As cores originais de Claudio Villa nas capas de Tex

Por José Carlos Francisco

Claudio Villa no seu estúdio

Claudio Villa, o conceituado autor de todas as capas de Tex a partir da edição nº 401 datada de Março de 1994, data em que substituiu o mítico criador gráfico do Ranger, Aurelio Galleppini, na realização das capas de Tex Willer, tem nos dado a conhecer nos últimos tempos algumas das suas cores originais nas capas das mais recentes edições de Tex.

Capas e cores essas que temos inclusive dado a conhecer aos nossos leitores aqui mesmo no blogue português do Tex e que têm gerado um grande número de comentários. E a propósito da diferença verificada entre a colorização manual de Claudio Villa e a colorização digital realizada na Sergio Bonelli Editore na esmagadora maioria dos casos é considerada pelos fãs e coleccionadores do Ranger como sendo infinitamente superior a colorização original do Maestro italiano.

Para comprovar isso mesmo, ou talvez não (o melhor é aguardarmos pelos comentários), hoje damos a conhecer as cores originais das capas de Tex nº 627, “Salt River“, de Janeiro de 2013 e Tex nº 629, “L’inseguimento“, que será publicada somente no próximo mês de Março, mas que temos já o privilégio de dar a conhecer a todos os nossos leitores (para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas):


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Curiosamente nesta mais recente capa do Ranger que, como dissemos anteriormente, apenas verá a luz do dia em Março, nota-se uma maior fidelidade às cores originais por parte do impressor que realmente desta vez se aproximou, com os seus instrumentos, daquilo que Claudio Villa fez!

As avaliações do Mattheus: Tex Coleção 64/66 – O Diabólico Mefisto

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)

Tex Coleção 64, 65 e 66 – O Diabólico Mefisto

| Desenrolar da história | Mefisto | | Mudança brusca na trama | Desfecho da história |

Tex Coleção n° 64/66, traz uma aventura que sem dúvida nenhuma é um verdadeiro clássico na saga texiana. Estas três edições, lançadas no Brasil ainda na época em que a editora Globo era responsável pelo ranger (na Itália nos n° 39/40), traz mais um confronto entre Tex e Mefisto, seu maior inimigo de todos os tempos.

Na história, Kit Willer é sequestrado por índios Hualpais e Tex, Carson, Jack Tigre e os navajos vão à procura dele. Enquanto os pards seguem (separados) os rastos dos Hualpais, Carson também é sequestrado. Nisso, Tex descobre que quem está por trás do sequestro de seu filho é Mefisto, um bandido (agora feiticeiro) que há muito tempo atrás Tex prendeu e que agora quer se vingar.

Emoção a cada página

A trama de O Diabólico Mefisto tem uma atmosfera rica e envolvente. Nesta aventura, G. L. Bonelli consegue de forma magnifica equilibrar acção, suspense, drama e emoção durante a evolução do enredo. Se o título e a capa (da n° 64) da história não revelasse o retorno de Mefisto, o leitor ficaria curioso em saber quem está por trás de tudo e por quê.

É interessante ver como o lado humano de Tex, Carson, Jack Tigre e dos navajos reagem a determinadas situações. Enquanto uns sentem medo por causa dos dardos envenenados, outros sentem tristeza por não ter voltado à reserva com Kit e Carson. E esses sentimentos são transmitidos para o leitor.

Aqui, o leitor se sentirá dentro da história, compartilhando com nossos heróis a angústia e a aflição de cada situação.

Para um grande herói, um grande vilão

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Mefisto é, sem dúvida, um grande vilão. Não por suas maldades, mas sim pelo carisma e importância que a personagem carrega consigo. Saber que Mefisto estará em determinada aventura, é saber que teremos uma excelente história pela frente.

Nesta edição, Mefisto aparece pela primeira vez na saga texiana como um poderoso feiticeiro, e não mais como um mero espião do governo mexicano. E desta vez, Mefisto não está a serviço de ninguém, e sim planeando a sua vingança contra o homem que causou a sua ruína: Tex Willer. E apesar de não ser explicado como o vilão saiu da cadeia e conseguiu os seus poderes, o leitor entenderá sem dificuldades o que está se passando.

A rivalidade entre Mefisto e Tex é o tema do enredo desta aventura, e justamente por esse motivo esta é uma das melhores histórias do nosso querido ranger. Um verdadeiro clássico. Mefisto sabe como fazer Tex sofrer, e por isso a aventura se torna ainda mais interessante.

Da água para o vinho

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Um dos pontos negativos desta história, é a mudança brusca no cenário e no enredo da aventura que acontece na terceira e última parte da trama (Tex Coleção #66). Como Mefisto conseguiu escapar da invasão dos navajos com Kit e Carson (estes estando hipnotizados), o vilão foi se refugiar na cidade, e aí tudo que foi visto nas edições anteriores, muda.

