Sentieri di sangue (caminhos de sangue), para Tex!

Renova-se uma tradição verdadeiramente inevitável, para os fãs do Ranger Bonelliano: como sempre acontece a cada novo Outono, a Mondadori publicou neste mês de Novembro um novo volume de grande formato, com capa dura e inteiramente a cores, dedicado a Tex, naquela que muitos consideram a mais bela e luxuosa colecção de Tex, “Grandi libri” (“Grandes livros”) e que nasceu em 1975 pela Editoriale Cepim (a actual Sergio Bonelli Editore) com a publicação do primeiro volume, intitulado “Il mio nome è Tex” e que passou a ter uma periodicidade anual a partir de 1996, tornando logo desde o seu início como sendo uma verdadeira série para coleccionadores, enriquecida pelo formato grande (315 x 225), capa dura, artigos vários e sobretudo a inclusão das cores nas histórias originalmente publicadas a preto e branco pela editora Bonelli.


A publicação deste ano (cuja capa, desenhada por Andrea Venturi podemos ver mais abaixo a ilustrar este texto), intitula-se “Sentieri di sangue” (“Caminhos de sangue“) e contém duas aventuras originalmente publicadas na colecção “Almanacco del West“, datadas de 1996 e 2001, aventuras escritas por Claudio Nizzi e intituladas originalmente “L’uccisore di indiani” (“O matador de índios“) e “Missione a Sierra Vista” (“Missão em Sierra Vista“).

Entrevista com a fã e coleccionadora: Michelle Lima

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Michelle Lima: Bom, meu nome é Michelle Lima, nasci em Recife, Pernambuco em 16 de Agosto de 1990. Estou terminando o curso de Direito e adoro tocar guitarra.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Michelle Lima: Quando criança eu lia algumas histórias da Turma da Mónica, Zé Carioca e tal, mas nada que me fizesse realmente gostar de ler histórias em quadradinhos, pois eram coisas comuns que eu assistia directo na TV, nada empolgante, eram desenhos normais. Meu interesse mesmo começou quando conheci Tex.

E quando descobriu Tex?
Michelle Lima: Eu tinha na época uns 16 anos quando o meu pai apareceu com umas BDs diferentes em casa, que eu nunca tinha visto, ele comprou para ele mesmo ler. Passou um tempo e elas continuavam lá, foi quando eu decidi ler, achei diferentes das histórias que já tinha visto em outras revistas, eram em preto e branco e cheio de bang bang. Foi quando li as primeiras histórias do grande Tex Willer. A primeira foi o número 352 – O ouro do imperador, eram 5 revistas, que se seguiam até a 356- O retorno do Tigre Negro, essa edição tem o desenrolar da anterior, a 355- Um ranger em perigo, e já começa uma nova aventura com essa personagem que me chamou muita atenção desde o primeiro momento que dei de cara com aquela revista de faroeste. Como a história não terminava fiquei com muita vontade de ver o desenrolar da trama, mas como era uma história antiga ficou difícil achar nas bancas de revistas. Como não achava a continuação da história resolvi comprar as actuais que estavam saindo nas bancas. E volta e meia estou lá nas bancas de revista comprando as histórias em quadradinho dessa personagem que tanto gosto, Tex Willer.

Porquê esta paixão por Tex?
Michelle Lima: As histórias de Tex, trazem um escape da vida comum levada por muitos, traz à imaginação coisas que te levam a outro mundo, uma viagem com muita acção, humor e a coragem de Tex em enfrentar qualquer um que atravesse seu caminho rumo à justiça. Tex é emocionante, cheio de surpresas, passa por muitos caminhos, atravessa aldeias indígenas sempre muito respeitado por todos, o grande Águia da Noite, passa por Saloons, cidades fantasmas, povoados, etc., sempre com um ar sereno e muito respeitador, temido pelos mais maléficos bandidos. Quando se junta com seus companheiros e amigos, especialmente os três principais (Kit Willer, Jack Tigre e Kit Carson) é certeza de histórias que vão te fazer prender o fôlego até à última página e de que será uma viagem inesquecível. É isso que me faz gostar tanto de Tex.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Michelle Lima: Tex é uma personagem diferenciada das outras das histórias em quadradinhos, até mesmo daqueles dos filmes famosos de faroeste, onde havia muitos anti-heróis. Tex é um verdadeiro herói, mas diferenciado daqueles heróis criados em que você tem muita imaginação mas falta de realidade\humanização na coisa toda. Tex é humano, uma pessoa que não tem super-poderes, nem veio de outro planeta, mas uma pessoa comum com senso de justiça, sério, mas em muitas vezes engraçado, que busca aquilo que é certo e não tem medo de encarar autoridades ou bandidos para que a justiça seja feita. É preciso tanto com um colt, quanto com uma faca, ou até mesmo só com as mãos. Juntamente com os seus amigos de aventura, Tex demonstra que é esse diferencial que faz as pessoas ficarem fissuradas em suas histórias.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Michelle Lima: Tenho um total de 103 revistas de Tex, e que eu espero aumentar e muito esse número. Para falar a verdade, para mim e acho que para a maioria dos coleccionadores de Tex, é difícil dizer com precisão qual é a mais importante. Mas, vou tentar responder a essa pergunta. Uma revista muito especial para mim de Tex, é a do especial de 60 anos de Tex – Na trilha das recordações -, que é feita em papel especial, em cores, é uma história inédita e é uma história que traz à tona uma coisa pouco falada em suas histórias, que são as recordações de Tex da sua esposa Lilyth. Para mim essa é uma revista muito especial principalmente por ser da comemoração dos 60 anos de Tex.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Michelle Lima: No momento coleciono apenas os livros, o que já me traz uma alegria muito grande. E muitas viagens, à aldeias indígenas, várias cidades americanas e até canadenses 😉

