Entrevista com o fã e coleccionador: Luan Carlos Zanatta Zuchi

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Luan Zuchi: Chamo-me Luan Carlos Zanatta Zucchi e nasci em Coronel Freitas no Oeste do Estado de Santa Catarina, Brasil, e no momento resido em Flores da Cunha, na serra gaúcha. Tenho 16 anos e dedico-me aos estudos e aos quadradinhos.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Luan Zuchi: Minha relação com os quadradinhos e com Tex começaram juntas. Nunca gostei de histórias infantis como por exemplo a Turma da Mônica. Então em uma viagem feita à minha terra natal encontrei velhas revistas de banda desenhada na casa do meu querido padrinho, ainda me lembro do fascínio exercido pela primeira edição que li: “Corrida da morte”, Tex Coleção número 90. Então tivemos que voltar para o Rio Grande do Sul, mas na bagagem vieram comigo três edições antigas de Tex, porém nenhuma estava completa, mesmo assim fiquei hipnotizado pelo mundo de Tex. Em outra viagem à casa de meu padrinho trouxe comigo quase toda a coleção de Tex que “sobrevivera” a anos dentro de baús, tendo entre eles, relíquias da vida editorial dos fumetti. Foi assim que tudo começou e devo o meu envolvimento com a Nona Arte ao meu querido padrinho Arquile Zanatta, e devo a continuidade deste bendito vicio ao meu tio, e também leitor de Tex, Arlei Zanatta que me incentiva com envio de edições mensais de Tex. Agradeço a ambos.

Porquê esta paixão por Tex?
Luan Zuchi: Como fumetto Tex tem algo particular, já ouvi dizer que Tex tem duas expressões: com o chapéu e sem ele. Tex é um herói que segue um padrão muito bem estabelecido ainda em 1948, porém todos os meses as histórias que encontramos nas bancas (quiosques, em Portugal) são diferentes e entusiasmantes. Tudo isso sendo Tex um herói sem super-poderes – além de sua habilidade mestra com o Colt e Winchester. Mas Tex é além de fumetto, é parceria porque quem lê uma história texiana logo se torna mais um Pard e isso não existe ciência que explique.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Luan Zuchi: Não sei se é o clima familiar imposto pela editora, se é o tipo de colecção – sem esquemas mirabolantes como as editoras americanas – ou as próprios personagens e suas verossimilidades, apesar de Tex dificilmente aparecer recarregando os seus revólveres, mas até isso é interessante, uma certa “licença poética”. Creio que deva ser a mescla de tudo isso, talvez algo mais.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Luan Zuchi: Actualmente possuo cerca de 200 edições. A importância se dá ao conjunto de todas, mas cabe ressalvar a edição Tex de Ouro nº 29 com um desenho exclusivo e autografado por Fabio Civitelli. Aqui, se me permite, gostaria de relatar uma anedota ocorrida nesta passagem.
Para ir à Gibicon número 0, saí eu e a minha família cá do estremo sul brasileiro e atravessamos praticamente dois Estados para prestigiar tal evento em Curitiba. Na fila para os autógrafos o nervosismo e alegria misturavam-se, mas prevalecia a última. As simpatias de Civitelli e de Filippucci é algo a se ressaltar. Pedi um desenho a Civitelli e fui atendido. Quando ele terminou o desenho destinado à minha pessoa, presenteei o grande autor com uma humilde recordação, um desenho de minha autoria. O que seguiu foi algo a se guardar na mente e na alma, Civitelli do alto de sua grandiosidade pediu a mim, reles mortal, um autógrafo.
Sinceramente espero que ele o tenha guardado. Por isso essa edição é tão importante, ela é a única em que memórias de minha vivência estão gravadas junto a histórias da minha personagem preferida.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Luan Zuchi: Apenas HQ’s (BD’s em Portugal).

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Luan Zuchi: O objecto texiano que mais gostaria de possuir é a edição número 1 italiana ainda no formato talão de cheque. E claro, o final da aventura “Corrida da morte” que até hoje é uma incógnita para mim. Sim meus caros amigos a primeira aventura, aquela que me mergulhou neste maravilhoso mundo, ainda está incompleta em minha colecção.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Luan Zuchi: Além dos clássicos incontestáveis e dos criadores, as aventuras que marcaram as minhas leituras foram as seguintes: “Território inimigo” em que Tex auxilia os nortistas na Guerra da Secessão em um flashback narrado para Kit Carson em uma viajem de trem. E “O passado de Kit Carson” ressaltando neste último um excelente trabalho na arte de Marcello. Actualmente nos desenhos a minha preferência é com certeza Fabio Civitelli que ao meu ponto de vista é o mais próximo da perfeição em Tex. Nos roteiros Boselli é meu preferido após papá Bonelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Luan Zuchi: O senso de justiça atemporal e a excelência editorial. O que desagrada? Eu não ser italiano, ou quem sabe Tex não ser brasileiro. Eu realmente gostaria de ter a oportunidade de vivenciar a vida editorial na Itália (desculpem pelos sonhos de um banda desenhista).

