O gigante, talentoso e incansável Bira Dantas

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Por Ezequiel Guimarães

O dia: 15.
O mês: Fevereiro.
O ano : 2012.

Pela manhã, lá vou eu pegar a estrada em direcção a uma das maiores cidades, senão a maior, do interior paulista: Campinas, que dista em torno de 80 km da cidade de São Paulo (capital do Estado com o mesmo nome), para fazer uma visita ao afamado, conceituado e premiado artista Bira Dantas, cujo trabalho considero admirável.

Uma de suas produções mais conhecidas (e paixão) é a caricatura. Esse tipo de produção artística, a criativa “deformação” das pessoas retratadas sempre me atraíram (tanto as deformações de carácter homenageatório – característica do trabalho de Bira, como as deformações com conotação satírica, notadamente sobre a área política). É um talento que poucos possuem para realizar, e mais difícil ainda ser um trabalho de notável qualidade (e mestre Bira tem esse talento de sobra).

Esse tipo de trabalho comecei a admirar inserido em charges e cartuns no saudoso Folhetim, na década de 70 do século passado. Ele era um suplemento inserido nas edições dominicais do jornal Folha de S. Paulo, e trazia trabalhos magistrais de grandes nomes do género, como Jota e Fortuna (isso em sua fase inicial e mais popular, apesar do conteúdo político. Depois começou a ficar mais intelectualizado e com extensos artigos económicos e políticos, perdendo o charme dos velhos tempos).

Muitos leitores habituais deste blogue conhecem apenas essa faceta caricaturista do Bira, já que ele realiza caricaturas fantásticas dos autores italianos entrevistados aqui no blogue, sendo que em cada entrevista publicada no Blogue do Tex, já se tornou uma marca registada e um atractivo à parte as belíssimas caricaturas do Bira. Tanto que na Itália os que vão ser entrevistados já perguntam sempre ao José Carlos (co-criador e co-gestor deste blogue) se a entrevista vai realmente ter a caricatura deles, pois fazem questão e esperam com ansiedade serem caricaturados pelo grande Bira.

Isso demonstra a qualidade do trabalho de Bira Dantas, pois conseguiu despertar grande interesse até nos mestres italianos da arte sequencial, renomados autores texianos.

Mas não é só a caricatura que recebe as mãos mágicas de Bira, pois ele tem um extenso currículo, e é um prolífico multi funcional profissional: além de caricaturista, é chargista, ilustrador, argumentista e roteirista.

Foi desenhador da famosa revista em quadradinhos “Os Trapalhões” (da Bloch Editores), tem vários trabalhos publicado pela Escala Educacional, como as adaptações literárias em quadradinhos Memórias de um Sargento de Milícias, Dom Quixote (que lhe rendeu um HQMix) e O Ateneu, bem como diversos outros trabalhos, actuando inclusive na área de material político, com belíssimos desenhos.

Também tem exposto os seus trabalhos rotineiramente em várias partes do mundo, inclusive chegou a participar de uma mostra exclusiva de personagens catalãs em Barcelona. Também desfila a sua arte pelos sindicatos dos quais é contratado: Sinergia, Sindipetro e Sindae.

Além de tudo isso, ainda sobra tempo para dar aulas!! Haja fôlego!!! Ele se preocupa em passar o seu talento e conhecimento às novas gerações, sendo professor de charge, cartum e caricatura na Escola de Arte Pandora, na cidade que reside, Campinas (o telefone para contactos é 3234-4443).

Com essa vasta experiência profissional (e de alta qualidade), Bira é também um profissional multi-premiado (como não poderia deixar de ser): já recebeu o título de Mestre no prémio Angelo Agostini, bem como vários HQMix. Além de várias outras premiações internacionais, em vários países como Turquia, China e Sérvia.

Todo esse reconhecimento vem da alta qualidade do trabalho, qualidade que tem um segredo simples: a paixão!!

Sim, a paixão que Bira tem no que faz. Ele é tão apaixonado por seu trabalho, que em suas viagens internacionais, não perde a oportunidade de conhecer o trabalho de outros colegas de profissão. Já esteve na Holanda, Inglaterra, Escócia, e Coreia, e sempre foi ver de perto o que estava sendo produzido nesses locais. E o que também já havia sido produzido, pois não deixou de visitar os afamados Museu do Cartum em Londres, e o Scottish Museum, em Edimburgo, na Escócia, por exemplo.

