Entrevista com o fã e coleccionador: Jozemar de Souza Leite

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Jozemar de Souza Leite: Chamo-me Jozemar de Souza Leite, nasci em 29 de Agosto de 1994, em Cacoal, Estado de Rondônia, no Brasil. Actualmente estou cursando o 3° Ano do Ensino Médio na Escola Carlos Drummond de Andrade.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Jozemar de Souza Leite: Desde muito pequeno os quadradinhos já despertavam o meu interesse principalmente os da Turma da Mônica. Com o passar dos anos comecei a comprar os mangás, mas as histórias japonesas não eram o meu forte. Foi aí que descobri o Tex e logo passei a comprá-lo.

Quando descobriu Tex?
Jozemar de Souza Leite: Foi no final de 2004. Uma aluna havia trazido uma revista diferente, que despertou o interesse de toda a turma, era o Tex Coleção nº 35 “O Fantasma de Union City”. Comprei a revista da garota e descobri edições novas na banca, passando então a comprá-las. Comentei com uma das minhas professoras sobre o Tex e ela disse-me que o marido possuía uma colecção, mas ela fê-lo jogar fora alguns meses antes. Dias depois ela presenteou-me com três revistas que haviam sobrado.

Porquê esta paixão por Tex?
Jozemar de Souza Leite: É algo que não consigo explicar. Muitos já me perguntaram, mas eu nunca consegui responder. Talvez porque eu goste do género, desde pequeno já assistia filmes de faroeste.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Jozemar de Souza Leite: Tex é um castigador que não mede esforços para fazer justiça. É alguém que está disposto a enfrentar as leis e poderosos para ajudar os necessitados, mesmo que seja o político corrupto ou o comandante do Forte cheio de preconceitos. Tex não se importa em matar bandidos, é uma personagem que não tem consciência, que faz o que é certo e pronto. O que importa para Tex é que a justiça prevaleça em uma terra selvagem, onde os homens honestos sofriam por causa da violência.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Jozemar de Souza Leite: Tenho hoje 105 revistas, entre especiais e coloridos. Todas são importantes para mim, mas as que eu tenho mais cuidados são os números 36, 40,41 e 42 da 2ª Edição.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Jozemar de Souza Leite: Coleccionava apenas a revista Tex. Recentemente adquiri a maravilhosa obra de Boselli “Tex Willer – A História da Minha Vida”, gostei muito da edição, o texto é óptimo e as ilustrações de Civitelli muito bonitas. As minhas personagens preferidas são: dos quadradinhos Tex Willer, do cinema Indiana Jones e dos livros Sherlock Holmes.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Jozemar de Souza Leite: Acho que aquele que é o troféu para todo coleccionador, o Tex nº 1 “O Signo da Serpente”.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Jozemar de Souza Leite: É bem difícil dizer! Aprecio todas as histórias da personagem. Vou destacar aqui de G. L. Bonelli “A Mão Vermelha” (Grandes Clássicos n° 2), onde Tex conhece dois de seus grandes amigos: Jim Brandon e Gros- Jean, de Claudio Nizzi “O Suplício de Um Povo” (Tex Ouro n° 7), de Boselli “E Chegou o Dia” (Color Tex nº 1), de Sergio Bonelli “Mercadores de Morte” (Minissérie Tex 2) e de Gianfranco Manfredi “Na Trilha do Oregon” (Tex Gigante nº 25).
Gosto muito dos desenhos de Civitelli, já quanto aos argumentistas aprecio a todos.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Jozemar de Souza Leite: Gosto muito das aventuras em meio ao oeste selvagem, enfrentando bandidos nas cidades ou índios rebeldes. Não gosto muito quando as histórias fogem da realidade.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Jozemar de Souza Leite: O senso de justiça da personagem, a qualidade do texto e dos desenhos, do contrário Tex não seria esse sucesso, sendo publicado há mais de 60 anos.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Jozemar de Souza Leite: Não! Infelizmente na minha cidade, não conheço ninguém que coleccione o Tex.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Jozemar de Souza Leite: Vejo que Tex continuará sendo publicado por muitos anos ainda. Tex é uma personagem que está há mais de 60 anos na Itália e 40 no Brasil, provando que não é uma revista qualquer e sim uma super- revista, do contrário eu jamais teria conhecido a personagem criada por G. L. Bonelli. Tex, com certeza continuará apaixonando leitores e, quem sabe? Daqui a 57 anos estarei comemorando os 120 de Tex! Só o tempo dirá! Aguardemos!

