30 anos de Martin Mystère no Jornal de Notícias de 19 de Abril de 2012

Texto da secção Artes & Vidas, de 19/04/2012
F. Cleto e Pina

TRÊS DÉCADAS DE MARTIN MYSTÈRE

Há 30 anos, em Abril de 1982, a Sergio Bonelli Editore lançava Martin Mystère, seguindo a sua política de bandas desenhadas eminentemente populares (devido ao preço baixo e às temáticas apelativas), na peugada do sucesso de que Tex era o expoente máximo.

Criado por Alfredo Castelli, responsável pelos argumentos de dezenas das suas aventuras, e, nesse número inicial, desenhado por Giancarlo Alessandrini, Mystère, nascido em Nova Iorque em 1942, é, em simultâneo, professor de cibernética, arqueólogo, aventureiro e escritor. Antes da estreia da revista com o seu nome, Castelli tinha tentado lança-lo – com outro nome – por duas vezes, primeiro aos quadradinhos, depois na televisão, mas sem sucesso.

Cada uma das aventuras do detective do impossível, como também é conhecido, evocativas dos grandes romances populares, é pretexto para investigar os grandes mistérios que a história da humanidade – passada e futura… – reserva, das pirâmides aztecas, maias ou egípcias ao Triângulo das Bermudas e às estátuas da Ilha de Páscoa, dos segredos dos templários a certas crenças africanas, de tradições religiosas (arca de Noé, torre de Babel…) à eventual visita de seres de outros planetas. E se nem sempre as respostas são satisfatórias ou absolutas, a sua base histórica, o retrato fiel das épocas em que decorrem e o seu tom de alguma forma culto, que reflectem o trabalho de investigação que está na sua origem, pode surpreender pelo tal tom iminentemente popular desta banda desenhada.

Ao lado de Mystère, surgem geralmente Java, um homem de Neandertal que encontrou numa das suas investigações e a quem reserva o protagonismo nos momentos de acção, e a bela Diana Lombard, sua noiva eterna e pouca apreciadora do seu lado de conquistador incorrigível. É com eles que defronta vezes sem conta Os Homens de Negro, uma seita secular encarregada de manter as “versões oficiais” por detrás dos fenómenos que investiga, e Sergeij Orloff, seu antigo companheiro e agora rival.

A título de curiosidade, refira-se o facto de Mystère ter sido um dos primeiros heróis dos quadradinhos a utilizar computador e, até por ser algo pouco habitual no universo Bonelli, os dois crossovers entre Mystère e Dylan Dog e um outro do detective do impossível com Nathan Never.

Nunca publicado em Portugal, Martin Mystère, que em 2003 foi adaptado em desenho animado pela Marathon, esteve presente ao longo dos anos nos quiosques portugueses através das edições brasileiras, primeiro pela mão da Globo (13 números entre 1986 e 1988), depois da Record (17 edições mais um especial, entre 1990 e 1992), e, mais recentemente, pela Mythos (42 edições entre 2002 e 2006).

Em Itália, a revista bimestral com o seu nome atinge este mês o nº 320, que conta mais de 200 páginas evocativas do percurso do detective do impossível, estando as suas aventuras igualmente presentes em diversas outras publicações da Sergio Bonelli Editore.

Copyright: © 2012 Jornal de Notícias; F. Cleto e Pina
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5 Comentários

  1. Depois do Espírito da Machadinha é, sem dúvida alguma, o meu personagem preferido da Bonelli. Se hoje me considero um aficionado (e, se a modéstia me permite, um conhecedor) em tudo quanto é assunto que se refere aos grandes enigmas seculares da humanidade, devo às histórias do Detetive do Impossível, desde que li sua edição nº 1 pela Editora Globo, presente de um grande amigo que, infelizmente, já foi dessa para uma muito melhor. As HQs de Martin são uma verdadeira aula de História Antiga, Geografia, Folclore, Mitologia, e sabe-se lá quantos outros temas reconhecidos ou não pela “Ciência Oficial” (um termo que nem merece lá muito crédito nas suas histórias, qualquer fã sabe muito bem disso). Martin Mystère é um dos meus Top 10 dos personagens em quadrinhos de todos os tempos, junto com Zagor, Fantasma, Dreadstar, etc. Me orgulho de possuir todo o material dele lançado no Brasil pela editoras Record e Mythos (ironicamente, me falta o da Globo) e faço questão de deixar aqui registrado o meu apreço e profunda admiração por essa que é a criação máxima de Castelli e Alessandrini. Feliz aniversário, Martin! Muitos e muitos anos de vida!

  2. Martin é um dos meus favoritos da Casa Bonelli. Tanto que, na minha primeira visita a Nova Iorque, fiz questão de visitar o local da residência do professor, em Washington Mews. O local é veramente mimoso!!

  3. Martin Mystère é DE LONGE minha personagem Bonelli favorita. E Alfredo Castelli é o meu ídolo! Desejo muitos mais anos de sucesso para os dois!

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