie prime storie a fumetti mentre ero studente del liceo artistico a Roma. Bisogna anche ricordare che in quegli anni dedicarsi a quel genere di attività non sembrava così promettente dal punto di vista economico e, cosa che oggi fa un po’ sorridere, non era neanche giudicato dai più un lavoro, almeno in Italia, diciamo così del tutto “serio”.
Ha iniziato la sua carriera a ventidue anni: può parlarcene? Roberto Diso: Sì, diciamo che abbastanza presto le cose hanno cominciato a cambiare sotto vari aspetti e fare fumetti mi ha cominciato a interessare sempre di più, soprattutto perché col passare del tempo ho cominciato a notare che la qualità dei testi e dei dialoghi andava man mano migliorando così che il “genere” si stava, anche se lentamente, conquistando una maggiore dignità culturale.
Dopo il debutto, e prima di incontrare Sergio Bonelli, con chi ha collaborato? Roberto Diso: Ai miei esordi ho collaborato con il “Vittorioso”, un periodico che veniva edito a Roma e mi consentiva un approccio più facile con quel tipo di attività. In seguito ho collaborato con vari editori, più che altro per l’estero, Francia principalmente, qualcosa per la Germania, finché non ho iniziato a lavorare per la “Fleetway Pubblication” con storie che, all’inizio, erano soprattutto di carattere bellico, per passare poi ad altri generi, e questa collaborazione mi ha impegnato per diversi anni.
Nel 1974 ha conosciuto Sergio Bonelli: in quale occasione? Roberto Diso: Ho conosciuto Sergio Bonelli quasi per caso. In quel periodo prestavo gratuitamente la mia collaborazione al WWF, e con Fulco Pratesi, che ne era il presidente, decidemmo di cercare di coinvolgere le pubblicazioni destinate ai giovani, allo scopo di propagandare il protezionismo animale e ambientale presso coloro che avrebbero potuto in futuro essere i più adatti a realizzarlo. I giovani appunto. Con Pratesi andammo a Milano e, tra gli editori con i quali abbiamo avuto contatti, Sergio Bonelli fu l’unico che rispose con entusiasmo alla nostra iniziativa, così che quasi subito, nelle sue pubblicazioni, apparvero degli inserti da noi realizzati che riguardavano ambienti, animali e popolazioni remote che stavano correndo rischi di vario genere e sempre più gravi in varie parti del mondo. Non meraviglia certo oggi che Bonelli abbia risposto così prontamente alle nostre richieste, perché sappiamo bene tutti quanto egli stesso abbia constatato personalmente il degrado di certi ambienti naturali che rivedeva magari dopo alcuni anni e quanto dolorosamente questo lo colpisse. Certo un personaggio di questo tipo era allora veramente raro e tanto più prezioso in quanto lo stesso WWF, in Italia e nel mondo, stava muovendo, si può dire, allora i primi passi. Da cosa nasce cosa, il mio lavoro lo ha colpito favorevolmente, mi ha proposto una collaborazione con la sua Casa Editrice e io naturalmente ho subito accettato.
Nonostante il suo esordio in Bonelli avvenga nel novembre del 1975 con il sesto numero di Mister No, “L’uomo della Guyana”, lei per la Casa Editrice di Sergio Bonelli aveva già illustrato due racconti “liberi”, in seguito apparsi sulla Collana Rodeo. Cosa ricorda di quei due episodi? Roberto Diso: Devo dire che li ricordo con una certa emozione perché ho avuto subito l’impressione che la collaborazione con Bonelli stesse per cambiare la mia vita professionale. Fino ad allora infatti, come ho già avuto occasione di dire, consideravo il lavoro che stavo facendo con i fumetti una specie di preambolo a quella che sarebbe stata la mia attività futura, quella appunto di pittore. Con Bonelli le cose sono subito cambiate anche perché, avendo potuto conoscerlo personalmente, ho avuto la netta sensazione di aver trovato in lui, oltre che un editore, un amico importante.
Come è iniziato il rapporto di lavoro con l’editore milanese? Ha fatto delle tavole di prova anche per altri personaggi? Roberto Diso: Dopo aver realizzato questi due primi racconti, Sergio Bonelli mi ha proposto subito di collaborare a Mister No senza coinvolgermi in altri prove.
