O Alfabeto do Velho Oeste – Letra V

Wilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…

É também autor do seguinte blogue na Internet:
http://brawvhqs.blogspot.com/

Caros Leitores – Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1– O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2– O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3– E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1– Aquele de “fronteira”. 2– Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação – O ALFABETO DO VELHO OESTE – propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência – o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

V

Vá para o Diabo – (Go to Hell). Equipamento para atravessar algo sem ser molhado, num riacho com águas rápidas. Amarrava-se uma das pontas da corda numa das margens do rio, enquanto que a outra extremidade era amarrada na outra margem. Pela corda então se fazia deslizar um balde de madeira com os pertences que não podia ser molhado.

Vamoose – Americanização da palavra Mexicana = Vamos. O cowboy usava essa expressão regularmente.

Vaquero – Predecessor e o instrutor Mexicano, do cowboy Americano. Os primeiros “Vaqueros” eram Índios das Missões Espanholas. Depois vieram os mestiços como cavaleiros para os latifundiários Mexicanos (Hacienderos = possuidores de terras. Hacendados = possuidores de gado e Rancheros = criadores de bovinos). O nome “Vaquero” deriva-se da palavra espanhola Vaca = bovino.

Vida Amorosa – Sobre a vida sexual, durante o período do pioneirismo no assim chamado “Wild Old West”, tem permanecido até agora algo velado por uma ignorância quase total; seja por parte dos cronistas da época, seja por parte da Historiografia e a época mítica póstuma, seja enfim dos fantásticos escritores de histórias de aventuras. Limitam-nos sempre a distinguir entre grosseiras histórias de amor e uma prostituição apenas acenada. A pesquisa sobre a realidade Histórica demonstra que a vida sexual daqueles tempos, não era menos multiforme, significativa e determinante do quanto tenha sido para os homens de diferentes épocas. Três diferentes ordens, nitidamente distinguíveis, entre elas, de considerações e de comportamentos sexuais convergiram no Velho Oeste Americano.
1 – A vida sexual desregrada, dissoluta, livre de frustrações e multiforme dos Índios. Para eles o instinto sexual era considerado como um impulso natural, trazedor de alegria e era satisfeito sem alguma limitação. Sem problemas então quando se apresentava aos seus olhos, a relação dos dois sexos. A homossexualidade era para os Índios, igualmente óbvia e natural quanta outra função do corpo ou cada gosto pessoal. Daqui se deriva o facto que as consequências das frustrações sexuais, como a brutalidade, o sadismo e o uso da violência, ou os resultados secundários de tais frustrações, como a intoxicação do poder e da violência, eram todas coisas desconhecidas. A troca de parceiro, os jogos eróticos da sociedade, a oferta da própria mulher como presente nocturno para o hóspede, a venda temporal de mulher e filhas, mas também a poligamia e as relações sexuais de uma mulher com mais companheiros, tudo reentrava numa obviedade priva de qualquer tabu. Na comunidade conjugal e nas relações entre progenitores e filhos faltava, porém a maioria daqueles problemas que estão presentes em outras sociedades diversamente estruturadas.
2 – O instinto sexual, bloqueado pela Máxima Cristã sobre a continência e o pecado, obrigou o “Conquistador Espanhol” e seus sucessores de temperamento impetuoso, a uma acentuação do assim chamado “Decoro” moral-sexual no matrimónio e na sociedade, mas também, bastava se afastar do coração dessa sociedade e praticava sua brutalidade, sadismo e violência em orgias sangrentas com mulheres de outras Raças ou mestiças. Na esfera instintiva dos tipos inactivos notava-se uma violência maior, em sadismo e sonhos de poder mascarados de Religiosidade.
3 – Dos excessos de puritanismo Inglês, que se enraizava das colónias da Nova Inglaterra (e mais tarde dos 13 Estados Americanos do lado Atlântico), derivou uma concessão rica em tabus, segundo a qual cada vida sexual implicava um pecado destruidor para o mundo. Na época Vitoriana a ideia fixa da inocência virginal foi impulsionada até o absurdo. Para os puritanos Anglo-Americanos cada forma de satisfação de instinto sexual era suspeita. A fadiga subsequente ao coito era considerada um ataque do Demónio, as menstruações das mulheres eram fontes de impurezas contagiosas, o matrimónio passava como sociedade fundada sobre a recíproca penitência, o coito como pecado que se justificava somente porque era voltado à procriação da prole. Também qualquer desvio desse Código, tinha como consequência o ostracismo moral. O resultado prático de tudo isso era não somente que as mulheres colocassem no mundo filho após filho, mas também porque elas emagreciam e morriam precocemente. A relação sexual, portanto, significava somente uma fonte de preocupações, sofrimentos e do medo da morte. Os primeiros brancos que entraram no Oeste, os caçadores de peles e os “Mountain Men” converteram-se muito rapidamente às concessões Indígenas do sexo e abandonaram-se, a uma total anarquia na satisfação dos instintos, o que suscitou o pavor e o profundo desgosto tanto nos comerciantes de peles, quanto nos colonizadores Espanhóis. Mas tudo isso parece que não influiu sobre a espontaneidade na vida sexual dos “Mountain Men”. No sudoeste, na Sociedade Americana que em 1930 constituía-se, a relação entre os sexos revestiu o carácter de uma acentuada galanteria cavalheiresca. A