Tex nº 134 – IMBOSCATA!

Tex nº 134 – IMBOSCATA!

Por José Carlos Francisco
Mais um aniversário e mais uma vez a minha esposa, Fátima e as minhas filhas, Andreia Sofia e Ana Beatriz resolveram oferecer-me um presente bem Texiano e que fizesse jus à minha paixão pelo Ranger criado em 1948 por G. L. Bonelli e realizado graficamente por Aurelio Galleppini… é que este ano para comemorar os meus 44 anos (feitos hoje, dia 13 de Dezembro) de existência elas elegeram um bolo TEXiano como o presente que me queriam oferecer para comprovar que apesar de Tex fazer parte integrante da minha vida, a família não tem ciumes desta paixão pelo Ranger e que até incentiva para o facto de Tex estar sempre presente nos momentos mais especiais e deste modo também aproveitaram este dia tão especial (para mim), para homenagear o Ranger que tem como lema a lei, justiça, humanidade e amizade e que assume, simultaneamente, o papel de justiceiro, investigador e até de chefe índio, sob o nome de Águia da Noite e que convive comigo há mais de 30 anos e que também me ajudou a ser a pessoa que sou, moldando-me, isto porque Tex é para mim um irmão mais velho e um verdadeiro Amigo de todas as horas, estando sempre presente em todos os momentos.
Uma paixão resultante de um amor à primeira vista, uma vez que fiquei cativado pela personagem assim que li a sua primeira história, quando, em 1980, os meus avós foram morar para Vila Nogueira de Azeitão e, durante as limpezas no sótão da habitação, descobri uma velha caixa com dezenas de livros de banda desenhada no seu interior, entre elas o Tex 94, “Pacto de Sangue”, uma aventura completa e que apresentava o casamento de Tex.
Essa paixão continua até hoje, como facilmente podem constatar, tanto que Tex não me proporciona apenas horas de leitura apaixonada mas porque através dele, são inúmeros os amigos que tenho feito ao longo dos anos em vários países do mundo e isto leva-me à feliz conclusão de que, afinal, vale a pena dedicarmo-nos a algo que gostamos e que nos dá prazer, para mais quando isso nos permite concretizar muitas e boas amizades e passar momentos de inesquecível envolvimento, como ainda agora aconteceu com o meu grande pard e Amigo Carlos Moreira que me presenteou com uma maravilhosa e luxuosa edição francesa de Tex recentemente publicada em França e que vem engrandecer ainda mais a minha colecção internacional de Tex ou com os grandes Amigos Jorge Magalhães e Catherine Labey que me presentearam com o magnífico e especial cartão texiano de aniversário que se pode ver no início deste texto.
Mas voltando ao bolo de aniversário, para escolher a ilustração de Tex que iria embelezar e tornar especial o bolo do meu aniversário, as minhas princesas recorreram aos vários desenhos de Tex que eu possuía elegendo um belo desenho da autoria de ANDREA VENTURI (que contou com a colaboração do dilecto pard e Amigo G. G. Carsan para a inserção do logótipo de Tex), onde Tex saúda os seus leitores no decurso do evento MaFest, festival dedicado à banda desenhada que anualmente tem lugar em Makarska, na Croácia e que acabou ficando uma verdadeira obra de arte e ainda por cima, comestível!
Quanto a vocês, dilectos pards, são servidos? Bom apetite!
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Em nova ilustração saída do génio criativo de Claudio Villa, vemos o preciso momento em que Tex Willer assiste em pleno cemitério indígena dos sioux, nas Blue Hills, chamado pelos índios como “a sagrada colina da glória”, ao gesto triunfal da vitória ocorrida momentos antes pelo capitão Richard Larrimer (nas vestes do “espírito mau das colinas“) contra Mahonga, o orgulhoso chefe dos sioux, que antes de morrer também acabou por ferir mortalmente o próprio capitão Richard Larrimer.
Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “La freccia spezzata” de Guido Nolitta e Erio Nicolò (Tex italiano #261 e #262).
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Texto de José Carlos Francisco
Por G. G. Carsan*
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O texiano está habituado a viver o ano atrás das suas revistas Tex assim como o navio cruza o oceano em busca de terra firme no seu destino. Sai ano, entra ano e as coisas não mudam. Tex, Tex Coleção, Tex Ouro, Tex Gigante, Tex Anual, Tex Férias, Tex Almanaque, Tex Edição Histórica, até pouco tempo Os Grandes Clássicos de Tex e agora Tex a Cores, a seu tempo e periodicidades, estão sempre chegando para nos levar da vida real para a vida aventureira e para o divertimento curto e certo. Mas 2011 foi um ano diferente, muito diferente, conforme veremos a seguir.