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Michelle Lima: Acho que miniaturas do nosso Ranger seriam os objectos que eu gostaria de ter, e também  algumas revistas especiais com desenhos de Fabio Civitelli.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Michelle Lima: A minha história favorita de Tex é A Cidade Corrompida, de Tex Almanaque. É uma história que chama muito a atenção principalmente porque é recheada de pancadaria e muita explosão, bem ao estilo Tex. O desenhador que eu mais gosto é o Fabio Civitelli, na minha opinião o melhor desenhador de Tex, pois retrata-o com uma perfeição incrível, seus traços são claros e precisos e traz uma beleza inigualável a esse território de velho oeste. Civitelli é um desenhador que, desde a primeira história de Tex que eu li, desenhada por ele, eu percebi a grandiosidade desse desenhador que nos faz viajar ao ver as histórias de Tex com uma beleza inigualável que só Civitelli traz ao mundo do faroeste.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Michelle Lima: As histórias cheias de pancadaria e bang bang, também gosto muito do Kit Carson e suas famosas frases e as caras que faz quando Tex resolve enfrentar uma missão mais arriscada. É difícil dizer uma coisa que menos me agrada em Tex, ele é uma personagem incrível, mas talvez seja o facto de que muitas revistas não têm final, você tem que esperar um mês inteiro, de ansiedade, para saber o final da história.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Michelle Lima: Suas histórias são cheias de acção e emoção, com roteiros bem definidos. Tex traz em suas histórias um senso de justiça muito interessante, ele é uma personagem íntegra e respeitada por todos os que o conhecem, que busca sempre as coisas justas e certas, e mesmo que às vezes possa estar errado em seus métodos, ou só um pouco mais bruto, até devido à época em que vive, sempre está voltado para o bem. Sem maldade em seu coração, segue sempre recto pela estrada da vida, que vem cheia de acção, no caso de Tex.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Michelle Lima: Infelizmente não. Conheço algumas pessoas que já leram Tex quando criança, ou adolescência, mas não conheço, na minha cidade, colecionadores de Tex.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Michelle Lima: É um futuro promissor, pois muita gente está descobrindo este mundo do velho Oeste com Tex, já mostrei as histórias do nosso Ranger para alguns amigos meus e eles adoraram. Acho que Tex vai continuar nas bancas e no imaginário de muitas pessoas por muito tempo.

Prezada pard Michelle Lima, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Michelle Lima: Queria só pedir que na entrevista incluísse um agradecimento meu ao pard G. G. Carsan que foi quem nos apresentou! Conheci ele em João Pessoa e é um fã muito contagiante de Tex.

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Homenagem ao inoxidável G. G. CARSAN!

Por Sílvio Raimundo

Carsan, como gosto de chamá-lo, é fotógrafo de profissão, fã e divulgador de Tex, escritor e vez por outra lê os quadradinhos do Zé Carioca, personagem Disneyano editado no Brasil pela Editora Abril.

Misturei tudo isso neste desenho e o dedico ao meu Caro Amigo G. G. Carsan!

Zex Carsan, a homenagem de Sílvio Raimundo a G. G. Carsan

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Póster Tex Nuova Ristampa 194

Póster Tex Nuova Ristampa 194

Nesta nova ilustração da autoria de Claudio Villa vemos, numa noite de luar, Tex Willer avançando de arma em punho num cemitério, em plena Mountain Meadow, onde estavam sepultadas as vítimas de um terrível massacre cometido 20 anos antes contra uma caravana de pioneiros mórmones que rumava a Cedar City, contra um mascarado (Alwin Webb) que já estava a caminho da sua última viagem depois de mortalmente atingido…

Desenho usado no Brasil como capa de Grandes Clássicos de Tex #22 e inspirado na história “La grande minaccia” de Guido Nolitta e Aurelio Galleppini (Tex italiano #276 e #277).
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Texto de José Carlos Francisco