Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 51 e 52 – Lucky Luke

Lucky Luke e o seu divertido cavalo Jolly JumperLUCKY LUKE
Segundo a canção do próprio “Lucky Luke”, ele é um “cow-boy” solitário, longe da sua casa. Quanto aos editores, dizem que ele dispara mais rápido que a sua sombra. Nestas condições, nada foi mais natural, do que abandonar as suas vacas e transformar-se num “herói” do Oeste. Com o tempo, a sua figura viria igualmente a transformar-se, ainda que a sua personalidade, à partida, ficasse reconhecida como boa. Também o cigarro que era peculiar surgir-lhe nos lábios, com o tempo, transforma-se em palha, fruto de alguma censura nos Estados Unidos da América e de outros países. Mas manter-se-ia sempre elegante, amigo da lei e da ordem, rápido a sacar e esperto que nem uma raposa, sempre que necessário.

JOLLY JUMPER
É um cavalo branco, mais hábil e inteligente que a maioria das figuras que rodeiam o nosso “herói”, a quem ele tem salvo várias vezes de situações difíceis. “Jolly é capaz de preparar a comida, de jogar ao xadrez e de fazer tudo que seja necessário, para nos divertir.

RANTANPLAN
“Rantanplan” foi uma personagem a surgir já tarde, nos álbuns de “Lucky Luke”. No entanto, a sua aceitação junto dos leitores foi de tal modo, que já possui no seu activo, cerca de 10 aventuras suas publicadas em Portugal, apesar de, ao contrário do cavalo, ser tão estúpido ou mais do que uma porta.

OS DALTONS
Os “Daltons” surgem na aventura “Fora-da-Lei” e nela são mortos. São 4 personagens baseadas nos bandidos com esse nome, que deram muitas dores de cabeça às autoridades, no tempo dos bandidos célebres do Oeste.

Mais tarde, Morris volta a criar os 4 irmãos e a lançá-los em outra aventura de “Lucky Luke”. A partir daqui, passam a sair da prisão no início de cada aventura e a voltarem para ela no fim, depois de capturados e conduzidos pelo nosso “herói”. São imbecis e maus e cada um deles possui uma estatura diferente, dos outros três irmãos. Quanto mais alto, mais estúpido. Quanto mais baixo, mais mau.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 51LUCKY LUKE
Quando Morris iniciou as histórias da sua personagem, baseou-se em filmes do Oeste para o fazer, já que era um espectador assíduo desse género de divertimento.

Em 1948, para poder ter maiores conhecimentos do Oeste, de modo a retratá-lo de uma forma mais fiel nos seus álbuns, resolve partir para os Estados Unidos da América. “Lucky Luke” tinha sido criado dois anos antes. Durante esses anos estuda e documenta-se sobre a História do “Far-West”, enquanto vai criando novas aventuras da sua personagem em paralelo e, ao mesmo tempo, conhece René Goscinny que ali se tinha deslocado com o mesmo fim, mas para criar os seus argumentos.

Quando regressa à Bélgica em 1954, será Goscinny a ocupar-se dos argumentos da série. Escusado será de salientar a melhoria dos diálogos, da narrativa e das próprias histórias, que passam a ser estruturadas de uma forma sólida e diferente.

Entretanto e ao longo dos anos, a personagem principal vai perdendo protagonismo em relação a outras figuras ocasionais ou já pertencentes à série, como são o caso de “Rantanplan”, os “Daltons” e outros. Ao mesmo tempo a série passa a ganhar novos leitores e a manter os anteriores, mesmo quando estes chegam à idade adulta.

Em Março de 1974 “Lucky Luke” terá direito a revista própria, unicamente por 12 números.

Com a morte de Goscinny em 1977, leva a que Morris se veja em sérias dificuldades para encontrar um novo guionista, até porque a simbiose encontrada entre os dois, dificilmente voltaria a estar presente com outro autor, apesar das várias tentativas do desenhador nesse sentido. Vicq, Greg, De Greott e outros são os seguintes.

Duas componentes caracterizam as aventuras de “Lucky Luke”: o cenário e o humor. Através de um e outro, são conseguidas umas largas dezenas de combinações e, consequentemente, várias largas dezenas de álbuns, quase sem perderem a sua fórmula inicial, embora com altos e baixos.

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 52Os temas são vários e à escolha, como sempre: problemas com a imprensa, lavandarias chinesas, médicos charlatões, linchamentos, caça aos bisontes, colonizações de territórios, febres de ouro ou prata, não esquecendo o ouro negro, o nascimento do telégrafo, os caminhos de ferro, etc., etc..

Evidentemente que quer os autores quer o desenhador, nunca quiseram transformar a sua série em uma fonte de conhecimentos ou numa enciclopédia. Os factos reais, às vezes narrados ou que servem de fundo ao desenrolar das histórias, não obedecem necessariamente, às datas cronológicas quer de uns quer de outras.

As personagens, mais ou menos reais, que povoam as aventuras do nosso “herói”, também são adaptadas ou caracterizadas, no que tiverem de maior ligação com o humor. O interesse é divertir os leitores, sem deixar, de qualquer dos modos, de dignificar o tema do “western”. Digamos que em outras séries, a sua criação poderá ou deverá obedecer a um rigor histórico e a um aprofundar de situações e de personagens, o que já não acontece em “Lucky Luke”. Nem é isso que se deseja, já que os próprios pele-vermelhas nem sempre são abrangidos pela tradição e tão pouco, são apresentados como um povo sanguinário e o principal objectivo de todas as situações que encontramos é divertir e, se possível, obrigar os leitores a darem algumas gargalhadas.

Devido ao falso puritanismo norte-americano, que sempre censuraram o que tem origem estrangeira, obrigou a que os autores sempre se preocupassem com a inclusão de certas e determinadas cenas, que acabavam por ser auto-censuradas. Mas, mesmo assim, algumas vinhetas e pranchas tiveram que ser alteradas: menos roupa nas raparigas dos salões, derramamento de sangue e até a Censura francesa obrigou Morris a substituir uma vinheta, onde Billy The Kid, bebé, mamava numa pistola.

Quando “Lucky Luke” mudou de revista, da “Spirou” para a “Pilote”, alguns desses problemas acabaram por ser ultrapassados, já que esta última publicação, era já destinada a leitores mais velhos.

Rantanplan possui uma certa notoriedade nas aventuras de Lucky Luke
LUCKY LUKE NO CINEMA

Morris trabalhou num estúdio de Animação, antes de resolver desenhar o seu “herói”, pelo que sempre teve esperanças de um dia poder ver a sua personagem a viver as suas aventuras de uma forma animada. Inclusive, os seus planeamentos de prancha, seguem de muito perto, os de Animação. Mesmo alguns actores e realizadores de Cinema, acabam por serem envolvidos na obra de Morris.

Mas, finalmente, Lucky Luke” surge em duas longas-metragens no Cinema: “Daisy Town” (1971) e “A Balada dos Dalton” (1978).

Hoje estão publicados mais de 50 álbuns, com as aventuras de “Lucky Luke”. São mais de 3.000 pranchas desenhadas, ao longo de mais de 50 anos de carreira do nosso “herói” e de Morris, naturalmente. Infelizmente, Morris desapareceu há algum tempo e com ele, provavelmente, a nossa personagem, que irá por certo continuar a cavalgar na nossa memória ainda por largos anos e nas pradarias do Celeste Império das Histórias aos Quadradinhos, onde todos os “heróis” de papel têm um lugar cativo.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, e/ou imprimí-las, clique nas mesmas)

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