O Alfabeto do Velho Oeste – Letra X

Wilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…

É também autor do seguinte blogue na Internet:
http://brawvhqs.blogspot.com/

Caros Leitores – Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1– O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2– O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3– E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1– Aquele de “fronteira”. 2– Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação – O ALFABETO DO VELHO OESTE – propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência – o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

X

Xarope Maple – Também conhecido como “Water Maple” ou “Silver Maple”. Era a seiva concentrada extraída do caule da árvore (Acer Saccharinum – da família das Aceraceae), originária do Continente Americano (regiões norte-ocidentais) e que os cowboys gostavam mais, que o próprio açúcar.

Xerife – Funcionário executivo de Polícia de um Tribunal ou de uma Administração Distrital, e também chefe da Polícia de uma grande cidade. Suas funções eram as seguintes: execuções dos mandatos de captura ou comparecimento, execuções de sentenças legais (para penas de detenções, o transporte do condenado para a prisão de Estado; para a pena de morte, e a execução da própria). Além do mais tinha que recolher os impostos Distritais e Territoriais, dos quais podia ficar com 5% do total arrecadado, um facto que deixava essa função muito procurada, sobretudo em Distritos com um forte fluxo de empresas e comércio, e com grande giro de capital. Isso explica a vã aspiração de Wyatt Earp em obter um cargo de xerife. O xerife era escolhido por intermédio de eleições públicas da população do local, com a duração de quatro anos. Seu substituto o “Deputy” era empregado provisório, bem como o “Marshal”.

XIT Ranch – O maior rancho do mundo que, situado na fronteira ocidental do Texas, cobrindo uma área que se estendia em mais de 10 municípios e que possuía 10.000 quilómetros de arame farpado. A marca a fogo “XIT” indicava: X = 10, I = in, T = Texas, ou seja, (10 Municípios no Texas). A história desse imenso rancho é simplesmente um romance de aventuras, mais grandioso que qualquer película selvagem de Hollywood. Sua fundação deve-se à mania de grandeza de um Governador Texano, que por seu “Inigualável Texas” quis construir um Capitólio maior e mais custoso do que aquele de Washington, mesmo se não possuísse dinheiro o suficiente. O Parlamento Texano propôs cobrir as despesas, vendendo terrenos. E assim foi feito. O Texas colocou publicamente à venda um terreno nas Staked Plains no extremo oeste do Texas, um terreno de 3.050.000 acres que do leste ao sul, media 920 quilómetros de largura, no oeste, longo a fronteira do Novo México media 296 quilómetros e ao norte 48 quilómetros. Financeiros Americanos e Escoceses fundaram o “Capitol-Land Syndicate” tomando posse daquele terreno e arcando com os custos, para o Palácio de Representação do Governo Texano. A missão para a construção foi confiada ao arquitecto Matthea Schnnell de Rock Island. Em Fevereiro de 1882 iniciou-se a construção do gigantesco edifício e em Abril de 1888 o Capitólio estava construído. Era longo 190 metros, largo 96 metros e 104 metros mais alto que o Capitólio de Washington. Os Escoceses tinham gasto a soma de 3.224.593.45 dólares e tinham feito um óptimo negócio porque o seu Império de bovinos tinha custado somente 2 dólares por hectare do pasto. Em 1886, 150 cowboys, nesse novo rancho, cuidavam de 110.721 cabeças de gado que, na época da inauguração, já quase tinham dobrado de número. 10.000 quilómetros de arame farpado circundavam o XIT Ranch, que foi subdividido em 94 zonas de pastos e 17 pequenos ranchos que dependiam de um quartel general. 335 poços a moinhos de vento providenciavam a água para 787 empregados, 200 cowboys, 250.000 bovinos e para os proprietários da cidade, de propriedade também do rancho: Dalhart, Channing, Veja, Bovina, Amherst, Olton, Muleshoe, Farwell e Littlefield. Em 1912 foi vendida a última vaca e os municípios de: Dallam, Hartley, Oldham. Deaf Smith. Parmer, Castro, Bailey, Cochran, Lamb e Hockley substituíram os sete grandes ranchos principais do mais poderoso Rancho de todos os tempos: o XIT do Texas.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