homenagem à mulher da própria raça como distribuidora de prazer, conduziu a tal grau de adoração cavalheiresca, que para a mulher as inevitáveis consequências da procriação tornaram-se insuportáveis. Os pioneiros e seu puritanismo que aventuraram pelo Old West, a liberdade e a falta de instituições sociais do tipo inquisitório, ofereceu a oportunidade de libertar-se dos tabus pré-constituídos, mas, no curso de tal processo evolutivo, é possível observar o afirmar-se de uma brutalidade gratuita, que se exprimia na violação das Índias e também de mulheres brancas, e uma maior frequentação de bordéis. Era em uso a sodomia e ainda mais frequente o prazer pessoal e o homossexualismo tanto entre os puritanos agricultores, quanto entre os mineradores, construtores de Ferrovias e os fundadores de cidades. Com a evolução da colonização, que foi feita por uma sociedade machista e cujas poucas mulheres representavam uma parte subordinada e quase escrava, a família tornou-se a coluna importante dessa sociedade, e com ela tornou-se mais dominante o papel da mulher. Mais intensamente uma mulher tornava-se experiente na sexualidade, mais ela enciumava o homem a sua estranheza física nas consequências da relação sexual. A mulher de comportamento masculino adquiriu sempre mais importância, assim que já na segunda geração de pioneiros, cujos tabus morais eram mais fortes e mais inibitórios de quanto não fosse para os puritanos dos Estados da Nova Inglaterra, a mulher surgia como “O melhor Homem”. A constante renúncia sexual, um dos traços essenciais daquela sociedade pioneira machista, dominada pela figura da “Mom” (Mãe), descarregava-se naquela desenfreada agressividade que é um traço essencial da História da Colonização. Nesse turbilhão de multiformes frustrações desenvolveu-se a vida sexual dos cowboys com a rapidez que é própria em cada genuína transformação: até que de 30.000 a 50.000 homens a cavalo, saboreavam. Em espaços livres e infindáveis, o ideal de uma ilimitada liberdade constituiu uma sociedade tipicamente machista, mesmo cortejando a mulher como fêmea, desaprovava, todavia o casamento e os laços estáticos da família. Somente uma minoria, sempre menor, de cowboys casou-se. Os demais permaneceram livres e assumiram em base de suas necessidades sexuais, uma tomada de posição totalmente sem tabus diante da sexualidade, posição esta que pode ser considerada sem paralelos na História. Para a satisfação de suas exigências, procuravam principalmente as prostitutas, com as quais, durante o período de vida estável, ou em parte também durante os meses da desocupação invernal, contraíam um regular matrimónio sazonal. Aqui o cowboy aparecia como o perfeito cavalheiro que demonstrava à sua companheira de momento, uma diferença cavalheiresca. O refinamento e a fantasia erótica do cowboy, tanto elogiada pelas senhoras, assumiam dimensões quase Orientais. A consciência não convencional sexual do cowboy, exibida sem esforço também aos olhos do público mais puritano, causava aos cidadãos desgosto, desprezo e medo, mas no subconsciente dos pioneiros machos, despertava um ciúme sexual que os levou a brutais actos de força. Para os homens da sociedade dos pioneiros, condicionados por austeros preceitos de abstinência, o cowboy não era somente “diferente”, mas também “anormal”. A inveja sexual aliciada no subconsciente do elemento pioneiro feminino, do prazer erótico de suas venais colegas conduziu-as a absurdas restrições sociais em resguardo às prostitutas. Quando o elemento feminino escasseava, geralmente o cowboy saía dessa situação emergencial, com práticas homossexuais, mas essa homossexualidade apresentava-se priva de qualquer carácter de dependência da mulher. O cowboy, consciente de pertencer a uma elite, não conhecia a sodomia. Ele desprezava o contacto com animais, mais que qualquer outra coisa no mundo, o que explica a sua profunda antipatia para com os pastores de ovelhas, aos quais eram atribuídas práticas do género, e também a sua resistência a deixar-se integrar na sociedade puritana dos pioneiros, na qual os contactos sexuais com animais eram frequentes. Se bem que totalmente livre intercessora de felicidade e desinibição, a vida sexual do cowboy não chegou nunca a aquele desprezo que geralmente termina com a agressividade. Pelo contrário; um homem que se permitia violar mesmo que ligeiramente o Código de Cavalaria em confronto a uma mulher, sabia de expor-se ao ostracismo da Sociedade Cavalheiresca. Por isso mesmo as descrições de brutalidade e de excessos de origem sexual cometidos pelos cowboys com as mulheres, são grotescos e falsos que foram explicados somente com as frustrações ainda actual na Sociedade Americana. São notórias, porém as gravíssimas agressões e excessos de brutalidade, de sadismo, usados em confronto de mulheres, principalmente Índias e Mexicanas, por parte dos soldados do exército dos EUA. Pois os soldados que na sociedade machista Americana gozavam de menor grau de liberdade pessoal, a profissão do soldado era para o cowboy a mais suspeita de todas elas e o seu desprezo por homens fardados era ferrenho. As consequências no sector sanitário da vida sexual desenfreada, as doenças venéreas, eram costumeiras na vida do cowboy. A difusão da gonorreia era curada somente com o preço de sofrimentos físicos e levavam geralmente até à morte. As curas eram feitas a base de mercúrio, exigindo sacrifícios e acompanhadas de efeitos colaterais, contra a sífilis, o cowboy preferia a morte em qualquer lugar isolado à noite, contando as estrelas, ou em combate contra ladrões de gado.