Ele recebeu-me simpaticamente em sua residência e logo com um tradicional e saboroso café, e de pronto começamos uma saborosa conversa sobre cartuns, charges, quadradinhos,etc. Bira é um profundo conhecedor e tem muitas histórias a contar.

Entre tantas que citou, por exemplo, contou que quando foi desenhador da famosa revista aos quadradinhos “Os Trapalhões” da Bloch Editores, ele realizou uma história satirizando os super-heróis norte-americanos, e devido a algumas cenas e algumas palavras, a história foi censurada (estávamos ainda sob a ditadura militar) e, ele teve que refazer o trabalho, para conseguir receber (embora não quisesse mudar nada do que tinha criado).

E mais acima nesse texto escrevi da premiação que ele recebeu na Sérvia. Pois bem, ele relatou que o  correcto para se escrever é Serbia. Bira contou que os sérvios (ou melhor serbios) detestam que os brasileiros os chamem com “v” e não correctamente com o “b”.

Também pude apreciar o mestre trabalhando no computador. Ele usa Photoshop, mas em apenas um layer, e não vários layers como muitos outros fazem. Ou seja, ele prefere tela única, fazendo “na unha” toda a cena, e não seleccionando cada elemento.

Antes, porém, como já sabia de antemão que ele era apreciador do traço do mestre Galep, presentei-o com uma história do criador gráfico de Tex que não havia saído no Tex regular no Brasil por nenhuma editora, e só chegou a sair quando surgiu a série Tex Ouro, precisamente o número 10.

Bira também é apreciador do mundo de Águia-da-noite, mas compra Tex analisando antes nas bancas os traços que compõem as imagens.

Também é apreciador de Mágico Vento, e no processo de compra, faz o mesmo procedimento de análise das imagens, antes de efectuar a compra propriamente dita (gostou muito também de outra produção bonelliana, uma das magistrais criações de Cláudio Nizzi: Leo Pulp. E teve a incrível ideia de sugerir, durante o evento Quadrinhos ´51 em São Paulo, uma edição com um Tex caricaturado – que esperamos que um dia possa existir uma edição fora-de-série assim, por que não?).

Outro grande desenhador texiano apreciado por Bira é o mestre E. Nicolò, que ele actualmente aprecia nas edições quinzenais de Tex Coleção. E citou, sabiamente, que muitos esquecem do mestre Nicolò, nas citações de grandes desenhadores texianos pela web afora. Citou que Nicolò tem um estilo fotográfico, que lembra José Luis Salinas, de Cisco Kid, embora esse tenha um componente caricatural nas personagens. Citou também que, além de Nicolò e Salinas, Magnus também consegue desenhar as personagens proporcionalmente exactas, independente da posição, ângulo, que a personagem estiver.

Por exemplo, o mesmo nariz, a mesma distância entre nariz e queixo, etc. (em ângulos variados). Algo que muitos não conseguem (mesmo outros afamados desenhadores).

Em dado momento Bira surpreendeu-me, pois após sair do recinto, retornou tocando sua gaita!! E tocou extremamente bem!! Tive o prazer de ser o único ouvinte da uma bela canção!!!!

Também tive o prazer de conhecer o Estúdio Bira Dantas (ele trabalha em dois locais: na própria residência, e no estúdio, que é anexo à residência), e as preciosidades que vem desenvolvendo no momento: está trabalhando em duas BDs: uma sobre Zumbis no velho oeste, com roteiro de Leonardo Melo (do Quarto Mundo), e também numa adaptação da famosa e clássica Ilíada (de Homero), onde inclusive o roteiro é dele. Tive o prazer de ver os belíssimos esboços e teste de rosto das personagens. Além de ver também a galeria de troféus internacionais de Mestre Bira (e sua colecção de revistas de banda desenhada e DVDs!!!).


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E tive o prazer de receber das mãos do Bira um valiosíssimo presente: uma caricatura minha com Tex (que inseri como meu avatar na revista Mundo dos Super-Heróis)!