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Luan Zuchi: O que torna Tex ícone é a sua longevidade, mas o que o torna longevo é a sua qualidade ao ser exemplo de humanidade.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Luan Zuchi: Alguns amigos que também coleccionam e moram aqui mesmo em minha cidade, mas de congresso só participei da Gibicon, ao qual espero retornar na próxima edição.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Luan Zuchi: O futuro do Ranger, como tudo no mundo das BD’s, é um mistério. Pela qualidade das histórias deverá ser eterno, porém as mídias electrónicas acabam por superar a nostalgia do papel na mão e o cheiro da cola das edições. O mundo está acelerado a tal ponto que ninguém mais pára para ler um livro ou uma boa banda desenhada. Mas se as mídias forem usadas como o TexBR e o blogue português do Tex poderão salvar as BD’s de uma “parada cardíaca”. Creio que sempre haverá espaço para as edições impressas porém é evidente a necessidade de adaptação – e quem melhor que Tex para demonstrar isso, a personagem mudou de formato de tiras a gigantes e ainda assim não perdeu nenhuma de suas características. Falando como editor – algo que almejo, porém ainda está distante – se coubesse a mim o papel de decisão, eu realmente investiria em web comics, bem pensada de modo que não houvesse meio de “piratear” tal material, certamente seria mais rentável tanto para a editora (diminuição do custo de produção) e para o consumidor que poderia ler a sua personagem favorita a baixo custo. Mas já posso ouvir os conservadores ao longe gritando à procura de uma árvore e uma corda para pendurar-me, mas eu também não concordo com o fim da banda desenhada tradicional, só acharia que poderíamos com certeza ter uma série de Tex on-line seja republicação ou algo como especiais com autores convidados.

Prezado pard Luan Carlos Zanatta Zuchi, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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CiviTex por Luan Zuchi

Por José Carlos Francisco

De Luan Carlos Zanatta Zuchi, morador no Rio Grande do Sul, Brasil, um local de forte colonização italiana, recebemos esta bela homenagem dedicada a Fabio Civitelli (para aproveitar a extensão completa da imagem, clique na mesma), autor que teve o prazer de conhecer pessoalmente no decurso da Gibicon nº 0, realizada o ano passado na bela cidade brasileira de Curitiba :

Luan lê Tex desde os seus 8 anos, tendo 16 no presente. Começou a lê-lo por influência do seu padrinho, que possuía uma vasta colecção, inclusive com edições raras. Primeiramente atraído pela bela arte de Galep, pois ele já começava a traçar os seus desenhos e queria “copiar” os desenhos de Galep. Porém, afirmou-nos que a sua paixão de hoje por esta mítica personagem criada por G. L. Bonelli não existiria se as histórias não fossem tão talentosamente “tramadas” precisamente por Papa Bonelli, mas para conhecer melhor o pard Luan Zuchi não deixe de ler a entrevista que este valoroso fã e coleccionador de Tex, com jeito para o desenho, nos concedeu e que publicaremos muito em breve!

Fabio Civitelli e Luan Zuchi na Gibicon nº 0 em Curitiba, 2011

As Leituras do Pedro: Dampyr #147 – Tributo di Sangue

As Leituras do Pedro*

Dampyr #147 – Tributo di Sangue
Giovanni Eccher (argumento)
Maurizio Dotti (desenho)
Sergio Bonelli Editore (Itália, Junho de 2012)
160×210 mm, 100 p., pb, brochado, mensal
2,90 €

Resumo

Em viagem de turismo pelo Norte de Portugal, Maud, durante uma visita a umas caves de vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia, avista um fantasma que parece querer entrar em contacto com ela.

Abalada pela experiência chama Harlan Draka (Dampyr) para investigar o fenómeno, o que os levará até Miranda do Douro e ao confronto com um velho conhecido.