Vigilante – Membro de um Comité de Vigilância, ou seja, de um grupo de homens que, quando a Autoridade Estatal se demonstrava carente, usava do direito do mais forte, para proteger-se dos criminosos, como fazer com os delinquentes, para dar caça e prendê-los, julgá-los e executar as sentenças impostas. Um prisioneiro era conduzido diante a um “Tribunal de Vigilância”, composto por jurados, do acusador, do defensor e do juiz. O acusado tinha a possibilidade de se defender, ou de deixar-se ser defendido, de falar, ou ficar calado. Escutavam-se as testemunhas de acusação e da defesa. Pelo visto esse tipo de justiça constituía uma mistura perfeitamente legal e necessária, do ponto de vista social. Isso valia especialmente para os delitos criminosos. Se se tratava de causas políticas ou de argumentos da política comum, não era raro que os “Vigilantes”, desviavam-se da linha recta da Lei e da virtude, para servir seus objectivos egoísticos. Muitas vezes as acções de tais “Vigilantes” fanáticos eram realmente criminosas e, portanto a população aterrorizada não tardou em criar os “Contra Vigilantes”. Que geralmente combatiam os “Vigilantes” em lutas sangrentas. Também o fanatismo racial ou religioso podia levar para a Justiça, os “Vigilantes”. O pior exemplo foi dado pela Associação Texana dos “Ku-Klux-Klan” que, em 1881, por vingança, não hesitava em colocar nas cruzes escravos negros livres, e queimá-los vivos, após a Guerra Civil Americana e eram culpados de crimes, os mais inimagináveis possíveis.

Vinho – Alguns plantadores de vinho Alemães, foram os primeiros que, na Califórnia pararam de procurar ouro, dedicando-se totalmente às plantações de uvas, importadas da Alemanha. Os garimpeiros sempre com muita sede, pagaram as primeiras garrafas a peso de ouro. Logo após surgiram os Franceses e os Italianos e rapidamente a ensolarada Califórnia tornava-se o “Vinhedo da América”. A primeira prensa de uva foi construída por um Alemão do Baden, perto de Ivington, Califórnia em 1880. Coube ao seu sócio Juan Gallegos, que o tinha matado durante uma briga, aumentar a empresa e o edifício tornou-se então em dois andares. Estava situado tão perto das montanhas, que os carroções carregados com uva podiam ser descarregados directamente no segundo andar, onde se encontravam os tonéis. A safra sucessiva era ajeitada no primeiro andar. O depósito era no térreo; de lá os barris eram carregados directamente em trens. Essa fábrica foi totalmente destruída durante o terramoto de 1906. Juan Gallegos, que tinha chegado como um Mexicano pobre morreu multimilionário. O vinho é ainda hoje, o “Ouro Líquido” da Califórnia.

