O Alfabeto do Velho Oeste – Letra L

Wilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…
É também autor do seguinte blogue na Internet:
http://brawvhqs.blogspot.com/

Caros LeitoresGeograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1 O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2 O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3 E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1 Aquele de “fronteira”. 2 Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação O ALFABETO DO VELHO OESTE propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

L

Lado Distante – (Off Side). Para o cowboy, era o lado direito do cavalo, ou seja, o lado oposto, a aquele que ele montava, no animal. Era também chamado “Lado Indígena” (Indian Side), porque os Índios, a princípio, montavam os seus animais, pela direita.

Lado Próximo – (Near Side). É o lado esquerdo do cavalo, pelo qual normalmente, montava o cowboy. O então chamado (Cowboy Side).

Ladrões de gado – (Rustler). Não confundir com ladrões de cavalos “Horse Thief”. Roubavam bovinos, cancelavam ou falsificavam eventuais marcas, substituindo-as por próprias. Os cowboys dividiam os ladrões de gado em vários tipos; o que recolhia o gado perdido nos pastos do vizinho levava-os para os seus e marcava-os novamente. Havia também o tipo que, geralmente morava num local muito tempo, roubava o gado, dos recém-chegados do Oeste, levava-o para as suas terras, porém não os marcava, por simples paixão ou para deixar o vizinho desesperado. Todos esses ladrões eram considerados relativamente inócuos, porque em teoria, o gado pertencia a quem tivesse a corda mais longa para captura-lo. Existia depois, a categoria de ladrões ocasionais, geralmente pequenos colonos, que possuíam um rebanho de modesta importância, os quais roubavam o gado marcado do vizinho rico e falsificavam a marca, vendendo-os depois em alguma feira distante. Mas, o pior de todos, era o ladrão de profissão, que roubava inteiras boiadas, geralmente ajudado, por seu bando, que enfrentava os cowboys em batalhas sangrentas. O furto cometido assim resultava geralmente, em linchamentos.

Lançamento de faca – Era uma Arte, completamente desconhecida aos cowboys, enquanto que, os Índios e os “Trappers” eram mestres, dela. Lançadas por uma mão treinada, uma faca para lançamentos ou a “Long Knife”, de lâmina longa, pesada e afiada de ambas as partes, chegava à distância de 10 metros, sendo, portanto, a mais silenciosa, mais veloz e absolutamente mortal arma do Faroeste. Normalmente essa faca era levada numa bainha de um cinturão posicionado debaixo da axila esquerda. Assim podia ser extraída velozmente, encontrando-se pronta para o lançamento. Geralmente a faca girava-se durante o seu lançamento, somente uma vez, duas vezes numa distância de 15 metros. Obviamente, era necessário um intenso e exaustivo treinamento, para se atingir um lançamento assim perfeito.

La Reata – Em Espanhol. A nossa conhecidíssima e útil corda. Os cowboys transformaram-na em “Lariat”.

Lariat – Originária da palavra Mexicana “La Reata”, para designar a corda ou “Lazo Reata”, para designar o laço. O cowboy dizia do laço, feito com a pele crua e entrançadas entre elas. O “Lazo Reata” foi introduzido no México, pelos “Conquistadores” Espanhóis, deles se apossaram os “Vaqueros Indígenas”, percussores e mestres do cowboy Americano, os quais aperfeiçoaram o seu uso até tornar-se uma verdadeira Arte. Os “Reateros”, ou seja, os “Confeccionadores de Cordas”, confeccionavam as “Reatas” com 4, 6 ou 8 tiras longas de pele de bisonte ou de boi, não curtida e necessitava de uma grande habilidade, para saber fazer o “enchimento” da corda, por ser naturalmente húmida, através um processo lento e complicado de dissecação, assim, mesmo que molhada, não se dilatasse posteriormente. Os primeiros herdeiros do laço de pele crua foram os cowboys Texanos, que os chamavam de “Lariat”. Mas, como o “Lariat” não suportava puxões imprevistos e violentos, pois geralmente, rompiam-se, o cowboy Americano por volta de 1870, confeccionavam-os somente com cordas de fibras naturais e, para distingui-los do “Lariat” normal, chamava-os simplesmente de “Rope” (Corda).

