Espaço do associado: Carlos Moreira

Eu e Tex, 43 anos de Colecção

Por Carlos Moreira*

A minha paixão pela leitura começou bem cedo, lá pelos meus 9 anos de idade, com as revistas do Tio Patinhas, Pato Donald e outras do género, que consegui emprestadas de vizinhos mais velhos. Mais tarde, e já no liceu, fui começando a colecionar publicações como o Falcão, Condor, Mundo de Aventuras, Histórias do FBI, Guerra, Tex Tone e um tal de Tex, que me foi apresentado por um colega de escola. Ele quis trocar 4 revistas de Tex por 10 Falcões, e eu, inicialmente, pensei que o tipo era doido. 10 Falcões? Foi, no entanto, a melhor troca que fiz e, desde essa altura, com 12/13 anos, nunca mais parei. Tex distinguia-se das outras publicações que existiam na época, pelo formato e o número de páginas, que saltavam mais à vista.

Entretanto, comecei a trabalhar e estudar à noite, o poder aquisitivo aumentou e também conheci outros pontos de venda, principalmente bancas de revistas usadas que existiam junto às estações de comboio da Linha de Sintra, as quais visitava quase diariamente, sempre na procura de novas edições de Tex, ao mesmo tempo que procurava em pontos de venda de revistas novas, onde pedia para reservar todas as publicações saídas para as bancas.

Com o passar dos anos, a coleção foi aumentando e passei a dedicar tempo e dinheiro só na procura e compra de Tex. Aos 18 anos, outros interesses começaram a surgir, a namorada (hoje minha esposa), a mudança de emprego, a possibilidade de ter de cumprir o serviço militar, do qual fui dispensado, o que fez com que a procura de casa e o casamento passassem a ser as minhas prioridades. Mas a compra das revistas não parou. Tex tinha sempre um espaço guardado, primeiro, em caixas onde as revistas eram muito bem acondicionadas, depois em duas pequenas estantes, onde permaneceram alguns anos, mas sempre aumentando. Isto também devido ao facto da mudança de casa, que trouxe mais espaço, o computador e a internet, que permitiram alargar os conhecimentos e a procura sobre o personagem, e as compras à Mythos, que tiveram início por volta de 2003.

2004 foi o ano de conhecer grandes amigos, o Mário, o José Carlos, o Hernâni, o Orlando, o Jorge e a Nanda, num jantar convívio em Lisboa, amizades essas que se cimentaram com o passar dos anos e,  desde essa altura, tenho participado em todos os convívios e eventos realizados em Portugal. Também  as amizades foram aumentando, e recordo com particular entusiasmo um evento realizado em 2007, onde conheci os amigos italianos Gianni e Luiza (sua saudosa esposa), Ivano, Sergio e Marco.

Em 2008, visitei pela primeira vez a Sergio Bonelli Editore, e quem veio abrir a porta foi o simpático Moreno Burattini, que lançou logo uma pergunta: Portugueses? Amigos de Zeca?  “Molto bene”! Levou-nos até à mesa de Mauro Boselli, onde conversámos um pouco e, mais tarde, até Davide Bonelli nos serviu um café e fez-nos uma visita guiada pela editora. Foi um dos dias  mais maravilhosos da minha vida de colecionador de Tex e senti-me como uma criança quando ganha um doce.

Nunca pensei, quando comecei a colecionar Tex, chegar a ter a coleção que hoje tenho e que muito me orgulha, nem tão pouco conhecer pessoas como Sergio Bonelli, Dorival Vítor Lopes, Júlio Schneider ou Paulo Guanaes, assim como todos os desenhadores que passaram por Portugal, alguns dos quais tive o prazer de os receber em minha casa.

Com a fundação do Clube Tex Portugal, o lançamento da revista e as exposições organizadas pelo Clube, as responsabilidades e o trabalho aumentaram, mas é uma satisfação enorme, após cada revista e cada exposição, saber que tudo deu certo e começar logo a pensar nas próximas. Penso que o futuro de Tex, enquanto publicação, está bem assegurado com um staff de desenhadores e argumentistas muito competente.

* Texto de Carlos Moreira publicado originalmente na Revista nº 13 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2020.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Um comentário

  1. É sempre bom ver as histórias dos grandes colecionadores de Tex. Um personagem que encanta seus leitores a décadas.

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