Virginia City – 1 – Em Montana, fundada em Janeiro de 1864. Uma parte dos Americanos, provenientes dos Estados do sul, queria chamar a cidade, em honra da esposa do Presidente Jefferson Davis de: “Varina”. Nessa disputa venceram, porém os Americanos provenientes dos Estados do norte e chamaram-na de: “Virginia City”. Em 27 de Agosto de 1864, o “Montana Post” escrevia: “Aquilo que sempre maravilha o forasteiro que vem para essa cidade, é a sua grandeza e sua extensão e o facto de que mesmo havendo só um ano, temos muitas casas, grandes, bonitas e sólidas. Cada semana eram construídas, 100 novas casas. É verdade que Nevada City e Central City em Alder estão prosperando em modo similar, mas aqui, tudo parecer ser miraculoso, um sonho. O ouro parece nunca acabar. Muitos garimpeiros conseguem lucrar 150 dólares ao dia. As diárias para eles são altas, de 6 a 12 dólares ao dia. Aluguer e moradia custam em média 1 dólar ao dia. As cédulas são escassas, as moedas de ouro ainda mais. Os meios de pagamentos são representados pelo pó de ouro e pepitas, do tamanho de ervilhas até o tamanho de um ovo de pomba. Os bebedores que para cada aperitivo colocam dois dedos num saquinho de pó e ouro para pagá-los. Os Chineses lavam as roupas dos garimpeiros e sorriem com pó encontrado. Resumindo, o comércio da nossa cidade tem passos de cosmopolita”. Dúzias de “saloons”, restaurantes, hotéis e estabelecimentos balneários, faziam circular rapidamente muito ouro. Em Dezembro de 1864 foi inaugurado o Teatro Montana com a peça: “Faint Heart Never Won Fair Lady”. Torneios de Boxe e de Luta, corridas de cavalos, concursos de danças, tudo fazia com que o tempo passasse rápido em divertimentos custosos. Um contemporâneo em New York duvidava, em Janeiro de 1865, que a Virginia City existisse mais casas de habitação que bordéis. A partir de 1868, as descobertas de ouro tornaram-se mais raras e a população começou a diminuir. Em 1870 contavam-se ainda 2.555 habitantes. Entre 1880 e 1900 foi reduzido para 380 habitantes, que viviam principalmente do turismo. Na “Boothill” encontravam-se as tumbas da famigerada quadrilha de facínoras chamada “Plummer” que em 14 de Janeiro de 1864 foi toda enforcada pelos “Vigilantes”.
2 – Em Nevada. A mais famosa cidade por causa de suas minas de ouro e prata da região chamada: “Comstock Lode”. Depois que esses ricos veios de prata foram descobertos nos primeiros anos de 1850, certa noite de Novembro de 1859 o minerador “Old Virginny” James Finney, na mina “Orphir”, acabou deixando cair e quebrar a sua garrafa de uísque. Ele bêbado, blasfemou gritando alto: “… e assim baptizo essa mina Virginny City…”. Em 1860 havia mais de 10.000 habitantes, 8 hotéis, 9 restaurantes, 10 currais, 38 “saloons”, 25 depósitos de mercadorias, ferreiros, comércio variado, 1 teatro e 37 casas minerárias, que juntas representavam um capital de 30.000.000 de dólares. Em Novembro de 1860 era publicado o primeiro jornal local o “Territorial Enterprise”. Com o pseudónimo de “Josh” e com 25 anos de idade, o jornalista Samuel Langhorne Clemens escrevia histórias curtas e divertidas sobre as minas “Aurora” e “Bodie”, depois de ter pouca sorte, como garimpeiro. Nos anos 1860/62 nos quais escrevia para o “Enterprise”, abandonou seu velho pseudónimo a favor de um novo: “Mark Twain”. O seu famoso romance “Roughing it”, tornou famoso não só ele, mas também Virginia City, muito além das fronteiras. O 55% de todo o mineral era rico em prata, o restante em ouro. No período entre 1861 e 1863 as Sociedades Minerárias “Orphir”, “Chollar”, “Curry”, “Gould”, “Mexican” e “Potosi” cresceram até tornarem-se Empresas gigantescas e a cidade em franca expansão acabou por incluir também a Sociedade “Gold Hill”, que antes era distante uma milha. As grandes estradas de comunicação para Placerville, Califórnia, Sacramento, Nevada City e Downieville foram alargadas. As tarifas de transportes de Virginia City a Sacramento custava 6 cents. Os carroções retornavam da Califórnia trazendo produtos alimentares, ou de luxo, madeiramento, máquinas variadas e tudo aquilo que poderia servir no deserto de Nevada, inclusive champanhe e caviar. Cada ano, com a despesa de 27 dólares, transportava-se para a Califórnia, com três carroções mais de 30.000 pessoas. Em 1864 tudo estava acabando. A crise económica fez com que falissem muitas Empresas, as grandes e as pequenas. O Banco da Califórnia investiu seus milhões na Indústria Minerária. Rapidamente mais de 700 milhas de galerias abaixo da cidade e casas, tremiam por explosões subterrâneas. Mas, com o passar do tempo era sempre extraído, menos mineral. Contudo os directores dos Bancos construíram uma linha Ferroviária que ia até Carson River e finalmente quando as galerias ameaçavam serem submersas em água, o famoso túnel “Adolph Sutro”, com 4 milhas, que servia para fazer a drenagem da água e para inserir ar nas galerias subterrâneas, de nada adiantou. A gente começava abandonar a cidade permanecendo somente 15.000 pessoas. Os garimpeiros desistiam e as casas de inteiros quarteirões, tornavam-se fantasmas. No início de 1870, John W. Mackey, James G. Falr, James G. Food e William O’Brien descobriram o maior veio de prata de “Comstock Lode”, a uma profundidade de 135 metros da espessura de 50 a 108 metros. Era a “Grande Bonança”, o “Coração de Comstock”. Durante os quatro anos sucessivos, Virginia City expandiu-se em todas as direcções. Parecia que todo mundo gostaria de possuir uma habitação por lá, tanto os Bancos da Costa do Pacífico quanto o Departamento do Tesouro, e mais duas grandes Empresas Minerárias, a “Consolidated Virginia” e a “Consolidated Califórnia”, aumentaram seus capitais para 159.000.000 de dólares e pagavam ao mês um dividendo de 1.000.000 de dólares. Ainda em 1877, trabalhando 8 horas ao dia, vinha à luz um valor de 1.110.000 de dólares. Virginia City tornou-se a “Babel” da diversão daquela zona montanhosa ocidental, na qual, com dinheiro, podia-se ver e obter tudo; encontrava-se de tudo que na América possuía o nome de qualidade. As cenas da Ópera “Piper” registaram o comparecimento de altas personalidades como: Lillian Russel, Edwin Booth, Maude Adams, Lola Montez e Lotta Crabtree. Lutas violentas de touros eram também populares, como as representações de Coros Religiosos. Mas em 1878, a “Grande Bonança” exauriu-se, a população diminuiu até ficar em 1880, insignificante: as casas desmoronavam e as galerias foram submersas pela água. Tornou-se mais uma das cidades Fantasmas Americanas.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

