Por José Carlos Francisco (texto e fotos), organização do MAB Invicta (realização do vídeo) e Rodrigo Bratz (edição do vídeo)
No decurso do segundo, e último, fim de semana do MAB Invicta – Festival Internacional de Multimédia, Artes e BD, no Porto, decorreu uma palestra de Fabio Civitelli, palestra essa inclusive com sessão de perguntas e respostas, que não estava prevista no programa do evento, mas perante a grande afluência de fãs e coleccionadores de Tex e a disponibilidade do auditório da Faculdade de Belas Artes, a organização liderada por Manuel Espírito Santo resolveu, e em boa hora, então levar a cabo a dita palestra com o consagrado autor italiano de Tex.
A palestra foi moderada pelo próprio Manuel Espírito Santo e para além de Fabio Civitelli, contou ainda com a presença de José Carlos Francisco nas vestes de tradutor, se bem que devido ao facto de Civitelli se expressar num muito bom português na maior parte da conversa, não foi necessário haver tradução.
A palestra foi muito rica, em conhecimento, vivência e muita experiência texiana, inclusive para os presentes que participaram com perguntas e depoimentos e vários foram os assuntos abordados, desde o facto de ter sido a quinta presença de Fabio Civitelli num evento português, passando pelo Tex Gigante de sua autoria e que será publicado em Itália neste Verão e cujas páginas foram expostas no MAB Invicta em antestreia, num rigoroso exclusivo mundial, não esquecendo também da actual história em produção e que será publicada, a cores, em 2013 ou 2014, para além de ter sido abordada também o recente falecimento de Sergio Bonelli e da sua importância na banda desenhada italiana, assim como do futuro (risonho) da editora italiana e até um eventual novo casamento de Tex ou uma sua passagem pelo Brasil ou… Portugal.
Durante a palestra foi também dado o anúncio em primeiríssima mão de que o Tex Edição Especial Colorida #1, a lançar em breve pela Mythos Editora, no Brasil, terá formato italiano, sendo também abordada a possibilidade da revista Tex ser publicada em Portugal por uma editora portuguesa, atendendo ao facto do próprio Civitelli constatar que Tex tem em Portugal muitos leitores apaixonados pelo Ranger.
Fabio Civitelli também falou no decurso da palestra sobre a história que irá desenhar após finalizar o Color Tex, história essa que deverá então ser começada a desenhar por ele em 2013 e que trará o retorno de Yama, o filho de Mefisto, numa aventura escrita por Mauro Boselli e que durará três edições e que mostra uma vez mais a importância de Fabio Civitelli nas histórias de Tex, já que a ele somente estão destinadas histórias muito especiais, para gáudio dos seus fãs e admiradores.
Fabio Civitelli também elencou a lista de países no mundo que actualmente publica Tex e até falou da possibilidade de vir a desenhar o Tenente Blueberry após a morte de Jean Giraud, mas melhor do que palavras é assistir-se ao vídeo da palestra, vídeo filmado pela organização do evento, tendo uma duração superior a 30 minutos e que podemos dar a conhecer hoje a todos os nossos leitores devido à imprescindível ajuda do nosso expert e colaborador, Rodrigo Bratz, a quem agradecemos uma vez mais pela ajuda prestada.
Até onde pode ir a loucura de um coleccionador de Tex para estar o mais próximo possível do seu ídolo, amigo e irmão? Já pensou nisso? Então faça uma análise. Cada um ao seu modo, os coleccionadores têm feito loucuras para manter-se criança, para ter a sua porção mensal de estímulo da moral e justiça deste mundo. Alguns anos atrás fiz este boneco, 12cm, de biscuit, para enfeitar a minha biblio-tex. Era o começo.
Há um ano, entrei para o mundo do artesanato paraibano e passei a conviver com muitos mestres de variadas tipologias artesanais, aprendendo ainda mais a valorizar a cultura local e adaptando algumas ideias para a minha realidade. No fundo, vivemos fazendo isso a todo o momento. É uma necessidade humana que tentemos nos adequar a tudo que nos rodeia e adaptemos também o que nos interessa. Assim, ao ver o Mestre Zaia, um escultor renomado pelo Brasil afora – com passagem pelo Programa do Jô -, esculpindo na argila os bustos de visitantes de um Salão de Artesanato onde eu trabalhava, veio-me a imperiosa necessidade de também posar para aquele artista nato me transfigurar para o barro.
