“Atrás da porta fechada…” – Homenagem de Mauro Boselli a Sergio Bonelli

Texto de Mauro Boselli *

Atrás da porta fechada…
os jacarés entalhados,
as estatuetas tribais, as fotos
da Amazónia,
as pilhas oscilantes de papel…
Os quadros nas paredes: os quadros
de Alberto Martini, de Dino Buzzati,
os naif, os oníricos, os visionários inquietantes…
E as garotas elegantes,
de Crepax, Manara, Molino…
E os juke-box: Wurlitzer, de nogueira com detalhes coloridos,
com as canções francesas, a bossa nova, Trenet,
Jobim, Stan Getz, Billie Holiday…
E os quadradinhos! Os quadradinhos…
Os Anos Trinta, Nerbini,
o Vittorioso, o Audace…
E à mostra, nos corredores:
Johnny Hazard, Brick Bradford,
Vírus, o mago, Mickey Mouse jornalista,
os heróis da infância, das longas férias na Ligúria…
As sombras sem paz
dos quadrinhistas que se foram,
Pratt, Battaglia, D’Antonio… Os quadros
com as corridas de touros, a sala de reuniões,
com as páginas espalhadas,
as cartas
a responder, os livros…
As salas cheias de livros,
de livros, de livros…
Sobre o Oeste, sobre a América,
o cinema, as viagens, as ilustrações,
os romances dos amigos, nos quais procurar erros…
Os velhos filmes de caubóis,
o jazz no bairro Navigli, os jornais
embaixo do braço pela manhã,
os cineclubes misteriosos, os bares
alternativos e os restaurantes elegantes,
os almoços, os jantares… E inúmeros
os encontros, os telefonemas, os apertos de mão, as histórias…
o Brasil, o Saara, a Espanha e
os passeios no rio Pó…
Tudo isso ainda existe?
Ainda pode existir, agora
que Sergio não está aqui?

* Tradução e adaptação de Júlio Schneider

Sergio Bonelli (2 de Dezembro de 1932 – 26 de Setembro de 2011)

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“Dietro la porta chiusa…” – Omaggio di Mauro Boselli a Sergio Bonelli

Testo di Mauro Boselli

Dietro la porta chiusa…
gli alligatori intagliati,
le statuette tribali, le foto
dell’Amazzonia,
le pile pericolanti di carta…
I quadri sui muri: i quadri
di Alberto Martini, di Dino Buzzati,
i naif, gli onirici, i visionari inquietanti…
E le donnine eleganti,
di Crepax, Manara, Molino…
E i juke-box: Wurlitzer, di radica e intarsi a colori,
con le canzoni francesi, la bossa nova, Trenet,
Jobim, Stan Getz, Billie Holiday…
E i fumetti! I fumetti…
Gli Anni Trenta, Nerbini,
il Vittorioso, l’Audace…
E in vista, nei corridoi:
Johnny Hazard, Brick Bradford,
Virus il mago, Topolino giornalista,
gli eroi dell’infanzia, delle lunghe vacanze in Liguria…
Le ombre senza pace
dei fumettari scomparsi,
Pratt, Battaglia, D’Antonio… I quadri
con le corride, la sala riunioni,
con le tavole sparse,
le lettere
a cui bisogna rispondere, i libri…
Le stanze piene di libri,
di libri, di libri…
Sul West, sull’America,
il cinema, i viaggi, le illustrazioni,
i romanzi degli amici, su cui cercare gli errori…
I vecchi film di cowboys,
il jazz sui Navigli, i giornali
sottobraccio al mattino,
i cineclub misteriosi, i locali
alternativi e i ristoranti eleganti,
i pranzi, le cene… E così tanti
gli incontri, le telefonate, le strette di mano, i racconti…
il Brasile, il Sahara, la Spagna e
le gite sul Po…
Ci sono ancora?…
Possono esserci ancora, adesso
che Sergio non c’è?

Sergio Bonelli (Milano, 2 dicembre 1932 – Monza, 26 settembre 2011)

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Na data do 1º aniversário do seu falecimento: SERGIO BONELLI nas palavras (e nas recordações) de José Carlos Francisco

Falar de Sergio Bonelli é lembrar de uma pessoa especial a qual tive o grande prazer, mas sobretudo o grande privilégio, de conhecer pessoalmente.

