My name is Tex, de Graziano Romani

My name is Tex!

Por Sílvio Raimundo

My name is Tex!
Série
– CD conceitual dedicado à personagem Tex

Título
– My name is Tex
Produtor
– Graziano Romani
Compositor/Cantor
– Graziano Romani
Ilustrações
– Giovanni Ticci
Argumentistas das BDs do Livreto
– Nizzi, Nolitta e Graziano Romani
Articulistas –
Bonelli, Burattini, Boschi, Boselli e Graziano Romani
Editora –
Panini Comics

Graziano Romani é um cantor e compositor italiano nascido em ’59 na região da Emília, que fica ao Norte do País.

Dono de uma voz rouca e poderosa, que segundo a crítica especializada lembra os bluesmen do Sul dos EUA, é adepto dos géneros rock, soul e folk e, nas suas próprias palavras, um apaixonado por quadradinhos italianos – fã confesso de Zagor desde a infância – tanto o é que em parceria com o argumentista Moreno Burattini, já escreveu alguns livros para a série Lezioni di Fumetto da Coniglio Editore, mostrando a obra de alguns dos Mestres da SBE:

  • Gallieno Ferri – Una vita con Zagor – Coniglio Editore – ’09;
  • Giovanni Ticci – Un americano per Tex – Coniglio Editore – ’10;
  • Guido Nolitta: Sergio Bonelli sono io – Coniglio Editore – ’11.

Como não poderia deixar de acontecer, no ano de 2009 as paixões pela música e pelos quadradinhos finalmente se unem e desse encontro nasce o disco conceitual “Zagor king of Darkwood”, sempre pela Coniglio Editore. Para este projecto Gallieno Ferri cria a capa do disco e fornece várias outras ilustrações inéditas – incluindo a capa do livreto, que emula a do #100 de Zagor italiano, com a cena vista por outro ângulo – que são utilizadas no livreto que acompanha o vinil ou o CD.

Em 2011, novo projecto para outro CD conceitual, dessa vez dedicado ao justiceiro della camicia gialla, Tex Willer. O nome do projecto é My name is Tex e para auxiliar graficamente foi escalado o Mestre dos espaços abertos, Giovanni Ticci, de cuja arte Graziano é um apreciador.

O artista concebeu a capa do encarte do CD, a do livreto que o acompanha, fez uma aguarela que está no centro do encarte, cujo lápis ainda por finalizar foi usado para estampar o próprio CD, fez a arte do “cocho” do CD e da embalagem do conjunto e todas as três BDs do livreto são de sua autoria, sendo uma delas inédita.

O CD

O CD contém 13 faixas, sendo que quatro delas não são de autoria do Graziano Romani.

  1. My name is Tex;
  2. Goldeena;
  3. Carson;
  4. Texas Rangers;
  5. Mephisto;
  6. Red river Valley;
  7. So long, Lilyth;
  8. Showdown with El Muerto;
  9. Wait for the wagon;
  10. Streets of Laredo;
  11. Four brave riders;
  12. Quien sabe hombre?
  13. May name is Tex (reprise com variações na letra).

Durante a concepção do projecto o artista teve várias reuniões com Sergio Bonelli, inclusive com este sugerindo a inserção das músicas Texas Rangers, Red river Valley, Wait for the wagon e Streets of Laredo no CD. Em uma dessas reuniões Sergio Bonelli impressionou-se pelo facto de Graziano conseguir identificar pelo traço os autores dos desenhos emoldurados nas paredes do seu escritório.

Com arranjos belíssimos, letras fortes e interpretações emocionadas, este é um grande CD, que deve ser ouvido não apenas pelos que gostam ou conhecem a Personagem Bonelliana, mas, por quem aprecia música de qualidade. Pelos títulos de algumas canções, já de cara podemos notar que o artista não se restringe apenas ao universo Zagoriano, estando bem familiarizado com o Texiano.

O CD é permeado de folk, country, rock country, algumas belas baladas e até uma respeitável levada mexicana na canção em que homenageia El Muerto. A banda que o acompanha é muito boa e nas canções, como não poderia faltar nestes géneros musicais, temos muitas guitarras acústicas, acordeom, gaita, banjo e trompetes.