Certo, Mister No: com’è stato all’inizio il suo approccio con questo innovativo personaggio? Roberto Diso: Intanto Bonelli mi ha subito illustrato le caratteristiche psicologiche di questo personaggio che, soprattutto da questo profilo, era diverso da tutti quelli che lo avevano preceduto. Naturalmente queste mi hanno intrigato subito perché Mister No affrontava i problemi come io stesso avrei voluto che venissero affrontati. La mia collaborazione con il WWF dimostrava già questo, almeno per quanto riguarda l’importanza che aveva per me il protezionismo nei suoi vari aspetti. In seguito, e per fortuna, questa sensibilità si è molto diffusa anche se molto, moltissimo, rimane ancora da fare. Certo Mister No non si può definire un protezionista in senso stretto, ma se si considerano i suoi atteggiamenti si nota che sono improntati generalmente anche a preoccupazioni di questo tipo.
E’ vero che Mister No avrebbe dovuto essere una miniserie di soli cinque numeri, e che lei è stato chiamato in fretta e furia a proseguirne le avventure in virtù delle eccellenti vendite dei primi albi? Roberto Diso: Di questa miniserie sento parlare solo adesso, può darsi che questa fosse la prima intenzione, ma personalmente non ne sono mai stato al corrente.
Nel corso della sua permanenza in SBE ha collaborato con i più importanti scrittori italiani di fumetti (tra gli altri Nolitta, Sclavi, Castelli, Nizzi, Faraci, Ongaro, Mignacco, Manfredi…). A parte Sergio Bonelli, con il quale il feeling traspare da ciascuna delle decine di storie di Mister No realizzate assieme, con quale altro sceneggiatore si è trovato particolarmente in sintonia? Roberto Diso: Devo dire che, pur se relativamente poco aderenti allo spirito di Mister No, le sceneggiature di Tiziano Sclavi mi hanno sempre molto divertito per la loro impostazione di tipo cinematografico con colpi di scena ad effetto che normalmente non si ritrovano nelle storie di tipo classico.
Molti gioielli pubblicati sulle pagine di Mister No portano la sua firma: avventure come “La mafia non perdona”, “Il demone etrusco”, “I gangsters”, o i primi speciali estivi sono ormai considerati dei piccoli classici del fumetto popolare italiano. C’è, all’interno della saga del pilota americano, qualche episodio che ricorda più volentieri di altri? Roberto Diso: Credo di poter dire che le storie sahariane sono fra quelle che mi hanno coinvolto di più insieme a quelle dove ci sono diverse scene sottomarine. Il mondo subacqueo mi interessa particolarmente forse perché ho avuto modo di praticarlo personalmente e con grande interesse e piacere.
Con Mister No ha potuto dare liberamente sfogo ad alcune delle sue passioni, come l’ecologia, la natura, la fauna e, ad un certo momento, ha anche rivisitato la fisionomia di Jerry a sua immagine e somiglianza. Quanto c’è di Roberto Diso nel carattere del personaggio nolittiano? Roberto Diso: Spero più di qualcosa a prescindere da una certa somiglianza fisica, dovuta più che altro al fatto, io credo, che un disegnatore, quando viene lasciato libero graficamente nei confronti del personaggio, tende quasi inconsapevolmente a dargli le proprie caratteristiche fisiche, magari anche “migliorandole” un po’, forse perché sono quelle che conosce meglio, sentendosele, come dire, addosso. Tra l’altro, che questo avvenga abbastanza spesso lo ho potuto più volte notare anche nel lavoro dei miei colleghi, quando mi è capitato di conoscerli personalmente; non di rado infatti ho potuto notare una certa somiglianza tra loro e i loro personaggi.
E quali sono le caratteristiche di Mister No che sente più vicine alla sua personalità? Roberto Diso: Diverse, anche se questa è una domanda un pochino imbarazzante perché sarei costretto a dare di me una immagine in chiave troppo positiva, visto che Mister No è un personaggio decisamente positivo. Comunque più di una direi, anche se certo non siamo del tutto sovrapponibili. Diciamo, tanto per fare una battuta, che il suo dichiarato interesse per il mondo femminile mi trova decisamente schierato al suo fianco.
Quando ha iniziato a distaccarsi dal modello grafico originario del personaggio? E perché? Roberto Diso: Non me lo ricordo, a dire il vero, probabilmente con il tempo e approfondendolo meglio ho elaborato una fisionomia del personaggio secondo me più aderente alle sue caratteristiche psicologiche, come il suo disincanto verso i mali inguaribili del mondo ma continuando pur sempre ad arrabbiarsi per le cose storte che gli accadono intorno. Questo probabilmente è anche alla base di una espressività fisionomica che ho cercato di dargli per rendere più evidenti certi suoi stati d’animo del momento.