Larrup – Termo “slang” (gíria), com o qual os cowboys definiam o melaço (Molasses). Os cowboys do Oeste meridional usavam o xarope de bardo (Maple Syrup), fazendo-o ferver bastante, reduzindo-o como melado de açúcar. Servia para adoçar o café. O produto, licoroso e da cor castanha escura, continha 50% de açúcar, 20% de água e 30% de compostos orgânicos e inorgânicos, especialmente de azoto e sais minerais.

Lash Rope – Algo como: amarrar com corda. Corda especial com a qual, amarravam-se cargas na sela a basto ou (Saddle Skirt).

Lasso – Derivado do Espanhol “Lazo” = Laço. Seja o cowboy antigo sejam os actuais, não usam apalavra “Lasso” para indicar um “Lariat” ou uma corda. “Do Canadá, até o México, ou seja, em todo o lugar de bovinos, reconhece-se um novato que chama “Lasso” a uma corda com nó”, dizia Fay E. Ward em 1958. Nos territórios de língua Alemã, o laço era chamado de “Lasso”, um facto que Karl May, um narrador de fábulas, em suas histórias de um “Oeste Selvagem”, nunca existido, difundiu com muitas alterações da Realidade Histórica. O termo, que nenhum cowboy autêntico jamais usou, ficou enraizado na língua Alemã e os autores e tradutores, com conhecimentos Históricos, continuam a usarem.

Latigo – Tira de couro, amaciada em óleo e muito usada, para acabamentos ou uso em selas e outras peças, do cavalo.

Ledbetter – Bud Ledbetter, vice-xerife Federal e um dos funcionários mais capaz, arrojado e mais temido que jamais tenha montado a cavalo ao lado e a serviço do juiz Parker. O historiador Glenn Shirley escreveu: “Dia após dia, ano após ano, eles percorriam a cavalo, uma imensa região de colinas entre bosques, com imensos pastos, vales com rios, passavam por casas e ranchos isolados e atravessavam zonas de pequenos agricultores isolados. E com eles, ia também o Carroção da Justiça, uma espécie de carroção-prisão. À noite, dormiam sob as estrelas e comiam com seus Winchesters nos joelhos. Cada hora, cada dia, significava um perigo mortal e poucos sobreviveram”.

Lei dos Campos de Mineração – A História da Humanidade é substancialmente a História do inesgotável uso das minas. Após a Idade da Pedra que não conheceu o metal, a Idade do Bronze, deu o início a uma constante procura de metais. Se, como os metais eram encontrados principalmente em zonas ainda não usufruídas, onde não existiam nem a Lei, nem Tribunais, a Lei dos Campos de Mineração, foi formada quase que automaticamente, como uma necessidade vital, se bem que de forma primitiva, de decisões obrigatórias e sua relativa execução. A América considera essa Lei como um monumento da autodisciplina Americana e da autogestão (Mining Camp Law). Essa, no modo ideal, preenchia o vazio, onde não existia Lei, ou onde a Lei nominal, não tinha a força de se impor. A revolta do elemento Mexicano (Raça diferente), que, por exemplo, manifestou-se na forma brutal na sangrenta carreira de Joaquin Murietta, levou à supressão das tradicionais Leis descriminantes, supressão essa, que rendeu justiça para todos os componentes da população, especialmente aquelas de cor. Esse foi um dos motivos mais importantes para os quais, o Estado da Califórnia uniu-se não aos Estados Confederados, mas sim à União. As injustiças cometidas ao tempo da procura ao ouro, por parte dos Órgãos Políticos, Distritais, Policiais e também de Magistrados, por sua vez, injustiçados pelos Comités de Vigilância, que puniam severamente, levaram a uma Legislação muito meticulosa, na qual se fixou, nos dez anos vindouros, o direito do cidadão votar, em base a Lei dos Campos de Mineração. A punição de homens como os desajustados Casey e Henry Plummer em Virginia City colocou todos controlados. A Lei para a procura ao ouro, praticada na Califórnia, seja no campo do Direito Civil, que naquele Penal, estendeu-se com o “boom” da mineração da Mother Lode e Comstock Lode, até o Oregon, Idaho, Montana e Arizona, transformando-se com o tempo, uma parte determinante do Direito nos Estados Unidos, se bem que as Leis, em variados lugares, fossem adequadas a condições particulares e especialmente a populações de origens heterogéneas. Ao mesmo tempo, as diferenças de raças, religiões, línguas, usos e costumes, atenuaram-se e os elementos fundiram-se num todo mais harmónico. Que esse processo tão importante para o futuro, fosse possível num período breve de alguns decénios. E graças a acções violentas e sangrentas, cometidas em vários locais do País, acções que representavam para o Legislador uma praga, que deveriam ser exterminadas, assim o foram.