E não perdi a oportunidade de também colher seu autógrafo na belíssima caricatura que ele fez do conceituado Fabio Civitelli (que foi feita para a entrevista que o autor texiano concedeu ao Blogue do Tex). Essa caricatura já contava com os autógrafos do caricaturado (Fabio Civitelli), do gestor do blogue para o qual ela foi feita (José Carlos), faltava somente a do autor da caricatura (Bira Dantas), que felizmente agora não falta mais.

Além dos predicados do visitado que coloquei no início do texto, posso acrescentar agora também, o simpático, o gentil, o bom de “prosa” (como diriam os antigos),  Bira Dantas.

Muito obrigado mestre Bira, pela recepção e pelos presentes, e espero futuramente acertar uma segunda visita para nos aprofundarmos nos diversos assuntos pertinentes ao mundo ilustrado, pois o Bira tem muito a nos contar e a nos ensinar. E disponibilizarmos também para os leitores do blogue, belas canções executadas pelo Bira na gaita!!!!

Post-scriptum: Para o texto dessa matéria não ficar muito longo e cansativo, alguns assuntos foram abordados superficialmente. Então para visualizar (e ler textos sobre) obras, exposições e viagens citadas nessa matéria (além de outras magistrais obras do Mestre Bira), continue lendo sobre Bira, acessando:

CARICATURAS
http://caricasdobira.blogspot.com
http://www.caricascartunescas.blogger.com.br
http://www.raBIsqueiRA.blogger.com.br
CHARGES
http://chargesbira.blogspot.com
BD
http://domquixotehq.blogspot.com
http://www.braziliancomics.blogger.com.br
http://www.paginasnonsense.blogger.com.br
http://quadrinhosbira.blig.ig.com.br
VÁRIOS
http://bira.nafoto.net
http://biradantas.zip.net
http://www.flickr.com/photos/33172661@N00
http://rabisqueira.blig.ig.com.br

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Crítica: “Terras Malditas” – Tex nº 476 – Mythos Editora, Junho 2009

Por André Azevedo [1]

Tex nº 476
Argumento: Mauro Boselli
Desenho: Alfonso Font
114 páginas, p/b, formato 13,5 x 17,5 cm
Junho de 2009, Mythos Editora
Publicada originalmente em Tex 573, Julho 2008, Sergio Bonelli Editore, Itália

Este número de Tex é um bom exemplo do porquê das aventuras do Ranger se publicarem continuamente há mais de 60 anos e ter tantos seguidores na Itália, seu país de origem, no Brasil e em Portugal, incluindo eu.

A começar desde já pela capa de Claudio Villa, um dos melhores desenhadores de Tex, que ilustra na perfeição o titulo desta aventura. Nas 110 páginas de “Terras Malditas”, que se lêem a correr, Boselli consegue inovar conceitos já muito utilizados nos westerns: um advogado, Lyman, é perseguido por foras-da-lei nas desoladas Indian Plains em Oklahoma, e no percurso, inocentes são envolvidos na trama. Tex aparece aqui como um anjo da guarda implacável, sempre alerta e que raramente comete erros.

Os diversos intervenientes, incluindo o vento quase sempre presente, vão sendo introduzidos de forma enigmática e é ao longo da história que vamos percebendo o seu papel no desenrolar dos acontecimentos, e mesmo que por vezes sejam personagens algo estereotipadas, este facto é usado com inteligência por Boselli.

Na arte Alfonso Font, autor espanhol bem conhecido dos leitores portugueses, brilha no desenho das paisagens, ora num pôr-do-sol antecipando um tiroteio, ora nas cenas nocturnas. O seu Tex é seguro, quase inexpressivo, num desenho que não se poupa nos pormenores, mas onde o tamanho em que infelizmente são publicados não faz jus à sua qualidade.

Nas últimas dezoito páginas a acção sucede-se num ritmo vertiginoso e no fim, no meio de mais um tiroteio, a chegada de um tornado ameaça levar tudo e todos pelo ar. E agora Tex?

Como se pode constatar as minhas leituras de Tex estão atrasadas, pois entretanto já apareceram os números 477, 478, 479 e 480.

Com a suspensão da distribuição das revistas da Sergio Bonelli em Julho devido à mudança de distribuidora para Portugal, agora será a VASP – Distribuidora de Publicações Lda, a Mythos Editora tinha anunciado que a partir de finais de Setembro, inícios de Outubro as revistas de Tex voltariam às bancas nacionais.