A 12 de Janeiro de 2011 alcançamos 10 anos da morte de G. L. Bonelli, o criador de Tex. Anos que passaram rapidamente na companhia da sua principal personagem, e, que por ser uma personagem tão boa, praticamente nos fez esquecer o seu pai-criador. Em verdade, por algum motivo, Bonelli pai recolheu-se nos Campos de Caça de Manitu e sua viagem, apesar de sentida à época, não repercutiu tanto quanto deveria.
Chegou Fevereiro e Tex completou 40 anos de publicação no Brasil, facto que também passou quase despercebido, haja vista que todo mundo só pensava no Tex 500 que seria publicado dali a alguns meses. Outrossim, 40 anos de vida num país que só agora passou a integrar o rol dos desenvolvidos significa muito fôlego da personagem e grande propósito e aposta dos editores, que souberam driblar as diversas e grandes dificuldades brasileiras.
Em Junho Tex subiu a Serra da Borborema e foi visto circulando por Campina Grande, a capital do forró, em algumas ocasiões, como no programa radiofónico do Coronel Grilo, directo do Maior São João do Mundo e também no Salão de Artesanato.
O Tex 500 foi lançado praticamente junto com a Gibicon, evento que por muito pouco não detonou a capital do Paraná com as milhares de visitações que para lá seguiram, brindando as presenças dos ícones texianos Fabio
Civitelli e Lucio Filippucci e tantos outros astros das BDs, brasileiras e mundiais. E nosso Tex 500 chegou para fortalecer ainda mais e mais a marca Tex em território brasileiro, de um lado fazendo a fiesta dos coleccionadores e por outro lado servindo de recordações para aqueles que largaram o vício da leitura por motivos mundanos. Para este escriba, Tex 500 significou muito mais do que um título nacional do seu clube do coração, muito mais do que o seu próprio aniversário, significa a continuidade e a vida de um fenómeno que podemos traduzir como ‘irmão querido’.
Deus havia mexido nas linhas do destino de modo que justamente a 20 de Agosto estivéssemos, eu, o Gervásio e o Adriano Rainho, o Maldonado, o Júlio Schneider, e tantos outros pards (o João Cunha, o João Rios, João
Sorocaba, o Wilson, o Nei, o Ezequiel, etc…) reunidos na Exposição Tex 500 Brasil, em torno do nosso ídolo lá nas paragens paulistanas-andreenses para realizarmos mais um evento de exaltação, de valorização e de divulgação do Ranger mais temido do Oeste. Um evento que além de grande em matéria de divulgação, foi muito longo, mais de um mês de exposição de um material muito rico sobre a saga texiana, aqui e na Itália, certamente um dos melhores e maiores acervos do Brasil. Naquela ocasião, tive a oportunidade de apresentar oficialmente a ideia de lançar um dia de comemorações para o Tex no Brasil, o nosso Dia Nacional do Tex, um tempo propício para grandes lançamentos e eventos envolvendo o nome e a marca Tex, que foi bem aceito pelos presentes. Foi o primeiro evento texiano em solo brasileiro transmitido ao vivo pela internet, durante a palestra, provando que realmente, Tex não tem fronteiras.
A cavalgada de retorno de São Paulo até às pradarias paraibanas foi longa e logo me vi diante de grandes acontecimentos que marcaram de forma indelével este texiano acostumado a grandes aventuras, mas que ainda consegue se emocionar e/ou ficar cabisbaixo diante de certas modas da vida. A 26 de Setembro de 2011 recebemos a terrível notícia que Sergio Bonelli havia deixado a SBE, os familiares, os amigos, os seus leitores e as suas amadas personagens e ido para o andar de cima, tirar umas merecidas férias e não estaria atendendo ninguém durante um bom tempo. Fazer o quê? Todos aqui no Brasil ficamos tristes, desde os Balcãs até à Cordilheira dos Andes, mas, mesmo tristes, tratamos de homenagear de todas as formas possíveis este Grande Irmão há tanto tempo responsável por nosso divertimento, lazer e camaradagem. O merecidamente endeusado Sergio Bonelli teve uma vida, uma morte e um funeral dignos dos membros da Corte de Zeus. E os desenhadores texianos trataram de externar a sua dor, desenhando dezenas de Tex pagando um tributo ao seu Editor e Amigo e dando-lhe um Adeus.