Abbiamo detto che le sue tavole realizzate per Mister No le hanno permesso di mostrare tutto il suo amore per gli aspetti naturalistici, dalla flora alla fauna. Negli anni Settanta, i lettori dei fumetti bonelliani non erano abituati a inquadrature in cui gli animali e la vegetazione, con i personaggi lontani sullo sfondo, dominavano all’interno della vignetta. Come hanno reagito i lettori di quel periodo? Roberto Diso: Ho cercato, per quanto ho potuto, di mettermi anche nei panni di un animale, quale che fosse, che mi sia capitato di inserire nella scena che stavo disegnando, in modo di dar loro un ruolo se non di protagonista, almeno di comprimario. Ho anche sempre pensato che qualsiasi altro “essere” debba vedere qualsiasi situazione come parte del “suo” mondo e non del “nostro”, come noi esseri umani tendiamo a fare, così che questi nostri compagni di tragitto rimangono quasi sempre sullo sfondo a fare più che altro il servizio di un “fondale”. Per quanto riguarda le reazioni dei lettori, non saprei dire, non ho dati precisi in merito, ma il riscontro del successo del personaggio dimostrerebbe, almeno in una certa misura, un deciso apprezzamento di questo nostro sforzo da parte loro.
Ha dedicato il suo lavoro a Mister No per oltre trent’anni con innumerevoli storie e, da un certo punto in avanti, anche le copertine portano la sua firma. Negli ultimi tempi lei avvertiva una certa stanchezza narrativa? Avrebbe voluto disegnare altri personaggi della Casa Editrice? Che emozione ha provato ad illustrare le tavole dell’albo n. 379, che sancisce la fine della serie dopo 31 anni? Roberto Diso: Devo dire che nessuno degli altri personaggi mi ha mai coinvolto come Mister No, ho infatti avuto la grande fortuna umana e professionale di trovarmi sulla sua strada e, per quanto mi riguarda, non potrò dimenticare quanto questo personaggio mi sia stato utile nel far maturare il mio segno grafico oltre che, perché no?, in qualche modo anche il mio mondo personale, dal momento che qualsiasi cosa si faccia, di veramente coinvolgente, lascia una traccia dentro di te. E Mister No è stato certamente coinvolgente. Per quanto riguarda la sua conclusione, Mister No, a mio parere, ha risentito soprattutto della sua data di nascita personale, che lo ha portato a vivere due episodi di grande rilevanza storica e rigorosamente situati nel tempo: la Seconda Guerra Mondiale, con quello che ne è conseguito storicamente per il mondo, e poi la guerra di Corea. Questi episodi si stanno però inevitabilmente allontanando nel tempo e con loro il mondo di Mister No. Chi tra i giovani lettori sente di poter partecipare emotivamente, come chi ha la nostra età, a quello che hanno rappresentato per noi quegli avvenimenti? Pochi direi, non abbastanza comunque per far sopravvivere un personaggio che pur se ha aperto più di una via, ormai quasi tutti queste vie le percorrono senza dare loro troppa importanza perché ormai molto più che acquisite e quindi di una normalità che non riesce più ad emozionare.
Nel periodo di Mister No ha anche collaborato con Rinaldo Traini: quali lavori ha realizzato per l’editore romano? Roberto Diso: Con Rinaldo Traini ho potuto sbizzarrirmi un po’ nel fare cose che mi divertiva fare realizzando anche le sceneggiature. In genere storie brevi con il finale un po’ a sorpresa ma anche una storia lunga che si intitolava “Rodo il Cavaliere” e che mi ha permesso di immaginare il territorio nel quale ero venuto a vivere, nei dintorni di Roma, come sarebbe potuto cambiare nel tempo se fossero avvenute le cose che avevo immaginato potessero accadere. Una storia fantasy nell’insieme, con i protagonisti che se da una parte possono utilizzare una tecnologia estremamente avanzata, dall’altra vivono situazioni che hanno similitudini e agganci di tipo storico con il mondo dei principati e dei granducati del nostro mondo rinascimentale. Non ha avuto un seguito e il primo episodio è rimasto l’unico anche se nel cassetto ci sono gli abbozzi di diversi altri episodi non realizzati. Per Traini ho anche realizzato alcuni episodi di un personaggio che era sceneggiato da un gruppo di vari autori, al momento non ricordo quali, e che si chiamava “Rudi X”, ma devo dire che non si è trattato di una iniziativa molto fortunata.
Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: nel 2003 approda a Tex, ma in realtà la sua prima storia western risale a circa 20 anni prima, con l’episodio di Mister No “Ombre rosse”: una storia surreale con echi fordiani (e non solo) scritta da Tiziano Sclavi, in cui lei realizza con la consueta maestria scene a cavallo, sparatorie, apaches, assalti alla diligenza. Dato l’ottimo risultato, sembra strano che la redazione non le abbia chiesto di dedicarsi a Tex fin da allora. Roberto Diso: Più che una domanda, questa sembrerebbe una constatazione. Allora non mi fu chiesto, devo dire, e a mio parere la cosa si spiega più che altro con la necessità che io mi dovessi dedicare a tempo pieno al personaggio di Mister No. Tex, come sappiamo bene, poteva già allora contare su un congruo numero di validi realizzatori.
Nel disegnare Tex ha incontrato difficoltà? Ha dovuto modificare il suo solito stile? Roberto Diso: Beh, l’unica difficoltà può essere stata quella di adeguarsi alla fisicità del personaggio che, francamente, non so se sono riuscito ad ottenere. Tex infatti ha caratteristiche convalidate dal tempo e alle quali non è del tutto facile adeguarsi. Un disegnatore della mia età ha uno stile ormai consolidato e affrontare un “mostro sacro” come Tex comporta necessariamente anche una “rivisitazione” di questo stile e forse persino di una buona dose di umiltà, caratteristica che io forse non possiedo a sufficienza e che normalmente e anche giustamente è patrimonio dei disegnatori più giovani. Comunque, non ho certo modificato il mio modo di disegnare. Soltanto gli ambienti, decisamente diversi, comportano un qualche adattamento stilistico perché le luci, le atmosfere, sono diverse e vanno affrontate come tali pur nei limiti del bianco e nero.
Come definisce graficamente il “suo” Tex? Roberto Diso: In tutta onestà non saprei rispondere, l’unica cosa che posso dire è che quando affronto un nuovo personaggio, che si muove perciò in altri “ambienti”, mi sforzo io stesso di sentirmi in quegli stessi “ambienti”. Questo forse in qualche misura può influire anche sulla realizzazione grafica dell’insieme.
Ha preso dei modelli di riferimento particolari? Roberto Diso: No, in genere credo di riferirmi alle cose che, nel tempo, mi hanno dato delle emozioni di una certa importanza, come film, libri o altro.
Ormai ha all’attivo 4 episodi di Tex, quasi tutti piuttosto lunghi e con tematiche per così dire “esotiche” (la legione straniera, i Caraibi…). Come giudica il suo approccio a Tex e al suo mondo? Concorda con il parere di alcuni lettori, secondo i quali, dopo l’ultratrentennale militanza sulle pagine di Mister No, tende a replicare sulla figura di Tex movenze ed atteggiamenti peculiari del pilota? Si pensi all’ironia, al beffardo sorriso di Jerry che ogni tanto fanno capolino anche nelle espressioni del Ranger. Roberto Diso: Si, sono portato a concordare con il parere di questi lettori che mi sembrano piuttosto attenti nelle loro analisi. Certo cancellare i tratti di un personaggio che ci ha accompagnato per così tanti anni non è facile ed è quasi normale che tenda a rispuntare di continuo. Bisogna anche dire che io ho sempre tentato di dare espressività ai visi, in accordo con quello che stanno facendo o dicendo, e questo porta fatalmente a far assomigliare qualsiasi nuovo personaggio a Mister No, che è stato il mio primo da questo punto di vista.
Possiamo dire che la sua generazione è cresciuta a pane e western, sia al cinema che nel mondo delle nuvole parlanti. Anche lei ha avvertito, da ragazzo prima e da addetto ai lavori poi, il fascino di indiani, cowboys e del pittoresco mondo del West ? Conosce Tex solo dal punto di vista professionale o ha anche avuto modo di leggerne alcune storie? Roberto Diso: Diamine, non so proprio immaginare la mia infanzia e la mia gioventù senza il cinema e le avventure di Tex, o anche delle storie lette nei libri che si ambientavano nell’ovest americano e, in genere, nella Frontiera. Ancora oggi quegli ambienti mi affascinano enormemente e, amando i cavalli come li amo, ancora monto in sella utilizzando spesso anche quella monta western che, pur così diversa da quella inglese, è certamente altrettanto affascinante e ricca di insegnamenti per chi ama questo tipo di mondo. Anzi, se posso fare un rilievo alle storie di Tex, è quello di occuparsi troppo poco dei particolari che riguardano il mondo dei cavalli del West e che, non dimentichiamocelo, hanno scritto insieme con gli esseri umani quella straordinaria epopea. Ma questa, lo so, è una mia monomania, perché non si può certo pretendere che ogni soggettista o disegnatore sia un esperto al riguardo e per affrontare certi temi senza dire sciocchezze, bisogna, almeno in una certa misura, esserlo.
