O Alfabeto do Velho Oeste – Letra E

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira

Wilson Vieira by Fred-MacedoWilson Vieira:

Desenhador e Argumentista Brasileiro de Banda Desenhada, com mais de 36 anos de experiência, dos quais 7 deles (1973/80), participando como colaborador do estúdio Staff di IF em Génova/Itália, ilustrando também alguns episódios de Il Piccolo Ranger para a Sergio Bonelli Editore, Diabolik, Tarzan e o Homem-Aranha (Octopus desafia o Homem-Aranha). É também o autor da saga Nordestina: Cangaceiros – Homens de Couro e da série western – Gringo, assim como autor de vários outros roteiros. E escreve, escreve…
É também autor do seguinte blogue na Internet:

http://brawvhqs.blogspot.com/

O Alfabeto do Velho Oeste by Vieira1Caros LeitoresGeograficamente falando, como sabem o território dos Estados Unidos da América pode ser dividido em três zonas:
1- O Leste, ou seja, a faixa costeira Atlântica delimitada a ocidente pelas cadeias montanhosas de Allegheny e Apalaches.
2- O Oeste, ou seja, o planalto central ocupado inteiramente pela bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri e caracterizado, principalmente em sua parte ocidental, pela imensa vastidão de planícies.
3- E o Far West, ou seja, a região que compreende as Montanhas Rochosas e suas vertentes ocidentais que deslizam para o Oceano Pacífico. Tais configurações geográficas são importantes, para compreendermos bem o desenvolvimento histórico da colonização da América do Norte; a faixa costeira Atlântica foi logicamente a primeira a ser dominada pelos Europeus e por ela surgiram os primeiros vilarejos e as primeiras cidades (1600 e 1700), depois, (início de 1800), o grande planalto central foi, não só atravessado, como colonizado, enquanto que os pioneiros erroneamente o consideraram inapto para a cultivação e preferiram seguir para o Far West, ou seja, o Oregon e a Califórnia. Na segunda metade do século, finalmente também foi retomado o imenso planalto, deixado por tanto tempo antes aos índios e bisontes, transformando-se em objectivo de emigrantes, que lá se estabeleceram e colonizaram. Isso deverá ser recordado, para estabelecer dois conceitos, geralmente confusos. 1- Aquele de “fronteira”. 2- Aquele de “conquista” do West. De facto, desde que núcleos de colonizadores ingleses estabeleceram-se na Virgínia em 1620, a vida dura de fronteira, foi para os predecessores brancos uma realidade quotidiana, com todos os percalços e perigos que ela representava; principalmente a hostilidade natural dos índios nativos diante dos cruéis invasores. Ao contrário, com a expressão “conquista” do West, entende-se somente aquele movimento de massa humana, que teve início nos primeiros anos de 1800 e avançou além das fronteiras, pelas cadeias de montanhas, até o vale do Mississipi e depois, foi até à costa do Pacífico; nesse sentido a “conquista” do West não é mais que, o último período da história da fronteira americana. Sendo assim, para esmiuçar o passado americano, que tanto nos fascina, apresento com imensa satisfação O ALFABETO DO VELHO OESTE propondo esse database western básico, narrado a verbetes, em ordem alfabética, os pormenores sobre tal época. Projecto online penso, pioneiro tanto em Portugal, quanto no Brasil, estimulado a publicá-lo, através do amigo entusiasta José Carlos Francisco (Zeca), o qual me ofereceu generosamente o espaço, neste já renomado Blogue e aceitei. Será um trabalho longo e árduo admito, porém prazeroso, onde a cada letra específica, o amigo leitor encontrará uma variedade de descrições relativas a ela, num período onde homens, mulheres, animais, geografia e clima, entrelaçavam-se na batalha árdua do quotidiano em busca da sonhada sobrevivência o Velho Oeste. Espero que aprovem o conteúdo sugerido e me acompanhem, nessa aventura extraordinária, agora com a letra…

E

Eagle Bills – Revestimento para estribos, cujo trabalho em couro, lembrava o bico da águia.

Earp – WyattEarp – Wyatt. No fundo, a sua lenda nutre-se da biografia de Stuart N. Lake, com os dados oferecidos, pelo próprio Earp. Ela diz, então, que Earp chegou a Wichita em Maio de 1874 e tornou-se logo o xerife da cidade. O seu pedido para entrar nas Forças da Polícia, é rejeitada. Somente em 21 de Abril de 1875, foi admitido como policial. Isso foi confirmado nos jornais da época e sobre Earp como segue: Em 9 de Maio de 1875 Earp, com o apoio do xerife Behtens, prendeu o ladrão de cavalos W. W. Compton; em 23 de Maio de 1875 Earp não prendeu o cowboy Higginbothan, que, embriagado, cavalgava para cima e para baixo entre o Occidental Hotel e o Empire Saloon, partindo os vidros das janelas e os lampiões das ruas, porque naquela data não teve o apoio de ninguém. Em 10 de Novembro de 1875 Earp, o xerife Meagher e o seu assistente, o xerife Behrens, prenderam certo William Potts e dois homens negros, que posteriormente foram acusados de roubo de cavalos e bovinos. Em 15 de Dezembro de 1875, Earp encontrou, perto da ponte do Arkansas River, um bêbado caído no chão, tendo perto dele um alforge com 500 dólares. Earp levou-o para a prisão da cidade e entregou o dinheiro ao devido dono. Em 23 de Maio de 1876 Wyatt Earp entrou para as Forças de Polícia de Dodge City como assistente de xerife. Em 17 de Outubro de 1876 foi demitido, a seu pedido e abandonou a cidade. Em 21 de Julho de 1877, retornou. Esbofeteou a senhora Frankie Bell que o tinha ofendido e foi por esse motivo condenado pela Corte da polícia ao pagamento de um dólar, o mínimo da multa. No mesmo dia abandonou novamente a cidade e foi para o Texas. Em Forte Clark, montou um saloon, depois que não conseguiu eleger o ajudante de xerife de Dodge City. Em 22 de Janeiro de 1878 o “Ford County Globe” informou que o senhor Wyatt Earp, durante o seu passado por alguns meses tinha “encarnado” a figura do bom policial, voltou para Forte Clark, onde tinha trabalhado como gestor de saloon. Em 14 de Maio de 1878 Charley Bassett assumiu Earp como assistente de xerife, em lugar de Edward Masterson assassinado em 9 de Abril de 1878. O salário de Earp era de 75 dólares. Nos meses sucessivos Earp nunca mais foi noticiado em jornais da comunidade, nem nos verbais da polícia, tão minuciosos assim. O “Ford County Globe” constatou unicamente que “O senhor Earp possui uma magnífica capacidade de prever tiroteios com grande sangue frio, por isso não é aconselhável aos Texanos mais desordeiros “encenarem” brigas, estando ele por perto”. Em 9 de Setembro de 1879, Earp renuncia ao cargo, depois de ter tentado em vão ser xerife, e vai para Las Vegas. Em 27 de Novembro de 1879, o “Dodge City Times”, anunciou que Earp foi por certo período um carteiro da Sociedade de Transportes Wells Fargo & C. Em 1 de Dezembro de 1879, Earp e sua mulher Mattie, que tinha esposado em Dodge City, chegaram a Tombstone, Arizona. A situação de Wyatt Earp em Tombstone é ainda objecto de várias controvérsias. Alguns Historiadores que explicam a não desprezível riqueza dele e dos irmãos Morgan, Virgil, Warren e James, conseguida em Tombstone, afirmam que ele era o “cérebro” de uma banda de bandidos e de ladrões; outros defendem a sua honestidade, pelo facto da sua participação a acções criminosas, nunca terem sido provadas. O famoso tiroteio em OK Corral, é também um tanto obscuro, igual ao tempo passado em Tombstone. Muito foi escrito a propósito, mas nenhuma da numerosas opiniões e nenhum indício é suficiente a fornecer uma explicação plausível naquele acontecimento, nem a sua culpabilidade na participação daquele encontro fatal. O próprio Wyatt Earp deu, com o passar do tempo, três versões distintas desse tiroteio. Mas o que pode ser demonstrado além das dúvidas é que a profissão e a actividade de Wyatt Earp em Tombstone era aquela de gestor de saloon. O verbal do interrogatório de Earp durante uma sessão do Tribunal após o tiroteio de OK Corral em 26 de Outubro de 1881, presidida pelo juiz Spicer, contém as seguintes afirmações sobre Wyatt Earp: “O meu nome é Wyatt Earp e tenho 32 anos. Moro em Tombstone, desde 1 de Dezembro de 1879. Sou gestor de um saloon”. É também verdadeiro que em 1881, Wyatt Earp, teve contra si um mandato de prisão e fugiu para a Califórnia. Earp morreu em 3 de Janeiro de 1929, dois anos antes que o seu biógrafo. Foi sepultado no cemitério hebraico de “Hills of Eternity Memorial Park”, de Colma, perto de San Francisco. Durante a inspecção do seu cadáver, foram descobertas duas antigas cicatrizes, produzidas por arma de fogo.

Edith – Bolling, Galt, WilsonEdith – Bolling, Galt, Wilson. Considerada “A mais bonita primeira-dama dos EUA”. Foi a segunda esposa de Wilson Woodrow, presidente dos EUA.

Edson – Alva, ThomasEdson – Alva, Thomas. Nasceu em Milan, Ohio, foi educado pela mãe, aos 14 anos vendia rebuçados, cigarros e jornais em trens. Em 1868 obteve o seu primeiro registo para um aparelho para registar os votos dos parlamentares. Depois aperfeiçoa o telégrafo automático, inventa o telégrafo Quadruplex e outros aparelhos. Suas invenções ajudaram o financista Americano Jay Gould a conquistar o domínio da Western Union e da Companhia que gerenciava os telégrafos do Oeste. Após infinitas experiências, em 1879 obteve uma lâmpada que podia fornecer luz por mais de quarenta horas. “Foi a invenção que me custou mais cansaço. Eu nunca descobri nada, somente realizei experiências”. Declarou ele certa vez. Em 1887, inspirando-se em aparelhos já existentes, teve a ideia de criar “Pela primeira vez, aquilo que o fonógrafo faz para a audição”. Inventou em 1889 o cinetoscópio. Em 1900 após ter investido todos os seus bens na aquisição de minas de ferro com gigantescas maquinarias para a separação dos minerais, terminou completamente falido, pela descoberta de outros minerais, causando assim a queda do preço do ferro. Depois com novas invenções nos campos dos tecidos, impermeáveis, sinalizações Ferroviárias, construções em cimento, permitiram a ele, a sua retomada e renovada riqueza.

Eight-up – Grupo de 8 cavalos, mulas ou bois, usados em veículos da época.

El RenoEl Reno – 10.000 pessoas vindas dos pontos mais longínquos dos EUA, pagando 15 dólares por cabeça, somente para participar da Corrida. Às 12h00min de 22 de Abril de 1889, o capitão Hays do Exército Federal, disparou com o seu revólver. Os participantes em cavalos, carroças e carroções, avançaram em meio a gritos, relinchos e muita poeira. Os primeiros a chegar, conseguiriam as terras melhores. Esperavam por cada um deles; 160 acres e vinte e quatro horas depois tudo estava já tomado e demarcado. Os agricultores faziam filas em El Reno, para registarem os seus terrenos. A fantástica aventura que passará para a História dos EUA como a “Corrida a Terra Prometida”, havia acabado. Nos anos sucessivos aconteceriam outras “Corridas”, porém menos lendárias do que a de El Reno. No velho território indígena, atravessado pelos pioneiros afamados por terra, surgiram em poucos dias, quatro cidades, e a primeira foi Oklahoma City, que em 1907 iria tornar-se a Capital do novo Estado de Oklahoma. O superintendente dos levantamentos de dados em 1890 encontrou-se em grandes dificuldades e declarou para as autoridades: “Não se pode mais traçar uma fronteira”. Com a corrida disputada em 1889 a “Última Fronteira”, realmente desapareceu.

Emily Elisabeth DickinsonEmily Elisabeth Dickinson – Poetisa Americana (1830/1886), escreveu seis volumes de poesias.

EnchiladasEnchiladas – Pequeno-almoço dos “Vaqueros” Mexicanos; uma fritada à base de milho, ovos, pedaços de carne e muita pimenta.

Equalizer – Termo usado pelos cowboys, para indicar o seu revólver. Esse significado é derivado da antiga mentalidade dos pioneiros, segundo os quais num revólver, bastava uma pressão com o dedo, para efectuar o disparo; e colocava todos os homens no mesmo plano. A nova mentalidade dos cowboys, segundo a qual o sacar um revólver, determinava e tornava-se fácil o uso da violência no selvagem Oeste, descuidava totalmente o facto que a arma na mão de um homem e consequentemente na mão daquele contra o qual essa violência era usada, estabelecia o equilíbrio natural das coisas. Assim a violência armada, seja lá quem fosse que a usasse, atraía instantaneamente a violência, portanto ela perdia o seu lado sinistro. Eis porque os estudos puderam demonstrar que a criminalidade no Oeste, era relativamente mais contida que nos nossos dias, no qual praticamente somente os criminosos e os representantes públicos da Justiça estão armados; enquanto que o cidadão torna-se e permanece mais ou menos indefeso.

Equipamento – O cowboy usava essa expressão, principalmente aos Rancheiros, para indicar um grupo de homens que trabalhavam juntos e deviam reciprocamente, ganhar um sobre o trabalho do outro. Um Rancho e todos os cowboys que nele trabalhassem, eram, portanto, um “Equipamento”. Dizia-se também para designar como o “Pessoal” ou o “Grupo”, homens que não trabalhavam juntos constantemente.

ErieErie – Tribo Iroquês que residia em acampamentos na margem meridional do Lago Erie; opôs-se à participação das Seis Nações Iroqueses do famoso Paco dos Iroqueses e foi por isso chamada “Neutral” pelos Franceses. Por esse motivo foi exterminada até o último guerreiro pelas Seis Nações Iroqueses.

EscalpeEscalpe – André Maurois, em sua “Histórias dos EUA”, escreveu: “O uso do escalpelamento, ou seja, o extrair do crânio a pele com os cabelos de seu inimigo, vem de épocas remotas de sociedades Pré-Colombianas. Os índios das planícies preferiam decapitar os seus prisioneiros, mas começaram a escalpelar, quando as Administrações Coloniais Europeias instituíram “Prémios para Escalpes”. Os escalpes eram leves, mais fáceis para o transporte que cabeças degoladas”.

Escolha do nomeEscolha do nome – O nome dos recém-nascidos era escolhido com relação aos acontecimentos que caracterizavam aquele exacto momento do nascimento. Um dos maiores caciques dos índios Oglalas Tetoons, o famoso “Nuvem Vermelha”, foi chamado assim porque, no momento em que vinha ao mundo, um meteoro tinha atravessado o céu. “Cavalo Louco” devia o seu nome a um cavalo que atravessou a praça principal do acampamento, quando a sua mãe dava à luz. “Rosto Queimado”, um cacique dos Araphoes, teve o seu nome porque, quando ainda muito pequeno, foi desfigurado o seu rosto pela queima de pólvora. Alguns caciques trocaram os seus nomes durante as suas vidas. Por exemplo; “Sitting Bull’, chamava-se antes de se tornar mundialmente famoso “Jumping Badger”.

EscravosEscravos – A Escravidão foi introduzida nos EUA em Agosto de 1619: um navio de guerra holandês ancorou em Jamestown, Virgínia, pois tinha vendido 20 negros em troca de víveres dos quais necessitava, para continuar navegando. Em 1790 os escravos nos EUA, somavam já 697.000. Em meados de 1845 a questão dos escravos dominava a vida política Americana. Com a cultivação em vasta escala do algodão, superando a do arroz, açúcar e tabaco, foi introduzido o sistema de confiar a guarda dos escravos a “Olheiros”, os quais geralmente para demonstrarem as suas capacidades aos patrões recorriam aos meios mais cruéis, para obterem aos negros, a maior quantidade de esforço. O chicote era o meio mais usado. Existiram também patrões que os tratavam com humanidade, mas geralmente os escravos trabalhavam do amanhecer ao entardecer, comendo algo trivial uma vez só ao dia e habitavam em grandes comunidades feitas como barracas de madeira. Eles eram vetados também de receberem qualquer instrução. Um notável jornal do Sul, o “Southern Literary Messanger”, publicou em 1858 um artigo no qual dizia entre outras coisas: “Afirmamos que em todos os Países e em todos os tempos, deva existir uma classe de lenhadores e de portadores de água, que deve sempre, por necessidade, ser um substrato da sociedade. Afirmamos que é o melhor para todos que essa classe seja formada por uma raça pela qual o próprio Deus, tenha posto uma marca de inferioridade física e mental”. Dessa declaração pública, pode-se muito bem compreender como a Escravidão fosse nos EUA, uma instituição que regulava, mais que as relações entre donos de escravos e os próprios escravos; as relações entre brancos e negros. Em 1850, três quartos do algodão do mundo eram semeados, cultivados e colhidos nos EUA, onde 75% dos rendimentos eram destinadas a algumas centenas de pessoas, cujas imensas fortunas, eram exclusivamente provenientes do desfrute desumano da Escravidão. Num anúncio de 1853, lia-se: “De 200 a 1.500 dólares, cada negro! Procuro um bom número de negros para o mercado de New Orleans. O preço citado é para jovem ou homem e de 830 a 1.000 dólares para cada jovem negra. Estou pagando então para esses escravos o melhor preço e desafio qualquer um comprador de Kentucky. O meu escritório está localizado no Broadway Hotel, Broadway, Lexington, Ky., onde sempre estou ou o meu agente”. A compra e venda tanto de cavalos quanto de escravos tinham a mesma modalidade. Outro anúncio dizia: “De Hewlett e Bright, vendemos óptimos escravos, por motivo de mudança. O proprietário dos escravos à causa de sua partida para a Europa, coloca-os à venda, procurar o escritório localizado na St. Louis Street, sábado 6 de Maio, ao meio-dia”. Era elencado então as descrições dos escravos colocados à venda: “Sarah, mulata de 45 anos, boa cozinheira e habituada aos afazeres da casa, é também uma fiel e excelente enfermeira; portanto será uma aquisição primorosa”. ‘Chole, mulata de 36 anos, é sem excepção, uma das domésticas mais competente do lugar, lavadeira e passadeira de primeira ordem, insuperável para um solteiro que deseje uma governante”. “Dandrige, 26 anos, óptimo camareiro, bom pintor e marceneiro, existem poucos como ele em honestidade e sobriedade. Nancy sua mulher, 24 anos, óptima dona de casa. Mary Ann, sua filha, 7 anos, é elegante e inteligente.” Geralmente nas compras desses escravos, a família toda era separada.

Exército Estados Unidos da AméricaExército EUA x Nativos = Principais conflitos entre brancos e nativos Americanos.

1790/1795 – Nordeste dos EUA – Perdas: 896 mortos.
1817/1818 – Guerra Seminoles. Perdas: 46 mortos.
1831/1832 – Guerra Sac & Fox. Perdas: 26 mortos.
1835/1842 – Guerra Seminoles. Perdas: 383 mortos.
1858/1891 – Oeste dos EUA. Perdas: 932 mortos.
Total de perdas – Exército dos EUA – 2.283 mortos.
Total de perdas – Nativos dos EUA – 400.000 mortos.

1858 – Território de Washington, Revolta dos Yakimas sob comando dos caciques Kamiakin, Owhi e Qualchan. Acções militares comandadas pelo major William Jenner Steptoe contra os Spokanes, Palouses e os índios Coeur d’Alêne. Batalha: Spokane Plains, Four Lakes, To-Hoto-Nim-Me. Perdas: 2 oficiais, 10 soldados.
1860 – Nevada. Guerra Paiute. Voluntários sob o comando do major Wulliam M. Ormsby exterminam os Paiutes perto de Numaga em Pyramide Lake.
1862 – Revolta dos Sioux, em Minnesota, Little Crow. Massacre de Neu Ulm. Batalha em Wood Lake, sob o comando do coronel H. H. Sibley (Fort Ridgely). Perdas: 113 homens.
1863/64 – Novo México. Guerra dos Navajos. Coronel Kit Carson vence os Navajos na Batalha em Canyon de Chelly. Após a Batalha os vencidos foram encarcerados na Reserva do Bosque Redondo.
1864 – Novo México. Acções de Guerra contra os Cheyennes, Comanches e Kiowas, sob o comando do coronel Kit Carson. Batalha perto de Adobe Walls. Perdas: 2 soldados.
1864 – Colorado. Acções de Guerra contra os Cheyennes sob o comando de Black Kettle e White Antelope. O coronel J. M. Chivington destruiu no Massacre de Sand Creek duas tribos e seus habitantes.
1864/69 – Guerra Sioux sob o comando de Nuvem Vermelha. Em 20 de Julho de 1865, Batalha em Crazy Woman Crek, Wyoming, Agosto de 1865, ataque ao Grupo Saeyer, Wyoming, 29 de Agosto de 1865, Batalha em Tongue River, Wyoming, 21 de Dezembro de 1866, Massacre de Fetterman, Wyoming, 2 de Agosto de 1867, Batalha dos Carroções, Wyoming, 1 de Agosto de 1867, Batalha de Hayfield, Montana. Perdas: 154 soldados.
1865 – Wyoming, Batalha de Platte Bridge, os Cheyennes comandados por Roman Nose, destruíram um pelotão, comandado pelo tenente Caspar Collins. Entre 12 de Agosto e 15 de Outubro de 1865 os Cheyennes mataram, por vingança pelo Massacre de Sand Creek, 108 civis.
1867 – Batalha dos Carroções, Wyoming.
1867 – Batalha de Hayfield, Montana. Perdas: 154 soldados.
1868 – Batalha de Beecher Island, perto ao Arickaree River. O major George A. Forsyth, juntamente com 50 homens, foi atacado numa ilha do rio, por Cheyennes do Norte e do Sul, sob o comando dos caciques Pawnee Killer, Tall Bull, White Horse e Roman Nose. Perdas: 23 homens.
1868 – Oklahoma. O Sétimo Esquadrão de Cavalaria ataca em Washita uma grande tribo Cheyenne. Matam 101 Cheyennes incluindo mulheres e crianças. Perdas: 1 oficial e 19 soldados.
1868 – Kansas. Batalha perto de Summit Springs. O general Eugene A. Carr comanda uma expedição punitiva com a Quinta Companhia do Quinto Esquadrão de Cavalaria e 150 scouts Pawnees sob o comando do major Frank North e do capitão Luther North. Atacam a tribo Dog Soldier dos Chwyennes a destroem por completo.
1872 – Texas. O coronel Ronald S. McKenzie combate em McClellan Creek os Comanches Quahades e destrói por completo a sua tribo.
1872/73 – Oregon. Guerra Modoc. As tropas do general E. R. S. Canby exterminaram os Modocs, sob o comando do cacique Capitain Jack, na última Batalha decisiva perto de Lava Beds. Perdas: 23 mortos.
1874 – Segunda Batalha perto de Adobe Walls, Novo México. Caçadores de bisontes de Dodge City, conteram vitoriosamente os ataques dos Comanches, sob o comando do cacique Quannah Parker, dos Kiowas sob o comando dos caciques Lone Wolf, Woman Heart e Kicking Bird, dos Cheyennes sob o comando dos caciques Stone Calf e White Shield.
1874 – Texas. Tropas sob o comando do coronel Ronald S. McKenzie vencem a Batalha de Palo Duro Canyon, as tribos reunidas dos Comanches, Kiowas, Araphoes e Cheyennes, que foram encarceradas em Reservas.
1875/1877 – Montana. Guerra Sioux. Em 16 de Março de 1876 o general Joseph J. Reynolds foi derrotado ao ataque a tribos Sioux em Powder River. Perdas: 4 soldados.
17 de Junho de 1876 – O general George Crook, ao comando de 1.300 soldados, foi impedido por 2.000 índios Sioux, sob o comando do cacique Crazy Horse, de continuar o avanço em território Sioux. Em Rosebud River, começa uma Batalha e o general, teve que bater em retirada. Perdas: 8 mortos.
26 de Junho de 1876 – Batalha de Little Big Horn River. O coronel G. A. Custer e os homens da Sétima Cavalaria foram exterminados em exactos 55 minutos. Perdas para o Exército: 11 oficiais, 214 soldados. Perdas totais: 246 mortos.
17 de Julho de 1876 – O general Wesley Merit rechaça os Cheyennes e mata o cacique White Antelop.
8 de Setembro de 1876 – O capitão Anson Mills encontra o esconderijo do cacique Sioux, American Horse, perto de Slim Buttes. O general Crook cerca a tribo e obriga os Sioux a renderem-se. Perdas: 2 mortos.
18 de Outubro de 1876 – O general Nelson A. Milles caça os Sioux, sob o comando do cacique Sitting Bull em Bad Lands.
24 de Novembro de 1876 – Batalha em Crazy Woman Creek. O coronel Ronald S. McKenzie descobre e extermina os Cheyennes fugitivos da Reserva, sob o comando dos caciques: Little Wolf, Dull Knife e Yellow Nose.
3 de Janeiro de 1877 – McKenzie caça os Sioux, comandados por Crazy Horse e  combate-os em Tongue River.
5 de Janeiro de 1877 – Nova Batalha contra Crazy Horse.
8 de Janeiro de 1877 – O cacique Crazy Horse ataca o acampamento de McKenzie em Wolf Mountain.
22 de Abril de 1877 – Os caciques Two Moons e Little Chief rendem-se juntamente a 300 Cheyennes sobreviventes.
26 de Abril de 1877 – O cacique Crazy Horse rende-se juntamente a 2.000 Sioux.
2 de Maio de 1877 – Após uma pequena briga, rende-se o cacique Lame Deer e seus guerreiros Minneconjou Sioux.
1877/1879 – Oregon. Guerra dos Nez Percé. Após vários combates e Batalhas em Big Hole e Camas Meadows, o general O. O. Howard obrigou o cacique Joseph, a render-se. Perdas: 24 mortos.
1878/1879 – Washington. Guerra Bannack. O general O. O. Howard vence os Bannacks, sob o comando do cacique Buffalo Horn. Perdas: 9 mortos.
30 de Setembro de 1878 – O cacique Little Wolf com o seu bando de Cheyennes, fugitivos da Reserva de Oklahoma, foram surpreendidos em Sappa Creek e todos foram executados. Perdas: 2 mortos.
21 de Janeiro de 1879
– Dull Knife, juntamente com os últimos guerreiros Cheyennes, foram derrotados pela Artilharia, perto de Hat Creek Bluffs.
1879 – Colorado. Guerra Ute. Após algumas Batalhas em Red Canyon e Milk Creek, os revoltosos Utes, sob o comando do cacique Ouray, foram encarcerados em novas Reservas e seus outros caciques: Persune, Douglas, Johnson, Ahu-u-tu-pu-wit, Colorow e Matagoras foram encarcerados na prisão de Estado em Leavenworth.
1871/1886 – Arizona. Guerra dos Apaches. Uma após outra, em incontáveis combates, foram dizimadas as tribos Apaches sob o comando dos caciques: Cochise, Mangas Coloradas, Victorio, Nana Loco e Geronimo, até que, finalmente, Geronimo como último cacique, entregou-se em 3 de Setembro de 1886 e deixou-se levar para a Flórida.
1891 – Massacre de Wounded Knee River. Nos últimos dias do ano, o coronel E. V. Summer e o major S. M. Whitside, com tropas do Sétimo e Oitavo Batalhões de Cavalaria, cercaram os últimos Sioux livres, perto de Big Foot, e executaram todos os desarmados: 84 homens e jovens, 44 mulheres, 16 crianças pequenas. Perdas causadas pelas próprias armas de fogo: 31 mortos.

Expansão territorial dos EUAExpansão territorial dos EUA – (Em relação à História dos pioneiros Americanos). Em 1813 os EUA tinham comprado de Napoleão, por 60.000.000 de Francos (20.000.000 dos quais foram para calcular os danos reclamados pelos EUA à França) – A Louisiana, um território a Oeste do Mississippi, que se estendia desde a fronteira do Canadá até o Golfo do México e que compreendia a pradaria Americana em toda a sua extensão, e também uma parte notável da zona montanhosa. O objectivo dos EUA era de ter uma saída para o Oceano Pacífico, para poder criar e desenvolver um comércio com a Ásia. Mas toda a costa do Pacífico estava em mãos estrangeiras. O Oregon era uma colónia Inglesa, a Califórnia era Mexicana. Ao México pertencia, feita a excepção de uma estreita parte costeira da Louisiana, com o porto de New Orleans, toda a costa da península da Flórida e a costa Texana sobre o Golfo do México. Em 1812 os EUA ocupavam a parte ocidental da Flórida. Em 1819 foi comprada da Espanha a parte oriental da Flórida pela quantia de 5.000.000 de dólares, tendo em conta as reclamações por danos pedidos pela Espanha, por cidadãos Americanos. Em 1823, quando o Czar da Rússia, sinalizou a intenção pela costa noroeste até o paralelo 51, terá constatado que este facto expunha os EUA ao perigo de ter em suas terras novas guerras coloniais entre as Potências Europeias, nas guerras que tinham acontecido por vários anos tanto os Ingleses, como os Franceses e os Espanhóis tinham sempre “atiçado” as tribos indígenas contra os colonizadores Americanos, o presidente Monroe anunciou a Doutrina de Monroe. Ao início as Nações Europeias não acreditaram, mas podia-se vislumbrar que esta Doutrina seria o caminho que os EUA manteria como política contra a Europa e a América Latina. Em 1836 os EUA sustentaram as aspirações secessionistas do Texas, o qual se torna um Estado Independente, separado do México, após a batalha perto de Jacinto. Em 1846 o Texas foi aceito pela União. Nesse mesmo tempo, o presidente Americano James Polk tentava convencer o México a renunciar, contra um conveniente pagamento, a todos os territórios até o Rio Grande e a Califórnia setentrional. Quando o resultado não foi positivo, declarou guerra ao enfraquecido México e recebeu, em 1848, com o tratado de paz de Guadelupe-Hidalgo, o território até o Rio Grande, o novo México e a Califórnia setentrional, por um pagamento de 15.000.000 de dólares, após que em 1847 a Califórnia tinha sido conquistada pela força. Em 1846 a Inglaterra renunciou ao Oregon, que desde 1818 tinha sido administrado conjuntamente com os EUA. Isso porque o Oregon, entre 1835 e 1845, tinha sido sempre mais habitado por colonizadores Americanos. Se bem que aos EUA fosse desde o Oceano Atlântico até ao Oceano Pacífico, os 22.000.000 de Americanos, que se concentravam nos Estados costeiros ao Atlântico, mostraram-se poucos interessados em colonizar os territórios além do Mississippi. Esse Estado de facto não foi modificado nem pelas novas colonizações para o Oregon, nem pela transferência dos Mórmons para o Utah. Naquele tempo existiam entre San Francisco da Califórnia, que contava então com 800 pessoas, a velha cidade missionária, Hispano-Mexicana de Santa Fé, no Novo México, e St. Louis em Mississippi, somente ligações frágeis, representadas por nómadas e “Trappers”. Após o fim das guerras na Europa, o movimento emigratório da Europa, teve um notável desenvolvimento. A massa dos imigrantes era constituída por Ingleses, Alemães e Irlandeses.

Expedição HancockExpedição Hancock – Em 1866, foi um ano relativamente calmo ao sul de Plate River, para os índios. No mês de Março de 1867, o general Winfield Scott Hancock organizou em Forte Leanenworth, Kansas, uma expedição de 1.400 soldados, entre os quais 8 companheiros da Cavalaria sob ordens de George Armstrong Custer. Foram combatidos os Sioux e Cheyennes, durante o leito do rio Arkansas, mas os índios não quiseram revidar, tais ataques. Chegaram até a abandonarem os seus acampamentos e começaram a escapar pela Overland Trail. Porém quando três soldados foram mortos em Lookout Station, perto do Forte Hayes, Hancock ordenou a destruição total dos acampamentos indígenas. Com os seus cavaleiros, Custer patrulhava em direcção norte – oeste. Ao amanhecer de 24 de Junho, os Sioux atacaram os seus acampamentos, mas foram rechaçados. Dois dias após, uma caravana levando suprimentos, sob ordem do tenente S. M. Robbins, manteve distante, durante três horas mais de 800 índios. No mesmo dia, o tenente Lynam Stockwell Kidder, que levava uma mensagem para Custer, foi morto juntamente com 10 soldados e um scout índio, do Sexto Regimento de Cavalaria. Em 30 de Julho uma Comissão de Paz foi enviada pelo Congresso com três objectivos: 1 – Terminar com os combates, 2 – Obrigar aos colonos de largarem as suas armas, 3 – Obter de todos a autorização para construir uma linha Ferroviária através das planícies. Em Outubro, teve-se então o encontro em Medicene Lodge, Kansas, no qual participaram os enviados dos índios Araphoes, Cheyennes, Apaches, Comanches e Kiowas. Todos foram de acordo para colocar um fim aos combates e para um Inverno de paz. O Senado, porém, rejeitou em ajustar o acordo e assim o prometido, como armas e munições, não foram distribuídas. Até o final de Agosto de 1867 e o Agosto sucessivo ou seja durante um período de nove meses, aconteceram em Kansas, Nebraska, Texas, Novo México e Arizona, 42 combates com os índios.

Esrays – Boi que durante o ano, inseria-se numa boiada estranha e que durante o Round Up, era procurado pelos cowboys e colocado à parte para ser entregue ao seu dono verdadeiro.

Extracção do ouroExtracção do ouro – O método, muito antigo e simplista, que a massa de garimpeiros de ouro usava no Oeste Americano era a lavagem do ouro (Pacer Mining); ou seja, a lavagem do “Sabão de Ouro” (Placer Gold), o qual, enquanto material tosco pelas intempéries, continha ouro em forma de pó, de grãos, de pequenas folhas ou de pepitas. Esse método necessitava de pouco equipamento, mas de muita água. Geralmente as jazidas de ouro encontravam-se em rochas duríssimas. Somente o mineral aurífero bruto dos elementos imersos na superfície, era transportado pelo curso dos séculos, pelas águas em degelo, as quais o depositavam, por ser mais pesado que os grãos de areia, nas cavidades rochosas e nas fendas, produzidas pela própria água, nos leitos rochosos dos rios. Os garimpeiros espertos encontravam o pó de ouro na areia dos rios, procuravam as jazidas mais resistentes, subindo a correnteza, nas montanhas ou colinas. Cada curso pequeno de água, cada simples nascente, podia conduzir a uma jazida, disposta na água. Por isso enquanto procuravam, faziam contínuos experimentos com a bacia, procurando a cor; das amarelas “partículas de pó” e até as pepitas. Durante essa acção, juntava-se as pedras mais grossas, para chegar aos sedimentos nas cavidades do leito do rio. Para isso bastava cavar poucos metros. Mas onde o leito rochoso era mais profundo, desviava-se a água, através de um canal e faziam-se buracos nos fundos húmidos. Quando enfim encontrava-se ouro, ocorria uma quantidade enorme de água, para separar o material recuperado dos buracos, de outros resíduos. Ora, se como no Oeste a maioria dos rios e seus leitos são pobres de água durante o ano ou até enxutos em meses do Verão, recolhia-se a água do degelo primaveril em grandes reservatórios, e depois a reconduzia, bem dosada num fluxo constante, porém fácil de interromper, para as lavagens. Mas antes o material aurífero teria que ser esmiuçado. Isso acontecia nos (Arrastres), que eram redondos e baixos locais côncavos feitos com pedras de desmoronamentos, com um caibro ao meio e com uma barra ligada a ele num ângulo recto e emergente do local, ao qual eram seguras por pedras pesadas, as correntes. Alguns cavalos moviam continuamente a barra que os pedaços de rochas, desfragmentando-as assim o material na água. A água, escorrendo, transportava consigo o mineral em resíduos, enquanto que a parte com ouro, mais pesada e aurífera, era encaminhada para as comportas (Long Tom ou Sluices), que eram feitas com madeira, contendo três lados, sendo a de cima aberta, enquanto que no fundo eram fixadas hastes onduladas. Nas hastes superiores ficavam as pepitas maiores, nas inferiores as pepitas menores. Na parte mais baixa era fixado um pedaço de tecido grosso no qual permanecia o ouro mais dissolvido, trazido pela água. De tanto em tanto, um homem com balde extraía o material bruto, jogava-o na comporta, deixando escorrer a água. Em intervalos regulares o material depositado era recolhido e uma vez ao dia, jogava-se o recolhido numa bacia de lavagem (Gold Pan), cheia de água até à metade. E com dosados movimentos circulares, da água na bacia, eliminando assim o material desnecessário, de modo a permanecer somente a areia aurífera, pequenas folhas de ouro ou as pepitas. A humidade era eliminada em chapas de ferro e o recavado, o ouro puro, era dividido, geralmente em pepitas, folhas de ouro, ou pó e eram colocados em saquinhos de pele. Se a água fosse pouca, ou longe da jazida, usavam-se pequenos caixotes (Rocker), accionados por dois homens, na procura do ouro. Outro método de lavagem do ouro, similar ao descrito antes, porém praticado em grande escala, portanto já em prática industrial, era o “Alagamento” (Hydraulicking ou Hydraulic Mining). Ou seja, a depuração do barro através de jactos de água. Esse método era somente aconselhado quando as margens declinantes de um curso de água continham ouro. Nas minas, construíam-se grandes reservatórios, esbarrando o curso da água e destes locais a água ia para as jazidas através de imensas tubulações que aumentavam de diâmetro sempre do maior para o menor, aumentando assim sua pressão. Sendo o suficiente para jorrar nos barrancos preciosos. Os homens empregados em tal operação ficavam com água na cintura e os que seguravam as tubulações eram banhados continuamente. A lavagem do ouro nos grandes rios com leitos profundos. Usavam-se os Dredging Boats. Para colocar em prática esse método, construía-se um lago artificial a 300 metros do rio e ligava-se ao rio, através de um canal. O barco de dragagem era previsto de uma longa corrente de baldes que décima da proa transportava para terra ao sistema de lavagem ao meio da embarcação e jogava o recolhido no lago, através de uma segunda fileira de baldes. Tudo isso custava altos preços, tanto em materiais, quanto em trabalhadores e a extracção subterrânea era possível somente através de grandes empresas, possuidoras de grandes capitais. Em oposição à extracção a base de água, a indústria minerária subterrânea era feita no seco. Devagar, o primeiro poço era sustentado por madeira. Quando se tratava de perseguir uma “Veia de Ouro” (Vein ou Lode), nos flancos de uma montanha, precisava-se construir uma galeria, sempre sustentada por vigas de madeira. Quando a mina descia verticalmente, era primeiramente escavado um poço, do qual pouco por vez, abria-se novas galerias, das quais surgiam novos túneis indo até ao ponto de extracção. O ouro recavado era finalmente fundido em barras.

Eyeballing – Antigo método para impedir aos bois selvagens de retornarem a zonas espinhentas. Cortavam-se as suas pálpebras superiores, de modo a que os ramos batessem em suas pupilas. Os “Eyes Openers” seguiam outro método para obter o mesmo resultado; enfiavam bastões em forma de V, com tamanhos de fósforos, entre as pálpebras superiores e as inferiores dos bois selvagens capturados, isso retirava dos animais a vontade de retornarem a tais zonas perigosas. Existiu também o método “Eye Blinding”, que além de impedir que o boi voltasse ao estado selvagem, impedia também aos bois selvagens de não atacarem outros bovinos da manada; por certo período “costurava-se” as pálpebras de tais animais, de modo tal que vissem somente através de uma pequena abertura.

* Caricatura: Fred Macêdo
* Edição, revisão e adaptação portuguesa: José Carlos Francisco

3 Comentários

  1. Olá.

    Parabéns pelo ótimo trabalho.

    Eu bati o olho no verbete “Eyeballing”… Que horror, coitados dos animais… Mas, bem, eram tempos duros. Hoje podemos comer hamburgueres tranquilamente, sem sequer imaginar o sofrimento dos animais envolvidos na linha de produção.

    Uma dúvida: Você disse que havia os “Eyes Openers” que, na prática, enfiavam bastões entre as pálpebras do bicho, penso eu, forçando-os a manter os olhos abertos.

    Isto não cegaria os animais? Sem piscar, penso que os olhos logo ressecariam…

    Abraços

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