Dampyr regressa a Portugal – Entrevistas com os autores da história: Giovanni Eccher e Maurizio Dotti

Por Pedro Cleto*

A zona vinícola do Douro e as caves de Vila Nova de Gaia, vão ser palco de uma aventura aos quadradinhos de Dampyr, “Tributo di sangue”, a publicar em Junho, em Itália, no número 147 da revista mensal com o seu nome.

Dampyr #147 – Tributo di sangue: Dampyr regressa a Portugal

A história, que “faz parte do ciclo dedicado a Thorke, um demónio da Dimensão Negra que leva os seus seguidores ao canibalismo”, segundo o argumentista, Giovanni Eccher (ler mais abaixo a entrevista com ele), “faz referência a vários aspectos histórico-geográficos do local em que é ambientada: o vinho do Porto e as caves de Vila Nova de Gaia, a especificidade cultural de Miranda do Douro e as perseguições aos judeus perpetradas pela população cristã e pela Inquisição portuguesa no século XVI”.

A escolha desses locais fica a dever-se, segundo Eccher, ao facto de ter ficado “impressionado com eles durante uma belíssima viagem a Portugal”. Apesar de só conhecer a zona ribeirinha “como turista que passou ali alguns dias”, considera-a “espectacular do ponto de vista cenográfico”, tendo imaginado “no local uma cena de acção na ponte Luís I”, que depois inseriu no seu argumento, que inclui diversas personagens portuguesas e mesmo “um fantasma que se manifesta com um traje típico mirandense”.

Dampyr na ponte D. Luís I

O desenho esteve a cargo de Maurizio Dotti (também entrevistado mais abaixo), que confessou nunca ter tido “o prazer de visitar a zona ribeirinha do Douro”, embora a considere “certamente belíssima, a julgar pelas fotos” cedidas pelo argumentista, nas quais se baseou para a desenhar, tendo sido a sua maior dificuldade “tornar os lugares e itinerários reconhecíveis”.

Dampyr passeando por Miranda do Douro

Protagonista de histórias fantásticas de terror, cujas primeiras 12 revistas foram distribuídas em Portugal, na versão brasileira da Mythos Editora, em 2005, Dampyr (designação de um filho de uma humana e de um vampiro) é uma personagem da Sergio Bonelli Editore, responsável também pelos grandes sucessos dos fumetti (BD popular italiana) que dão pelo nome de Tex e Zagor.

De seu nome Harlan Draka, foi criado por Mauro Boselli e Maurizio Colombo em 2000, dedicando-se a caçar vampiros e demónios, sendo a segunda vez  que isso o traz até Portugal, pois em 2006, em “Lo sposo della vampira” (Dampyr #75), já tinha passado por Trás-os-Montes, como se pode constatar clicando AQUI!

(Versão revista e aumentada do texto publicado no Jornal de Notícias de 14 de Abril de 2012)

Entrevista a Giovanni Eccher

De que trata esta história de Dampyr?
Giovanni Eccher – O volume faz parte do ciclo de histórias dedicadas a Thorke, um demónio da Dimensão Negra que leva os seus seguidores ao canibalismo. Como é tradição em Dampyr, a trama faz referência a vários aspectos histórico-geográficos do local em que é ambientada: o vinho do Porto e os exportadores de Vila Nova, o enclave cultural de Miranda do Douro, as perseguições aos judeus perpetradas pela população cristã (o massacre de Lisboa) e pela Inquisição portuguesa no século XVI.

Porquê situá-la no Porto e em Gaia?
Giovanni Eccher  – A história começa no Porto mas depois desloca-se para todo o vale do Douro: parte das construções de Vila Nova de Gaia e chega a Miranda do Douro, para depois voltar para os vinhedos dos produtores do Porto no meio dos quais se imagina que há um mosteiro que, embora inventado, é graficamente inspirado em vários conventos e mosteiros portugueses, como o Convento de Cristo em Tomar e o Mosteiro de Santa Maria em Alcobaça.
O motivo por que a trama é ambientada nesses lugares é muito simples: eu fiquei impressionado durante uma belíssima viagem a Portugal. Além disso, como a minha namorada é dona de uma enoteca em Milão, ela foi a minha guia entre os exportadores de Vila Nova de Gaia, que nos acolheram com muita cortesia e nos permitiram visitar as suas caves e provar os seus produtos – rigorosamente fora dos percursos turísticos. Desde então sou cliente da Quinta de Ervamoira de Ramos Pinto.
Na história também há um fantasma que se manifesta num trajo típico mirandense, um traje que achei realmente inquietante: quase tanto quanto os próprios mirandenses! Brincadeiras à parte, é gente muito hospitaleira. Só um pouco estranha.