Um homem extremamente inteligente, educado, companheiro e acima de tudo, uma pessoa sempre preocupada com os outros, como várias vezes o provou comigo mesmo, escrevendo-me ou telefonando-me (ou até mesmo convidando-me a viajar até à sua bela Itália) “apenas” para conversarmos sobre as nossas amadas personagens de papel, mas também para saber se estava tudo bem comigo e com a minha família.

Um escritor e um editor que amava o que fazia e que tinha prazer em comparecer aos eventos relacionados com a banda desenhada para falar da editora e das suas personagens e onde passava para todos a importância da leitura quadrinhística. Sergio Bonelli era um ser iluminado que seguramente deixou saudades a todos que o cercavam e sempre será lembrado pelo ser humano que era e pelas suas obras.



Do seu acervo, posso falar com certeza, que são histórias incríveis que nos fazem viajar pelos lugares que ele tão bem descreve, sobretudo as contadas em Mister No. Ele tinha uma maneira diferente, única mesmo, de contar histórias com muita criatividade, cheias de magia e diversão, de mostrar o mundo, de expressar os seus sentimentos.

Pessoalmente recordo com eterna saudade aquele longínquo domingo, dia 15 de Setembro de 2002, em que na companhia do editor Dorival Vitor Lopes e do tradutor Júlio Schneider, no hotel Berna em Milão fui apresentado a Sergio Bonelli e logo aí nasceu uma empatia difícil de explicar por palavras. Foi um momento inolvidável em que o tempo passou muito depressa (pois tantos foram os motivos de conversa, muitas as curiosidades a saber por mim) e que ficou registado para todo o sempre na minha memória, estar ali frente a frente com o grande editor italiano fazendo perguntas e ele dispondo-se a responder de forma muito simpática e prolongada, perguntas relacionadas com a sua história de argumentista e editor, com a razão de ser da sua editora, ou até com pormenores que poderiam ser insignificantes para muitos, mas que muito me honraram. E ele próprio fazendo-me perguntas… falando das edições Bonelli na Itália, no Brasil e em Portugal, dos seus roteiros, dos seus colaboradores na editora, onde se incluíam principalmente os argumentistas e os desenhadores, da obra de seu pai, enfim foi um domingo de sonho já que a conversa prosseguiu num épico jantar e em que após o mesmo fomos passear a pé pelas ruas do centro de Milão, num passeio nocturno muito agradável no qual Sergio Bonelli revelou inclusive a história daquela parte da cidade, onde estão concentradas as principais lojas e escritórios de moda. Conhecemos as ruas Sant’Andrea, Spiga, Borgospesso e Monte Napoleone que formam o Quadrilátero de Ouro, onde estão localizadas as mais famosas e caras lojas de griffes italianas, como Armani, Valentino, Versace, Fiorucci e outras.

Aquela viagem de sonho era mais que um sonho, era real e, ainda por cima, eu estava a viver um momento ímpar e exclusivo: ter o mítico Sergio Bonelli como guia num passeio nocturno em Milão. E mal sabia eu que o melhor ainda estava por vir! É que no dia seguinte aquando da visita à editora, após Sergio Bonelli saber que sendo eu português, tinha toda a colecção brasileira de Tex, ofereceu-me integralmente uma colecção italiana do Ranger prometendo inclusive que a partir desse dia eu receberia tudo do Tex que fosse publicado, promessa essa que foi sempre cumprida nos anos que se seguiram, tal como foi crescendo a nossa amizade, uma amizade tão magnificente entre dois homens de gerações e origens diferentes, unidos pela mesma devoção a coisas simples e sem mácula como podem ser, afinal, os quadradinhos e os heróis que os povoam.

Sergio Bonelli nunca será esquecido e as suas histórias de banda desenhada jamais deixarão de ser lidas… ele sempre estará presente em nossas vidas, quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos. Sergio Bonelli teve o poder de escrever aventuras que nos envolvem da primeira até a última página, tornando-se um autor único e imortal, uma verdadeira LENDA!