Antestreia MUNDIAL de CINCO páginas do Tex Gigante “La cavalcata del morto”, escrito por Mauro Boselli e desenhado por Fabio Civitelli

Por José Carlos Francisco

Após ter estado patente na cidade do Porto, integrada na 1ª Edição do MAB Invicta – Festival Internacional de Multimédia, Arte e Banda Desenhada que se realizou na Faculdade de Belas Artes dessa bela cidade nortenha, no fim de semana de 17 e 18 de Março, uma exposição com 10 pranchas inéditas, cabe agora a vez ao blogue português do Tex, devidamente autorizado pela SBE, de divulgar em nova antestreia MUNDIAL, 5 (CINCO) páginas do próximo Speciale Tex (Tex Gigante ), o nº 27, a ser lançado, na Itália, no próximo dia 21 de Junho de 2012, com o título ”La cavalcata del morto“ (A cavalgada do morto), com argumento e roteiro de Mauro Boselli e com desenhos e capa de Fabio Civitelli.

Pranchas INÉDITAS do Tex Gigante de Mauro Boselli e Fabio Civitelli expostas no MAB Invicta

Um fantasma sem cabeça aterroriza o deserto do Sudoeste…

Nas noites solitárias ao redor da fogueira dos acampamentos, os cowboys contam muitas lendas aterradoras. Uma delas é a de Arturo Videla, o Comanchero decapitado, que vaga sem descanso pelas pradarias e desertos do Sudoeste no seu demoníaco garanhão negro. Mas talvez haja alguma verdade na lenda, porque o fantasma do homem morto começou a matar. E a sua primeira vítima foi um dos quatro rangers que o tinham executado há mais de vinte anos. El Morisco crê que a macabra aparição esteja relacionada com a sociedade secreta dos “ressurreicionistas”, que roubam cadáveres dos cemitérios do México, na estranha convicção de lhes poder trazer de volta à vida. Tex e os seus pards chegam a Pilares para ajudar o amigo e encontram-se imersos no mistério. Quem é o cavaleiro sem cabeça que aparece precedido pela sinistro som de uma flauta indígena? Como pode ser visto simultaneamente em locais muito distantes entre si? E que papel, tem na intriga, uma jovem e encantadora feiticeira Comanche?

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Tributo a Sergio Bonelli no evento Quadrinhos ´51

Por Ezequiel Guimarães (texto e fotos) e Luciana (fotos)

A paixão e obstinação do super-fã Adriano Rainho, traz novamente, após quase dois anos, o granítico Ranger Tex Willer de volta a São Paulo, agora no MUBA.

* Fãs de quadradinhos prestam tributo ao mítico editor italiano Sergio Bonelli, com exposição e palestra (palestra/debate durante 3 horas !!!!).

* Ícone dos quadradinhos brasileiros, Álvaro de Moya compõe a mesa palestrante ao lado do egrégio jornalista Sidney Gusman, e do incansável texiano Gervásio de Freitas.

* Gonçalo Jr. , admirável jornalista-escritor, e Bira Dantas, consagrado caricaturista,  são especiais ouvintes na plateia e interagem com os palestrantes!!!.

* Gervásio divulga com exclusividade o provável nome do novo livro do “Tex brasileiro” G.G. Carsan, anuncia data de lançamento, e desafia em público Gonçalo Jr.!!!.

* Homenagem a Sergio Bonelli de Maurício de Souza foi ideia de Gusman.

* Demian pode chegar ao Brasil em 2013.

O dia: 19 de Maio. A hora: 14:00 hs. O local: Auditório da Escola de Belas Artes, na Rua Dr. Álvaro Alvim, nº. 76 na Vila Mariana, na cinzenta metrópole brasileira de  São Paulo. É o ápice do mais recente evento texiano na terra das corrupções que Cabral descobriu. Nesse horário começa a palestra/debate em homenagem ao último grande editor de quadradinhos a seguir para as pradarias de Manitu: o excepcionalmente talentoso Sergio Bonelli. Editor no sentido antigo da palavra, aquele que realmente fazia toda a edição e era o centro da editora que comandava. Algo que não existe mais, na era comandada por megas-corporações chefiadas por grupos de executivos, que na maioria das vezes visam apenas o aumento do lucro incessante, em detrimento da qualidade de roteiros ou desenhos.