Eis os números anunciados: Tex nº 481, Tex Coleção nº 273, Tex Ouro nº 51, Tex Edição Histórica nº 81 e Tex Férias nº 10.

Espero que tudo se resolva rapidamente!

[1] (Texto publicado originalmente no Blogue “BD no Sótão“, em 30 de Setembro de 2012)

Gibicon nº 1, por Vander Dissenha

Por Vander Dissenha[1]

Estive em Curitiba participando da Gibicon nº 1, uma feira de quadradinhos. O ano passado aconteceu a Gibicon nº 0, que foi um evento experimental e que devido ao sucesso parece que será permanente daqui para frente. Desta vez pude rever alguns amigos que também gostam de quadradinhos e fazer novos amigos.

Participei de eventos relacionados somente aos quadradinhos italianos da Editora Bonelli, que são os meus favoritos. Participei de uma palestra sobre os quadradinhos Bonelli na Itália e visitei uma mostra dedicada ao editor Sergio Bonelli, que faleceu o ano passado. Também participei de uma homenagem ao Sergio Bonelli. Essa homenagem foi meio que uma palestra onde pessoas que conheciam o Sergio Bonelli falaram sobre ele, contaram histórias que viveram junto com ele. Um momento emocionante foi quando o Júlio Schneider (tradutor das revistas Bonelli no Brasil) ao contar sobre a sua amizade com o Sergio Bonelli, acabou se emocionando e chorando.

O argumentista italiano Moreno Burattini também esteve presente nessa homenagem e mostrou num telão fotos do Sergio Bonelli, inclusive a última foto que ele tirou (ao menos se acredita que seja a última!), durante uma feira de quadradinhos na Itália, dias antes de morrer. O último evento Bonelliano de que participei na Gibicon, foi assistir a um documentário sobre o Sergio Bonelli. Esse documentário, com pouco mais de meia hora de duração, foi feito na Itália em 2010.

Fora os eventos relacionados às personagens Bonelli, dei uma rápida olhada pelos vários stands da Gibicon e comprei algumas revistas (Bonelli é claro!). Uma revista especial que comprei na Gibicon, foi o Zagor Gigante nº 1. Além de Zagor ser a minha personagem favorita de banda desenhada, esse Zagor Gigante nº 1 traz publicado em suas contracapas os nomes de cem leitores de Zagor, inclusive o meu nome. E aproveitei para pegar o autógrafo do Moreno Burattini nessa revista, pois foi ele que escreveu a história publicada nesse Zagor Gigante.

Além do argumentista italiano Moreno Burattini, também estiveram presentes na Gibicon, outros dois italianos que trabalham para a Editora Bonelli. Um deles eu já conhecia, pois esteve no Brasil nos dois últimos anos. Trata-se do simpático desenhador de Tex, Fabio Civitelli. E o outro italiano foi o Roberto Diso, que também é desenhador da Editora Bonelli, mas dedica-se mais à personagem Mister No. Foi uma experiência gratificante ter contacto com estes três simpáticos italianos, que trabalham na criação de personagens de quadradinhos que leio e acompanho há mais de trinta anos.

O ano passado também estive na Gibicon e este ano deu para perceber que o evento aumentou e ficou mais organizado. Mas tamanha organização acabou atrapalhando em alguns momentos! Um exemplo foi no sábado pela manhã, no Paço da Liberdade. As oficinas e palestras estavam marcadas para começar às 10 horas, mas antes desse horário não permitiam que ninguém entrasse no prédio. Somente após as 10 horas é que todos puderam entrar e formar filar para pegar convites para as quatro palestras e oficinas que aconteceriam no mesmo horário. O chato é que do lado de fora tivemos que formar fila sob um sol escaldante.

Outra pisada na bola da organização foi marcarem várias palestras no mesmo local e no mesmo horário. Isso fazia com que os participantes tivessem que escolher somente uma palestra, quando muitos queriam ver todas as palestras. O resultado foi que muitas palestras ficaram com pouco público. Se fizessem as palestras em horários diferentes, com certeza todas elas teriam um maior público presente.

