TEX SEM FRONTEIRAS: 2011 Histórico para Tex no Brasil

Por G. G. Carsan*

TEX SEM FRONTEIRAS: “2011 Histórico para Tex no Brasil”

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O texiano está habituado a viver o ano atrás das suas revistas Tex assim como o navio cruza o oceano em busca de terra firme no seu destino. Sai ano, entra ano e as coisas não mudam. Tex, Tex Coleção, Tex Ouro, Tex Gigante, Tex Anual, Tex Férias, Tex Almanaque, Tex Edição Histórica, até pouco tempo Os Grandes Clássicos de Tex e agora Tex a Cores, a seu tempo e periodicidades, estão sempre chegando para nos levar da vida real para a vida aventureira e para o divertimento curto e certo. Mas 2011 foi um ano diferente, muito diferente, conforme veremos a seguir.

A 12 de Janeiro de 2011 alcançamos 10 anos da morte de G. L. Bonelli, o criador de Tex. Anos que passaram rapidamente na companhia da sua principal personagem, e, que por ser uma personagem tão boa, praticamente nos fez esquecer o seu pai-criador. Em verdade, por algum motivo, Bonelli pai recolheu-se nos Campos de Caça de Manitu e sua viagem, apesar de sentida à época, não repercutiu tanto quanto deveria.

Chegou Fevereiro e Tex completou 40 anos de publicação no Brasil, facto que também passou quase despercebido, haja vista que todo mundo só pensava no Tex 500 que seria publicado dali a alguns meses. Outrossim, 40 anos de vida num país que só agora passou a integrar o rol dos desenvolvidos significa muito fôlego da personagem e grande propósito e aposta dos editores, que souberam driblar as diversas e grandes dificuldades brasileiras.

Em Junho Tex subiu a Serra da Borborema e foi visto circulando por Campina Grande, a capital do forró, em algumas ocasiões, como no programa radiofónico do Coronel Grilo, directo do Maior São João do Mundo e também no Salão de Artesanato.

O Tex 500 foi lançado praticamente junto com a Gibicon, evento que por muito pouco não detonou a capital do Paraná com as milhares de visitações que para lá seguiram, brindando as presenças dos ícones texianos Fabio Civitelli e Lucio Filippucci e tantos outros astros das BDs, brasileiras e mundiais. E nosso Tex 500 chegou para fortalecer ainda mais e mais a marca Tex em território brasileiro, de um lado fazendo a fiesta dos coleccionadores e por outro lado servindo de recordações para aqueles que largaram o vício da leitura por motivos mundanos. Para este escriba, Tex 500 significou muito mais do que um título nacional do seu clube do coração, muito mais do que o seu próprio aniversário, significa a continuidade e a vida de um fenómeno que podemos traduzir como ‘irmão querido’.

Deus havia mexido nas linhas do destino de modo que justamente a 20 de Agosto estivéssemos, eu, o Gervásio e o Adriano Rainho, o Maldonado, o Júlio Schneider, e tantos outros pards (o João Cunha, o João Rios, João Sorocaba, o Wilson, o Nei, o Ezequiel, etc…) reunidos na Exposição Tex 500 Brasil, em torno do nosso ídolo lá nas paragens paulistanas-andreenses para realizarmos mais um evento de exaltação, de valorização e de divulgação do Ranger mais temido do Oeste. Um evento que além de grande em matéria de divulgação, foi muito longo, mais de um mês de exposição de um material muito rico sobre a saga texiana, aqui e na Itália, certamente um dos melhores e maiores acervos do Brasil. Naquela ocasião, tive a oportunidade de apresentar oficialmente a ideia de lançar um dia de comemorações para o Tex no Brasil, o nosso Dia Nacional do Tex, um tempo propício para grandes lançamentos e eventos envolvendo o nome e a marca Tex, que foi bem aceito pelos presentes. Foi o primeiro evento texiano em solo brasileiro transmitido ao vivo pela internet, durante a palestra, provando que realmente, Tex não tem fronteiras.

A cavalgada de retorno de São Paulo até às pradarias paraibanas foi longa e logo me vi diante de grandes acontecimentos que marcaram de forma indelével este texiano acostumado a grandes aventuras, mas que ainda consegue se emocionar e/ou ficar cabisbaixo diante de certas modas da vida. A 26 de Setembro de 2011 recebemos a terrível notícia que Sergio Bonelli havia deixado a SBE, os familiares, os amigos, os seus leitores e as suas amadas personagens e ido para o andar de cima, tirar umas merecidas férias e não estaria atendendo ninguém durante um bom tempo. Fazer o quê? Todos aqui no Brasil ficamos tristes, desde os Balcãs até à Cordilheira dos Andes, mas, mesmo tristes, tratamos de homenagear de todas as formas possíveis este Grande Irmão há tanto tempo responsável por nosso divertimento, lazer e camaradagem. O merecidamente endeusado Sergio Bonelli teve uma vida, uma morte e um funeral dignos dos membros da Corte de Zeus. E os desenhadores texianos trataram de externar a sua dor, desenhando dezenas de Tex pagando um tributo ao seu Editor e Amigo e dando-lhe um Adeus.