A intensa palestra durou 3 horas!!! E fez parte de um ciclo de palestras inseridas no evento “Exposição Quadrinhos ´51” (a relação das palestras consta no final dessa matéria). Além das interessantes palestras, o evento consta com exposições de várias publicações raríssimas e muitos originais de artistas brasileiros e do resto do mundo dos anos 50, 60 e 70. Muitos originais estão com marcas do tempo e alguns têm colagens e até instruções para impressão, e dão uma mostra clara de como era produzir quadradinhos naquela época, e também mostram a técnica de cada desenhador (dentro da exposição consta também a parte texiana em tributo a Sergio Bonelli). Essa exposição ocorre de 22 de Março a 26 de Maio no Museu Belas Artes de São Paulo (MuBA).

O motivo principal dessa “ Exposição Quadrinhos ´51 “, é homenagear os grandes artistas do desenho de Histórias em Quadradinhos, do período que abrange as décadas de 40 a 70 do século passado (o XX), e relembrar aquela que é considerada a primeira exposição didáctica internacional de Histórias em Quadrinhos do mundo, organizada em São Paulo, no ano de 1951 por Jayme Cortez, Miguel Penteado, Álvaro de Moya, Syllas Roberg e Reinaldo de Oliveira.

Nesta exposição, quem comparece vê artes-finais de Jayme Cortez, Gutemberg, Álvaro de Moya, Primaggio, Shimamoto, André Le Blanc, Antonino Homobono Balieiro, Rodolfo Zalla, José Lanzelotti, Miguel Penteado, Izomar, Rubens Cordeiro, entre outros grandes mestres brasileiros do desenho. Também há para o público se deliciar, originais de gigantes estrangeiros como Will Eisner, Jerry Robinson, Jim Davis, Mort Walker, Leonard Starr e Serpieri.

Muitas publicações raríssimas de incalculável valor financeiro e histórico também são exibidas ao público: O Pato Donald, n°1; Pererê, n°1, do Ziraldo; O Tico-Tico; O Globo Juvenil, de 1949; The Spirit and Ebony, número 16, de 1949, de Will Eisner; Revista Mad número 11, de 1954; El Corazón Delator, adaptação de Breccia em formato gigante da obra de Edgar Alan Poe; Raimundo, o Cangaceiro, números 1 e 2, de José Lanzellotti; História do Além e Histórias Macabras, ambas número 1 e editadas por Jayme Cortez; Edição Maravilhosa, da Ebal; revistas número 1 da Turma da Mônica editadas na Europa, entre outras publicações.

A parte texiana da exposição, é um tributo a Sergio Bonelli, e consta com belíssimas estatuetas e vários Tex da monumental colecção de Adriano Rainho, um dos maiores coleccionadores texianos, não só das Américas, mas também do mundo. O raríssimo Almanaque Buffalo Bill 1956,  o valiosíssimo Tex nº. 1 da 1a edição da Vecchi, vários Tex no formato “talão de cheques”, tanto de edições brasileiras como italianas, além de diversas outras publicações texianas italianas, estiveram presentes na bela exposição.


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Após apreciarem a magnífica exposição, os visitantes dirigiram-se para o Auditório da Escola de Belas Artes, onde ocorreu a palestra/debate texiana (que é citada no início deste texto). A palestra foi mediada pelo obstinado fã e grande coleccionador Adriano Rainho, que ao ser convidado para integrar a Exposição Quadinhos ´51, com itens raríssimos de sua valiosíssima colecção, colocou mais uma vez a paixão por Tex em primeiro plano, e negociou a participação texiana no evento. Graças à persistência dele, acabamos por ter Tex inserido neste evento. E inserido duplamente: tanto na exposição, como no ciclo de palestras. Em ambos os casos o tema é: Um tributo a Sergio Bonelli.