Leito do cowboy – O leito fixo do cowboy no Rancho, era o conhecido “Bunk”, um tecido espesso com duas ou três camadas, para nove ou doze pessoas, apoiado numa parede da chamada “Bunkhouse”, que ao mesmo tempo servia de terraço. Durante os trabalhos fora do Rancho, o cowboy dormia, ao inicio, no denominado “Leito de Tucson”, ou seja, “Cobria-se com o Céu”, como era comum dizer. Meio sentado, meio deitado e apoiando-se na sela. Durante os “Round Up”, dormiam em “Leitos Rolantes” e para os demais cowboys no “Carroção Leito”. No calor do sul, os leitos eram os chamados “Enrolados Quente”, que era somente um cobertor e um pedaço de juta, um pouco maior que o cobertor. No frio do norte, chamavam-se de “Leitos de Tempestade”. Eram constituídos de um tecido impermeável de 2,10 X 5,40, caseado. Eles eram pespontados com dois cobertores de lã, de modo que formassem uma espécie de saco de dormir. Dessa maneira, formava-se um leito seguro contra água e tempestades, podendo-se fechá-lo além da cabeça e que também em nevascas, mantinha sempre aquecido o cowboy.

Lewis Payne – Um dos participantes, pelo assassinato do Presidente Abraham Lincoln em 15 de Abril de 1865, no Ford’s Theatre. Foi um ex-soldado Confederado. Ele teria a incumbência de assassinar o secretário de Estado Seward, mas somente o feriu. Foi enforcado, juntamente com outros três implicados, nesse nefasto acto em 7 de Julho de 1865, no pátio da Prisão de Washington. Uma peculiaridade, por ser altamente fotogénico, foi amplamente fotografado, da prisão ao enforcamento, durante esse período trágico Americano.

Liberais – Membros do assim chamado: “Partido do Estado Livre” ou: “Free State Party”, que em Kansas, combatia mesmo ainda antes da Guerra Civil Americana, pela abolição da Escravatura.

Liga da Nobreza – A Sociedade Nobre de Mainz facilitava aos Alemães a emigração para a América. Em 1844, o príncipe Karl de Solms Braunfels, fundava a Colónia de Indianola, no golfo do México e enviava os primeiros colonos Alemães para Neubraunfels, Texas. Logo após, outros Alemães fundaram no Texas, a cidade de Fredericksburg, outros em Mason County no Texas, estabeleceram-se como criadores de gado e cowboys. Após a Guerra Civil, com a negação dos Alemães, em combater contra a União, pela continuação da Escravatura, acabou gerando conflitos, com os Texanos. Em 1875, começava entre os Alemães e os Texanos, a sangrenta Guerra denominada “Hoodoo”, que os Alemães venceram.

Lilian Sholes – Foi a primeira dactilógrafa da América do Norte. Filha de Christofer L. Sholes, o qual, como outros, idealizaram uma máquina de escrever, registando-a em 1867. O primeiro grande escritor, que se utilizou dessa recente máquina revolucionária, foi Mark Twain.

