Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 53 e 54 – Máscara Negra

MÁSCARA NEGRA

A capa do nº 1 da revista de Máscara NegraArnaldo Ruivinho era essencialmente conhecido por adquirir as sobras das revistas, que a Agência Portuguesa de Revistas ia publicando ao longo das semanas, meses e anos. Essas sobras eram posteriormente metidas em sacos surpresa e vendidas de novo (3, 4 ou 5 revistas de cada vez), a um preço mais económico, nas bancas que existiam por esse país fora. Esta era particularmente a profissão de Arnaldo Ruivinho, em ligação com a de alfarrabista, já que também vendia na Rua da Alegria (ainda lá está a sua casa), livros e revistas soltas que existiam no seu armazém. Um dia fomos surpreendidos com uma edição sua, cujo nome era “Máscara Negra” e do qual viriam a ser publicados 28 números, em 1976.

As histórias que esta pequena revista apresenta, são de origem italiana, escritas e desenhadas por autores italianos, embora com pseudónimos ingleses. Mas vamos aos factos:
Em 1962 ainda era possível que qualquer pequena edição, pudesse estar exposta nas bancas e quiosques de Itália por algum tempo, ser folheada pelos jovens leitores e comprada, claro está. O tema do “western” ainda se encontrava bem vivo nas memórias dos jovens, embora na altura “Diabolik” fosse a personagem de maior sucesso, mas o “Zorro” e “El Coyote” não estavam esquecidos. É assim que nasce o “Máscara Negra”, publicado pela editora Corno, em Março de 1962.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 53Para esta edição da Corno, foi escolhido o argumentista Esselle, mais tarde conhecido como Max Bunker e, posteriormente, como Luciano Secchi (seu verdadeiro nome).
Este cavaleiro mascarado era uma imitação do “Zorro”, de “Billy The Kid” e de “El Coyote”, já que também possuía uma identidade secreta, a do advogado “Ringo Rowant”.

O enredo inicial utilizava o expediente quase sempre usado, neste género de narrativas. “Ringo” vivia em “Norsan City” e, como sempre, as suas actuações eram sempre muito diferentes daquelas que o seu pai esperava dele. O seu progenitor, “Spec”, era xerife na sua cidade.

Os primeiros episódios foram desenhados por Paul Payne, pseudónimo de P. Piffarerio. As histórias possuíam humor, ironia e também realismo, além de bastante aventura e emoção.
“Sliffa” era a personagem secundária, que ajudava o nosso “herói” nas suas aventuras e desempenhava igualmente o papel cómico. A loura “Wilma” era a personagem feminina, tanto atraída por “Ringo”, como pelo “Máscara Negra”.

A primeira vinheta de Máscara NegraAs histórias abordavam variados temas da Conquista do Oeste e da História norte-americana: o cerco de Álamo, a Guerra da Secessão, o assassínio do presidente Lincoln, a Revolução Mexicana, as personagens Pancho Villa, Quantrill, Wilson, etc., etc..
Para melhorar a acção das aventuras e despertar maior interesse nos leitores, não faltavam vampiros, homens com dupla personalidade, um ladrão que se transformava, tal como “Mandrake”, etc..

Cada história era composta, de uma maneira geral, de 6 episódios (6 números). Os primeiros seis, são na verdade bem desenhados, o que já não acontecerá com os outros, de menor qualidade. Tal é um truque do editor, para que os leitores se entusiasmem pela história e pelo estilo do desenhador e dá assim a entender, que os restantes episódios são do mesmo autor, o que na verdade já não acontece, apesar do seu nome figurar sempre. Os outros desenhadores são mais fracos.

Parece que deu certo e a personagem viria a ter aceitação pelo que seria publicada durante 156 números (mensais e semanais), o que já não se verificou entre nós, ficando pelos 28 números, de uma série que tinha 42. Ficaria incompleta, a partir do seu número 19, já que até ao 18, as histórias anteriores tinham terminado.

O autor das capas da nossa edição pertenciam a Enzo Carretti. As histórias eram indistintamente de Piffarerio e de outros autores.
Quanto à edição italiana, as capas são de A. Canale, R. Cormio, R. Norris e Enzo Carretti.
Os desenhadores foram: Ricky Morris (Maurizio Ricci), Mike Saver (Severio Micheloni), Rory Arnould (Arnaldo Rosin), E. Car (Enzo Carretti), Rulph Hunter (Raffaele Cormio) e Montag (Giuseppe Montanari).

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 54OS TÍTULOS PORTUGUESES
1 – O Retrato de James Warren
2 – O Mistério Adensa-se
3 – Medo
4 – O Antro do Mal
5 – A Horrível Verdade
6 – O Fim do Sortilégio
7 – A Mina Mistério
8 – Sepultado Vivo
9 – Enox
10 – Surpresas em Cadeia
11 – O Morto Vivo
12 – A Última Batalha
13 – O Poeta Maldito
14 – Piquenique
15 – Os Três Xerifes
16 – O Homem Que Veio de Longe
17 – O Último Verso
18 – Com a Mão na Massa
19 – Zaragata
20 – Ódio Racial
21 – O Inimigo na Sombra
22 – Assalto a Harper Ferry
23 – Condenador Implacável
24 – Sessação
25 – Guerra
26 – Momento de Assédio
27 – O Decreto de Lincoln
28 – A Traição de Wilson

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, e/ou imprimí-las, clique nas mesmas)

2 Comentários

  1. Oi. Sou do Brasil efiquei curioso com essa revista. Quantas páginas tinha essa edição publicada em Portugal? Obrigado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.