ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2010

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O final de cada ano é desde sempre o momento para fazer balanços. E, claro, Saverio Ceri não poderia deixar de nos dar os números totais relativos à produção Bonelliana ocorrida em 2010. Convidamo-vos a encontrar as edições anteriores da sua rubrica se acabou por as perder, pois estamos seguros que após estas novas estatísticas, ficarão tal como nós, à espera da próxima.

ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2010

Por Saverio Ceri

Para a Sergio Bonelli Editore, 2010 foi um ano estranho. À primeira vista, com quatro séries ou mini-séries que nos deixaram (Caravan, Jan Dix, Greystorm e  Mágico Vento), uma que foi retomada (Demian), uma que se iniciou (Cassidy), parecem 12 meses não muito positivos, mas como se verá não é bem assim.

Antes de mais, precisamente graças a esta encruzilhada de séries, o ano que hoje termina junta-se ao quadriénio 1999-2002 como sendo “o ano com mais séries” no virtual livro dos records bonellianos. Dezasseis foram de facto as séries (ou mini-séries) que os leitores bonellianos puderam encontrar nos quiosques italianos. A estas juntam-se os inúmeros especiais, os spin-off e “Mohican” para chegar ao número redondo de álbuns com material inédito publicado pela editora da Via Buonarroti no ano chega ao fim: 150 (o record é de 193 álbuns em 2001). Trata-se de um acréscimo de  7,9% relativamente ao ano anterior onde foram publicados 139 álbuns. Um pouco mais baixo, o aumento de 7,3% no que a páginas diz respeito. Passa-se de 17.587 em 2009, para 18.879 este ano (o recorde é de 2001: 20.918 páginas).

ARGUMENTISTAS

Aumentam as páginas, mas diminuem os escritores: 41 os publicados em 2010, menos 3 do que no ano anterior; longe dos 52 autores, recorde, de 1999. Dois estreantes em 2010: Marolla em Dampyr e Cavaletto em Dylan Dog.

Eis a lista dos 10 mais prolíficos:

1° Ruju 1.604
2° Boselli 1.497
3° Vietti 1.054
4° Burattini 944
5° Mignacco 914
6° Manfredi 826
7° Faraci 816
8° Berardi 803
9° Morales 732
10° Chiaverotti 724

Pasquale Ruju, graças à sua colaboração em quatro títulos (Dylan Dog, Tex, Cassidy e Demian), ganhou a “competição” pela primeira vez, precisamente no mês em que comemora 15 anos de colaboração com a editora. No Top Ten há três novas entradas: o mesmo Ruju, décimo segundo em 2009, retorna após um ano de ausência estabelecendo também o seu ano recorde pessoal (era de 1.542 páginas em 2007); volta Tito Faraci, décimo primeiro no ano passado; entra pela primeira vez Paolo Morales que graças ao Romanzo a Fumetti salta da vigésima para a nona posição, superando assim o seu melhor resultado pessoal que era de 524 páginas em 2007. Entre os habituais frequentadores das zonas superiores da classificação comparecem Boselli, pelo décimo sétimo ano consecutivo no Top dos dez mais (18 presenças no total), e Manfredi, pelo décimo quinto ano consecutivo. Entre os dez líderes deste ano, o que tem mais aparições no Top Ten é Mignacco com 21, o veterano é Berardi, com 18 presenças, mas a primeira datada de 1977; décima oitava presença também para Chiaverotti e décima sexta para Burattini. Saem do Top Ten Ambrosini, Medda e Piani.

Completam a classificação:

11° Serra 704,5
12° Piani 673
13° Perniola 631
14° Medda 580
15° Vigna 532
16° Ambrosini 504
16° Mantero 504
18° Rauch 442
19° Cajelli 428
20° Di Gregorio 376
21° Castelli 362
22° Recagno 359
23° Nizzi 330
24° Calza 299
25° De Nardo 282
26° Enoch 250
27° Ostini 188
27° Falco 188
27° Recchioni 188
30° Gualdoni 182
31° Barbato 160
32° Marzano 150
33° Enna 126
34° Rigamonti 94
34° Bilotta 94
34° Cavaletto 94
34° Marolla 94
38° Sammartino 55,5
39° Baggi 37
40° Bartoli 32
41° Colombo 26

DESENHADORES

Os desenhadores publicados este ano foram 129, precisamente como em 2009: na lista só encontrarão 126, mas Montanari&Grassani, Busticchi&Paesani e os irmãos Esposito… são duplas. Ficou-se longe do record estabelecido em 2003 com 150 desenhadores. Dez são os estreantes; metade nas páginas de Cassidy: Armitano, Barletta, Cavenago, Furnò e Gregorini; também Ambu em Dampyr, Benevento em Caravan, Joevito Nuccio em Zagor, Romeo em Nathan Never e Vetro, a primeira mulher a ilustrar Dylan Dog.