Adriano Rainho vem se notabilizando por organizar eventos texianos em solo bandeirante (sempre apoiado e incentivado pela sua simpática e bela esposa Élguima), já que foi dele também a ideia e organização do aclamado evento TEX 500 BRASIL que ocorreu em Santo André (cidade onde reside) em 2011, e que comemorou à época, a 500a. edição brasileira da série regular do justiceiro mais temido do Oeste, Tex!!! E agora, Rainho está por trás da volta de Tex à cidade de São Paulo, após quase dois anos do Ranger ter aportado por lá (a última vez que o herói bonelliano esteve na capital paulista foi em 2010 na FestComix).

Francisco Ucha, curador da mostra, fez a abertura, e passou para o texiano Adriano Rainho, que fez o discurso inicial, e as apresentações da mesa de palestrantes e os agradecimentos de praxe (um facto interessante que Adriano citou foi que voltou a ler Tex em 2003, graças ao Portal TexBR).

A mesa de palestrantes foi composta por grandes personalidades do mundo quadrinhístico:
Álvaro de Moya – Monstro sagrado do quadradinho brasileiro; jornalista, escritor, produtor, ilustrador e director de televisão. É considerado por muitos como o maior especialista em histórias em quadradinhos do Brasil.
Sidney Gusman – editor do Universo HQ e responsável pelo Planeamento Editorial da Mauricio de Sousa Produções.
Gervásio Santana de Freitas – criador e principal gestor do maior Portal-Internet em língua portuguesa sobre quadradinhos italianos, o excepcional Portal TexBR.

Rainho leu um emocionado depoimento sobre Sergio Bonelli, enviado de Portugal pelo Representante da Mythos (e um dos maiores coleccionadores de Tex do mundo), José Carlos Pereira Francisco, co-criador deste blogue e seu principal gestor, sobre o saudoso amigo Bonelli.

Em seguida, iniciou-se a palestra/debate propriamente dita (que foi transmitida ao vivo pela Internet, via Twitter), e que foi mediada por Adriano Rainho de forma criativa e inteligente. Ele citava interessantes perguntas pré-formatadas para a mesa dos participantes, que brindavam a plateia com interessantes respostas dos bastidores do mundo dos quadradinhos, enquanto slides passavam na tela central do auditório, dando destaque ao homenageado Sergio Bonelli.

As principais perguntas (entre outras) para a mesa de palestrantes foram:
– Qual é a sua visão sobre o mestre Sergio Bonelli, falando também sobre a sua importância para os quadradinhos italianos.
– Após o falecimento de Sergio Bonelli, como você analisa o rumo que será tomado em relação ao futuro dos quadradinhos Bonelli que são publicados na Itália e também no Brasil pela Mythos Editora.
– O que pode ser feito, para captar as novas gerações, não só dentro do mundo Bonelli.
– Está chegando ao fim Mágico Vento, o que vocês acham que virá. Novas séries?

Gervásio, Gusman e Moya discorreram sobre as questões com interessantes respostas, inclusive com Gusman citando várias histórias acerca de Sergio Bonelli, e Moya citando bastidores de sua longa carreira no mundo dos quadradinhos.

Gervásio explanou sobre os motivos do evento, e o que significou o evento de 1951. Comentou que a BD mais antiga de aventura do mundo é brasileira: Zé Caipora, de 1883!!! Frisou que Quadradinhos são magia e diversão, que nos trazem entretenimento. Explicou sobre a criação de Mister NO, e onde Sergio se inspirou ao criá-lo: em suas andanças (viagens) pelo Brasil.

O gestor do magnífico Portal TexBR, expôs que tinha medo que os quadradinhos bonellianos acabassem quando Sergio partisse, mas vê que a editora está muito bem estruturada, e acredita que vai continuar e com excelentes roteiros. E lembrou que os roteiros e os desenhos para serem desenvolvidos na SBE, têm muita, mas muita pesquisa por parte dos autores.

E tem muito optimismo, achando até que, extra-oficialmente falando, Demian, uma máxi-série de 18 volumes, que alcançou grande sucesso na Itália, deve chegar ao Brasil em 2013.

Comentou que o calcanhar de Aquiles dos quadradinhos no Brasil é a distribuição extremamente deficiente que existe actualmente, e que em alguns lugares nesse vasto território continental, essa distribuição praticamente nem existe.