Nem deu tempo abaixar a poeira do funeral e estávamos a 30 de Setembro, dia do nascimento do Tex na bota italiana, em nova realidade. Para tal dia, conforme dito acima, era hora de vivenciar o Dia Nacional do Tex em sua primeira edição – momento de realizar sorteios de revistas, pósters e livros, de relatar experiências. Reunimo-nos na revistaria Comic House, na cidade de João Pessoa, para festejar o aniversário do nosso herói e realizar a 5ª. Expo-Tex de Jampa. Lá estiveram alguns texianos de longe, como Genildo Santana e Iranildo, pards do vizinho Estado de Pernambuco; e de casa Gilson Galvão, Adauto e Pedro Arnóbio, Zezinho do Ouro e Zé da Revista, além dos amigos Daniel e família (um filho é “gibizeiro”) e Maribel e sua turma, e ainda os meus familiares. Nesse evento, tivemos o cuidado de observar um minuto de silêncio em respeito à saída de cena de Sergio Bonelli; realizei uma palestra e cantamos parabéns para o Tex.

Uma turma muito aguerrida realiza na capital paraibana um evento de Banda Desenhada que já está em sua 5ª. edição e esse último foi nos dias 8 e 9 de Outubro.  Dessa feita, o 5º. HQPB homenageou o desenhador Deodato Borges e a sua personagem O Flama, dos anos 60. Deodato é pai do famoso desenhador Mike Deodato, que desenha para a Marvel americana. Depois de alguns contactos, consegui inserir o Tex na programação e arrumei um lugar para o grande herói do faroeste. Foi um grande achado, pois conseguimos colocar Tex ao alcance da vista de milhares de jovens que são malucos por mangás e personagens de filmes japoneses, que nunca haviam dado uma única chance para Tex e outras personagens italianas. Outro facto importante foi o sorteio de diversas revistas de Tex, Zagor, Júlia Kendall e Mágico Vento, animando aquela juventude ávida por novidades. E para finalizar, participei de um desfile de cosplay vestido de Tex e a personagem italiana alcançou o primeiro lugar, contra uns 30 candidatos. Reproduzo a seguir uma mensagem recebida de um dos organizadores, o jovem Leandro, uma pessoa super gente fina, como dizemos por aqui: “Também gostei muito de te conhecer, sua exposição do TEX foi um sucesso! Todo mundo falou muito bem! Esperamos, ano que vem, poder contar com você e o seu acervo fantástico (dessa vez com uma estrutura melhor cedida pelo evento). Todos queriam conhecer mais sobre o Tex, o G.G. Carsan e adquirir suas revistas de brinde (pena que não podia concorrer)! Foi muito bom”.

Tex foi visto na 57ª. Bienal do Livro de Porto Alegre, participando desse renomado evento gaúcho, estando ali de passagem, quando retornava da Argentina, onde esteve visitando a Patagónia, onde passou por uma de suas mais emotivas aventuras em companhia de seu filho Kit.

E finalmente, a 16 de Novembro, na pequena e bela cidade de Dona Inês, no interior do Estado da Paraíba, um dia de exposição em Tex Willer Sobe a Serra de Dona Inês, participando da programação oficial dos 52 anos de Emancipação Política, dentro do III Festival de Cultura Popular. A exposição e diversas palestras para mais de 300 alunos ao longo do dia realizou-se na Biblioteca Municipal, local aconchegante e próprio para se beber na fonte da sabedoria e tomar gosto pela leitura. Ali foram sorteados cerca de 60 revistas bonellianas publicadas pela Mythos, que ajudou com boa parte dos brindes.
Não tem o que pensar, não tem o que contradizer: o Tex não tem fronteiras, ele está em qualquer parte, sempre em locomoção, seja numa violenta aventura, seja se apresentando em algum evento, seja viajando das bancas para a casa de algum abnegado coleccionador.

Um grande Tex para cada um de vocês.

G.G.Carsan

* G.G.Carsan, 46 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 5 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex (algumas publicadas na Internet) e um livro sobre a personagem no Brasil. 

