Mangas compridas ou arregaçadas?

Por José Carlos Francisco
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Miguel Angel RepettoPor vezes na Banda Desenhada existem os chamados erros de continuidade, isto é, as discrepâncias entre o conteúdo de duas vinhetas sequenciais de uma cena, ou entre uma cena e a cena seguinte. Uma personagem que muda de camisa sem haver tempo hábil para a troca de roupa é um exemplo clássico, mas em Tex já tivemos algo bem mais grave, já que em várias vinhetas, inclusive na mesma página há situações alternadas, onde o Ranger está ora de manga arregaçada, ora está de manga comprida… é daqueles erros de continuidade que um desenhador não pode cometer mas que acontecem… e o seu autor foi o desenhador argentino Miguel Angel REPETTO!
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Falamos da história intitulada “Fort Buffalo“, publicada nas edições italianas 504 e 505 de Outubro e Novembro de 2002, onde podemos ver numas vinhetas Tex de mangas arregaçadas (assinalado a verde) e noutras de mangas compridas (assinalado a amarelo), inclusive num quadradinho ao lado do outro, conforme se pode constatar nas imagens que se seguem (para aproveitar a extensão completa  das imagens, clique nas mesmas):
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Mangas compridas ou arregaçadas? Imagem 1

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Mangas compridas ou arregaçadas 2? - Imagem 2

Mangas compridas ou arregaçadas 3

Guerra nel desertoConforme se constata, este erro de continuidade da camisa com manga arregaçada/comprida de Tex é inadmissível só pode acontecer devido a uma desatenção total não só do desenhador, mas também do revisor ou arte-finalista da Casa Bonelli.

Esta história foi publicada no Brasil em Almanaque Tex nº 23, com o título “Guerra no Deserto“, em Agosto de 2004, mas antes que alguém procure esta sequência na sua colecção, informo que a Mythos Editora deu conta deste erro do desenhador argentino e corrigiu-o, conforme se pode constatar nas páginas 81 e 82, onde se vê Tex sempre com as mangas arregaçadas!

2 Comentários

  1. Estes erros de desatenção, muitas vezes provocados pelo cansaço e pela rotina de um trabalho prolongado e solitário, são frequentes na BD e nem mesmo os desenhadores mais famosos se livram deles… Recordo-me de um conceituado artista inglês dos anos 30, que eu conheci no ‘Mosquito’, chamado Walter Booth, que terminava sempre as cenas, em final de página, de forma diferente da página seguinte. É claro que nesse tempo não havia os recursos que há hoje, como fotocopiadoras, ’scans’, CD’s, etc, e as páginas, como eram de publicação semanal, tinham de seguir logo para a redacção do jornal, nunca mais voltando os originais à posse do autor. Portanto, ele tinha de trabalhar de memória ou baseado em esboços feitos à pressa…
    Se bem procurarmos também encontramos os tais erros de continuidade – e outros tão óbvios e ainda mais graves – na obra de artistas mais modernos como Giraud, Foster, Coelho, Péon, etc., para citar igualmente a “prata da casa”. Quem tenha comprado a revista francesa ‘Bodoi’ lembra-se decerto de uma curiosa rubrica onde os próprios leitores apontavam esses erros… e amostras não faltavam! Uma verdadeira antologia de desenhadores com vista curta!
    Mas temos de ser compreensivos com os artistas e exigir, isso sim, mais atenção aos responsáveis editoriais. A propósito, parabéns à Mythos por dar o exemplo!…

    Jorge Magalhães

  2. Quanto aos erros fiquei de cara, mas é compreensivel em dias de excesso de trabalho mas ainda bem que a editora Mythos corrigiu.

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