Agora, índios, dardos, pradarias e montanhas dão lugar a cidadãos, banco, xerifes e carroças. E com a justiça atrás de Kit e Carson, o clima construído no inicio e meio da trama é completamente quebrado. Assim, a proposta inicial da história (de Mefisto ser para os índios Hualpais um Deus chamado Filho do Fogo) acaba indo por água abaixo. Embora que, contudo, o leitor possa gostar da mudança radical da trama.

O fim foi só isso?

A grandeza que era e foi esse reencontro entre Tex e Mefisto, e a batalha dramática que esse reencontro carregou consigo, com certeza o final da história foi fraco, beirando ao ridículo. Não digo pela suposta morte de Mefisto, e sim pela falta de emoção que o desfecho teve.

Além de fraco, o jeito que Mefisto “morreu” foi forçado. Jack Tigre dar um tiro na rocha e as lascas caírem nos olhos do vilão e o mesmo cair no penhasco foi sem graça. Teria sido muito melhor se Mefisto tivesse o seu “fim” no momento da invasão dos navajos. Com certeza traria mais emoção.

Conclusão:

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Nenhum texiano que se preze não pode deixar de ler esse verdadeiro clássico que é O Diabólico Mefisto. Nesta trama cheia de acção e surpresas, vemos o porque que Mefisto é sinónimo de uma boa história, pois é justamente isso que o leitor terá pela frente: uma boa história. Nem mesmo os pontos negativos citados na crítica, tiram o brilho dessa emocionante, dramática, surpreendente e inesquecível aventura.

Nota para o TXC 64: 8,5
Nota para o TXC 65: 8,0
Nota para o TXC 66: 6,5
Nota geral: 7,0

*Material apresentado no blogue críticas texianas em 26/01/2013;
Copyright: © 2013, Mattheus Araújo

 

Marcos Maldonado, legendador (letrista) de Tex e a entrega do prestigiado Troféu Angelo Agostini

Marcos Maldonado, rodeado pela família, com o prestigiado troféu Angelo Agostini nas mãos

Marcos Maldonado Rodrigues, filho de espanhóis, nasceu há 72 anos numa quinta (sítio) na cidade brasileira de Sorocaba, onde passou ao lado de seus cinco irmãos uma infância simples.

Marcos Maldonado, de torneiro mecânico a Mestre do Quadrinho Brasileiro

Casado com Dolores há 47 anos, tem 3 filhos e nove netos.

Trabalha há 40 anos como legendador  (letrista) de histórias em quadradinhos, bastante reconhecido nesse meio já participou de vários eventos não só no Brasil, mas também no exterior, como por exemplo no Festival de Beja, Portugal, em 2010.

De torneiro mecânico a Mestre do Quadrinho Brasileiro, uma história de sucesso que culminou no passado sábado com a entrega do prestigiado troféu Angelo Agostini no Memorial da América Latina e que podemos conferir aqui no blogue do Tex através do depoimento e fotos da sua filha Márcia Maldonado Sewaybricker.

Por Márcia Maldonado Sewaybricker (texto e fotos)

Marcos Maldonado discursando na hora da entrega do prémio

Marcos Maldonado com o troféu Angelo Agostini e com as suas filhas Márcia e Rosana

Neste final de semana  tive a honra de participar, no Memorial da América Latina em São Paulo, da entrega do 29º Prémio Angelo Agostini, que foi um momento único num auditório repleto de pessoas de várias idades, todos amantes de Quadradinhos.

Estávamos entre pessoas consagradas pelo seu importante trabalho no Universo das BDs (HQs) como os irmãos Eduardo e Walter Vetillo, Bira Dantas, Primagio, Alexandre Silva, Cidão Norberto que nos presentearam contando algumas histórias e compartilhando um pouco da sua rica experiência de vários anos. Também estavam presentes Tony Fernandes e Marcos Venceslau(Franzine) e Fabrício (Gibicon) entre outros.

Dolores e Marcos Maldonado, uma lendária dupla de letristas

A entrega do prémio foi um momento muito emocionante para mim, pois pude ver o trabalho de mais de 40 anos do meu pai Marcos Maldonado ser reconhecido e aclamado por todos com o título de “Mestre do Quadrinho Nacional”.

Eu que cresci entre gibis (revistas), penas e tintas, presenciei dias e noites de trabalho árduo do meu pai e minha mãe Dolores (que também trabalhou por muitos anos com Quadrinhos). Fico muito feliz em perceber hoje como esse trabalho é admirado e seguido por tantos fãs no Brasil e fora dele.