Eis a lista dos dez primeiros:

1° Diso 585
2° Freghieri 508
3° Laurenti 506
4° Di Clemente 501
5° Cascioli 373
6° Baggi 348
7° Font 330
7° Vercelli 330
9° Bignamini 309
10° Alessandrini 308

Vence pela primeira vez (estranho, mas é verdade) Roberto Diso, superando também o seu record que era de 574 páginas em 1991. Era, juntamente com Ticci, o único desenhador entre os primeiros dez de todos os tempos da Bonelli a nunca ter vencido esta classificação anual. Records pessoais também para Laurenti, Di Clemente, Baggi, Font e Bignamini. Não é fácil entrar nesta restrita classificação, todavia Paolo Di Clemente pelo quarto ano consecutivo consegue entrar no Top Ten dos desenhadores. O último a obter um resultado análogo foi Chiarolla entre 2000 e 2003. Pouquíssimos são os autores que se podem gabar de o terem conseguido por cinco anos consecutivos. Será que Di Clemente também conseguirá esse feito em 2011? Entre os dez mais produtivos do ano, o veterano é o mesmo Diso que comparece de 1976 até hoje, somando a sua 18ª presença, registe-se também a 9ª presença para Freghieri e a 6ª para Vercelli e Alessandrini. Uma curiosidade: quatro autores que superam a quota das 500 páginas no mesmo ano é um evento raro: tal somente já tinha acontecido em 1975 e em 1976.

Seguem-se os restantes desenhadores publicados em 2010 nos álbuns bonellianos:

11° Sedioli 286
12° Dotti 282
12° Montanari & Grassani 282
12° Verni 282
15° Busticchi-Paesani 276
16° Esposito Bros. 271
17° Roi 254
18° Enio (Legisamon) 252
18° Mastantuono 252
20° Enoch 250
21° Nuccio 246
22° Giardo 242
23° Avogadro 238
24° Suarez 224
25° Arduini 221
26° Bigliardo 220
26° Bruzzo 220
26° Ortiz 220
26° Seijas 220
30° Della Monica 218
31° Castiglioni 210
32° Olivares 202
33° Boraley 189
34° Barletta 188
34° Di Vincenzo 188
34° Lazzarini 188
34° Mangiantini 188
34° Piccatto 188
34° Valdambrini 188
40° Marinetti 168
41° Gradin 160
41° Gramaccioni 160
43° Coppola L. 154
43° Devescovi 154
45° Resinanti 142
45° Vicari 142
47° De Angelis 137
47° Orlandi 137
49° Barbati 133
49° Denna 133
51° Torti 128
52° Ambrosini 126
52° Camagni 126
52° Campi 126
52° Carnevale 126
52° Celoni 126
52° Foderà 126
52° Giez 126
52° Michelazzo 126
52° Ornigotti 126
52° Zaghi 126
52° Zuccheri 126
63° Cardinale 124
63° Perovic 124
63° Ramella 124
63° Siniscalchi 124
67° Dall’Agnol 118
67° Palomba 118
69° Fusco 110
69° Ticci 110
69° Toffanetti 110
72° De Biase 102,8
73° Bormida 95
74° Acciarino 94
74° Ambu 94
74° Benevento 94
74° Bertolini 94
74° Bonazzi 94
74° Borgioli 94
74° Brindisi 94
74° Casertano 94
74° Cavenago 94
74° Chiarolla 94
74° Cossu 94
74° Cropera 94
74° Fattori 94
74° Genzianella 94
74° Gregorini 94
74° Lozzi 94
74° Bocci 94
74° Mammucari 94
74° Marcello 94
74° Mari 94
74° Maroto 94
74° Piccininno 94
74° Piccoli 94
74° Raimondo 94
74° Santucci 94
74° Spadavecchia 94
74° Viglioglia 94
74° Zanella 94
102° Rizzato 79
103° Corbetta 76
104° Antinori 63
104° Mattone 63
104° Pittaluga 63
107° Pezzi 61
108° Jannì 57
109° Caluri 54
110° Calcaterra 48
111° Atzori 47,5
112° Armitano 47
112° Furnò 47
112° Platano 47
115° Spadoni 42
116° Biglia 37
117° Cavazzano 32
117° Frisenda 32
117° Nizzoli 32
120° Filippucci 26
120° Maresta 26
122° Oskar (Scalco) 25,75
123° Vetro 24
124° Romeo 15
125° Matteoni 14
126° Poli 12