Conhece então as cidades de Porto e Vila Nova de Gaia?
Giovanni Eccher  – Conheço tanto quanto pode conhecer um turista que passou alguns dias ali. Por não ter um conhecimento aprofundado, eu contentei-me em usá-las como cenários. Trata-se de cidades muito espectaculares do ponto de vista cenográfico: por exemplo, há uma cena de acção que acontece na ponte Luís I, que eu imaginei no local e depois inseri no roteiro quando regressei a Itália.

Algum português tem intervenção relevante na história?
Giovanni Eccher  – Há mais de um! À parte as personagens pertencentes à série (Harlan, Maud Nightingale e Dean Barrymore), todas as outras são portuguesas. Temos um exportador de vinhos de ascendência inglesa, uma corajosa estudante de Coimbra, o espírito de uma locandeira marrana do século XVI e outras personagens coadjuvantes. Quais são os seus papéis específicos, não posso dizer para não estragar a surpresa.

Tem planos para novas aventuras de Dampyr em Portugal?
Giovanni Eccher  – Como as aventuras de Harlan e dos seus parceiros acontecem em todo o mundo, é possível que um dia eles voltem a Portugal, numa história minha ou de outro autor (e esta também não é a primeira vez: Harlan já tinha estado em Portugal no número 75, “Lo sposo della vampira“, de Boselli e Bocci). Pessoalmente, não tenho programada outra história portuguesa, mas nunca se sabe.

Entrevista a Maurizio Dotti

De que trata esta história de Dampyr?
Maurizio Dotti – A trama, ambientada entre a cidade do Porto, Vila Nova de Gaia e Miranda do Douro, começa com a aparição de um fantasma inquieto, testemunha de um terrível passado distante, do século XVI, feito de inquisição e minoria judaica, que aparece à boquiaberta e sensitiva Maud Nightingale, que fica bastante curiosa. Na tentativa de descobrir quem é a pessoa que se esconde por trás da aparição fantasmagórica, os nossos heróis conhecerão a terrível verdade ligada a Torke e aos seus truculentos rituais antropofágicos que, como uma aura de morte, paira sobre uma importante e antiga cave vinícola. É o que eu posso dizer, o resto é um mistério.

Conhece as cidades de Porto e Vila Nova de Gaia?
Maurizio Dotti – Não! Infelizmente nunca tive o prazer de visitá-las, mas pelo que as fotos me mostraram, são certamente cidades belíssimas.

Que documentação utilizou para as retratar na BD?
Maurizio Dotti – Eu recebi do óptimo Giovanni Eccher uma grande quantidade de imagens realmente muito bonitas, escolhidas com o gosto formal de um realizador de um filme, coisa que afinal ele é.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou para a desenhar?
Maurizio Dotti – Uma dificuldade é a de tornar os lugares e itinerários reconhecíveis. Nem sempre as fotos, por mais bonitas que sejam, mostram com clareza o que se deve desenhar. Eu tenho uma certa dificuldade em realizar graficamente as figuras fantásticas, por isso sou sempre muito crítico e hesitante, quando tenho de as fazer.

Que relação existe na história entre os produtores de vinho e os extraterrestres?
Maurizio Dotti – Mais que de extraterrestres, eu falaria de figuras evanescentes, aparições fantasmagóricas. De todo modo, eu não posso responder a essa pergunta, seria como revelar quem é o assassino num romance policial, não acha?

Que outra cidade portuguesa gostaria de desenhar?
Maurizio Dotti – Certamente Lisboa. Eu creio que ali há muitos lugares interessantes para reproduzir. Eu sinto-me fascinado pelas cidades cheias de história. Eu tive a oportunidade de visitar muitas delas no meu distante passado de actor teatral andarilho e, naquelas ocasiões, eu gostava de captar os melhores ângulos com papel e aguarela. Odeio desenhar as cidades modernas: eu sou um verdadeiro dinossauro!

*Este texto e as respectivas entrevistas não teriam sido possíveis sem a inestimável colaboração de José Carlos Pereira Francisco, para os contactos com os autores e a Sergio Bonelli Editore, de Gianni Petino e Julio Schneider, para a tradução das questões e das respectivas respostas. Aos três o meu muito obrigado.

Giovanni Eccher e Maurizio Dotti, caricaturados por Bira Dantas

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Interviste esclusive con gli autori Giovanni ECCHER e Maurizio DOTTI a proposito della nuova storia di Dampyr in Portogallo

Interviste di Pedro Cleto con la collaborazione di Bira Dantas per la caricatura, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.