E outra reclamação geral foi com relação às senhas para autógrafos. Teve um dia que distribuíram 30 senhas para determinados artistas e no dia seguinte somente 15 senhas. Isso fez com que muitas pessoas ficassem sem conseguir senhas e sem conseguir os autógrafos que queriam. E teve casos de pessoas que ficaram na fila das senhas para autógrafos e perderam a palestra que queriam assistir, pois tiveram que escolher entre pegar a senha do autógrafo ou assistir à palestra.

E teve também casos de palestras onde precisava enfrentar uma fila para pegar a senha. E na hora da palestra não tinha ninguém para recolher tais senhas na entrada do local da palestra. E teve uma palestra onde um monte de gente entrou sem senha e o segurança que estava na porta não falou nada. Daí quando fui entrar o segurança barrou-me e pediu-me a senha. Por sorte eu tinha a bendita senha! Só não entendi o critério do segurança em pedir senha para uns e não pedir para outros. Ou seja, o negócio todo foi meio confuso e espero que no próximo ano o pessoal da organização dê uma melhorada no evento, pois senão fica difícil para quem participa. E vou pensar duas vezes antes de viajar 500 km para ir novamente à Gibicon!

[1]Texto de Vander Dissenha apresentado no blogue do Vander Dissenha em 1 de Novembro de 2012.
Adaptação a cargo de José Carlos Francisco.
Copyright: © 2012, Vander Dissenha

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A CARAVANA (poema de Jorge Magalhães para Sergio Bonelli)

Galleppini, Letteri, Fusco, Nicolò,
Nizzi, Ticci, Monti, Civitelli,
Blasco, Font, La Fuente, Ortiz,
Manfredi, Villa, Gamba, Repetto,
Marcello, Segura, Boselli, Venturi,
Castelli, Frisenda, Berardi, Milazzo,
foram seus companheiros de jornada.
Outros vieram, juntando-se à caravana,
imparável como as águas de um rio.
Até Davide, seu filho, o acompanhou
nessa longa rota aventurosa.
Houve baixas no grupo, mas nunca desistiram,
mesmo quando partiu um velho pioneiro,
o primeiro a apontar-lhes o horizonte…
o bravo Gianluigi!
Agora avançam sozinhos
pelas inóspitas trilhas,
recordando as etapas percorridas…
porque o seu chefe, de espírito destemido,
foi também abrir caminho
entre as estrelas!

Jorge Magalhães


Recordar Sergio Bonelli, por Antonio Mondillo

Há anos eu desejava conhecer Sergio Bonelli, várias vezes eu programei ir à redacção da rua Buonarroti, mas não fui. Até escrevi a Sergio há mais de dez anos, sem obter resposta. Até que, finalmente, em Março de 2010 Sergio veio a Nápoles quando da grande mostra Audace Bonelli. Eu saí às pressas do trabalho e, depois de quase perder o trem, cheguei a tempo para o encontro com Sergio e outros autores da Bonelli.

Depois de assistir, eu me apresentei e fiz-lhe algumas perguntas sobre os futuros autores dos Tex Gigantes, e depois perguntei se ele conhecia as minhas publicações. Imediatamente ele elogiou os dois livros que eu havia feito (Tex – Entre Mito e História e Guia Bonelli – Todas as Edições Estrangeiras) e mostrou uma particular surpresa pela volumosa obra sobre as edições estrangeiras, afirmando que nem ele se recordava de todas aquelas edições feitas no resto do mundo.


Ao final da sua participação, ele sentou-se na plateia, perto de mim, para ouvir os outros autores (Burattini, Castelli, Berardi, Ticci, etc.), quando foi tirada uma foto nossa. Continuamos a conversa e ele prometeu-me que logo falaria dos meus livros num editorial de Tex (e que saiu no Tex Tre Stelle n° 560, Setembro de 2010). Aquele momento foi inesquecível e eu sinto por não ter podido reencontrar esse homem de grande personalidade que marcou uma época.

Para mim, que considero os quadradinhos uma verdadeira forma de arte, Sergio Bonelli entrou a pleno direito entre os grandes da literatura italiana, criador de sonhos como o grande Emilio Salgari, com a diferença de que ele realmente visitou os lugares de suas narrativas. OBRIGADO, MÍTICO SERGIO!


Tradução e adaptação: Júlio Schneider

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