Prezado pard Jozemar de Souza Leite, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex gaúcho por Marino Silverio Felipetto

Por José Carlos Francisco

Marino Silverio Felipetto, leitor brasileiro de Tex, desde 1973, e cujo primeiro exemplar do Ranger que leu foi “O Corcel Sagrado” (Editora Vecchi), sempre gostou de rabiscar, sobretudo o género faroeste, e para mostrar o seu dom a todos os nossos leitores, enviou ao blogue português do Tex alguns desenhos que fez, ilustrações essas que publicamos a ilustrar este texto.

E como Marino Silverio Felipetto (que tem um pequeno negócio, onde é desenhador gráfico e trabalha com a comunicação visual) é gaúcho de Esteio no Rio Grande do Sul, imaginou um Tex vestido de bombachas, desenhando-o num formato de 50×70 cm:

Marino Silverio Felipetto que no presente está a responder a uma entrevista para o nosso blogue, também desenhou um Tex mais tradicional, assim como os 4 pards juntos, conforme mostramos de seguida:


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Tex, os diferenciais e Dorival

Por Ezequiel Guimarães (texto) e José Carlos Francisco (fotos)

O editor mais ´texiano´ que Tex já teve no Brasil e em Portugal, Dorival Vitor Lopes, oficializa diferenciais nas séries Tex Edição Histórica e Tex Edição de Férias

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A grande maioria das personagens de banda desenhada tem o seu começo em edições dita “normais”, ou seja, somente com as histórias, sem nada de adicional. Ou, em muitos casos, nem são lançadas em título próprio, são lançadas em revistas de outras personagens ou em almanaques, até, se fizerem sucesso, um dia serem lançadas em título próprio. Essas situações ocorrem com a grande maioria das personagens de BDs pelo mundo afora (e também há a situação da personagem fazer parte de uma publicação, onde o título não é o nome de nenhuma personagem, como é o caso do próprio Tex nas revistas francesas Rodeo e Mustang).

Aqueles que, afortunadamente conseguem sucesso, depois de um tempo passam a ter outras séries, mas de reedições, já que os editores não perderão a oportunidade de explorar um novo filão, que é o de apresentar a sua personagem rentável às novas gerações que chegam ao mercado da “leitura”, após aquela geração que conheceu a personagem em seus primeiros anos. E essa acção acaba atingindo também outro grupo, o de coleccionadores fanáticos, ávidos; que compram tudo o que sai da personagem.

Em alguns casos, essas reedições são apenas isso: reedições; sem nada de diferente. Em outros casos, elas têm algo adicional, “diferente”, os chamados “diferenciais”. Como o próprio nome diz, algo que é diferente da série anteriormente lançada. Lógico que a história republicada é a mesma da série anterior, mas a lista de diferenciais que pode ocorrer na nova série é grande: capas inéditas, formato novo, quantidade de páginas diferentes (por exemplo, dois ou mais volumes da série anteriormente lançada, mas agora num só volume na nova série), histórias coloridas (quando a série anterior era em preto e branco), capas coloridas por computador, brindes (pósteres, por exemplo),etc., etc. E não há limite, pois dependerá da criatividade do editor e/ou das ideias do seu círculo de assessores e colaboradores.

Além de permitir que, quem não teve a oportunidade de ter a colecção anterior possa fazer uma nova colecção e com um “plus”, faz com que muitos que tinham a colecção anterior completa (ou ainda incompleta), desfaçam-se dela, para adquirirem a nova série mais “incrementada”.

Em outros casos, esses “diferenciais” alimentam ainda mais o mercado de coleccionadores, pois muitos não se desfazem da colecção anterior, ao contrário, agregam a nova série às suas estantes residenciais, fazendo com que fiquem abarrotadas.