O Livreto

De todas as artes concebidas por Ticci para este projecto, a mais “pobre” é a que fora utilizada como capa do livreto. Apesar de mostrar um Tex imponente a segurar o seu Winchester tendo logo atrás algumas montanhas do que parece ser o Monument Valley, o fundo totalmente branco não valorizou a arte. O livreto é aberto por um belo texto escrito pelo saudoso Sergio Bonelli, intitulado Um filme para escutar, onde ele fala do seu amor pelas trilhas sonoras dos cult movie de faroeste e obviamente, do seu envolvimento com o projecto My name is Tex e o prazer de vê-lo/ouvi-lo pronto:

…aquilo que dele nasceu é verdadeiramente um álbum conceitual, um fascinante afresco narrativo (não apenas sonoro) no qual Águia da Noite, os seus fieis Pards, a sua amada Lilyth e até mesmo os seus piores inimigos parecem magicamente ganhar vida, come se fossem as personagens de um filme que ainda está sendo filmado, mas para o qual já está pronta a mais perfeita trilha sonora.

No rodapé desse texto tem uma nota da redacção da Panini, dando a Sergio Bonelli um afectuoso até breve, que partira justo no dia em que o livreto fora enviado à gráfica.

Para falar dos temas centrais abordados nas músicas do CD, os seguintes Srs. puseram-se à obra:

  • Moreno Burattini – Quatro bravos cavaleiros e Carson;
  • Luca Boschi – Mefisto e Lilyth;
  • Mauro Boselli – O Oeste em quadradinhos e A música no Velho Oeste;
  • Graziano Romani – “Quién sabe, hombre?”

Três mini BDs fazem parte do Livreto, todas ilustradas pelo Maestro Ticci:

  1. Morte no Deserto – ­De Nizzi e Ticci (recolorida para o projecto);
  2. Um quente entardecer – De Nolitta e Ticci (recolorida para o projecto);
  3. “Quién sabe, hombre?” – De Graziano Romani e Ticci (inédita, especialmente concebida para o projecto).

Curiosidade

Como fã de Zagor, Graziano Romani diz identificar-se muito com a personagem de Guitar Jim, talvez – segundo suas palavras – pelo facto de ambos gostarem de música, de guitarras e nunca ficarem muito tempo no mesmo lugar.

Assim, conspirou o destino para que, nas reuniões com a Panini Italiana para o projecto My name is Tex, enquanto avaliavam as histórias curtas e raras que possivelmente seriam publicadas no livreto, alguém propusesse de se escrever uma especialmente para o projecto, desde que fosse curta, de no máximo três páginas. Quando se brincou de um possível encontro entre Tex e Zagor, a ideia foi logo descartada, haja vista haver um delay de cerca de 40 anos entre a existência de cada uma das personagens, mas, nesse momento Graziano diz ter pensado em um Guitar Jim ancião, então, como que lendo os pensamentos deste, um dos coordenadores da Panini propôs ao cantor que a roteirizasse. Ele descartou a possibilidade, mas a ideia ficou a martelar-lhe os pensamentos, até que nas suas férias de Verão, nasceu Quién sabe, hombre?

A história tem apenas duas páginas, mostrando o encontro de Tex com um velho e enrugado Guitar Jim, ainda com os cabelos loiros, em uma noite de lua cheia no Deserto do Arizona. O velho menestrel está fervendo café enquanto toca On top of old smoky, a mesma com a qual ele aparece no álbum #34 – Gli sciacalli della foresta, da série italiana de Zagor em ’68 e, uma das canções folk preferidas de Sergio Bonelli.

No seu texto para o livreto, Graziano Romani diz que a canção Quién sabe, hombre? tem um significado muito especial para ele, assim, quando recebeu a confirmação de que o seu roteiro para a história homónima tinha sido aprovado e que a trabalhar nele já estava Giovanni Ticci ele diz ter se sentido no sétimo céu!