GIOVANNI ECCHER

Qual è l’argomento di questa storia di Dampyr?
Giovanni Eccher:
L’albo fa parte del ciclo di storie dedicate a Thorke, un demone della Dimensione Nera che spinge i suoi seguaci al cannibalismo. Come è tradizione in Dampyr, la storia fa riferimento a parecchi aspetti storico-geografici del luogo in cui è ambientata: il vino di Porto e gli shipper di Vila Nova, l’enclave culturale di Miranda Do Douro, le persecuzioni nei confronti degli ebrei da parte della popolazione “cristiana” (il massacro di Lisbona) e dell’Inquisizione portoghese nel sedicesimo secolo.

Perchè l’hai situata nella città di Porto?
Giovanni Eccher: La storia inizia a Porto, ma poi si sposta in tutta la valle del Douro: si parte dagli stabilimenti di Vila Nova de Gaia e si arriva a Miranda Do Douro, per poi tornare verso le vigne dei produttori di Porto in mezzo alle quali si ipotizza sorga un monastero che, seppure inventato, è graficamente ispirato a diversi conventi e monasteri portoghesi, come il Convento de Cristo a Tomar e il Mosteiro de Santa Maria ad Alcobaça. Il motivo per cui è ambientata in questi luoghi è molto semplice: sono rimasto folgorato durante un bellissimo viaggio in Portogallo. Inoltre, dato che la mia ragazza possiede un’enoteca a Milano, mi ha fatto da guida tra gli shipper di Vila Nova, i quali ci hanno accolto con molta cortesia e ci hanno permesso di sbirciare nelle loro cantine e di assaggiare i loro prodotti – rigorosamente fuori dai percorsi turistici. Da allora sono dipendente dal Quinta de Ervamoira di Ramos Pinto… Nella storia c’è anche uno spettro che si manifesta in costume tipico mirandese, un abbigliamento che ho trovato davvero inquietante: quasi quanto i mirandesi stessi! Scherzi a parte, è gente molto ospitale. Solo un po’ strana.

Conosci la città?
Giovanni Eccher: La conosco per quanto la possa conoscere un turista che vi si è trattenuto alcuni giorni. Non avendone una conoscenza approfondita, mi sono accontentato di utilizzarla come “scenografia”. Si tratta di una città molto spettacolare dal punto di vista scenografico: ad esempio c’è una scena di azione che si svolge sul ponte Dom Luis, che ho immaginato sul posto e poi riportato in sceneggiatura al mio ritorno in Italia.

C’è qualche portoghese che ha una certa importanza nella storia?
Giovanni Eccher: Ce n’è più di uno! A parte i personaggi appartenenti alla serie (Harlan, Maud Nightingale e Dean Barrymore), tutti gli altri sono portoghesi. Per la precisione abbiamo uno shipper di ascendenza inglese, una coraggiosa studentessa di Coimbra, lo spirito di una locandiera “marrana” del Cinquecento più altri personaggi di contorno. Quali siano poi i loro ruoli specifici, non posso dirlo per non rovinare la sorpresa.

Pensi di scrivere nuove avventure di Dampyr in Portogallo?
Giovanni Eccher: Dato che le avventure di Harlan e soci si svolgono in tutto il mondo, è possibile che prima o poi ritornino in Portogallo, in una storia mia o di un altro autore (del resto anche questa non è la prima volta: Harlan era già stato in Portogallo nel numero 75, Lo sposo della vampira di Boselli e Bocci). Personalmente non ho in programma un’altra storia portoghese, ma non si sa mai!

MAURIZIO DOTTI

Di cosa tratta la storia?
Maurizio Dotti: La vicenda, ambientata tra Porto, Vila Nova De Gaia e Miranda Do Douro, prende il via dall’apparizione di un fantasma inquieto, testimone di un terribile lontano passato cinquecentesco, fatto di inquisizione e minoranza ebraica, all’esterrefatta e incuriosita sensitiva Maud Nightingale. Nel tentativo di scoprire chi sia stata la persona che si nasconde dietro la fantasmatica apparizione, i nostri eroi verranno a conoscenza dell’orribile verità legata a Torke e ai suoi truculenti riti antropofagi che, come un’aura di morte, aleggiano nei luoghi dove sorge un’importante e antica cantina vinicola. Questo posso dirti, il resto è mistero.

Conosci la città di Porto?
Maurizio Dotti: No! Purtroppo non ho mai avuto il piacere di visitarla, ma da quel che le foto mi hanno mostrato, è certo una bellissima città.

Quale documentazione hai utilizzato per trasporla nel fumetto?
Maurizio Dotti: Ho ricevuto dall’ottimo Giovanni Eccher una grande quantità di immagini veramente molto belle, scelte con il gusto formale del regista, quale egli è, del resto.

Quali sono state le maggiori difficoltà che hai incontrato nel disegnare?
Maurizio Dotti: Una difficoltà è quella di render i luoghi e gli itinerari riconoscibili, non sempre le foto, per quanto belle, ti mostrano con chiarezza ciò che devi disegnare. Ho una certa difficoltà nel rendere graficamente le figure fantastiche, quindi sono sempre molto critico ed esitante, quando mi capita di doverlo fare.