O renomado jornalista Sidney Gusman narrou algumas de suas viagens a Itália, e relembrou muitos casos que viveu ao lado do mítico editor Sergio Bonelli, alguns curiosos e até engraçados. Num desses contou quando após um cinema e uma pizza, saíram na “porrada” com outro italiano por causa de uma questão de trânsito. E quando foi bem recebido pelas Editoras Italianas, estranhando a recepção e a quantidade de brindes de lhe foram oferecidos; só mais tarde ao saber que Sergio havia ligado a todos os editores avisando que um amigo iria visitá-los, entendeu o porquê da calorosa recepção.

Conforme Gusman, Sergio não se preocupava em fazer quadradinhos que eram taxados de “populares”. Disse que o editor milanês recebia propostas (uma a duas por ano) de compra de sua editora por grandes grupos italianos, mas que sempre recusava, e que se preocupava até com a manutenção do emprego dos mais velhos colaboradores. Gusman conta que nos 17 dias que passou ao lado de Sergio Bonelli na SBE, aprendeu mais sobre edição de quadradinhos, do que no período que passou na Faculdade, pois ele era um editor completo.

Relembrou de quando recebia ligações de Sergio para que ele o ajudasse a “traduzir” o Angeli para o italiano, e que sempre ocorriam diálogos engraçados entre ambos. E de quando Sergio esteve no garimpo de Serra Pelada e encontrou um sujeito lendo Tex; ao contar que era ele quem fazia a revista, esse não acreditou. Teve que mostrar os seus documentos para provar quem era. Ao fazer isso, causou o maior reboliço, virando “rei” no local.

Outra curiosidade citada por ele, é que durante muito tempo, Sergio Bonelli publicou no Brasil sem receber direitos, somente os royalties do que vendesse, e que é algo incomum nesse segmento de mercado. Outra curiosidade que comentou foi que, a bela homenagem de Maurício de Souza por ocasião do falecimento de Sergio Bonelli em 2011, foi uma solicitação sua, a qual Maurício prontamente atendeu – e que se já se tornou uma imagem histórica: as personagens da Turma da Mônica personificando vários heróis da Casa Bonelli.

Sidney também comentou que Davide Bonelli não é fã de quadradinhos, mas foi muito bem orientado para comandar a SBE (Sergio Bonelli Editore), e ele, Sidney, vê de uma maneira positiva o futuro da editora. Pois ela está baseada em excelentes desenhadores (citou que não há UM desenhador sequer que pode ser chamado de ruim), e também é alicerçada com excelentes roteiristas que pesquisam exaustivamente antes de escreverem qualquer coisa. Como exemplo citou o monumental Giancarlo Berardi (que ele considera um dos maiores argumentistas/roteiristas do mundo e um poço de cultura), que para criar a grandiosa personagem Júlia (e desenvolver as suas histórias), chegou a frequentar cursos de criminologia, e leu muitos livros sobre o mesmo tema. Como curiosidade citou que o autor italiano desenvolve até oito roteiros ao mesmo tempo, e não sabe o final das histórias, vai desenvolvendo, e o desenhador vai recebendo em partes, e também não sabe o que vai acontecer no decorrer da história. Também comentou que a editora tem criado novos títulos em mini-séries com o objectivo de angariar fãs mais jovens.

Mas quanto a Tex continuar no Brasil, manifestou temer por essa continuação após a morte de Sergio Bonelli (ao compartilhar da mesma opinião de Gonçalo Júnior).

O experiente jornalista também explicou que o trabalho de formiguinha, dos fãs divulgarem boca-a-boca as suas personagens favoritas, é o que realmente expande o universo de leitores, já que os editores nem sempre entram com força e com vontade, quando o objectivo é divulgação. Inclusive comentou que, iniciativas como a publicação de Tex em cores que ocorreu na Itália (em associação com o jornal La Repubblica e a revista L´Espresso), deveriam ser seguidas no Brasil.

Não vê perspectivas de novas séries Bonelli chegarem ao Brasil, mas comenta que outras editoras que não publicam títulos Bonelli no Brasil poderiam, ou melhor, deveriam se interessar em trazer as excelentes séries italianas que não estão hoje em solo tupiniquim.