Exemplos do citado acima temos vários, mas atendo-nos apenas ao campo da banda desenhada, e mais precisamente o texiano, cito o detalhamento de um exemplo prático: Tex Edição Histórica. Muitos o coleccionam por ser volumoso (o popular “tijolão”), e não fininho como o é Tex Coleção (já que, normalmente reúne alguns números de Tex Coleção em cada volume lançado). Outros coleccionam Tex Edição Histórica por trazer capas inéditas, nunca antes publicadas em outras séries. Outros coleccionam pelos dois motivos. Outros pararam com Tex Coleção para ficar só com o Histórica, já que essa é republicação do Tex Coleção; outros não pararam nada, coleccionam é tudo!

Outros tantos vão ainda mais longe no quesito “diferenciais”: até começam a coleccionar de outros países, exactamente por causa de diferenciais que o outro país tem e o seu não.

Temos texianos que exemplificam bem o citado acima: por exemplo, compram o Tex italiano Nuova Ristampa por trazer pósteres em todas as suas edições (exactamente as imagens inéditas das capas brasileiras de Tex Edição Histórica). Muitos (no Brasil mesmo) coleccionam Tex italiano Collezione Storica a Colori,  pois é a reedição das histórias texianas, mas agora em versão ´technicolor´, ou seja, colorida, e por não ter continuado a série similar em língua portuguesa (no Brasil chegou a sair como Tex Edição em Cores, mas não teve vida longa, infelizmente: foram só 12 edições).

Enfim, os exemplos são vários. Os diferenciais realmente fazem a diferença (os diferenciais causam tanto impacto que, não só os texianos brasileiros buscam edições com diferenciais em outros países, mas muitos texianos de outros países buscam até edições no Brasil que tenham algum diferencial, mesmo que sejam em poucas edições. Como, por exemplo, nos conta o renomado articulista e tradutor, Júlio Schneider, no seu belo texto ´Capas Inéditas: Procuram-se!´  que foi publicado no magnífico livreto ´Uma saga em 500 capas´ que acompanhou a histórica 500a. edição da série regular de Tex no Brasil – Mythos Editora, Junho 2011. No texto Júlio conta das capas brasileiras da série regular, nunca usadas em edições italianas e que despertaram o interesse de coleccionadores italianos –  as capas das edições 300, 351, 352, 377, 383, 390, e 397).

E falando no belo texto do Júlio, esse é outro diferencial muito interessante: os textos. Os textos que acompanham a história podem ser analíticos e/ou informativos, trazendo-nos diversas informações. As mais variadas possíveis: pode ser sobre a carreira do argumentista/roteirista, sobre a carreira do desenhador, sobre como foi concebida a história, graficamente falando; sobre o fundo histórico real onde a aventura é baseada, sobre a concepção da capa, sobre a editora, sobre alguma curiosidade, enfim, muita informação que permite aprofundar-se na técnica de trabalho ou na vida dos autores,  e/ou  também no mundo da personagem (há casos até de textos sobre eventos onde a personagem esteve sendo divulgada). Normalmente esse tipo de diferencial é explorado em edições especiais ou livros especiais ou comemorativos.

E muitos apreciam esse diferencial. Esse sentimento foi sintetizado no ´O correio de Poe´ de Mágico Vento 53 (´O correio de Poe´ é uma “secção de cartas comentada” criativamente comandada pelo prolífico e multi-funcional Júlio Schneider com a inserção também de muitas curiosidades e informações). No referido exemplar, o leitor Wallace da Cruz, da cidade de Valença, no estado do Rio de Janeiro, coleccionador de Mágico Vento e Tex, comentou: “Achei para lá de boa a matéria de MV 41, com fotos do Dorival, do Júlio e do criador da obra Manfredi. É isso que nós, coleccionadores e leitores, queremos ver nas nossas revistas sagradas em que investimos o nosso dinheiro: matérias desse universo maravilhoso da Bonelli Comics”. E muitos pelo vasto Brasil (e até em Portugal) pensam como ele.