Quale relazione esiste tra i produttori di vino e gli extraterrestri?
Maurizio Dotti: Più che di extraterrestri, parlerei di figure evanescenti, apparizioni fantasmatiche. Comunque, non puoi chiedermi di rispondere a questa domanda, sarebbe come rivelare chi è l’assassino in un romanzo giallo, non ti pare?

Quale altra città portoghese ti piacerebbe disegnare?
Maurizio Dotti: Certamente Lisbona, credo abbia molti luoghi interessanti da riprodurre. Mi affascinano moltissimo le città cariche di storia; ho avuto modo di visitarne moltissime nel mio lontano passato di teatrante vagabondo e in quelle occasioni, mi piaceva moltissimo carpirne gli angoli migliori con carta e acquerelli. Odio dover disegnare le città moderne: sono un vero dinosauro!

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)

Antevisão da história de Tex que está a ser desenhada por Stefano Andreucci

Por José Carlos Francisco

Stefano Andreucci que em 2003 foi o desenhador do Almanaque do Oeste com a história “Herói por Acaso“ escrita por Mauro Boselli, está novamente a desenhar uma história de Tex, tal como ambicionava já em 2008 quando nos concedeu uma extensa entrevista onde pudemos ficar a conhecer melhor este conceituado desenhador italiano, entrevista essa que pode ser lida clicando AQUI!

História que terá 220 páginas, ou seja, sairá em duas edições do Ranger e que tem como título provisório “Tonto Creek” e que também é da autoria de Mauro Boselli, estando destinada para a série regular de Tex com publicação prevista para o primeiro semestre de 2013 e nela poderemos ver Kit Willer e Kit Carson ao lado de Tex Willer, como se pode constatar pelas imagens que mostramos de seguida e que nos fazem ansiar por ter a história o quanto antes nas nossas mãos…

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

30 anos de Martin Mystère no Jornal de Notícias de 19 de Abril de 2012

Texto da secção Artes & Vidas, de 19/04/2012
F. Cleto e Pina

TRÊS DÉCADAS DE MARTIN MYSTÈRE

Há 30 anos, em Abril de 1982, a Sergio Bonelli Editore lançava Martin Mystère, seguindo a sua política de bandas desenhadas eminentemente populares (devido ao preço baixo e às temáticas apelativas), na peugada do sucesso de que Tex era o expoente máximo.

Criado por Alfredo Castelli, responsável pelos argumentos de dezenas das suas aventuras, e, nesse número inicial, desenhado por Giancarlo Alessandrini, Mystère, nascido em Nova Iorque em 1942, é, em simultâneo, professor de cibernética, arqueólogo, aventureiro e escritor. Antes da estreia da revista com o seu nome, Castelli tinha tentado lança-lo – com outro nome – por duas vezes, primeiro aos quadradinhos, depois na televisão, mas sem sucesso.

Cada uma das aventuras do detective do impossível, como também é conhecido, evocativas dos grandes romances populares, é pretexto para investigar os grandes mistérios que a história da humanidade – passada e futura… – reserva, das pirâmides aztecas, maias ou egípcias ao Triângulo das Bermudas e às estátuas da Ilha de Páscoa, dos segredos dos templários a certas crenças africanas, de tradições religiosas (arca de Noé, torre de Babel…) à eventual visita de seres de outros planetas. E se nem sempre as respostas são satisfatórias ou absolutas, a sua base histórica, o retrato fiel das épocas em que decorrem e o seu tom de alguma forma culto, que reflectem o trabalho de investigação que está na sua origem, pode surpreender pelo tal tom iminentemente popular desta banda desenhada.

Ao lado de Mystère, surgem geralmente Java, um homem de Neandertal que encontrou numa das suas investigações e a quem reserva o protagonismo nos momentos de acção, e a bela Diana Lombard, sua noiva eterna e pouca apreciadora do seu lado de conquistador incorrigível. É com eles que defronta vezes sem conta Os Homens de Negro, uma seita secular encarregada de manter as “versões oficiais” por detrás dos fenómenos que investiga, e Sergeij Orloff, seu antigo companheiro e agora rival.

A título de curiosidade, refira-se o facto de Mystère ter sido um dos primeiros heróis dos quadradinhos a utilizar computador e, até por ser algo pouco habitual no universo Bonelli, os dois crossovers entre Mystère e Dylan Dog e um outro do detective do impossível com Nathan Never.

Nunca publicado em Portugal, Martin Mystère, que em 2003 foi adaptado em desenho animado pela Marathon, esteve presente ao longo dos anos nos quiosques portugueses através das edições brasileiras, primeiro pela mão da Globo (13 números entre 1986 e 1988), depois da Record (17 edições mais um especial, entre 1990 e 1992), e, mais recentemente, pela Mythos (42 edições entre 2002 e 2006).

Em Itália, a revista bimestral com o seu nome atinge este mês o nº 320, que conta mais de 200 páginas evocativas do percurso do detective do impossível, estando as suas aventuras igualmente presentes em diversas outras publicações da Sergio Bonelli Editore.

Copyright: © 2012 Jornal de Notícias; F. Cleto e Pina
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