O monstro sagrado dos quadradinhos brasileiros, Álvaro de Moya, fez a sua participação com várias tiradas inteligentes e irónicas, e frisou que um dos grandes problemas em relação às histórias em quadradinhos é que existe (e sempre existiu) um enorme preconceito contra essa mídia.

Santista fanático comentou que contratou Pelé quando dirigia a TV Excelsior, e que colocou no ar as TVs Bandeirantes, Tupi e Excelsior.

Moya citou casos curiosos que ocorreram em viagens pela Itália, e comentou que Galep visivelmente foi inspirado por Alex Raymond, principalmente Raymond de Jim das Selvas, e não Raymond de Flash Gordon. Lembrou que os italianos tinham muito carinho pela Editora Vecchi, e que Sergio dava muitas revistas para ele. Relembrou que, como é poliglota (fala português, espanhol, italiano, inglês e francês), isso muito o ajudou nos contactos na Europa, e que ele até serviu de intérprete entre diversos profissionais do mundo quadrinhístico, em suas viagens ao velho continente.

E discorreu de, como Sergio expandiu os negócios e tornou-se o maior editor de banda desenhada da Itália, com comprovado sucesso de volumes publicados e sucesso financeiro.

Comentou que todos os desenhadores do Tex são influenciados por Alex Raymond, e que todas as vertentes de quadradinhos no mundo nascem de três norte-americanos: Alex Raymond, Hal Foster e Milton Caniff. “Eles influenciaram desenhadores no mundo inteiro”, disse o velho mestre.

Tivemos duas grandes personalidades na plateia (e que interagiram com os palestrantes): o renomado jornalista Gonçalo Junior, autor do magnífico livro (entre outros belos livros) “O Mocinho do Brasil – A história de um fenômeno editorial chamado Tex”, e o consagrado caricaturista Bira Dantas (muito apreciado pelas suas belas caricaturas, muitas delas também dão um colorido especial às diversas entrevistas dos autores italianos aqui no Blogue do Tex).

Gonçalo Júnior, citou que fez o livro sobre Tex, com a intenção de provocar os diversos desafectos que tem no mundo quadrinhístico, e também porque Tex sofre de muito preconceito no Brasil. Citou que os ditos “especialistas em quadradinhos” sempre desprezaram Tex, e resolveu fazer um livro-reportagem sobre essa personagem que já há muito tempo lia (o primeiro foi Tex 67 – A Vingança dos Tuaregs, quando ele tinha 8 anos).

E teme de Tex não continuar a ser publicado no Brasil após a morte de Sergio Bonelli.

O simpático Bira Dantas citou que Tex é a revista que mais tem em sua gibiteca, e que aprecia muito a criminóloga Júlia, e a arte caricatural magistral de Massimo Bonfatti na grande criação de Claudio Nizzi, Leo Pulp.

E fez uma pergunta muito interessante, que era a possibilidade de um Tex Gigante ter alguma chance de ter algum traço de humor-caricatural algum dia. Os palestrantes responderam que não. Sei que é difícil, praticamente impossível, mas penso ser uma grande ideia que poderia ser aproveitada num Tex especial, fora-de-série.

Quase no final da palestra, Gervásio divulgou em primeira mão que trazia de João Pessoa na Paraíba a informação de que o novíssimo segundo livro do “Tex brasileiro” G.G. Carsan está pronto, só faltando ser impresso!!! E informa a data de lançamento: 30 de Setembro, data que foi escolhido como data nacional de Tex no Brasil (que é a data que ocorreu o lançamento de Tex na Itália, em 1948). E além dessa novidade, anunciou outra: o provável nome do novo livro: “Tex no Brasil – Justiça a qualquer preço”, e citou que escreveu um dos capítulos do livro, onde conta a história do excelente Portal TexBR, que é o paraíso dos apreciadores dos magistrais quadradinhos bonellianos.

Gervásio foi mais longe ainda, e inteligentemente lançou em público um desafio a Gonçalo Júnior: que o jornalista-escritor escreva um 2o livro sobre Tex!!!!