Na primeira oportunidade não deu certo, mas cheguei a conversar com ele sobre o assunto e ficamos de voltar à conversa mais adiante, quem sabe no seu ateliê – situado junto ao Farol do Cabo Branco, na Ponta do Seixas, em João Pessoa, no ponto mais oriental das Américas. Ir até o Mestre Zaia é viajar pela Paraíba e por aí. Ali, sob a copa frondosa de muitas árvores existem redes para o visitante relaxar e curtir as diversas esculturas feitas para ornamentar o local, bem como uma espécie de museu, onde diversas peças importantes ficam expostas. O serviço custa 2,00 Reais (moeda brasileira)por pessoa.
Foi somente no segundo evento que consegui posar para o artista. Primeiro marquei um horário possível, num dia possível, haja vista que o seu stand é sempre muito concorrido e ocorre uma aglomeração de pessoas para assisti-lo trabalhar. Eu estava a trabalho, coordenando o evento na parte da montagem e organização de alguns serviços como segurança, limpeza e cuidados com a estrutura. Vestia a roupa, ia lá e pouco depois voltava ao trabalho. Em 20 minutos ele faz um busto de 30 cm de altura, à perfeição, ao espelho de quem se senta à sua frente. E todos ficam admirados.
Vestido como Tex Willer, diante de muitos turistas que passavam, fiquei parado, imóvel, concentrado. Ele queria fazer não um busto, mas a minha figura completa. Disse que havia lido muitos Tex e fez-me várias perguntas. Começou pelas botas e na primeira vez foi até à cintura. Não podia fazer tudo de uma vez, pois o barro não ficaria firme, não suportaria o peso. Dois dias depois fez o tronco e os braços. Era muito estranho ver-me sem cabeça. Tive que esperar endurecer e somente na semana seguinte pude ver a figura completa, sem os detalhes, sem o chapéu. O evento terminou e combinamos de continuar no ateliê.
O pessoal passava e ficava perguntando quem era. A pergunta mais ouvida: É John Wayne?
A visita seguinte foi num evento que ele estava participando. Conseguimos avançar um pouco depois de duas tentativas sem sucesso. Ele muito ocupado ou com problemas pessoais para resolver. É, os artistas também têm problemas. Dessa vez levei o póster do Tex que veio junto com o Tex Coleção 300 para ele se ater nos mínimos detalhes. Nessa ocasião, pude dar alguns palpites, pedir para dar um retoque aqui, outro ali, uma arrumada no chapéu, a posição dos braços sobre as armas. E ainda assim, sempre sai algo diferente, mas que não influencia tanto no conjunto da ópera.
Depois de pronta, a escultura foi para o fogo a 800 graus para ganhar a esperada dureza e resistência. Somente aí pude ir ver e recebê-la, e pagá-la. Fizemos um acordo de cavalheiros, conforme havíamos combinado a priori. Digamos que paguei a metade do preço convencional comprometendo-me a divulgar e a convidá-lo para os eventos que realizo ou participo.
Chegando em casa, uns dias de namoro para ir acostumando com a fisionomia, as inevitáveis comparações e uma tomada de decisão difícil: deixar em barro como estava, pintar em alumínio ou bronze, pintar nas cores do nosso querido Tex. Uma semana de várias ideias e lá fui em busca das tintas nas tão conhecidas cores que me permitiriam finalizar a minha loucura.
Embora não seja um pintor, não me foi tão difícil. Pintando, descobri alguns problemazinhos que talvez pudessem ter sido evitados. Agora estava mais difícil. O barro estava duro. Talvez lixando desse para arrumar. Tolice! Uma escultura feita na hora, ao vivo, com tantos detalhes, dificilmente ficaria como um desenho, onde se faz, refaz, e se volta a fazer, principalmente sendo realizado por mestres como os nossos desenhadores texianos do pincel. Na verdade, aqueles detalhes são os que enriquecem o trabalho, como me foi observado por um amigo.
Uma vez pintada, a escultura fica junto de revistas, quadros, pósteres e banners na bibliotex, como mais um item de coleccionador e dando testemunho da continuidade da minha permanente loucura. A estátua tem 72 cm de altura e pesa entre 5 e 10 kg, ainda não fiz o peso oficial.