Di recente ha collaborato con Paolo Morales e insieme avete realizzato lo splendido “Mohican” (2010), pubblicato nella collana Romanzi a Fumetti Bonelli. Già a uno sguardo rapido delle tavole si avverte la felicità dell’impostazione e si nota come non solo i paesaggi e gli animali siano raffigurati con la consueta sapienza ed eleganza, ma anche i personaggi siano dotati di una vitalità autentica. Com’è nata questa vostra collaborazione? Roberto Diso: Paolo Morales non ho il piacere di conoscerlo personalmente ma ci siamo sentiti più volte telefonicamente per affrontare eventuali piccoli problemi. E’ un bravissimo soggettista e sceneggiatore e sa quindi come stimolare un disegnatore perché possa dare il meglio che può. I personaggi principali ovviamente li conoscevo già perché avevo letto da ragazzo il romanzo “l’Ultimo dei Mohicani”, storia che naturalmente mi sono andato subito a rileggere appena mi è arrivato il soggetto. Morales mi ha anche fornito della documentazione sui film che nel tempo hanno trattato quel tipo di ambienti che, insieme alla mia personale documentazione, mi ha consentito di non avere grossi problemi al riguardo.
Anche recentemente è stato inserito, da Gianfranco Manfredi, nello staff di “Volto Nascosto”, un personaggio a sfondo storico per il quale ha realizzato un episodio che le ha permesso di sfoggiare dinamiche scene di battaglia. E’ stata una collaborazione “una tantum” oppure disegnerà anche qualche numero di “Shangai Devil”, la nuova miniserie di Manfredi? Roberto Diso: Mi è stato detto di un episodio della nuova serie che dovrei disegnare ma, per il momento, non so altro.
Cosa sta riservando ai suoi lettori per il futuro? Nell’ottobre 2011 è uscito un suo nuovo Romanzo a Fumetti a sfondo bellico, scritto da Tito Faraci. Proseguirà anche la collaborazione su Tex? Roberto Diso: In questa lunga storia a sfondo bellico ci sono ambienti e situazioni che ho già affrontato molte volte durante la mia collaborazione, soprattutto con la Casa Editrice inglese, e quindi non ho avuto difficoltà di documentazione. Devo dire che al riguardo sono decisamente ben fornito. Per quanto riguarda altre storie di Tex non ho notizie ma se dovessero arrivare soggetti che lo riguardano sarò ben felice di affrontarli.
Com’è lavorare per Sergio Bonelli? Roberto Diso: Com’è lavorare per un amico?
Il fumetto della SBE è sempre stato il suo obiettivo, oppure avrebbe preferito fare il cosiddetto “fumetto d’autore” come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Roberto Diso: Pensavo che prima o poi mi sarei forse dedicato al fumetto d’autore, magari facendo anche pittura, poi “purtroppo” ho incontrato Sergio… e non ho resistito al suo fascino… e a quello di Mister No.
Nelle sue tavole preferisce lasciare spazio solo alla sua fantasia, oppure utilizza anche altro materiale di supporto come fotografie, libri o altro? Utilizza internet per documentarsi ? Gli sceneggiatori l’aiutano in questa ricerca di documentazione? Roberto Diso: Utilizzo tutto quello che mi può servire come documentazione e internet rappresenta un apporto prezioso in questo senso. Gli sceneggiatori, da parte loro, sono in genere molto solerti nel fornire la documentazione che ritengono necessaria.
Come procede nella creazione? Fa una pagina completa e dopo passa all’altra? E quali strumenti di lavoro utilizza? Roberto Diso: In genere affronto un paio di tavole alla volta soprattutto per lasciare asciugare l’inchiostro su quella che ho appena affrontata. I miei strumenti sono quelli più classici: pennino, pennello e la biacca quando è necessario.
Quanto tempo impiega per disegnare una tavola? Ha degli orari? Come si articola una sua giornata tipo fra lavoro, letture, tenersi informato, ozio, vita familiare? Roberto Diso: Non mi pongo limiti di lavoro rigorosi se non quando ultimare la storia diventa urgente o urgentissimo, ma non è una cosa che accada spesso. Dedicare tempo ad altre attività che mi piacciano è per me altrettanto importante del lavoro e quindi dedico a queste cose tutto il tempo necessario, ma non sono un programmatore meticoloso né dell’uno né delle altre.
Caro Maestro Roberto Diso, a nome del blog portoghese di Tex, la ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci ha gentilmente concesso.
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