AUTORES DAS CAPAS:

Um record absoluto realizado neste ano de 2010 é o dos autores de capas: exactos 24. Um a mais com relação ao ano precedente. Nesta lista aparecem, além das 150 capas dos álbuns mencionados acima, também as capas inéditas realizadas para reedições e apêndices.

No lugar mais alto do pódio encontramos, tal como nos anos anteriores, a dupla Roberto De Angelis (4ª vitória consecutiva) e Claudio Villa (6ª vitória consecutiva, 13ª no total) com 17 capas.

Segue-se a quantidade de capas realizadas por cada desenhador:

1° Villa 17
1° De Angelis 17

3° Ferri 16
3° Stano 16
5° Riboldi 14
6° Soldi 12
7° Poli 10
8° Cozzi 9
8° Alessandrini 9
10° Bertolini 8
11° Roi 7
12° Mastantuono 6
12° Rotundo 6
14° Mammucari 5
15° Ambrosini 4
16° Enoch 2
17° Di Clemente 1
17° Silver 1
17° Zuccheri 1
17° Diso 1
17° Suarez 1
17° Filippucci 1
17° Manara 1
17° Celoni 1

Os únicos dois estreantes este ano como autores de capas na editora Bonelli foram Silver e Suarez. Manara já tinha estreado em 1978 com “L’uomo delle nevi“.

SÉRIES

Concluímos com as séries. Dylan Dog estabeleceu em 2010 um novo record: 2.156 páginas num só ano. Nunca tantas páginas tinham sido dedicadas a uma só personagem no decurso de 12 meses. Porém se alguns rumores se confirmarem, este record está destinado a ser, já em 2011, pulverizado. Além disso, outro record, este ano 18 álbuns inéditos trouxeram o logótipo do investigador de pesadelos nas suas capas. Na prática, além da série regular à personagem de Sclavi foi dedicado um álbum especial a cada dois meses. Para Dylan Dog trata-se da sua 5ª vitória anual.

1° Dylan Dog – 2.156 páginas – 18 álbuns
2° Zagor – 1.986 – 16 álbuns
3° Tex – 1.980 – 15 álbuns
4° Nathan Never – 1.883 – 16 álbuns
5° Julia – 1.606 – 13 álbuns
6° Dampyr – 1.542 – 14 álbuns
7° Martin Mystère – 1.146 – 8 álbuns
8° Greystorm – 945 – 9 álbuns
9° Mágico Vento – 826 – 6 álbuns
10° Cassidy – 752 – 8 álbuns
11° Brendon – 724 – 7 álbuns
12° Agenzia Alfa – 626 – 2 álbuns
13° Jan Dix – – 504 – 4 álbuns
14° Caravan 470 – 5 álbuns
15° Demian – 444 – 2 álbuns
16° Universo Alfa – 340 – 2 álbuns
17° Romanzi a Fumetti Bonelli – 259 – 1 álbum
18° Lilith – 250 – 2 álbuns
19° Brad Barron – 238 – 1 álbum
20° Storie da Altrove – 154 – 1 álbum
21° MM Presenta – 48 – nenhum álbum

Outras curiosidades relativas ao 2010 bonelliano:

– Tanto Boselli como Ruju destacaram-se em 2010 por serem os vencedores em duas séries: Dampyr e Tex para o primeiro, Cassidy e Demian para o segundo.

Ticci em Tex torna-se o terceiro desenhador em absoluto da mítica personagem criada por G. L. Bonelli e A. Galleppini. Assim restará por muitos anos, talvez até para sempre, visto os ritmos modernos dos actuais desenhadores.

Martin Mystère, se excluirmos Storie da Altrove, regista o mais baixo número de páginas desde 1983. Se em contra-partida incluirmos o spin-off, para encontrarmos um número menor de páginas publicadas temos que retroceder até 1994.