Escreve para o Portal TexBr e participa de chats e comunidades no Orkut. Fez matérias especiais para o HQ Maniacs e Universo HQ nas comemorações de 60 anos. Mantém a biblioteca aberta para visitantes.

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Videoclip oficial de “My name is TEX”, por Graziano Romani

MY NAME IS TEX, é este o nome do disco da autoria de Graziano Romani dedicado a Tex e que foi recentemente posto à venda nos quiosques italianos (3 de Novembro de 2011) ao preço de 9,90 € e com o selo da prestigiada Panini num evento editorial sem precedentes já que pela primeira a SERGIO BONELLI EDITORE e a PANINI COMICS se uniram para homenagear a história da personagem de banda desenhada mais famosa, amada e vendida de Itália.

Tendo um total de nove faixas inspiradas em histórias de Tex, compostas pelo próprio Graziano e mais quatro famosas melodias tradicionais da epopeia western, sendo sem dúvida alguma a trilha sonora ideal para qualquer fã do Ranger. Mais especificamente, para além de uma música dedicada a Tex, trará canções dedicadas a Kit Carson, Lilyth, Mefisto e El Muerto. Uma outra contará musicalmente a história do massacre de Goldeena. As outras… em breve as descobrirão por vós próprios, mas hoje o blogue do Tex tem o prazer de dar a conhecer o videoclip oficial da canção que dá nome ao disco: My name is Tex, para deleite de todos os fãs e coleccionadores de Tex:

Prestigiada revista italiana “Scuola di Fumetto” dá NOVAMENTE grande destaque ao blogue português do Tex, desta vez a propósito da entrevista exclusiva com Fabio Civitelli!

Por José Carlos Francisco

A prestigiada revista italiana “Scuola di fumetto“,  uma das mais conceituadas revistas, senão mesmo a mais importante, sobre informações e críticas relativamente à banda desenhada, de periodicidade bimestral e totalmente a cores, no seu número 80 (que dedica um amplo espaço a Sergio Bonelli numa grandiosa homenagem ao “homem dos fumetti” recentemente falecido, a começar logo pela capa numa fantástica ilustração de Bruno Brindisi), de Novembro e Dezembro de 2011, deu NOVAMENTE um amplo destaque ao blogue português do Tex, na sua rubrica “Da cliccare – Link, indirizzi e connessioni per orientarsi nel web”, a propósito da entrevista exclusiva com o desenhador Fabio Civitelli, indicando-a da seguinte forma através de um texto assinado pelo seu redactor Andrea Leggeri:

FABIO CIVITELLI

É novamente o blogue português inteiramente dedicado a Tex e à banda desenhada bonelliana administrado pelos apaixonados e competentíssimos José Carlos Pereira Francisco e Mário João Marques, a oferecer-nos a oportunidade de ler on line uma interessante entrevista a um nosso Mestre italiano. Trata-se de Fabio Civitelli, um dos pilares da publicação mensal dedicada ao célebre Ranger do Texas que desenha desde o longínquo 1984. Antes disso colaborou com a Dardo, Edifumetto e Universo, algumas entre as principais realidades da banda desenhada italiana. Chegou à Bonelli em 1978 para desenhar Mister No, para depois ser absorvido quase a tempo integral pelo trabalho com Tex. Civitelli marcou a mais importante saga western da banda desenhada italiana com o seu estilo realístico caracterizado por uma pessoalíssima linha clara e de um extremo cuidado no detalhe. Na entrevista conta a sua relação com Tex Willer mas sobretudo fala do seu método de trabalho e da sua técnica gráfica, transmitindo-nos a sua genuína paixão pela banda desenhada. A versão integral pode ser lida em https://texwillerblog.com/?p=30431

Você já pensou em usar a informática e, como alguns desenhadores, mirar a novas técnicas, ou este é um método que não lhe agrada? Em caso positivo, porque?
Eu sou absolutamente contra o uso do computador no desenho, mas isso é um ponto de vista estritamente pessoal. Eu gosto do carácter artesanal da BD, eu gosto de ver as páginas originais desenhadas à mão, e não impressões laser, eu gosto da leve imperfeição dos contrastes desenhados a pincel ou feitos com pontinhos, e também gosto que exista um mercado de desenhos originais que premeia o trabalho manual e artesanal (e, digamos, artístico).