Linchamento – Execução capital, não autorizada, por estrangulamento. A primeira aplicação dessa forma de “Justiça Espontânea” foi atribuída a Charles Lynch, da Virgínia, que fez enforcar os escravos negros fugitivos, quando o comportamento Oficial, dito pela Lei, lhe parecia muito lento e burocrático. No Oeste selvagem, onde o movimento de colonização precedeu a instauração de uma Autoridade central, o linchamento era geralmente o único e o mais eficaz método para punir os delinquentes. Em muitos casos, a mais próxima Corte de Justiça, encontrava-se a mais de 100 milhas de distância. Prisões não existiam. Assim aos homens daquele tempo, o código de honra e a possibilidade de punir as violações daquele mesmo código mediante o ostracismo do criminal ou a sua execução capital, era tudo, portanto o que restava na espera que fosse instaurada uma Autoridade socialmente válida, e também nos casos no qual o direito vigente era considerado muito fraco ou indulgente, tomava-se a Lei nas próprias mãos, liberava-se com a força o homem custodiado pela Lei e o justiçava. Geralmente eram os assassinos, os ladrões de gado e de cavalos. Normalmente a “Companhia da Gravata”, conduzia a sua vítima, com mãos e pés amarrados, na garupa de um cavalo, debaixo de um ramo de árvore, ou outra forca improvisada. Escutava-se o último pedido do desgraçado, ao qual se dava o direito de falar o que quisesse. O nó do laço era feito solidamente na corda. Em oposição a “Justiça dos Vigilantes”, que podia exercer tudo dentro da regularidade, o linchamento era um puro acto de violência por parte dos linchadores e não deixava nenhuma opção de fuga ao condenado. Na maioria dos casos, a vítima era verdadeiramente culpada do facto, mas houve também vários casos, com pessoas totalmente inocentes, que foram enforcadas. Geralmente essas ocasiões serviam de grande humorismo aos presentes. O ladrão de cavalos Craig Matthews fumou um cigarro e colocou a pirisca em seu bolso, por puro nervosismo, causando verdadeiras gargalhadas dos seus linchadores. Em 1868 o pastor “Irmão Van” foi perseguido em plena pradaria, por um grupo de linchadores que estavam no rasto de um ladrão de cavalos. O homem afirmou de ser o conhecido “Irmão Van”, mas todos o consideraram um mentiroso e colocaram o laço em seu pescoço. Somente no último instante, um dos linchadores recordou-se de ter ouvido, ao longe, certa vez o “Irmão Van” cantando, num coral. Ele convidou o ladrão de cavalos a cantar novamente aquela mesma canção. Então o linchador reconheceu a voz do pastor, o “Irmão Van”, e foi desamarrado e deixado livre, para alívio do indiciado. Duas horas depois, o “Homem de Deus”, viu o corpo de um enforcado pendurado numa velha árvore. Nunca foi apurado, se aquele fosse realmente o verdadeiro ladrão de cavalos, tão procurado.

Linguagem das Penas – Cada tribo Indígena, possuía o seu característico cocar ou enfeite, que eram variados: do famoso gorro de guerra dos “Sioux” até o simples turbante dos Iroqueses. Alguns desses acessórios indicavam a personalidade e a casta do seu proprietário. Junto aos Índios dos Lagos e das Florestas, que geralmente raspavam a cabeça, o enfeite não recaía em suas costas, mas abrangia a nuca. As penas usadas eram as de peru, grou, airão, e também da águia. Entre as tribos do Oeste dos Estados Unidos, os mais bonitos eram aqueles confeccionados de acúleo de porco-espinho. O mais pitoresco e o mais conhecido era aquele dos “Dakotas”, que foi criado pelos “Mandans” e depois pelos “Hidastas”. Cada pena deles tinha o seu significado e a sua razão de ser. Cada uma delas representa um acto de coragem realizado pelo proprietário do enfeite. Assim, uma pena com uma mancha vermelha na ponta recordava a morte de um inimigo morto em combate e se a pena era cortada no mesmo ponto significava que o adversário teve a garganta cortada. Diversos cortes nos vários pontos das penas representavam que o guerreiro foi o segundo, terceiro ou quarto em combates, enquanto que para o quinto, cortava-se a borda da pena. Uma pena quebrada significava que o guerreiro foi ferido durante o combate. Junto aos “Hidastas” do Missouri, o primeiro guerreiro que se aproximava dos inimigos e matava um deles, recebia uma pena de águia ornamentada por um pouco da crina do seu cavalo; o segundo que completasse a sua missão, recebia uma pena ornamentada com uma linha vermelha, o terceiro tinha o direito a duas linhas e o quarto a três. Os homens feridos tinham o direito a uma pena com uma linha feita com acúleos do porco-espinho. Os “Omahas” recebiam como testemunha da sua coragem, uma faixa confeccionada com a cauda de cervo, ornamentada com penas, de um peru e pintadas de vermelho, para precisar que o proprietário, foi o primeiro a merecer tal reconhecimento. Os Índios “Sauks” e os “Foxes” possuíam essa mesma faixa da cauda de cervo. Os “Cheyennes”, durante algumas cerimónias, levavam os seus cocares feitos com peles de bisonte e ornamentados com chifres de animais. Era essa a ornamentação preferida também pelos xamãs. Os “Blackfeet” e outras tribos Indígenas, durante o Inverno, para se protegerem do frio intenso, usavam gorros de pelica, feitos com peles de coiote ou lontra. Um idêntico ornamento era usado pelos “Omahas”, pelos “Osages” e “Poncas”. Eles eram decorados com acúleos de porco-espinho e diversamente coloridos. Os Índios do Oeste, geralmente os “Iroqueses”, levavam cocares de peles de animais, enfeitados com penas, juntas de uma só parte. Um desses ornamentos, chamado de “Gustoweh”, era usado durante as cerimónias; em cima dele estavam alguns círculos contendo penas pequenas e ao centro uma pena de águia. Os “Apaches” usavam somente uma faixa de tecido, da qual a cor distinguia a importância do guerreiro que a usava. Mas esse ornamento tinha a principal função de manter os cabelos, que eles usavam longos e soltos, nas costas, tendo uma franja na fronte.

