As avaliações do Mattheus: Tex Coleção 64/66 – O Diabólico Mefisto

(**CUIDADO: este texto contém spoiler. Se você pretende ler essa edição, não leia a crítica**)

Tex Coleção 64, 65 e 66 – O Diabólico Mefisto

| Desenrolar da história | Mefisto | | Mudança brusca na trama | Desfecho da história |

Tex Coleção n° 64/66, traz uma aventura que sem dúvida nenhuma é um verdadeiro clássico na saga texiana. Estas três edições, lançadas no Brasil ainda na época em que a editora Globo era responsável pelo ranger (na Itália nos n° 39/40), traz mais um confronto entre Tex e Mefisto, seu maior inimigo de todos os tempos.

Na história, Kit Willer é sequestrado por índios Hualpais e Tex, Carson, Jack Tigre e os navajos vão à procura dele. Enquanto os pards seguem (separados) os rastos dos Hualpais, Carson também é sequestrado. Nisso, Tex descobre que quem está por trás do sequestro de seu filho é Mefisto, um bandido (agora feiticeiro) que há muito tempo atrás Tex prendeu e que agora quer se vingar.

Emoção a cada página

A trama de O Diabólico Mefisto tem uma atmosfera rica e envolvente. Nesta aventura, G. L. Bonelli consegue de forma magnifica equilibrar acção, suspense, drama e emoção durante a evolução do enredo. Se o título e a capa (da n° 64) da história não revelasse o retorno de Mefisto, o leitor ficaria curioso em saber quem está por trás de tudo e por quê.

É interessante ver como o lado humano de Tex, Carson, Jack Tigre e dos navajos reagem a determinadas situações. Enquanto uns sentem medo por causa dos dardos envenenados, outros sentem tristeza por não ter voltado à reserva com Kit e Carson. E esses sentimentos são transmitidos para o leitor.

Aqui, o leitor se sentirá dentro da história, compartilhando com nossos heróis a angústia e a aflição de cada situação.

Para um grande herói, um grande vilão

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Mefisto é, sem dúvida, um grande vilão. Não por suas maldades, mas sim pelo carisma e importância que a personagem carrega consigo. Saber que Mefisto estará em determinada aventura, é saber que teremos uma excelente história pela frente.

Nesta edição, Mefisto aparece pela primeira vez na saga texiana como um poderoso feiticeiro, e não mais como um mero espião do governo mexicano. E desta vez, Mefisto não está a serviço de ninguém, e sim planeando a sua vingança contra o homem que causou a sua ruína: Tex Willer. E apesar de não ser explicado como o vilão saiu da cadeia e conseguiu os seus poderes, o leitor entenderá sem dificuldades o que está se passando.

A rivalidade entre Mefisto e Tex é o tema do enredo desta aventura, e justamente por esse motivo esta é uma das melhores histórias do nosso querido ranger. Um verdadeiro clássico. Mefisto sabe como fazer Tex sofrer, e por isso a aventura se torna ainda mais interessante.

Da água para o vinho

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Um dos pontos negativos desta história, é a mudança brusca no cenário e no enredo da aventura que acontece na terceira e última parte da trama (Tex Coleção #66). Como Mefisto conseguiu escapar da invasão dos navajos com Kit e Carson (estes estando hipnotizados), o vilão foi se refugiar na cidade, e aí tudo que foi visto nas edições anteriores, muda.

Agora, índios, dardos, pradarias e montanhas dão lugar a cidadãos, banco, xerifes e carroças. E com a justiça atrás de Kit e Carson, o clima construído no inicio e meio da trama é completamente quebrado. Assim, a proposta inicial da história (de Mefisto ser para os índios Hualpais um Deus chamado Filho do Fogo) acaba indo por água abaixo. Embora que, contudo, o leitor possa gostar da mudança radical da trama.

O fim foi só isso?

A grandeza que era e foi esse reencontro entre Tex e Mefisto, e a batalha dramática que esse reencontro carregou consigo, com certeza o final da história foi fraco, beirando ao ridículo. Não digo pela suposta morte de Mefisto, e sim pela falta de emoção que o desfecho teve.

Além de fraco, o jeito que Mefisto “morreu” foi forçado. Jack Tigre dar um tiro na rocha e as lascas caírem nos olhos do vilão e o mesmo cair no penhasco foi sem graça. Teria sido muito melhor se Mefisto tivesse o seu “fim” no momento da invasão dos navajos. Com certeza traria mais emoção.

Conclusão:

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Nenhum texiano que se preze não pode deixar de ler esse verdadeiro clássico que é O Diabólico Mefisto. Nesta trama cheia de acção e surpresas, vemos o porque que Mefisto é sinónimo de uma boa história, pois é justamente isso que o leitor terá pela frente: uma boa história. Nem mesmo os pontos negativos citados na crítica, tiram o brilho dessa emocionante, dramática, surpreendente e inesquecível aventura.

Nota para o TXC 64: 8,5
Nota para o TXC 65: 8,0
Nota para o TXC 66: 6,5
Nota geral: 7,0

*Material apresentado no blogue críticas texianas em 26/01/2013;
Copyright: © 2013, Mattheus Araújo

 

Um comentário

  1. Uma aventura clássica. Por isto mesmo carregada de ingenuidades e perdas de rumos nos roteiros por Bonelli, provavelmente acarretados por excesso de trabalho. Mesmo assim, talvez por pura nostalgia, figure entre as melhores para os fãs do ranger. Para mim no geral nota: 8,5

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