Gostaríamos da saber algo mais sobre a sua técnica de desenho (belíssima, em nossa opinião): quando começa uma história, imaginamos que você deva documentar-se sobre os cenários, as armas, etc. Certo? As figuras humanas que desenha são totalmente criadas por si ou usa modelos como auxílio para certas posições do corpo, expressões ou outros detalhes?
Na verdade a minha técnica é bastante tradicional, tanto que eu uso quase exclusivamente o pincel e o nanquim para a arte-final, e deixo as hidrocores apenas para os pontinhos. Claramente tudo começa com a documentação, hoje bastante fácil com a internet, depois eu desenho a página a lápis – e recorro, para as poses mais difíceis, a fotografias e fotogramas de filmes western que capturo de DVDs com o PC. Também tenho álbuns nos quais colecciono as fotos para certos assuntos, como atirar com o revólver, com a espingarda, cavalgar, ou primeiros planos com belas sombras. Também busco não repetir as mesmas poses ou os mesmos sombreados, então sempre busco novas imagens para recortar. Mas também é importante não se deixar condicionar pelas fotografias, e sim usá-las apenas como ponto de partida.

Eis o texto assinado pelo redactor Andrea Leggeri, na forma original:

É mais uma prova de que as nossas entrevistas são sempre cheias de conteúdo e apreciadas por todos que seguem o nosso Tex, inclusive os profissionais da imprensa italiana e é uma ulterior prova da grande importância das nossas entrevistas, o que só é possível com a colaboração de todos os que colaboram nas grandes entrevistas com os autores bonellianos e que espero se revejam no meu nome e no nome do Mário Marques, pois foi um grande pecado a revista italiana não incluir o nome de todos os que colaboraram nesta entrevista com Fabio Civitelli: Jorge Machado-Dias, Jorge Magalhães, Pedro Cleto, Bira Dantas, Júlio Schneider e Gianni Petino.

Este novo destaque também mostra que estamos no caminho certo e há que prosseguir com estas grandes entrevistas que tornam o blogue português do Tex como o local em todo o mundo onde se podem encontrar as maiores e melhores entrevistas dadas por muitos autores da editora Bonelli como vários deles já nos confidenciaram e como dizia o próprio Sergio Bonelli que antes de falecer tinha  escrito dizendo que um dia destes (que infelizmente nunca chegará) iria dedicar um editorial numa revista de Tex ao blogue português do Tex como se pode comprovar neste trecho:

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Vídeo: Il mio Tex: A balada do Oeste, de Civitelli e Verger

Por José Carlos Francisco

No dia 31 de Outubro de 2010 no Palazzo Ducale e no decurso do Festival Lucca Comics, com a presença de Fabio Civitelli, Giovanni Battista Verger e Moreno Burattini, foi apresentado o livro dedicado a Tex e com o selo da prestigiada editora italiana Lit­tle Nemo Edi­tore:

Il mio Tex
La bal­lata del West di Civi­telli e Ver­ger
Textos de Moreno Burat­tini, Fabio Civi­telli, Ser­gio Pigna­tone e Gio­vanni Batti­sta Ver­ger.

O volume, rea­lizado em colaboração com a Ser­gio Bonelli Edi­tore, é um autêntico livro de arte, como definiu o editor Sergio Pignatone, dedicado a Tex Willer. Impresso em preto e branco num papel nobre e no inovativo formato 29×29 cm, contém 90 ilu­stra­ções inéditas de Fabio Civi­telli rea­lizadas num período de dezassete anos. Os textos de Moreno Burat­tini e as ilustrações do artista aretino tornam possível uma fascinante viagem através do mundo criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aure­lio Gal­lep­pini e seus sucessores: do Oeste da aventura ao mundo dos índios, das desoladas paisagens do deserto às sugestivas terras geladas do grande Norte.

O volume  teve uma tiragem limitada a apenas 500 exem­plares numerados e capa car­to­nada e por conseguinte esgotou em pouco tempo. Cada exemplar estava enriquecido por uma litografia inédita e autografada pelo próprio Civi­telli, tendo as primeiras 100 cópias incluído um desenho original realizado em papel de qualidade. O preço deste livro dedicado a Tex foi  de 59 Euros, tendo os 100 primeiros custado 99 Euros.

Muitas das 90 ilustrações publicadas nesta obra foram vistas em Portugal, mais precisamente em Beja, aquando do 6º Festival Internacional de Beja, assim como também foram apreciadas no Brasil, por ocasião do 17º Fest Comix, dois grandiosos eventos que contaram com a presença de Fabio Civitelli e que levou consigo muitas destas ilustrações, mas para falar com mais propriedade sobre esta magnífica obra que tem uma 2º tiragem, numa versão menos luxuosa e por isso mais barata, oiçamos no vídeo que apresentamos de seguida, Fabio Civitelli:

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