Há alguns casos que esse tipo de diferencial (textos) já nasce junto com novas séries, mas normalmente respeitando a regra de ocorrer quando a personagem já é um sucesso. É o caso dos textos analíticos e/ou informativos que estão presentes nas séries Tex Gigante e estiveram na saudosa série Os Grandes Clássicos de Tex. Essa última é especial para os brasileiros, pois ao que sabemos é uma série sem paralelo no mundo, e nasceu das acaloradas conversas texianas travadas entre o editor Dorival e o tradutor Júlio Schneider na aconchegante e fantástica biblioteca do tradutor/articulista em Curitiba, no Estado do Paraná, Brasil.

Obviamente nada no mundo tem unanimidade, então muitos não se interessam por textos adicionais (nem chegam a lê-los) ou outros diferenciais, só querem saber da história em si. Mas para muitos outros, os diferenciais importam sim, e muito. E muito mais quando é o caso de textos. Prova disso é o sucesso da inclusão definitiva de textos em todas as edições da série Ouro (que ocorreu a partir do número 53, conforme foi anunciado AQUI no blogue).

O sucesso e importância desse diferencial (textos) são visíveis, pois chegou até em séries onde ele não é padrão para todas as edições, mas ocorre eventualmente. E faz sucesso! Quem não gostou, por exemplo, de ler a bela matéria “Pistoleiros reais na ´outra´ Las Vegas”, do competente Júlio Schneider (publicada numa série onde esse diferencial não é padrão, a série regular de Tex – nº 502)?

Com esse quadro, Dorival Vítor Lopes, o mais texiano dos editores que Tex já teve em solo brasileiro, confirma que daqui para frente, outras duas séries de Tex terão sempre textos analíticos e/ou informativos: as séries Tex Edição Histórica e a série Tex Edição de Férias. Ambas não nasceram com esse diferencial, mas agora os têm em definitivo.

Poderão ser do maior articulista sobre fumetti em língua portuguesa (falo do renomado advogado e tradutor Júlio Schneider), ou algum outro articulista, inclusive italianos (como já ocorreu no passado).

Tex Edição Histórica já teve alguns textos em algumas edições, mas eram inserções esporádicas. Agora, a partir da edição nº 82, e que contém o belo texto “Na sombra do pai”, de Júlio Schneider, e que chegou às bancas brasileiras em Fevereiro deste ano, sempre virá com material analítico e/ou informativo (na edição nº 81, de Novembro de 2011, já haviam vindo dois belos textos de Sergio Bonelli e Júlio Schneider, mas na época, ainda não havia sido tomada a decisão de se colocar textos em todas as edições).

Tex Edição de Férias experimentalmente inseriu na edição nº 5, o belo texto ´Páginas de Fabio Civitelli´, de Júlio Schneider, e nas edições seguintes também teve esse tipo de material, mas não era regra que sempre teria. Agora o editor Dorival oficializa que sempre terá, e já a partir da próxima edição nº 11, de Junho de 2012: “O melhor Tex de Muzzi“,  por Júlio Schneider.

Todos os fãs de quadradinhos e de Tex que se interessam por algo a mais sobre o universo do herói (além de suas histórias), agradecem muito essa decisão do editor.

Muito obrigado Dorival ! E longa vida às séries texianas com “diferenciais” (e não podemos nos esquecer que a paixão pelo Ranger, por parte do editor, é que fez com que Tex continuasse nas bancas brasileiras quando a Editora Globo tirou-o da grade de publicações por considerar que não estava à altura da rentabilidade desejada… Dorival correu atrás, e não deixou Tex partir das terras tupiniquins…)!

Post-scriptum: Com a bimensalidade (quinzenalização) da série Tex Coleção em Janeiro deste ano, muitos esperavam também a diminuição da periodicidade da série Tex Edição Histórica, já que essa republica Tex Coleção, mas, o editor Dorival informa que, nos próximos dois anos, pelo menos, Tex Edição Histórica continua com periodicidade semestral.