Agora posso ver-me 24 horas por dia vestido como Tex, facto que só acontece nos eventos, duas a três vezes por ano. Todos sabem o quanto é difícil vestir essa roupa. Muitos companheiros de aventuras já me disseram que não teriam coragem. O motivo é sempre o mesmo: a vergonha. Confesso-lhes que até vestir a roupa é fácil, pois é um facto como outro qualquer e a roupa em si pode passar despercebida. Agora vai colocando botas de cano alto, esporas, um coldre com dois revólveres de brinquedo e te sentirás um pouco, ou muito para alguns, fora de contexto. Como explicar para as pessoas leigas que vão te olhar e se perguntar o que está acontecendo? Muitos pensam que estou a gravar um filme. E coloca um lenço preto e depois um chapéu de abas largas. Caminha assim por aí. Experimenta ficar parado num local, exposto aos olhos do pessoal e às suas mais íntimas suposições. Afirmo que a vontade de divulgar a personagem, de mostrá-la para os leigos supera tudo isso. Acredito que vestido como Tex fico revestido por uma auréola de representatividade e repasso convicção sobre o que falo em palestras e encontros. E por outro lado, utilizo a legítima tarefa de chamar a atenção para o livro que publiquei.
Dito isso, agora vocês sabem tanto quanto eu e poderão do alto de vossas competências e sapiências, dar o seu veredicto. Para mim, há uma desculpa: a necessidade de apresentar novidades em cada evento texiano que participo leva-me a imaginar modelos de chamar a atenção. O que leva à admiração dos visitantes e infiéis é a grande variedade de objectos e volumes, principalmente os mais inesperados. A minha experiência com esses eventos diz que há três públicos diferentes: o dos coleccionadores que só têm olhos para os exemplares, principalmente os especiais; o dos coleccionadores que respiram os artistas convidados e os visitantes que ficam encantados com itens fora de linha. No meu caso, trabalho mais com a primeira e última opções. Em tempo, há aqueles que transitam bem nas três esferas. Felizmente, hoje há a onda do ‘cosplay’, que significa vestir-se como o seu herói favorito e participar de eventos de quadradinhos, de concursos, de performances, e isso tem facilitado nesse mister. No ano passado, arrebatei o 1º. lugar num concurso do 5º. HQPB, na categoria desfile.
Se para Tex não há fronteira capaz de pará-lo quando a lei e a ordem precisam se impor, parece natural que para um texiano de carne e osso também possa ser assim. De facto, nos últimos 15 anos, tem sido assim para mim, sempre atento à realidade do meu herói predilecto e procurando manter acesa a chama da minha juventude, sempre buscando beber na fonte da justiça, da lei, da igualdade, da irmandade, da solidariedade, da amizade.
E certamente somente quando morrerem é que muitos texianos largarão a sua condição de coleccionadores, de facto. Até lá, o céu será sempre o limite.
Pos scriptum: Ainda assim, muitos espíritos insaciáveis ou saudosistas poderão invadir as ‘bibliotex’ na calada da madrugada e folhear as amadas revistas e reler suas queridas aventuras.
Viva Tex!!!
* G.G.Carsan, 46 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 5 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex (algumas publicadas na Internet) e um livro sobre a personagem no Brasil.
Escreve para o Portal TexBr e participa de chats e comunidades no Orkut. Fez matérias especiais para o HQ Maniacs e Universo HQ nas comemorações de 60 anos. Mantém a biblioteca aberta para visitantes.
Texto da secção Artes & Vidas, de 14/04/2012 F. Cleto e Pina
DAMPYR caça demónios no Douro e nas caves de Vila Nova de Gaia
Banda Desenhada “Tributo di sangue“, a publicar em Junho, em Itália, desenrola-se em paisagens portuguesas .
A ZONA VINÍCOLA do Douro e as caves de Vila Nova de Gaia vão ser palco de uma aventura aos quadradinhos de Dampyr, “Tributo di sangue“, a publicar em Junho, em Itália, no número 147 da revista mensal com o seu nome.