Linguagem dos Sinais – (Sign Language). Os Índios, habituados a tratar com gente que usavam línguas diferentes, existiam mais de mil, aperfeiçoaram-se no uso dos sinais. A necessidade obrigou os cowboys, a aprender tal linguagem, pelo menos o básico, para compreender e falar com os mesmos. Esse complicado modo de entendimento servia-se de duas maneiras; um era formado por sinais “Naturais”, como por exemplo, a imitação do voo do pássaro, levantando e abaixando os braços dobrados, o outro era formado por sinais “Fantasioso”, por conceitos abstractos, como paz ou nomes próprios.

Linguagem Secreta – Alguns estudiosos, que se dedicaram aos Estudos da Língua Indígena, afirmam que os Peles-vermelhas utilizavam palavras especiais, durante os Conselhos, palavras às quais eram adicionadas certas sílabas. Quanto aos xamãs, eles usavam uma linguagem toda pessoal para cantos e fórmulas, para não serem compreendidas ou entendidas pelos demais membros das tribos.

Linhas Ferroviárias Transcontinentais – Quando a descoberta de ouro no longínquo Oeste teve como consequência a partir de 1848, não somente uma enorme emigração para o mesmo Oeste, mas também a colonização de novas regiões intactas, a fundação de novas cidades, de novos Estados e de novas zonas económicas e quando, consequentemente, incluindo o comércio com a Ásia, das costas do Pacífico, tudo surgiu sob uma luz completamente nova. Os grandes homens da economia e os políticos dos Estados Atlânticos se renderam conta que era indispensável, para futuros desenvolvimentos da América, a necessidade de linhas ferroviárias que não somente unissem a costa Atlântica à costa Pacífica, mas que pudessem servir também as necessidades das zonas intermediárias. Por isso o Congresso emitiu em 1853 uma Lei, segundo a qual obrigava a serem feitos estudos, para verificar a possibilidade de construir mais linhas ferroviárias que, partindo de Missouri-Mississippi, chegassem até à costa do Pacífico. Esses estudos deviam também estudar percursos melhores. Em 1862 foi escrita e aprovada a primeira Lei para a construção de uma Ferrovia Transcontinental e essa linha ferroviária (Central Pacific, Union Pacific), foi completada em 1869. Durante o tempo de construção (1862/69), a ferrovia “Chicago & North Western” tinha chegado a Omaha, de modo que, com os complementos da Union Pacific, estava realizada uma coligação ininterrupta de costa a costa. No mesmo decénio, iniciaram-se os planos para o grande trajecto a norte (Northern Pacific), o grande trajecto central (Kansas Pacific e Denver Pacific) e o grande trajecto meridional (Southern Pacific). Todas essas linhas seriam completadas até 1880. A Northern Pacific ligava os Estados dos Grandes Lagos com os Estados ocidentais Oregon e Washington; a Kansas & Denver Pacific Line, ligava as zonas Missouri-Mississippi com a Califórnia; a Southern Pacific, que passava por Yuma, Arizona, Santa Fé, New México, El Paso, Texas, New Orleans, ligava as costas do Pacífico com portos do Golfo do México. Ao mesmo tempo, construíam-se as linhas de ligação, por exemplo, ao nordeste a Oregon Shortline, no oeste a ferrovia Denver & Rio Grande, Atchison, Topeka & Santa Fé, Union Pacific, Denver & Gulf; no sudoeste o sistema de linhas ferroviárias da Texas & Pacific, de modo que no último decénio do XIX século, não existia praticamente um Estado que não houvesse uma linha ferroviária, ligando as duas costas Oceânicas. A distância da primeira linha Ferroviária Transcontinental de New York a San Francisco era de 4.505 quilómetros.
Ano de início dos serviços das diferentes linhas ferroviárias:
1869 – Union Pacific/Central Pacific.
1870 – Kansas Pacific.
1871 – Denver Pacific.
1873 – Missouri-Kansas-Texas Railroad.
1882 – Oregon Shortline.
1883 – Oregon Railway & Navigation, Northern Pacific, Denver & Rio Grande, Texas & Pacific, Southern Pacific, Santa Fé e Atlantic & Pacific.
1888 – Chicago & Santa Fé.
1893 – Great Northern.