Marcos Maldonado rodeado por outros dos premiados no evento

Parabéns Papai por esse Prémio tão importante e tão merecido. Saiba que eu sou sua maior fã!
Márcia Maldonado Sewaybricker

No auditório várias gerações de amantes de banda desenhada participaram de uma mesa redonda e debate

Família Maldonado na plateia

J, Dolores, Marcos Maldonado e Tony Fernandes

Marcos Maldonado e Marcos Venceslau

Fabrizio e Marcos Maldonado

O emocionante abraço entre Marcos Maldonado e Bira Dantas

Dolores Maldonado, Bira Dantas e Marcos Maldonado

Marcos Maldonando autografando uma edição legendada por si

Eduardo Vetillo e Marcos Maldonado relembrando velhos tempos

Eduardo Vetillo desenhando um Chet exclusivo para Marcos Maldonado

Desenho de Chet, exclusivo, do incrível Eduardo Vetillo para Marcos Maldonado

O troféu Angelo Agostini já em Sorocaba

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Entrevista com o fã e coleccionador: Israel Donizetti Elias

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Israel Donizetti Elias: O meu nome é Israel, nasci em Alfenas, Estado de Minas Gerais no Brasil e desde 1983 que vivo em Sertãozinho no Estado de São Paulo. Profissionalmente sou metalúrgico.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Israel Donizetti Elias: Em 1980.

Quando descobriu Tex?
Israel Donizetti Elias: Tinha uns 13 anos (em 1980) e morava em Alfenas. Era um garoto muito pobre e mudamos para um bairro na periferia (Vista Grande) de Alfenas onde conheci uns três ou quatro garotos que coleccionavam Tex, Zagor, Mandrake, Fantasma, Ken Parker, etc., eu vendia picolé (sorvete ou gelado) e ganhava uns trocadinhos para comprar Zagor e   Fantasma que era um pouquinho mais cara que Tex. Eu trocava com eles minhas revistas de Fantasma por duas, às vezes até três do Tex e fui assim aumentando a minha colecção que uns três anos anos depois desapareceu…

Porquê esta paixão por Tex?
Israel Donizetti Elias: Como era muito pobre na minha casa não tínhamos televisão. Eu estudava meio período e vendia picolé na parte da tarde e ainda engraxava sapatos de noite. O meu divertimento era ler Tex, uma personagem que gosta de fazer justiça, ajudar os seus companheiros para além de ser rápido no gatilho. As suas histórias são muito emocionantes (vocês não têm ideia do quanto me emociono com Tex, dou até risadas sozinho) e já me peguei chorando e a minha mulher nem acreditou no que estava vendo, dai foram só gargalhadas. Gosto em especial das histórias com os quatros pards: Tex, Kit Carson, Kit Willer e Jack Tigre.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Israel Donizetti Elias: Não tem comparação, primeiro Tex é um cobói e um agente da lei que por incrível que possa parecer, às vezes ajuda até bandidos injustiçados. Para além disso é um herói que só depende de suas habilidades físicas e mentais.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Israel Donizetti Elias: A minha colecção está nascendo de novo. Já estou com um pouco mais de 40 revistas, mas tenho o objectivo de completar pelo menos Tex Coleção até no final de 2013. Para já possuo as edições 297, 298, 299, 300, 301, 302 e 310 até 322. E compro todas as edições de Tex Ouro, Os Grandes Clássicos e Tex Anual, aliás foi por causa de um Tex Anual que comecei a coleccionar novamente: O Caçador de Fósseis. Achei esta maravilha da dupla Segura & Ortiz que me despertou novamente para o meu herói adormecido 😉
Quanto à mais importante não sei! Gosto de todas mas talvez seja a que traz a história Pacto de Sangue, que por incrível que pareça ainda não a tenho.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Israel Donizetti Elias: Apenas livros e revistas mas agora estou descobrindo tudo de novo e quem sabe se não coleccionarei mais coisas interessantes do Tex.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Israel Donizetti Elias: O livro “O Meu Tex – A Balada do Oeste“, desenhado por Civitelli e com textos de Burattini.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia?
Israel Donizetti Elias: As histórias com Mefisto com especial destaque para A Volta de Yama. Quanto ao desenhador preferido sem dúvida é o Aurelio Galleppini (Galep), mas actualmente o desenhador Fabio Civitelli é o melhor. Inversamente o que gosto menos é o Victor De La Fuente que desenhou Springfield Calibre 58, pois na minha opinião Tex está com uma estatura muito baixa e Kit Carson não parece com o perfil já acostumado do nosso Galep.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Israel Donizetti Elias: É muito difícil falar do que me agrada mais, mas falar do que agrada menos é mais fácil: o atraso das revistas que não saem nas datas certas. E ainda por cima ter que ouvir os argumentos dos donos das bancas: “Este Tex é enrolado”.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Israel Donizetti Elias: Ser um defensor dos fracos e dos oprimidos, não ser racista e ser amigo dos índios para além de ser um agente da lei que age conforme a sua própria opinião.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Israel Donizetti Elias: Não mais.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Israel Donizetti Elias: Gostaria que com as baixas que sofremos em nossa aldeia, os autores mais novos que assumirão o comando do barco, não deixem ele ir à deriva e que continuem escrevendo e desenhando o nosso épico herói. Inspiração é o que não vai faltar, pois na minha opinião Tex é imortal.

Prezado pard Israel Donizetti Elias, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)