Desenvolvimento

Se a trama e a génese desta história já foram suficientemente dissecadas no anúncio prévio da sua publicação e nas entrevistas a Giovanni Eccher e Maurizio Dotti, confesso que a sua leitura foi uma agradável surpresa.

Desde logo porque a localização da trama em Vila Nova de Gaia e em Miranda do Douro não foi um mero capricho “turístico”, mas faz todo o sentido na forma como a história se desenrola, havendo uma muito conseguida apropriação de algumas das especificidades físicas (caves, zona ribeirinha, eléctrico #1 para o Infante…) e históricas (vinhos, perseguições da inquisição, dialecto mirandês…) dos locais para o desenvolvimento da narrativa.

Que, como é normal na série, é uma história de terror, que tem por base as perseguições aos judeus pela inquisição portuguesa no século XVI, construída de forma competente e bem balizada, com alguma acção mas em que predomina o terror psicológico e um clima de ansiedade que acaba por contagiar o leitor.

Graficamente, Dotti, embora “queixando-se” de ter apenas trabalhado a partir de fotografias, cumpre com distinção a sua missão, não fazendo da banda desenhada uma colectânea de bilhetes-postais mas tornando perfeitamente reconhecíveis os locais escolhidos como cenário da acção (ribeira de Gaia, ponte Luiz I, caves, Miranda do Douro, zona vinhateira) e credíveis os que recriou com base em (outros) elementos reais, como acontece com o fictício Mosteiro de Madalena.

A reter

– O equilíbrio entre os factos e locais reais e a narrativa ficcionada, que resulta numa história interessante e credível.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

Festcomix 2012: Moreno BURATTINI deve acompanhar Fabio CIVITELLI ao Brasil

BOMBA! BOMBA!

A Mythos Editora – que adora testar o coração de seus queridos leitores – vai proporcionar mais um evento cheio de retumbantes emoções e alegrias a todos os texmaníacos e demais bonellianos do Brasil.
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Durante o próximo Festcomix (19 a 21 de Outubro/2012, em São Paulo) a editora paulista lançará mais um livro do grande Mestre Fabio Civitelli, um dos mais longevos – há já mais de 25 anos! – e aclamados desenhadores actuais do ranger. Trata-se de uma obra de 200 páginas p/b, formato 29 x 29 cm, com cerca de 100 desenhos inéditos desse fantástico ilustrador.

“O Meu Tex” de Fabio Civitelli

E claro que o próprio Fabio Civitelli estará presente para autografar o livro e conversar com todos os seus fãs. Além disso, a Mythos Editora  lançará também, no mesmo evento, o Tex Gigante nr. 27, com a história inédita A Cavalgada do Morto, de Mauro Boselli e Fabio Civitelli.

Fabio Civitelli retorna, em Outubro, ao Festcomix

Como se não bastasse, ainda deverá estar presente, para júbilo de todos os zagorianos, ninguém menos que o editor italiano e roteirista de Zagor, o genial e simpaticíssimo Moreno Burattini, que terá o prazer de autografar o seu livro Os Muros de Jericho e o seu belíssimo e inédito Zagor Gigante nr. 2, para além de também autografar o livro “O Meu Tex” (é este o nome da obra cujo lançamento ocorrerá no próximo Festcomix), uma vez que Moreno Burattini, a par de Fabio Civi­telli, Ser­gio Pigna­tone e Gio­vanni Battista Ver­ger, também é o autor de inúmeros textos da obra civitelliana.

Moreno Burattini deve acompanhar Fabio Civitelli ao Festcomix, para apresentar o seu belíssimo e inédito Zagor Gigante nr. 2

Os textos de Moreno Burat­tini e as ilustrações do artista aretino tornam possível uma fascinante viagem através do mundo criado por Gio­vanni Luigi Bonelli e Aure­lio Gal­lep­pini e seus sucessores: do Oeste da aventura ao mundo dos índios, das desoladas paisagens do deserto às sugestivas terras geladas do grande Norte.

“O Meu Tex” será um marco no mundo editorial das histórias em quadradinhos do Brasil

Ser­gio Pigna­tone, editor do livro na Itália, publicado com o selo da prestigiada Little Nemo, também comparecerá ao Festcomix, abrilhantando ainda mais o evento que se realizará na Avenida Paulista.

Por isso, fiel leitor Mythosiano, marque aí no seu calendário esse compromisso. Não seja louco de perder essa oportunidade de ver e tocar os seus ídolos. Afinal, a vida é curta, e momentos excepcionais como esses são bem raros.

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