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SERGIO BONELLI nelle parole e nel ricordo di José Carlos Francisco

Parlare di Sergio Bonelli significa ricordare una persona speciale che ho avuto il grande piacere, soprattutto il grande privilegio, di conoscere personalmente.

Un uomo estremamente intelligente, educato, cameratesco, una persona umile che si preoccupava per gli altri. Ricordo le volte che mi scriveva o mi telefonava “soltanto” per fare una chiacchierata sui nostri amati personaggi di carta o semplicemente per avere notizie su di me e la mia famiglia.

Uno scrittore e un editore che amava ciò che faceva, un uomo che non disdegnava di partecipare alle varie manifestazioni dedicate al fumetto per parlare della sua Casa editrice e dei suoi personaggi. Dove andava, riusciva a trasmettere l’importanza della lettura dei fumetti.

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Posso parlare della sua produzione: sono storie incredibili che ci fanno viaggiare con la fantasia nei luoghi che descrive, specie quelli raccontati in Mister No. Aveva un modo diverso, addirittura unico, di raccontare creativamente storie piene di magia e di avventura, in cui oltre a mostrare il mondo, esprimeva i suoi sentimenti.

Personalmente ricordo con infinita nostalgia quella lontana domenica del 15 settembre 2002, quando in compagnia dell’editore Dorival Vitor Lopes e del traduttore Jùlio Schneider, all’hotel Berna di Milano, gli fui presentato. Immediatamente nacque tra noi un’empatia difficile da spiegare con le parole. Fu un momento indimenticabile. Il tempo passò velocemente (e tanti furono i temi della conversazione e le mie curiosità da soddisfare), ma conserverò per sempre nella mia memoria quel stare davanti al grande editore italiano a porgli delle domande, e lui a rispondere con tanta disponibilità e tanta simpatia. Ricordo in particolare le domande sulla sua vita di soggettista, sceneggiatore ed editore, quelle sul successo della Casa editrice, ma anche i quesiti più futili, che potrebbero apparire insignificanti a molti, ma che per me non sono certo banali. E lui, Sergio, che mi chiedeva e mi parlava delle edizioni Bonelli in Italia, in Brasile ed in Portogallo, delle sue sceneggiature, dei suoi collaboratori, compresi gli sceneggiatori ed i disegnatori, oppure dell’opera di suo padre Gianluigi. In definitiva fu una domenica da sogno! La conversazione terminò con una cena epica e una successiva passeggiata per le vie del centro di Milano, una passeggiata notturna assai gradevole durante la quale Sergio ci parlò di quella parte della città in cui sono concentrati la maggior parte degli uffici e dei negozi alla moda, le vie Sant’Andrea, Spiga, Borgospesso, Montenapoleone, che formano il quadrilatero d’oro in cui sono localizzati i negozi delle griffes italiane più famose (e care) come Armani, Valentino, Versace, Fiorucci…

Quel viaggio da sogno, per me più di un sogno, era la realtà e stavo vivendo un momento unico ed esclusivo: avevo il mitico Sergio Bonelli come guida in una passeggiata notturna a Milano! E ancora non sapevo che il meglio sarebbe dovuto venire! Già, perché il giorno dopo, durante la visita alla Casa editrice, quando Sergio seppe che, essendo io portoghese, avevo tutta la collezione brasiliana di Tex, mi fece omaggio dell’intera collezione italiana del Ranger, promettendo inoltre che da quel momento avrei ricevuto qualunque cosa fosse pubblicata su di lui, promessa mantenuta negli anni a venire, mano a mano che la nostra amicizia cresceva. Un’amicizia bellissima fra due persone di diverse generazioni ed origini, ma unite dalla stessa devozione per le nuvole parlanti e gli eroi immaginari che le popolano.

Sergio Bonelli non sarà mai dimenticato, le sue storie a fumetti saranno lette sempre. Egli sarà sempre presente nelle nostre vite di bambini, adolescenti e adulti. Perché ha avuto il potere di scrivere avventure che coinvolgono dalla prima all’ultima pagina e che ne fanno un autore unico ed immortale, una vera e propria LEGGENDA!

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