O Livreto traz ainda as letras das canções (apenas as escritas pelo artista) traduzidas para o italiano, pois, todo o CD é cantado em inglês. E aqui vai, pois uma segunda tradução da faixa título do CD (reprise), dessa vez para o nosso bom português:

Meu nome é Tex
Sou apenas um homem, um cowboy nesta estrada dura
Estou acostumado a enfrentar este mundo sem regras
Dizem que eu sou um gatilho rápido, aprendi tudo o que sei com os truques do Gunny Bill,
Então te aconselho a mover-te bem devagar
Esta solitária estrela de prata diz que sou um Ranger
Jurei combater pela justiça, não temo o perigo
Os homens vermelhos chamam-me de Águia da Noite e o meu Filho chama-me Pai
E acredito que de agora em diante você deveria saber quem sou de verdade…
O meu nome é Tex, Tex Willer
Tex, sim, Tex, e digo-te que vi coisas boas e ruins, sempre escolhendo estar do lado certo
O meu nome é Tex Willer, filho, você sabe que…
O meu nome é Tex, Tex Willer, Tex, sim, Tex, meu amigo
Tenho pouca paciência quando tenho assuntos a resolver
O meu nome é Tex Willer, você sabe.
Tex, sim, Tex, sim, Tex
O meu nome é Tex, sim, Tex.

Na página do cantor na Internet duas notícias trarão muitas alegrias à nação Bonelliana:

A primeira trata do relançamento do CD My name is Tex pela Panini, dessa vez em um estojo de luxo, contendo além do CD e do Livreto, um póster ilustrado por Ticci com os quatro Pards.

A segunda fala do seu novo livro, lançado na Itália no dia 15 de Novembro pela Panini Comics. Dessa vez escrevendo sozinho Graziano foca na arte do criador gráfico de Tex, Aurelio Galleppini, com o título L’arte di Galep.

Escrevi essa review prazerosamente escutando o CD My name is Tex, ao qual sem titubear outorgo cinco Winchesters! (Isso pelo simples facto de a nota máxima ser esta…).

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Portugal – Edições de Tex à venda em Novembro

Relação das revistas da Mythos Editora, distribuídas em Portugal, pela VASP – Distribuidora de Publicações Lda, para o mês de NOVEMBRO de 2012 (mas que devido a atrasos vários acabaram por ser distribuídas apenas em JANEIRO de 2013):

TEX 482
Os Sinos de São Rafael
Texto: Mauro Boselli – Desenhos: Alessandro Piccinelli

Tex e Montales, tendo atravessado o rio nos subterrâneos do trágico vale, estão prestes a descobrir o mistério dos mineiros. A dupla será capaz de encontrar o ouro tão cobiçado pelo cruel Nacho Gutierrez? Conseguirão os heróis desvendar a identidade da mulher fantasma? E o que faz badalarem os sinos da igreja abandonada? Para reparar os erros de sua juventude, Montales precisará enfrentar um pequeno exército de foras-da-lei. Mas não o fará sozinho. Terá, ao lado, Tex e alguns novos e inesperados aliados…
2,90€

TEX COLEÇÃO 274
O Homem e a Fera
Texto: G. L. Bonelli – Desenhos: Erio Nicolò

Um extraordinário ser de incríveis poderes encontra-se com um grupo de homens em busca de fama e fortuna.
Para atingir os seus objectivos eles não vão parar diante de nada.
Mas Tex deverá deter os criminosos que estão à caça do lendário Sasquatch, a selvagem criatura dos bosques que é metade homem e metade fera.
2,90€

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ALMANAQUE TEX 41
A Cidade do Mal
Texto: Mauro Boselli – Desenhos: Giacomo Danubio

Depois do assassinato brutal de um jovem navajo, Tex e seus parceiros encarregam-se de entregar o culpado ao juiz do condado.
Ele é Frank Mason, o arrogante manda-chuva de Waco, um povoado erguido de forma ilegal às margens da reserva.
Mas a trilha até Gallup está recheada de ameaças e emboscadas.
E Tex começa a achar que o mal de Waco precisa ser cortado pela raiz.
4,00€

TEX OURO 52
O Último Paraíso
Texto: Claudio Nizzi – Desenhos: Fernando Fusco

No Colorado, Tex e seu filho investigam uma série de roubos a bancos praticados pelos irmãos Kimball. Na última acção dos bandidos, Jesse, o mais novo da família, é preso. Para descobrir onde os ladrões se escondem, Kit Willer infiltra-se na quadrilha, ganhando a confiança de Jesse, após libertá-lo da prisão. Enquanto alguns membros do bando desconfiam de Kit, Jesse apega-se cada vez mais ao seu salvador. E Tex já entrou no povoado de Último Paraíso para libertar o seu filho e prender os bandidos. Mas nem tudo sairá conforme o planeado.
9,00€