Little Turtle – (1752-1812). Foi o extraordinário cacique dos Índios Mandans. Nascido em 1752, numa pequena aldeia às margens do Eel River, em Indiana. Seu pai era o cacique dos Mandans, sua mãe era uma Índia Mohegane. Tornando-se cacique, com a idade de vinte e seis anos, derrotou o general Harnar, no Outono de 1778, no Miami River. Cinco anos após, derrotado pelo general Wayne, assinou um Tratado de Paz, declarando: “Sou o último a assiná-lo, serei então o último a não respeitá-lo”, declarou. Ele manteve a sua palavra e quando, deflagrou a Guerra de 1812, recusou-se em seguir “Tucumseh”. Em 1797, “Little Turtle”, fez uma viagem memorável, em Washington. Gilbert Stuart, um famoso Artista, pintou o seu retrato, mas o que o comoveu particularmente, foi o presente, oferecido pelo general Polaco Koscsiousco, que tinha combatido ao lado dos Americanos, durante a Guerra da Independência, que eram duas esplêndidas pistolas. Little Turtle morreu em 1812, no dia 14 de Julho, em sua aldeia natal, transformada então, em Fort Wayne.

Livro de Marcas – (Brand Book). Registo das marcas, que possuía cada Tribunal de Distrito, nos EUA. As Uniões de Criadores de Gado (Cattlemen Associations) iniciaram o uso desse importante registo gráfico.

Lobos – Eram temidos por boiadas, tanto em transferimentos, como nos próprios ranchos. Por isso, alguns atiradores escolhidos entre os cowboys, especializaram-se nesse tipo de caça e alvo. Eles eram chamados comummente de “Wolfers” e nas estações particularmente infestadas com lobos, colocavam-se em disputa alguns prémios, pagando-se até um dólar por um par de orelhas do animal. Os cowboys divertiam-se também com a caça de lobos a cavalo, pegando-os com laços. Entre a caça, a captura e a criação, os lobos foram quase totalmente exterminados.

Lone Star – Estrela com cinco pontas, da República do Texas. Mesmo depois que o Texas, em 1848, tinha se agregado à Federação dos Estados Americanos (EUA), os cowboys continuaram a ornar as suas botas, selas, chapéus e “chaps”, com a tal estrela, para declarar sem sombras de dúvidas, a proveniência deles. A origem da “Estrela Solitária”, também os “Rangers” do Texas, eram particularmente chamados de “Cavaleiros da Estrela Solitária”, é pouco clara e envolvida em “causos”. Uma dessas anedotas, dizia que o primeiro Governador do Texas, empossado depois que em 1835 tinha sido declarada a Independência do Texas, usava sigilar seus documentos, com um botão de bronze, da sua jaqueta, que levava como ornamento uma estrela com cinco pontas. Outra versão, dizia que certa senhora Svenson, patriótica, tinha doado ao Primeiro Regimento de soldados, do Texas, uma bandeira trazendo uma estrela e que mais tarde, essa estrela seria adoptada para o primeiro símbolo Nacional. De toda forma, a primeira bandeira do Texas, após a sua Independência, era um estandarte com somente uma estrela e treze listras, talvez derivadas dos Estados Unidos da América. Mais tarde, as listras foram abolidas.

Lone Wolf – (Nasceu por volta de 1820). Como cacique dos Kiowas, foi um dos nove assinantes do Tratado de Medicine Lodge em 1867. Esse acordo entre Peles-Vermelhas e Caras Pálidas, foi o primeiro que obrigava os Índios a ir para as Reservas. Quando o seu filho, foi morto pelos brancos, ele tornou-se hostil e combateu até o dia no qual em 1875, foi capturado e mandado preso, ao Fort Marion, Flórida, onde morreu em 1879. Seu filho adoptivo, que trazia o seu nome, tornou-se então o novo cacique.