– Este ano Tex superou as 80.000 páginas, Zagor as 60.000, Dylan Dog as 40.000 e Nathan Never as 30.000. Se resolvermos incluir também os spin-off os números mudam. Juntando os vários Agenzia Alfa, Universo Alfa, Asteroide Argo, etc., também Nathan Never, superou as 40.000 páginas. E por falar no mundo do Agente Especial Alfa assinala-se a mudança na liderança da classificação dos desenhadores: Di Clemente saltou para a liderança, destronando Bonazzi, que por sua vez se tinha recentemente tornado líder depondo Casini.

Os álbuns especiais fora das séries este ano totalizaram 31 (record de álbuns mas não de páginas). O argumentista mais empenhado nas edições fora de série em 2010 foi Vietti com 697 páginas (vence pela 3ªa vez), o desenhador foi  Freghieri com 414 páginas (vence pela 1ª vez) e o “capista” foi De Angelis com 5 capas (vence pela 5ª vez). Como facilmente se intui, Dylan Dog é também o vencedor a nível de páginas publicadas nas edições fora de série num só ano: 1.028 páginas. O record precedente pertencia à Agenzia Alfa (913 páginas em 2000).

– 2010 é o primeiro ano desde que foi “inventado” (1988) o “Jornal de Sergio Bonelli Editore” em que não foi realizada nem uma edição impressa. O resultado permanece assim encerrado, talvez para sempre, em 92 edições. Por sua vez o jornal na versão on-line continua com a sua habitual periodicidade bimestral.

E para 2010 é tudo. Ver-nos-emos então em 2011 onde não faltarão ocasiões, vistos os inúmeros festejos previstos, para vos trazer mais alguns números.

Saverio Ceri

Material apresentado no blogue de Moreno Burattini em 27/12/2010; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2010, Moreno Burattini & Saverio Ceri

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

8 Comentários

  1. Nossa, que levantamento! E eu, lendo tantas informações que fascinam e fazem pensar, me deparei com um “Manara” entre os capistas; como assim? Milo Manara fez algo para a Bonelli em 2010 e eu não fiquei sabendo?

    E ainda estou sem fôlego após ler as milhares de páginas de Dylan Dog, coisa que tão cedo não aportará no Brasil e em Portugal. 🙁

  2. Mais uma vez parabéns. Quanta informação e quantas surpresas. Manara desenhou uma capa, para que série? A série Mágico Vento chegou ao fim? Encerrou a história por decisão dos autores ou por outra razão?
    Este Blog surpreende, está sempre em cima de todas as novidades.
    Desejo aos responsáveis do blog e a todos os intervenientes um Ano Novo maravilhoso e cheio de “coisas” boas.
    Um grande abraço…….

  3. Antes de mais nada, muito obrigado pelos parabéns e pelos votos, dilectos pards, parabéns que devem sobretudo ser endereçados ao nosso caro colaborador Saverio Ceri, que nos faz sempre ansiar por novas estatísticas…

    Quanto a Milo Manara, ele realmente desenhou uma capa para a Bonelli neste ano de 2010, mais precisamente de Dylan Dog. Foi a capa do Dylan Dog Color Fest nº 5, publicada em Agosto e devido ao interesse despertado, já a inseri no post como poderão constatar.

    No que se refere a Mágico Vento, apoiado pelo editor, Manfredi decidiu concluir a série, que terminou no final de 2010. Quanto aos motivos, ele próprio confidenciou-os ao blogue do Tex e podem ser lidos em https://texwillerblog.com/?p=8617

    Abraços a todos e votos de que em 2011 nos voltem a acompanhar com a habitual assiduidade e com a vossa participação possível.

  4. Impressionante este trabalho de Saverio Ceri! Parabéns e um Fantástico 2011. Um abraço.

  5. Meu caro Amigo Zeca, não entendi bem a estatística do blogue em relação às capas do CVilla. 17 é o total do ano mais algumas extras, então, não foram consideradas as da coleção colorida?

    Abraços,

    Sílvio Introvabili

  6. Pard Sílvio,
    O Saverio Ceri só contabilizou nestas estatísticas a produção Bonelliana, ou seja, aquela produzida integralmente pela Sergio Bonelli Editore, daí a ausência das 52 capas realizadas por Claudio Villa para a “Collezione Storica a Colori”, assim como por exemplo e só falando de Tex, da ausência das belas capas de Ernesto Garcia Seijas e José Ortiz para a Mondadori já que não se tratam de edições exclusivas da Bonelli.
    No texto quando se lê “… capas inéditas realizadas para reedições e apêndices.“, quer dizer somente capas dos Especiais, Almanaques, Maxis, Gigantes e similares, como por exemplo o Dylan Dog Color Fest ou o Super Book 😉

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