A história, que “faz parte do ciclo dedicado a Thorke, um demónio da Dimensão Negra que leva os seus seguidores ao canibalismo“, referiu, ao JN, o argumentista, Giovanni Eccher, “faz referência a vários aspectos histórico-geográficos do local em que é ambientada: o vinho do Porto e as caves de Vila Nova de Gaia, a especificidade cultural de Miranda do Douro e as perseguições aos judeus perpetradas pela população cristã e pela Inquisição portuguesa no século XVI“.
A escolha desses locais fica a dever-se à impressão que causaram a Eccher “durante uma belíssima viagem a Portugal“. Apesar de só conhecer a zona ribeirinha “como turista que passou ali alguns dias“, considera-a “espectacular do ponto de vista cenográfico“, tendo imaginado “no local uma cena de acção na ponte D. Luís I“, que depois inseriu no argumento, onde há diversas personagens portuguesas e mesmo “um fantasma com um traje típico mirandense“.
O desenho esteve a cargo de Maurizio Dotti, que, confessou, ao JN, nunca ter tido “o prazer de visitar a zona ribeirinha do Douro”, embora a considere “certamente belíssima, a julgar pelas fotos” cedidas pelo argumentista, nas quais se baseou para a desenhar, tendo sido a sua maior dificuldade “tornar os lugares e os itinerários reconhecíveis”.
Dampyr é uma personagem da Sergio Bonelli Editore, criada por Mauro Boselli e Maurizio Colombo, em 2000.
O álbum de cromos de Tex saiu na Itália no longínquo ano de 1979, cerca de trinta anos após o nascimento do Ranger e foi publicado pela editora Edyboy em colaboração com a Daim Press, actual Sergio Bonelli Editore.
A capa do álbum foi desenhada para a ocasião por Aurelio Galleppini no estilo Almanacco del West. De facto o grande Galep realizou um único desenho que compreendia tanto a primeira como a quarta capa. Para melhor compreensão, mostramos de seguida a totalidade da ilustração das capas do álbum de cromos de Tex Willer:
O álbum contém 32 páginas e 383 cromos na sua totalidade sendo subdividido em várias rubricas:
-Tex Story (A história de Tex)
-I Pards (Os pards)
-I Grandi Amici Di Tex (Os grandes amigos de Tex)
-Gli Alleati Di Tex (Os aliados de Tex)
-Le Donne di Tex (As mulheres de Tex)
-Mefisto e Yama (Mefisto e Yama)
-I Nemici Di Tex (Os inimigos de Tex)
-Il Mondo Di Tex (O mundo de Tex)
-Gli Animali Del West (Os animais do Oeste)
-Gli Indiani (Os índios)
-Magia e Mistero in Tex (Magia e mistério em Tex)
-Le Piu Belle Copertine Di Tex (As mais belas capas de Tex)
-Tex in Azione (Tex em acção)
Os cromos reproduzem várias vinhetas originais de histórias de Tex com a diferença de que foram coloridas para a ocasião como se pode ver nestes dois exemplos:
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Mas o grande realce do álbum de Tex são sem sombra de dúvidas os 5 fantásticos desenhos que Vincenzo Monti realizou propositadamente para este fantástico item texiano. São ilustrações enriquecidas por muitos detalhes particulares de cinco situações diversas:
-Tex e os seus pards nas proximidades de uma aldeia índia
-Tex e os seus pards assistem dentro de um templo a uma cerimónia de ritos mágicos com Mefisto e Yama
-Tex no meio de uma batalha entre nortistas e sulistas
-Tex e os seus pards numa movimentada main street de uma cidade do velho Oeste
-Tex e os seus pards numa aldeia índia nas terras do grande Norte
Naturalmente é um álbum que tem as suas virtudes, mas também os seus defeitos. É um produto que pertence a uma época, aquela dos cromos, que já não está mais na moda entre os rapazes de hoje. É no presente uma peça de colecção bastante raro e caro e eu tive muitas dificuldades em conseguí-lo, mas devo dizer que colar todos os seus 383 cromos divertiu-me e fez voltar no tempo.
Espero, com este post, ter feito algo particularmente agradável, sobretudo para aqueles pards que não têm a sorte de ter nas suas colecções esta verdadeira raridade texiana.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima,clique nas mesmas)
[1](Texto publicado originalmente noTex Willer Forum, em 25 de Março de 2012) Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco