O Alfabeto do Velho Oeste – Letra H

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira

Wilson Vieira by Fred-MacedoWilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…
É também autor do seguinte blogue na Internet:

http://brawvhqs.blogspot.com/

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira1Caros LeitoresGeograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação O ALFABETO DO VELHO OESTE propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

H

HacendadosHacendados –  Os sucessores dos Conquistadores fundaram no México muitas e imensas propriedades, as assim chamadas “Haciendas”, nas quais se criava também bovinos. São os predecessores aos Rancheiros.

Hacienda – Em Espanhol, propriedade também agrícola, contendo uma casa grande (sede), como centro organizativo.

Hait TriggerHait Trigger – Hair = cabelo, pêlo; Trigger = gatilho.
Gatilho flexível como um cabelo, colocado num rifle ou revólver, que à mínima pressão do dedo, fazia mover o cão e disparar.

HangoutHangout – Algo como “Esconderijo”. Geralmente um “Hangout” ou “Hideout” era um local para acolher bovinos roubados e abrigar bandidos.

Hardin – John WesleyHardin – John Wesley. (1853/1895). “Desperado” do Texas, cowboy, chefe de caravanas, patrão de pequeno “Ranch”, “Pistolero”, advogado e teólogo, para os Texanos uma espécie de “Herói Nacional” e para o resto da América, um bandido terrível, cruel, amaldiçoado e frio assassino. Foi outro jovem que assumiu a violência sob o clima do após Guerra Civil. No ápice de sua fama de “Killer”, sentiu a necessidade de escrever a história de sua vida. Disse: “Matar um negro significava naquele tempo, ser condenado à morte por um tribunal sustentado por baionetas Nortistas. Assim, contra a minha vontade, eu me tornei um perseguido pela Justiça, porém da “Injustiça” daqueles que haviam subjugado o Sul”. O negro, Hardin matou-o em 1868, aos quinze anos. Certa vez Wild Bill Hickok ordenou ao jovem cowboy em Abilene para entregar as suas armas, ele simplesmente respondeu: “Se quiser os meus revólveres, venha pegá-los!”. Wild Bill desistiu da ideia. Caiu numa emboscada em 1895 no “Saloon Acme” de El Paso, durante uma simples partida de cartas, arquitectada pelo oficial de polícia John Selman, assassinando-o com quatro tiros. Foram a ele atribuídas 40 mortes, sendo 32 em duelos. Já em 1871 tinha matado 20 homens. Em 1874 ele matou um xerife e ficou preso durante 17 anos. Quando foi libertado era advogado e docente da Doutrina Metodista. Pensando bem a esse longo período digamos de “inactividade”, o número de suas vítimas é ainda mais impressionante. Eram tempos nos quais até os Homens da Lei não escondiam a sua admiração por aquele fora-da-lei, exímio atirador e de muita coragem. O policial que prendeu Hardin certa vez, após uma longa perseguição, disse assim aos seus ajudantes: “Rapazes, agora o prendemos! Não lhe toquem, porque é um homem corajoso e o primeiro que tocar nele, com um só dedo, eu mesmo o mato!”.

HardwareHardware – (Ferramenta). Utensílios de ferro da cozinha, como panelas, frigideiras, etc. Geralmente o cowboy chamava de “Hardware” também o seu revólver; era algo como “Brinquedo de Ferro”.

Harriet – Beecher StoweHarriet – Beecher Stowe. Autora do romance “A Cabana do Pai Tomás”, que descreve de maneira eficaz a crueldade do Sistema Escravagista. O romance, publicado em 1852, influenciou extraordinariamente a opinião pública e foi traduzido em 22 Línguas. A escritora nasceu em 1811 e viveu em Cincinnati, cidade de fronteira entre o Kentuck e o Ohio. Lincoln a chamará de “A Pequena Mulher, que iniciou uma grande Guerra”.

HayfieldHayfield – Em 1 de Agosto de 1867, o dia sucessivo à Batalha de “Wagon Box”, um grupo de colonos da localidade de “Hayfield” enquanto colhiam feno foram atacados por 800 Cheyennes. Os homens defenderam-se com rifles, de dentro de suas cabanas fortificadas. Um Destacamento sob ordens do tenente Sigismond Stemberg, que encontraria a sua própria morte, nesse ataque, foi enviado para socorrer os agricultores. Os Índios foram rechaçados, perderam oito deles e tiveram treze feridos. Outros ataques aconteceram ao longo da “Bonanza Trail”, depois a Diplomacia tomou o lugar das armas. “Red Cloud” o cacique dos Sioux continuou resistindo e em Março de 1868, Ulysses Grant ordenou a evacuação dos Fortes Phil Kearny, C. F. Smith e Reno. Ademais a Linha Férrea tinha tornado a “Bonanza Trail” bem menos importante. Após longas conversações, “Red Cloud” aceitou assinar o Tratado de Paz em 6 de Novembro, dali por diante os Sioux tiveram que viver numa Reserva do Dakota do Sul, ao Oeste do Missouri.

Hawthorne – NathanielHawthorne – Nathaniel (1804/1864). Famoso sobretudo por ser o autor da “A Letra Escarlate”, viveu longos anos na Europa. Na Itália, escreveu o seu romance “O Fauno de Mármore”, no qual ele descreve inúmeros monumentos e alguns ambientes de Roma. Ainda hoje o turista Americano, que pretende ir a Itália, considera quase que um dever ler antes o livro do escritor.

Hazing – (Haze = Neblina, Hazy = Nevoeiro). Expressão com a qual o cowboy denominava, em sentido figurado, o lento, porém constante avançar da boiada para certa direcção, ou o movimento em círculo, da boiada que pasta. Um cowboy a cavalo, empenhado nessa situação, era chamado de “Hazer”. No Texas o termo “Hazing” era usado também para indicar a brincadeira com a qual, se fazia “dançar”, um boi “Greenhorn” ou um “Tenderfoot”, disparando-lhe tiros de revólver entre as suas patas. Um cavalo “Hazing” (Hazing Horse) era um cavalo robusto que era domado e ensinado para que fizesse outro cavalo selvagem ou um touro bravio, tomar a direcção desejada de seu cavaleiro, cavalgando ao seu lado e dirigindo-o sem jamais desistir.

Hereford – Raça de bovinos com manchas branco-avermelhadas, com patas curtas, corporatura maciça e chifres médios. Era considerada a Raça Americana mais indicada para a criação livre.

Hermann – MelvilleHermann – Melville. (1819/1891). É provavelmente o maior narrador Americano. Aos 18 anos trabalhou em veleiros e depois em navios caçadores de baleias, vivenciando realmente tudo, o que o inspirou a escrever seus romances. Escreveu também, um grande sucesso mundial: Moby Dick.

Hickok – James ButlerHickok – James Butler. (Wild Bill Hickok, Wild Bill). Figura lendária de pistoleiro do Selvagem Oeste, perpetuada por narradores de emocionantes epopeias heróicas, apresentado pelos Historiadores como um simples e vulgar “Killer”, de seu tempo e pelo poeta Americano Emerson Hough como um “Playboy” inserido entre os “Bad Men” (Homens Malvados) do Velho Oeste. Artista com um revólver na mão, cocheiro de carroções de transporte, explorador do Exército, xerife de cidade, vice-xerife Federal, guia para estrangeiros, caçador de bisontes, jogador de profissão, director do “Circo Western” de Buffalo Bill, matador de Índios, amado pelas mulheres, “Dandy” e homem casado; é a descrição detalhada desse pistoleiro aventureiro, que por sua vez, caiu vítima de uma bala de revólver. Na literatura de todo o mundo, sobre os heróis do Selvagem Oeste, somente o general Armstrong Custer e Buffalo Bill, podem dividir com ele uma fama póstuma assim lendária. Nascido em 1837, em Illinois, Hickok deixou a casa paterna em 1835 após a morte do pai, foi para o Kansas, onde se alia ao lado dos opositores da Escravidão durante os anos do “Sangrento Kansas”, conhece William F. Cody (Buffalo Bill) torna-se policial e em 1859 cocheiro de carroções de transportes. Em 1860, inicia a actividade do “Pony Express”, Cody torna-se cavaleiro e Hickok cocheiro da diligência Postal. Em 1861 mata 3 homens na estação de Rock Creek, foi acusado e absolvido e torna-se cocheiro do Exército dos EUA. Em 1862 o general Curtis promove-o como explorador e exímio atirador; em 1863 torna-se espião atrás das linhas inimigas e conspirador juntamente com bandos de guerrilheiros do Norte. Em 1864 foi admitido como explorador no Sul, mata em duelo um homem e foge no Exército Nortista. Um ano depois é novamente explorador, mata outro homem, é acusado, absolvido, mas perde a disputa para cargo de xerife. Em 1866 mata um homem, torna-se vice-xerife Federal e dá caça a desertores e ladrões de cavalos. Em 1867 como explorador acompanha o general Hancock em sua Expedição punitiva contra os Índios e o jornal “Harpers New Monthly Magazine”, aclama-o herói do Oeste. Em 1869 Wild Bill torna-se xerife da cidade do Distrito de Elli, Kansas, depois xerife da cidade de Hay. Mata outros três homens. Um ano depois mata mais 2 homens e novamente passa a ser explorador do Exército. Em 1871, já xerife da cidade de Abilene, mata 2 homens, e vem novamente absolvido sob a pressão dos “Ranchers” Texanos. Sidney Barnet admite-o em 1872 para os seus espectáculos sobre o Selvagem Oeste, em Colorado; aqui mata um homem, depois que fugiu para Nova York, onde esperava fazer carreira no campo dos escpetáculos, desiste. Em 1874 acompanha Comitivas que perambulam em trens para caçar bisontes nas pradarias, e ensina aos hóspedes como disparar em bisontes. Na Primavera de 1875 matou 3 homens, vai para o Wyoming, nas “Black Hills” e adoece de glaucoma, tanto que em certos períodos ele é quase que completamente cego. Em 1876 casa com Agnes Thatcher Lake, proprietária de um Circo; mas logo após ele a abandona e torna-se garimpeiro em Deadwood, Dakota. Após guiar algumas caravanas com garimpeiros nas “Black Hills”, foi morto pelas costas por Jack McCall em 2 de Agosto de 1876, no “Saloon” de Deadwood, enquanto se sentava à mesa de jogo. Os revólveres de Wild Bill eram Colts a percussão, modelo 1851, usado pela Marinha e um novo modelo de revólver Remington 1866, usado pelo Exército, também a percussão, do qual ele dizia já em 1873: “Não tenho nenhuma estima pelos revólveres a cartuchos. Aqueles carregados pela boca são mais práticos, pois eu mesmo posso determinar a carga de pólvora”. Dos homens que tinha matado, ele dizia: “Antes atiro, depois pergunto! Essa é a melhor maneira de conservar a sua vida. Eu miro sempre para o corpo de um homem, porque ali o impacto da bala é maior. Nunca fugi de ninguém”. O que não é completamente verdadeiro. Certa vez Ben Thompson, um proprietário de “Saloon” desafiou-o a um duelo em 1871, Wild Bill, em resposta ofereceu a sua amizade.

HidastasHidastas – (Pastos). Tribo da família linguística dos Sioux, que em tempo histórico emigrou da região de Minnesota (Lado do Diabo), para o Missouri e lá se agregou aos Índios Mandan, eles também pertencentes aos Sioux, que habitavam o território circunstante a foz do Heart River. Viviam em casa de terá, fabricavam objectos de cerâmica e eram excelentes cultivadores de milho, do qual conheciam várias espécies. Quando em 1837, quase toda a tribo dos Mandan, foi dizimada pela varíola, os poucos sobreviventes, uniram-se aos Índios Hidastas, os quais depois da chegada do homem branco retiraram-se para as pradarias e tornaram-se caçadores de bisontes. Lá eles se uniram aos Sioux e os Cornacchia durante as Guerras Indígenas; enfim foram transferidos para a Reserva de Forte Berthold, no Dakota do Norte, onde em 1937 viviam ainda, num total de 731 indivíduos.

Hideout – (Esconderijo). Também conhecido por “Hangout”. 2 – Expressão Inglesa usada também para indicar o modo de levar armas escondidas. Por exemplo, todos os coldres colocados nas costas, ombros, sob as axilas, ou dentro das calças; ou em mangas, feitas com molas especiais para serem accionadas com a simples articulação da mão, as pequenas pistolas “Derringer”.

H.L. HunleyH. L. Hunley – Submarino construído nas docas da Confederação com a esperança de manter a defesa contra as Forças Marítimas Nortistas. Foi uma grande novidade no campo da Guerra Aquática. Os marinheiros Nortistas, durante a sua primeira aparição, definiram-no com sarcasmo: “Parece um peixe ou um caixão flutuante”, pois foi comentado que custou a vida de vários homens, durante a sua fabricação e uso. Na noite de 17 de Fevereiro de 1864, nas proximidades de Charleston, diante ao Forte Sumter, o “Hunley” afundou um grande navio Nortista, o “Housatanic”. Mas o submarino que era movimentado com os braços de seus ocupantes, e levava um pequeno torpedo consigo, logo foi afundado.

HoecakeHoecake – Pão feito com farinha de milho, banha de porco, água quente e sal. A farinha de milho ainda não triturada, juntamente com o sal e a banha, eram amassada juntas até se tornar uma pasta seca e flexível, então era colocada em água fervente. Tudo era agitado até formar uma pasta compacta e depois colocada para que crescesse, naturalmente. Colocava-se então a massa numa panela quente e besuntada com banha, fazendo-a cozinhar no forno, primeiramente de um lado, depois do outro, até que o pão ficasse bem cozido. O nome “Hoecake” (Hoe = enxada e Cake = torta), o cowboy o derivou da primeira Época dos Pioneiros, lá então os Mexicanos agricultores de milho, preparavam o pão em campos, colocando a massa na lama de uma enxada que depois a colocavam sobre o fogo de uma fogueira, até que a massa endurecia.

HoglegHogleg – (Pé de porco). Gíria usada pelos cowboys, para indicarem o revólver. Sua origem parte do facto que seu cabo ou empunhadura, ao início dos modelos da “Colt” era semelhante em sua forma, a um pé de porco.

Hogtie – (Nó de porco). Termo usado para designar um animal, especialmente bois ou asnos; ao qual, como um porco que era retalhado, eram amarradas as duas patas posteriores. O cowboy usava invés sua (“Piggin String” = Corda de porco), para amarrar um novilho.

Hold UpHold Up – Agressão para efeito de assalto a um cocheiro de diligência, maquinista de trem, ou empregado de banco. 2 – Pequeno grupo de bovinos domésticos e dóceis que eram confinados num curral, juntamente com bovinos selvagens, para que os influenciassem em suas “boas maneiras”.

Holland – P. JohnHolland – P. John. Um Irlandês morando nos EUA em 1873 construiu um submarino chamado de “Holland”, que foi comprado pela Marinha Militar, era dotado de motor a combustão interna para navegar na superfície e de motor eléctrico para navegar em imersão. O Departamento da Marinha ordenou a sua fabricação em série.

HombreHombre – “Homem”. Termo usado no Oeste e Sudoeste, para indicar um homem ao qual se conhece pouco, ou foi apenas apresentado.

HondaHonda – (Lançador). O “Olho do Lariat”, aquele “pequeno olho” no extremo de um “Lariat” (“La Reata” = Corda, “Lazo Reata” = Laço) de couro ou corda através do qual, escorre o laço. A forma mais fácil de “Honda” numa corda é o pequeno furo feito com o “Nó Honda”, que é largo o dobro do diâmetro da corda. Para aumentar o escorregamento da parte interna do pequeno olho, costurava-se um pequeno pedaço de couro no arco do círculo, de frente ao nó, ou inseria na corda uma tira semi-circular de metal. Essa forma de “Honda” era a preferida dos cowboys do Oeste. Mais tarde, quando o lançamento do laço tornou-se uma Arte respeitada com muitas variações, geralmente usava-se o pequeno olho em metal, tendo formas (redondas ou ovais), pelas quais se escorria a corda. Porém essa “Honda” de metal foi abandonada porque com ela o laço abria-se muito rápido e provocava feridas. O cowboy actual usa a “Honda” com o próprio “Nó Honda” que é munido de uma interna guarnição de metal. Se a corda era feita de pele não curtida (“Reata”), a “Honda” era confeccionada com uma tira grossa de pele não curtida, envolta da qual escorria a corda de pele crua e trançada.

HoodooHoodoo – Termo dialectal, com o qual o cowboy indicava um ladrão profissional de bovinos.

Hooh! – Grito dado a cavalos, mulas ou bois, que puxavam veículos, para fazer virar para a direita ou esquerda.

HosegowHosegow – Derivação do Espanhol “Juzgado” = Tribunal. Termo com o qual, o cowboy indicava sarcasticamente a prisão.

HopiHopi – (Hopitu = Os Pacíficos). Pertenciam ao grupo dos “Shoshone”, da família linguística dos “Uto-Aztecas” e socialmente aos “Pueblos”. Povo de construtores, altamente civilizado, que na Época Pré-Colombiana habitava em grandes cidades nos montes do Arizona Norte-Oriental; como agricultores criaram excepcionais sistemas de irrigação em regiões desérticas. Esses famosíssimos “Renegados” da Cristianização Espanhola conseguiram assimilar tudo que parecesse bom e rejeitaram rigorosamente o que não gostavam. Por 150 anos resistiram, geralmente pacificamente e passivamente, a todas as tentativas dos Espanhóis de fazerem deles, como dos outros, Índios Espanhóis. As poucas Campanhas Militares, feitas pela Espanha para formarem uma aliança com os Zuni, fracassaram e os Hopi permaneceram livres. Com os Americanos, eles tiveram contacto somente quando o Governo dos EUA ergueu em Keams Canyon, nas proximidades de algumas cidades dos Hopi, como “Hano”, “Mishongnovi”, “Oraib”, “Shipaulovi”, “Shungopovi”, “Sichmovi” e “Walpi” uma Agência Indígena e uma igreja Protestante. Nos anos seguintes, os Missionários Mórmones, Baptistas, Metodistas e Presbiterianos, foram recebidos pelos Hopi de maneira bem amigável. Mas logo, os Missionários interessaram-se mais aos costumes dos Hopi de quanto os Hopi interessaram-se à Fé dos Missionários. Hoje cerca de 4.200 Hopi vivem em 17 “Pueblos”, de modo pacífico, Cristão, Indígena, mas não Americano.

Horace – GreeleyHorace – Greeley. Nasceu em 1811 e faleceu em 1872. Foi o fundador de jornal “New York Tribune”.

Horn – TomHorn – Tom. Nasceu em 1860, morreu em 1903. Explorador do Exército, intérprete de vários dialectos Apache, combatente pela causa Indígena, Agente de Investigação da Agência Pinkerton, pistoleiro, caçador de bandidos, foi condenado à morte em 1903 por um discutível assassinato de um jovem e justiçado publicamente. Tom Horn afirmou que em sua qualidade de Agente de Investigação e de pistoleiro comissionado por um Partido Político durante a Guerra da Distrito Johnson, Wyoming, tornou-se muito indesejável para o tal Partido adversário e que por isso encontrou o tal motivo, para eliminá-lo dentro da assim chamada “Legalidade”. Hoje essa versão parece muito verosímil.

HossHoss – Termo dialectal dos cowboys, para indicar o cavalo e ao mesmo tempo em maneira jocosa para indicar um homem que cuja face, estatura e certos traços de carácter, recordavam o importante quadrúpede.

Hosso InjunsHosso Injuns – Palavra dialectal, usada para designar os “Horse Indians” (Índios Cavaleiros), para nominar todas as tribos a cavalo que habitavam nas Grandes Planícies, especialmente os Comanches e os Sioux.

How – Saudação Indígena, derivada da palavra usada entre os cowboys: “Howdy” (Como vai?). Os Índios não conheciam ou usavam tal saudação, antes de ter contacto com os brancos.

Hudson’s Bay CompanyHudson’s Bay Company – Os dois aventureiros Franceses, Sieur de Grosseillers e seu cunhado Pierre Radison, desiludidos dos métodos radicais dos “Courers de Bois” (Mateiros) Franceses do Canadá, que não toleravam nenhuma concorrência, foram para a Inglaterra em 1670 e as suas narrativas sobre os caçadores de peles, levaram-nos naquele mesmo ano à fundação da primeira e importante sociedade Americana para o comércio de peles, a “Hudson’s Bay Company”. Por os Índios transportarem as peles em canoas, ao início da sociedade, com uma gestão segundo um estilo rigidamente autoritário, pouco foi comercializado. Quando as entregas das peles tornaram-se mais escassas, Anthony Henday foi enviado para o interior da região em 1754, para achar novos fornecedores. Henday entrou em terras dos Índios “Pés Negros” e quando descobriu que tais Índios não usavam canoas e sim cavalos, foram organizadas caravanas de comerciantes para o comércio das peles. Em breve, a política comercial da Companhia, sempre autoritária, impôs-se em todo o Canadá. Os Franceses, que trabalhavam na Pátria Mãe de maneira desorganizada e ingénua, ficaram então em segundo plano. Na Guerra Franco-Inglesa para a tomada do Canadá, as boas relações entre a Inglaterra e os Índios, teve um valor determinante. Após 7 anos de hostilidade, a França perdeu o Canadá, vendeu a Louisiana para a Espanha e saiu da cena Americana. Da hereditariedade das Instituições Francesas, nasceu, com ajuda Escocesa, a “North West Fur Company”, que por decénios constituiu uma ameaça a “Hudson’s Bay Company”. As Companhias Russas para o comércio de peles, tomaram o Alaska e fundaram uma colónia em Califórnia. Após a venda de Louisiana aos EUA, as Sociedades Americanas: “American Fur”, “Astor”, “Columbia Fur”, “Missouri”, etc., entraram em uma concorrência desenfreada. No período lendário dos “Trappers-Rendez-Vous” (1825/1845), seguiu-se o declínio, e as grandes emigrações em massa longo as artérias Transcontinentais renderam o avanço aos comerciantes, caçadores de peles e os “Mountain Men”.

HulapaisHulapais – (Apaches -Yuma). Pequeno agrupamento de Apaches que habitavam com os Yuma no Arizona, que em 1868 combateu contra o Exército dos EUA, uma breve porém desesperada batalha, depois que o seu cacique, “Wabayula”, foi assassinado durante as tratativas de paz com o general Gregg e 5 de seus sub-caciques foram presos. Dizia o general Dowell, que ao fim os conduziu para a Reserva dos Yuma: “Prefiro combater contra 5 Apaches que um só Hulapai, eles são terríveis”.

HullHull – “Casco”. Palavra usada pelos cowboys para indicar a sua sela.

HurrahHurrah – (To hurrah a town). Expressão dos cowboys para indicar o uso de tiroteios e gritaria, através das cidades com mercados de bovinos, após as longas marchas de transferências das boiadas. Pegava-se literalmente uma cidade pelos chifres com poeira e chumbo, com gritos de “Hello” e “Hurrah”. Segundo a mentalidade dos cowboys isso representava um divertimento desenfreado, como expressão de alívio e para liberar o intenso stress, após a longa cavalgada e do massacrante trabalho, e seus inúmeros perigos. Para os cidadãos, significava somente que “Os Feijões Azuis” (Apelido para Cowboys) não só assobiavam em seus ouvidos através das ruas, mas que os projécteis de alto calibre conseguiam até perfurarem as paredes de madeira de suas casas e que os habitantes dessas ruas do “Hurrah”, geralmente ficavam petrificados, por horas nas suas habitações estendidos ao chão. Seth Bullock, xerife de Deadwood em 1873, disse: “Nyle Muller encontrou-se entre balas certa vez enquanto tomava banho em sua casa. Em minha própria casa sete balas perfuraram a minha cama, o armário e o meu guarda-roupa. O juiz Huykendahi viu literalmente voar da sua mão uma chávena de café que saboreava e é um verdadeiro milagre, inexplicável, que nenhum homem tenha sido ferido. Quando terminarem as suas munições, mandarei todos para a maldita cadeia!”.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

Um comentário

  1. Olá, sou fabricante de laços de couro crú, e inventei uma forma de fabricar laços de ótima qualidade e resistência, gostaria de achar parceiros para divulgar e exportar meu produto para o Texas. Caso haja interesse entre em contato. Grato.

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