O CAVALHEIRO DO OESTE: 50 ANOS DE CAVALGADAS DE PEDRO MAURO

Por Ricardo Elesbão Alves (Confraria Bonelli)*

Pedro Mauro na arte caricatural de Bira Dantas

Alguns podem até estranhar o título desta matéria, a qual tenho um prazer e um gosto enorme em escrever. Mas, Pedro Mauro Moreno Dias, ou simplesmente Pedro Mauro, um dos maiores desenhadores de quadradinhos do Brasil, é também uma das pessoas mais educadas, gentis e atenciosas que conheço, ou seja, um verdadeiro gentleman, um cavalheiro na acepção da palavra.

Como leitor, fã e colecionador de Tex há mais de 40 anos, posso também afirmar que bem poucos desenham o bom e velho Far West como ele. Os seus cavalos e cavaleiros beiram a perfeição. Provavelmente, graças às suas memórias da infância, descritas recentemente no seu recente livro Cowboy: Primeiras Histórias 1970/1971 e de forma resumida aqui (Pedro Mauro por Pedro Mauro) nessa matéria.

Para que tenham uma ideia, Stefano Biglia, um dos grandes entre os grandes desenhadores de Tex da atualidade, numa entrevista para a Tex Willer Magazine, número 18, publicada em janeiro de 2019, ao ser questionado “Qual o grande desenhador italiano ou estrangeiro que gostaria de ver desenhar Tex pelo menos uma vez?”, respondeu: “Pedro Mauro, brasileiro, escola sul-americana, desenha cavalos esplendidamente”.

Ricardo Elesbão (à esquerda) e Pedro Mauro

Pedro nasceu em Nova Europa, São Paulo, em 19 de fevereiro de 1953. Iniciou a carreira aos 16 anos, como assistente de Ignácio Justo em histórias de guerra na Editora Taika. Na mesma editora, entre 1970 e 1971, desenhou capas e/ou histórias de faroeste para as revistas Pancho, Almanaque de Far-West, Far-West Edição Especial e Cowboy, que tiveram republicações até 1976.

Mais tarde, passou a ser muito procurado pela área de publicidade, onde fez muito sucesso como ilustrador. O trabalho concentrava-se no desenvolvimento de composições e storyboards para grandes agências internacionais e na finalização de artes para editoras de revistas e livros em São Paulo. Finalmente, na década de 90 foi convidado para trabalhar e morar em Nova Iorque, onde permaneceu por 12 anos, produzindo trabalhos de alto nível e sendo representado pelo Paul Santa-Donato Studios.

Em 2013, finalmente volta aos quadradinhos com uma série sobre uma famosa pirata, Back From the Dead Red, de autoria de Carlos Estefan, ainda inédita e não publicada.

Em 2014, foi descoberto no Facebook pelo argumentista italiano Gianfranco Manfredi, responsável pelos roteiros de Mágico Vento da Sergio Bonelli Editore (SBE), quando então foi convidado para desenhar Adam Wild, uma Maxi Série escrita pelo autor italiano. Série esta que chega ao Brasil por meio da Editora Saicã, a mais nova casa da Bonelli no país. Pedro desenhou as histórias Lagos (N° 16, 01/2016) e La suprema catastrofe (N° 17, 02/2016).

Em 2015, publicou o seu primeiro Sketchbook em parceria com o desenhador brasileiro Augusto Minighitti e ilustrou a coletânea 321 – Fast Comics, de Felipe Cagno. Em 2016 publicou o segundo Sketchbook (Artbook). Ainda em 2016, ilustrou a coletânea Pátria Armada – Visões de Guerra, de Klebs Júnior e o volume 3, Libertalia, la Cité Oubliée, da Série L’Art du Crime, de Marc Omeyer e Olivier Berlion, para famosa editora francesa Glénat Editeur de Talents.

