Por Ezequiel Guimarães
E eis que recentemente foi lançado em Terra Brasilis mais um livro teórico sobre quadradinhos: “Linguagem HQ – Conceitos Básicos” (publicado pela Editora Criativo). Não “mais um” num sentido depreciativo, mas MAIS UM, num sentido comemorativo, pois apesar de termos diversos autores que já lançaram diversos livros teóricos, como Álvaro Moya, Moacy Cirne, Diamantino da Silva, Gonçalo Jr., Paulo Ramos, Edgard Guimarães, Carlos Patati, Flavio Braga, entre outros, os espaços nas livrarias brasileiras sobre esse tema (a indelével nona arte) ainda são poucos preenchidos. Até porque muitos livros já se encontram esgotados devido a terem sido publicados há muitos anos (alguns, até há décadas!).
E o Brasil sempre teve uma produção baixíssima nesse segmento de mercado, comparado a outros países. Então, quando se lança um livro sobre esse tema, merece, antes de qualquer coisa, uma comemoração (e mais ainda devido à qualidade do mesmo).
Essa publicação “Linguagem HQ – Conceitos Básicos”, do renomado (e simpático) Professor Nobu Chinen, consegue alcançar o objectivo proposto: ou seja, numa linguagem fácil, clara, resumida (nem tanto) e objectiva, apresentar os principais elementos que permeiam a linguagem intrínseca às BDs (no Brasil: HQs), para o atento leitor expandir os seus horizontes e se aprofundar no conhecimento sobre a mídia onde as suas personagens favoritas estão inseridas, e compreendê-la melhor. E também para o leitor que quer ter mais informações para até chegar, quem sabe, ele mesmo a escrever/desenhar, as suas próprias BDs! (Além dos estudiosos do tema).
Você sabe o que é Charge? Qual a diferença dela para o Cartum? Sabe por quê (e para quê) se aplicam metáforas visuais? Onomatopeias? Compreende o porquê da necessidade de figuras cinéticas? Sabe como devem ser feitas a diagramação e a splash page? Já pensou porque certos autores usam certos ângulos? Enquadramentos? Elipses? Ou nem sabe do que estou falando?
Sabe de tudo isso? Ou quer conhecer? Independente do que queira, saiba que tudo isso (e muito mais) está tudo lá, no “Linguagem HQ – Conceitos Básicos” (e outra coisa muito interessante é que cada conceito é muito bem ilustrado com um exemplo retirado de alguma BD conhecida; são muitos e muitos exemplos do que se produziu em cerca de cem anos em quadradinhos nos Estados Unidos, Europa, Japão, América Latina e outros países).
Fora a parte técnica há também uma breve história dos quadradinhos (mas também com visão técnica). Os precursores, os pioneiros, os clássicos, os super-heróis, a era de ouro, a era de prata, o underground, e muito mais, estão também todos lá. Os americanos, os argentinos, os mexicanos, os italianos, e outros, estão todos lá.
Italianos? Então ele também está lá? Sim, ele também!!!! O granítico Ranger, o justiceiro mais destemido do velho oeste, devido à sua projecção e importância mundial no cenário quadrinhístico (sendo a mais longeva personagem de faroeste clássico de banda desenhada do mundo) não poderia estar de fora de uma obra deste porte. E lá está ele, inclusive ilustrando uma das abordagens técnicas (há também referência a outras personagens bonellianas, como Júlia, Nathan Never e Martin Mystère, mas como ocorreu também no livro “Almanaque dos Quadrinhos”, o Ranger tem o maior número de citações).
E sobre a famosa personagem bonelliana, o autor confidenciou-me que “acho admirável a longevidade e o sucesso da personagem”; e ele também me citou que o ”facto da personagem Tex ser citada duas vezes num universo de milhares de outras denota a importância que ele tem, demonstra a sua qualidade técnica como expressão da linguagem”.
E falando dele (o autor – Professor Nobu Chinen), ele tem uma grande e longa relação com os quadradinhos: desde 1987 passou a esquadrinhá-los na sua coluna semanal Vuptvaptpum! no jornal Vale Paraibano. De lá para cá não parou mais: organiza exposições, dá aulas (é docente dos cursos de Publicidade e Propaganda, Desenho Industrial e de Rádio e Televisão, das Faculdades Integradas Interamericanas – FAITER, além de professor de Histórias em Quadradinhos, obviamente), organiza seminários e escreve artigos em revistas. E esse prolífero professor ainda arruma tempo de participar de documentários.
Veja abaixo o índice do livro, e pelo conteúdo tão interessante, deve constar na estante de todo aficionado pelos quadradinhos e que quer compreender melhor a mídia onde a sua personagem actua. E também deve constar nas estantes dos texianos, pois o destemido Ranger se faz presente na obra.
Eu já adquiri meu exemplar, corra e pegue o seu.
ÍNDICE
Prefácio
Introdução
Capítulo 1 – A Linguagem
Capítulo 2 – Elementos
Capítulo 3 – Diagramação
Capítulo 4 – Arte Sequencial
Capítulo 5 – O Histórico
Capítulo 6 – O Mercado
Capítulo 7 – Os processos de produção
Leitura recomendada
Apoio Cultural
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)



Com o blogue do Tex, fique por dentro de tudo! Não perca nenhuma das publicações Bonelli/Mythos em 2012
JANEIRO
20 – Tex Coleção 303
ABRIL
14 – M. Vento 119








Hoje no blogue do Tex vamos lançar um olhar à 