TEX GIGANTE 24
Os Rebeldes de Cuba
Texto: Mauro Boselli – Desenhos: Orestes Suarez

O jovem Matt Picard, filho de um amigo de Montales que trabalha no Ministério da Guerra dos Estados Unidos, é sequestrado pelos seguidores de uma seita misteriosa que pratica o culto da Santeria. Montales pede a Tex para acompanhá-lo a Cuba numa missão delicada e difícil, oficialmente não-autorizada: deverão pedir ajuda à resistência cubana, que combate uma guerra desesperada contra o impiedoso exército espanhol, para chegar à região selvagem onde o ambicioso e louco Rayado, que acredita ser a encarnação do deus Xangô, mantém o menino prisioneiro. Mas Tex e Montales, confundidos com espiões, serão forçados a se envolver na guerra de libertação.
9,00€

Vídeo: Raul Cestaro desenha Tex

Por José Carlos Francisco

No vídeo – produzido por Gianluca Gulmini (conhecido nos fóruns dedicados às personagens Bonellianas na Internet por Lukas Luke) para a Zagor TV – que damos a conhecer hoje no blogue do Tex podemos ver, o cada vez mais admirado desenhador (de Tex e Dylan Dog) italiano, Raul Cestaro a desenhar um belo Tex durante o evento Narnia Fumetto realizado no do passado dia 9 de Setembro deste ano.

Também neste desenho feito propositadamente para o seu fã durante o evento, Raul Cestaro continua a mostrar-nos a sua evolução (em nome de uma originalidade finalmente conseguida) que ruma cada vez mais para um traço de linha “suja” e extremamente sintético à “Giraud” que continua a dividir muitos dos defensores do traço clássico e “limpo” na concepção da sua personagem favorita.

Fiel a si mesmo e a essa evolução, Raul Cestaro, tal como o seu irmão Gianluca, desenha o ranger dando-lhe ao mesmo tempo um traço rico e essencial, quase mordaz, que muito difere das linhas harmónicas e limpas, que tinha caracterizado a sua primeira prova texiana inspirada claramente em Claudio Villa.


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Erio Nicolò por Bira Dantas

Por Bira Dantas

Adoro o desenho do Nicolò!

Em 1983, eu fazia cartoons editoriais para o Sindiluta, boletim diário do Sindicato dos Químicos de São Paulo.
Apesar de ter lido na juventude: Gunsmoke, Lone Ranger, Flecha Ligeira entre outros, faroestes não eram meu “forte”.
Depois da fase de Comics clássicos (Raymond, Falk, Moore, Hogarth, Foster, Frazetta, Wood, Manning, Salinas, Cortez, Maroto, Redondo, Delphin, Shimamoto, Colin) e de Super-heróis (Kirby, Steranko, Buscema, Romita, Colan, Ditko), nessa época,  interessavam-me mais os cartunistas brasileiros e autores de BD franco-belgas.
Neste ano de 1983, Erio Nicolò morria.
E eu nem o conhecia ainda.

TEX fez-me conhecer seu traço anatomicamente perfeito, luz e sombra bem estudados, hachuras fantásticas e rostos cinematográficos.
Apesar de desenhar BDs desde 1939 (Aventuroso, Selva, Agente Secreto X-9 – Alex Raymond -, Tim Tyler’s luck – Lyman Young- , Força, John, Chiomadoro, Superbone e Laramies do Vale) eu só conheci o seu desenho clássico nas páginas editadas pela Bonelli.

Suas personagens têm as mesmas caras, a mesma proporção, tal qual actores de carne e osso que interpretam sob a direcção de atento cineasta.
E são caras reais, nada de narizes inventados ou modismos na hora de desenhar olhos e orelhas.
Real. Sua visão das personagens é realista.
Ele teve óptimos mestres e o maior deles, sem dúvida – de quem foi assistente – foi Galep.

Em 1983 ele faleceu em Florença, onde também nasceu.
Florença, terra dos Médicis, de Leonardo, de Michelangelo Buonarroti, Raphael Sanzio,  Andrea de Verrocchio e tantos outros.
Nicoló voltou a habitar o panteão de grandes artistas, que não morrem nunca.

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