Capa da edição “Back From the Dead Red”

Em 2017 ilustrou Os poucos & amaldiçoados, outro álbum de Felipe Cagno, e fez o seu segundo trabalho para a Bonelli, ilustrando Mugiko para a coleção Le Storie, uma história de espionagem, também escrita por Gianfranco Manfredi. Em outubro de 2020, Mugiko foi anunciado no Brasil pela editora Trem Fantasma, fundada por Lillo Parra, Guido Moraes e Sérgio Barreto, Lucas Pimenta (da editora Quadro a Quadro). Para essa edição, Pedro Mauro elaborou artes inéditas para uma sobrecapa e bookplates. A publicação tem o apoio da Confraria Bonelli.

Em 2019, uma vez mais a convite de Manfredi, Pedro Mauro desenhou para SBE quatro números da nova Maxi Série intitulada Cani Sciolti. São eles: E la chamiano estate (N° 3, 01/2019); Segreti inconfessabili (N° 4, 02/2019); Cartoline dalle vacanze (N° 9, 07/2019); e Riti pagani (N° 10, 01/2019). Ainda sem previsão para publicação em português.

Atualmente, Pedro reside e tem seu estúdio na cidade de Itu, no interior de São Paulo onde entre, outras coisas, continua a dedicar-se à banda desenhada. Nos últimos três anos (2017, 2018 e 2019), em parceria com Carlos Estefan, voltou a desenhar faroeste e publicou uma trilogia chamada Gatilho. As publicações, durante os seus lançamentos na Comic Con Experience – CCXP, hoje o maior evento nerd do mundo, esgotaram durante três anos seguidos. Mesmo após algumas reedições, não estão mais disponíveis para venda. Existe uma grande expectativa que a trilogia seja republicada em volume único e a cores. A editora belga BD Must anunciou recentemente lançamento da Trilogia Gatilho em 2021 no mercado franco-belga com nome de Renégat.

Trilogia “Gatilho” a ser lançada no mercado franco-belga em 2021

Em julho de 2020, Pedro Mauro lançou, com apoio da Confraria Bonelli, um projeto de financiamento coletivo no Catarse para republicar 7 histórias de Pancho, seu primeiro personagem (1970 e 1971). O álbum de luxo, em comemoração aos seus 50 anos de carreira, foi idealizado pelo jornalista Thiago Gardinali e pelo colecionador e especialista em marketing digital Renato Frigo.

Pedro Mauro em seu estúdio com artes originais

Para a publicação foram produzidos vários extras, entre eles: 1) uma história adicional, com roteiro de Carlos Estefan; 2) artes exclusivas de oito desenhadores brasileiros (Augusto Minighitti, Carlos Estefan, Eduardo Ferigato, Eduardo Schall, Mike Deodato, Rafael de Latorre, Robson Rocha e Roger Cruz); 3) artes exclusivas de quatros desenhadores italianos da SBE (Claudio Villa, Mauro Alberti, Maurizio Dotti e Stefano Biglia). Adicionalmente, a Confraria Bonelli ofereceu uma arte extra exclusiva, produzida pelo desenhador Anilton Freires, e que foi enviada a todos os apoiadores no formato A5, como mini poster.

Cowboy – Edição comemorativa dos 50 anos de carreira de Pedro Mauro e arte exclusiva produzida por Anilton Freires e distribuída a apoiadores

Com toda a grande repercussão, sucesso e reconhecimento do artista, pelos seus esplêndidos trabalhos, nós leitores e fãs esperamos e temos uma grande expectativa de que o nosso querido Pedro Mauro possa ser o primeiro brasileiro a desenhar Tex, o personagem mais famoso da SBE e com uma história editorial que supera os 70 anos.

Tex – Arte de Pedro Mauro

* Texto de Ricardo Elesbão Alves publicado originalmente na Revista nº 13 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2020.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima clique nas mesmas)

2 Comentários

  1. Excelente, espero realmente que se concretize essa ideia de Pedro Mauro desenhar um especial sobre nosso Ranger, estou ansioso para ter em minhas mãos esta edição de Tex.

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