Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 29 e 30 – Autores de Banda Desenhada: José Delbo e Jordi Buxadé

AUTORES DE BANDA DESENHADA

JOSÉ DELBO
José DelboQuem alguma vez diria que um editor de revistas de Banda Desenhada, acabaria a desenhar? Não é muito normal tal acontecer. O inverso, ainda poderemos admitir…
Pois é o que aconteceu com José Delbo, desenhador argentino nascido em Buenos Aires e que viria a colaborar também para os Estados Unidos da América. Uma das primeiras tarefas deste artista é editar duas pequenas revistas, uma de guerra e outra de “cow-boys“, com material estrangeiro com cuidada tradução e legendagem, além de excelente aspecto gráfico.

Afinal e devido à concorrência feroz, as revistas não vingaram, pelo que José Delbo resolveria pura e simplesmente dedicar-se a desenhar. Inicia então a sua colaboração na revista “Poncho Negro“. Depois e durante alguns anos dedica-se a desenhar a série “Terry Atlas“. Depois é a vez de histórias de Guerra e do Oeste, os seus temas preferidos.
Entretanto Del Bó passa a desenhar igualmente as capas das suas revistas, enquanto se ocupa de histórias de Guerra e… também de Aventuras.

Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 29Entretanto conhece Héctor Oesterheld, que produzia sozinho quase todos os argumentos da editora para quem trabalhava, que por sua vez eram desenhados em paralelo com muitos e bons ilustradores que colaboravam consigo, inclusive Hugo Pratt. Resolve então desenhar também as aventuras de “Ernie Pike“, uma série criada em conjunto pelos dois artistas indicados atrás: Pratt e Oesterheld.
Colabora igualmente na série “Patoruzito“, a grande e prestigiosa publicação da Editorial Dante Quintero, onde viria a publicar uma única história sua: ” La Cueva Del Yacaré“.

Depois é a vez de outra séries:

Tony Macken“, enquanto o artista sonhava já com a sua partida para os Estados Unidos da América. Em meados de 1963 resolve partir para o Brasil, onde desenhará algumas histórias da personagem “O Vingador“, enquanto cria outra personagem, chamada “Colorado“.
A revista “Combate“, lançada na altura no Brasil, virá a incluir nas suas páginas alguns episódios de Guerra, da autoria deste desenhador.

Colorado de José Delbo

Ainda em 1964 o nosso artista vai-se ocupar de vários trabalhos no Brasil, de origem brasileira, enquanto continua a colaborar em revistas editadas na Argentina. Mas o seu desejo concretiza-se e parte então para os Estados Unidos da América, onde acaba por trabalhar na série “Bill, The Kid“, durante cinco anos. Depois é a vez de trabalhar para a Dell, desenhando séries da TV: “Rat Patrol“, “The Monkees” e “The Big Valley“. Em 1968 encontramo-lo já a colaborar com a Western Publishg (Gold Key), na série dos Beatles, “The Yellow Submarine“. Depois é um nunca mais acabar de trabalhos: Continua a série “Turok, Son of Stone” , desenha muitos trabalhos para a série “Ripley’s, Believe or Not” e histórias de terror para a revista de Boris Karloff e para a “The Twilight Zone“.

Trabalhos de José DelboEm 1974 é a vez de do lendário “The Lone Ranger“. A DC faz um contrato com José Delbo, para desenhar para eles.
Executa assim histórias de “Wonder Woman“, ao mesmo tempo que se ocupa para o Tribune Syndicate, das tiras diárias de “Superman“. Desenha vários livros para colorir, com personagens da DC, ao mesmo tempo que para a Gold Key, trabalha nas séries humorísticas: “O.G. Whiz“, “Bagged Ann” e capas para a “Little Lulu“. Depois é a vez de “Thunder Cats” e outras séries, numa contínua procura da sua afirmação, o que sem dúvida alguma acabou conseguindo naquele país.

Para ele, um dos maiores problemas ao trabalhar nos Estados Unidos da América, era mudar de um estilo literário, onde este possui maior impacto, para outro, onde o desenho é dono e soberano, criado a um ritmo violento e com muita acção. No entanto, conseguiria ser dos poucos artistas estrangeiros a ter um papel preponderante, na criação de várias personagens ligadas ao campo dos “super-heróis” e com bastante qualidade.

JORDI BUXADÉ

Jordi BuxadéJordi Buxadé é um autor quase desconhecido, no vasto campo dos desenhadores espanhóis, que proliferam por todo esse mundo e dos muitos que são prestigiados a nível internacional. Mais uma vez e para não variar, não encontrámos nada sobre este desenhador nas enciclopédias, apesar de nos seus melhores anos de artista, chegar a desenhar cerca de 50 páginas por semana, para os “cuadernos“, ainda que cada página tivesse unicamente duas vinhetas, o que correspondia a 100 desenhos semanais. De qualquer dos modos era uma tarefa gigantesca para qualquer um, mais a mais, repetidamente, já que cada número dessas revistas saía semanalmente e não podia falhar.
Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 30É claro que o trabalho também não podia primar pela qualidade e o preço pago por cada história, também não compensava muito, admitindo que havia que trabalhar todos os dias até tarde, incluindo os domingos.

Nos anos 70 Jordi partiu para os Estados Unidos da América e veio a conhecer Fred Harman, com quem veio a estar e a trabalhar, durante alguns meses, de modo a conseguir contratos de trabalho para desenhar Histórias aos Quadradinhos de “cow-boys“. Algumas das suas histórias seriam publicada no “Jornal do Cuto” e outras revistas publicadas pela Agência Portuguesa de Revistas, nomeadamente “Façanhas do Oeste“.

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