Nem deu tempo abaixar a poeira do funeral e estávamos a 30 de Setembro, dia do nascimento do Tex na bota italiana, em nova realidade. Para tal dia, conforme dito acima, era hora de vivenciar o Dia Nacional do Tex em sua primeira edição – momento de realizar sorteios de revistas, pósters e livros, de relatar experiências. Reunimo-nos na revistaria Comic House, na cidade de João Pessoa, para festejar o aniversário do nosso herói e realizar a 5ª. Expo-Tex de Jampa. Lá estiveram alguns texianos de longe, como Genildo Santana e Iranildo, pards do vizinho Estado de Pernambuco; e de casa Gilson Galvão, Adauto e Pedro Arnóbio, Zezinho do Ouro e Zé da Revista, além dos amigos Daniel e família (um filho é “gibizeiro”) e Maribel e sua turma, e ainda os meus familiares. Nesse evento, tivemos o cuidado de observar um minuto de silêncio em respeito à saída de cena de Sergio Bonelli; realizei uma palestra e cantamos parabéns para o Tex.
Uma turma muito aguerrida realiza na capital paraibana um evento de Banda Desenhada que já está em sua 5ª. edição e esse último foi nos dias 8 e 9 de Outubro. Dessa feita, o 5º. HQPB homenageou o desenhador Deodato Borges e a sua personagem O Flama, dos anos 60. Deodato é pai do famoso desenhador Mike Deodato, que desenha para a Marvel americana. Depois de alguns contactos, consegui inserir o Tex na programação e arrumei um lugar
para o grande herói do faroeste. Foi um grande achado, pois conseguimos colocar Tex ao alcance da vista de milhares de jovens que são malucos por mangás e personagens de filmes japoneses, que nunca haviam dado uma única chance para Tex e outras personagens italianas. Outro facto importante foi o sorteio de diversas revistas de Tex, Zagor, Júlia Kendall e Mágico Vento, animando aquela juventude ávida por novidades. E para finalizar, participei de um desfile de cosplay vestido de Tex e a personagem italiana alcançou o primeiro lugar, contra uns 30 candidatos. Reproduzo a seguir uma mensagem recebida de um dos organizadores, o jovem Leandro, uma pessoa super gente fina, como dizemos por aqui: “Também gostei muito de te conhecer, sua exposição do TEX foi um sucesso! Todo mundo falou muito bem! Esperamos, ano que vem, poder contar com você e o seu acervo fantástico (dessa vez com uma estrutura melhor cedida pelo evento). Todos queriam conhecer mais sobre o Tex, o G.G. Carsan e adquirir suas revistas de brinde (pena que não podia concorrer)! Foi muito bom”.
Tex foi visto na 57ª. Bienal do Livro de Porto Alegre, participando desse renomado evento gaúcho, estando ali de passagem, quando retornava da Argentina, onde esteve visitando a Patagónia, onde passou por uma de suas mais emotivas aventuras em companhia de seu filho Kit.
E finalmente, a 16 de Novembro, na pequena e bela cidade de Dona Inês, no interior do Estado da Paraíba, um dia de exposição em Tex Willer Sobe a Serra de Dona Inês, participando da programação oficial dos 52 anos de Emancipação Política, dentro do III Festival de Cultura Popular. A exposição e diversas palestras para mais de 300 alunos ao longo do dia realizou-se na Biblioteca Municipal, local aconchegante e próprio para se beber na fonte da sabedoria e tomar gosto pela leitura. Ali foram sorteados cerca de 60 revistas bonellianas publicadas pela Mythos, que ajudou com boa parte dos brindes.
Não tem o que pensar, não tem o que contradizer: o Tex não tem fronteiras, ele está em qualquer parte, sempre em locomoção, seja numa violenta aventura, seja se apresentando em algum evento, seja viajando das bancas para a casa de algum abnegado coleccionador.
Um grande Tex para cada um de vocês.
* G.G.Carsan, 46 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 5 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex (algumas publicadas na Internet) e um livro sobre a personagem no Brasil.
Escreve para o Portal TexBr e participa de chats e comunidades no Orkut. Fez matérias especiais para o HQ Maniacs e Universo HQ nas comemorações de 60 anos. Mantém a biblioteca aberta para visitantes.
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