Longfellow – Wadsworth Henry. (1807/82). Foi o mais popular tradutor da “Divina Comédia” (1876) e também, autor de diversos volumes de poesias e baladas.

Longhorn – Até que o assim chamado “Oeste Selvagem” terá um significado, o “Longhorn” continuava pelas pradarias e pela época toda, o símbolo do cowboy e do “Velho Oeste”. Essa raça de bovino é originária daqueles sete bois que o Espanhol Gregorio de Villalobos, em 1521, levou para o Continente Americano. Em 1540, o Conquistador Francisco Vasquez de Coronado, partindo à procura das “Sete cidades de ouro de Cibola”, levou consigo uma boiada que durante a viagem separou-se em várias direcções, por uma tempestade violenta. 300 anos mais tarde, esses bovinos Andaluzes, eram multiplicados, através de uma ininterrupta cadeia de reproduções consanguínea, em milhões de cabeças que formavam a raça dos famosos “Longhorn”. Esbeltos, robustos, com pernas longas, e com temperamento selvagem, esses bovinos sabiam se defender melhor que os bisontes, búfalos, alces e dos cervos Wapiti, e eram munidos com chifres cujas pontas chegavam até 2,10 m. As cores das peles passavam do uniforme negro ao cinza escuro, ao castanho-cinza, ao castanho, ao cinza escuro, ao vermelho-acastanhado, ao castanho-azul e ao bege, com todas as nuances intermediárias. Eram manchados, ou a pele inteira, com duas ou mais cores. No início da época das grandes migrações de manadas, em 1865, calcula-se que o número desses magníficos animais girava em torno de 8.000.000, somente no Texas. A partir de 1865 também uma grande parte deles acabaram nas panelas da Nação faminta, após a Guerra Civil. Os “Longhorns” ajudaram o Texas contra a sua falência e o seu carácter selvagem, forjou certamente o carácter do lendário COWBOY AMERICANO. Depois os rancheiros do sul, começaram a sua criação e ao norte, tentavam o cruzamento, até que uma nova raça cruzada, mais corpulenta, ultrapassou os “Longhorns”, por volta de 1890. O Governo Americano, viu-se obrigado a intervir, para preservar a lendária raça da extinção e transferiu a última grande manada para um parque Nacional entre as Montanhas Wichita.

Louisa May Alcott – (1832/88). É a autora de “Pequenas Danças”, o mais popular romance para jovens. Com “Cenas de Hospital”, no qual descreve as suas experiências como enfermeira, durante a Guerra Civil, comoveu a América.

Lucrezia Coffin Mott – (1793/1880). Foi a primeira grande Feminista Americana. Quando jovem, lutou ao lado do marido, contra a Escravidão e passou a sua vida inteira, demonstrando as reivindicações das mulheres, que não eram como pretendiam dizer, somente uma forma passageira de histerismo e de “loucura” dos tempos.

Luta com faca – Nos decénios de 1810 a 1850, a luta com facas, juntamente com aquelas de revólveres em duelos com um só disparo, ou com revólveres normais, começava a entrar em uso, sendo a maneira preferida dos Cavaleiros do Feudalismo Agrícola meridionais, para resolverem publicamente as questões de honra. As facas eram afiadíssimas e os combatentes, protegiam o braço da mão livre, com uma jaqueta, um cobertor, ou até simplesmente por um mísero saco. Com a introdução da faca “Bowie”, surgiu uma espécie de histerismo colectivo, pela luta com essa arma branca, nos Estados meridionais. Quase todos os dias, falava-se de lutas espectaculares. O cowboy considerava tais duelos, com desprezo supremo, porque os considerava um método de combate, adaptado somente aos cocheiros Mexicanos. O cowboy Amos G. White afirmava, em 1860: “É extraordinário, como o homem possa continuar combatendo, com tantas feridas, em seu corpo. Reconheço que é uma Arte maldita. Mas para mim, detesto os truques, os movimentos e aqueles ridículos gritos e acho também que o cadáver de um derrotado, na luta com faca, assemelha-se muito mais a um monte de carne retalhada de um boi, que a uma figura humana. Não, senhor, isso não é realmente, para mim.” A faca serve como relatavam os antigos Mexicanos, “para destrinchar uma Besta ou entrar, numa discussão implacavelmente difícil”. Joaquin Murietta foi o lendário lutador com faca, da Califórnia.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

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