O desafio é muito bom, e a “provocação” (no bom sentido) é porque G.G. Carsan vai lançar o seu segundo livro (o primeiro foi o maravilhoso “Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste”), E Gonçalo Júnior tem um livro publicado, o excepcional “O Mocinho do Brasil – A história de um fenômeno editorial chamado Tex”. Na verdade Gonçalo tem duas publicações sobre Tex, mas a primeira não é livro, e sim um (belo) álbum (Tex – Edição comemorativa de meio século de aventuras no Brasil). O livro de Gonçalo, é na verdade a versão integral de sua obra que era para ter saído exactamente no lugar desse álbum, mas foi muito cortado por diversas razões, e acabou sendo publicado como álbum.

Esse “desafio” é muito saudável, e, mostra como Gervásio e todos os texianos gostaram e aprovaram o livro de Gonçalo Júnior, pois até querem agora um 2o. livro. Esperamos que o jornalista aceite esse desafio, e breve tenhamos outro livro de Tex (tão interessante quanto o primeiro), num mercado carente sobre esse tipo de produto como o é o mercado tupiniquim.

Finalizando, em um item nessa palestra muitos concordaram: o desenho da obra tem que ser muito bom para atrair o público, mas o texto (argumento/roteiro) é fundamental.

Como Moya comentou:
“Perguntaram para Alfred Hitchcock o que era necessário para fazer um bom filme.
Ele disse:
Good script
Good script
Good script
Frank Sinatra quando davam para ele uma nova música, antes de ouvi-la ele lia a lyrics, para ver se o texto tinha poesia, só depois é que ele ouvia a música.
Texto é fundamental”. E nisso, a SBE tem de sobra em suas publicações (além das belíssimas artes).

O que ficou claramente marcado neste evento nos depoimentos de cada palestrante, no sentimento de cada participante, foi que Sergio Bonelli foi um grande amigo, um grande editor, um grande argumentista, um grande ser humano, preocupado com os outros seres humanos.

Um homem que levou a paixão pelos quadradinhos ao extremo, dedicando dia após dia de sua vida à 9a. Arte que tanto amava, fazendo com que ela atingisse níveis altíssimos de qualidade. Encantando várias gerações de fãs pelo mundo afora. Por tudo isso, jamais será esquecido.

Como bem citou Álvaro de Moya durante a palestra:
“Não concordo com a frase ´ninguém é insubstituível´. Sergio Bonelli é insubstituível”.

Relação do ciclo de palestras do evento “Exposição Quadrinhos ´51”:.

31 de Março – Ainda há preconceito contra os Quadrinhos?
Participantes: Jotabê Medeiros, Álvaro de Moya, Gonçalo Júnior e Francisco Ucha

14 de Abril – Linguagem dos Quadrinhos no Cinema e na TV – Porque a TV brasileira despreza esse filão? Participantes: Celso Sabadin e Walter Negrão

28 de Abril – Os Grandes Mestres e a Produção Editorial dos anos 50 a 70
Primaggio Mantovi e Rodolfo Zalla

5 de Maio – A Ficção Científica nos Quadrinhos
Participantes: Cesar Silva, Roberto Causo e Marcelo Naranjo

12 de Maio – Ângelo Agostini, onde tudo começou
Participantes: Gilberto Maringoni, Gonçalo Júnior e Francisco Ucha

19 de Maio – Os quadrinhos italianos – Um tributo a Sergio Bonelli
Participantes: Sidney Gusman, Gervásio Santana de Freitas,  Álvaro de Moya e Adriano Rodrigues Rainho

26 de Maio – 1951, Uma Exposição Educativa
Participantes: Álvaro de Moya e Maurício Kus
Encerramento com exibição do filme de 1969, História em Quadrinhos, de Rogério Sganzerla e Álvaro de Moya.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Póster Tex Nuova Ristampa 179

Póster Tex Nuova Ristampa 179

Em mais uma bela ilustração da autoria de Claudio Villa podemos ver Tex Willer entrando em Bannock (uma das muitas inquietantes e melancólicas “ghost towns”, pequenas cidades “fantasma” que abundavam no velho Oeste), debaixo do olhar de uma sentinela pertencente ao Bando dos Inocentes.

Desenho INÉDITO no Brasil e  inspirado na história “Il passato di Carson” de Mauro Boselli e Carlo Marcello (Tex italiano #407 a #409).
(Para aproveitar a extensão completa do póster, clique no mesmo)

Texto de José Carlos Francisco