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O Alfabeto do Velho Oeste – Letra Y

Wilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…

É também autor do seguinte blogue na Internet:
http://brawvhqs.blogspot.com/

Caros Leitores – Geograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação – O ALFABETO DO VELHO OESTE – propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência – o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

Y

Yoes – Jake Yoes, US Deputy Marshal, conseguiu sobreviver a 14 longos anos, enfrentando e combatendo bandidos do Oklahoma. Em 19 de Julho de 1885, descobriu a 240 milhas do Fort Smith, uma cabana perto da velha estrada militar de Fort Arbukle, o ladrão de diligências Hank MacMurray. No duelo que aconteceu, Yoes mesmo gravemente ferido, conseguiu desarmar o bandido e o prendeu. Após três dias Yoes estava tão fraco, com a perda de sangue, que mal conseguia ficar em pé. MacMurray sabia que era uma simples questão de tempo e logo o “Marshal” cairia do cavalo. Mas Yoes fez algo que lhe salvou a vida; ele se prendeu ao facínora com duas algemas; uma unindo seus pulsos e outra seus tornozelos, jogando as chaves num riacho. “Com um funcionário morto, do qual você não poderá se livrar você morrerá também”, disse Yoes, “Ou morreremos de fome, sede ou algum xerife nos encontrará”. Somente ali o bandido entendeu o que realmente acontecia, enquanto o homem da lei desmaiava. Havia somente uma possibilidade de fuga, ou seja, tentando levar o “Marshal” ao médico mais próximo. O “Daily Oklahoma” de 28 de Agosto de 1885 relatava: “Uma coisa igual, jamais tinha acontecido em Oklahoma! MacMurray esgotado atravessou ao escurecer Nash City, levando consigo o seu carcereiro ao qual estava preso. Precisavam ver com qual “doçura” tentava repetidamente acordá-lo, para que o ajudasse também a permanecer em pé, foi realmente uma cena hilária”.

Yuma – Palavra da língua “Pima” = Comedores de Vermes. Os “Yumas” eram um povo primitivo que já ao tempo da dominação Espanhola vivia perto do Colorado River, na zona ocidental do Arizona. Tinha uma língua própria e se articulava em vários grupos tribais. Os “River Yumas” compreendiam as tribos: “Cocopa”, “Halchidoma”, “Kavelchadom”, “Kohuana”, “Maricopas”, “Mohaves” e “Yumas”; os “Yumas Superiores” compreendiam as tribos: “Havasupai”, “Walapai”, e “Yavapai”; os “Yumas do Deserto” compreendiam as tribos: “Kamia” e “Pai-Pai”. Todos esses grupos tribais sempre foram combatidos, seja sob a denominação Espanhola, Mexicana ou Americana. Somente em 1858 após alguns Caciques “Mohaves”, baptizados pelos Mórmons e instigados contra os Americanos, atacaram uma caravana numa trilha chamada Beal Trail, perto do Colorado River e mataram 18 Americanos, o Exército então entrou em acção: a Cavalaria combateu os “Mohaves” e aniquilou mais da metade de seus guerreiros, após o Cacique “Cairook”, se render, deixando-se tornar um refém juntamente com outros Caciques em Fort Yuma. Lá, juntamente com outros quatro Caciques, foi morto em tentativa de fuga e o Cacique “Yarateva”, melhor visto pelos Americanos, continuou as tratativas de paz. Fez-se a paz então com os Americanos e os “Mohaves” submeteram-se ao Comandante de Fort Yuma, forte esse que também era uma prisão do Estado. Os “Yumas” deviam procurar os prisioneiros fugitivos e cortar as suas cabeças, existindo um prémio para cada cabeça talhada. Em 1862 foi encontrado ouro no Território dos “Havasupais” e dos “Yavapais” e milhares de mineiros Americanos invadiram tal local. No território dos “Walapais” invadiram os criadores de gado com suas manadas e com os cowboys, ocupando-o. Por onze anos as tribos “Yuma” combateram tais invasões. Nesses combates encontraram a morte mais de 100 Americanos e 1.000 Índios.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco