Entrevista com o fã e coleccionador: Misac Braga Cruz

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Misac Braga Cruz: Me chamo Misac Braga Cruz, nasci e moro na cidade de Canindé, estado do Ceará. Atualmente sou funcionário público da autarquia responsável pelo abastecimento e saneamento básico da cidade (SAAE).

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Misac Braga Cruz: Inicialmente veio pelas tirinhas que sempre acompanhava nos livros escolares, diferente de muitas crianças que acompanhavam através dos gibis da turma da Mônica ou Disney, isso nunca aconteceu comigo. Entretanto a paixão veio mesmo graças aos mangás, isso já na fase da adolescência, visto que, desde a infância a maior influência que tive foi com os personagens da cultura nipônica, seja através de animes, vídeo games, brinquedos e outras mídias.

Quando descobriu Tex?
Misac Braga Cruz: Sempre foi um personagem que eu notava a existência ao visitar a banca de jornal da cidade, porém nunca me interessou, talvez porque nunca encontrei alguém que me falasse dele. Mas minha primeira leitura veio mesmo após a Salvat anunciar a coleção, o que despertou meu interesse, afinal, já acompanhava outras coleções lançadas por ela. Em mais uma visita à banca notei a edição gigante n°32 com a história: O magnífico fora da lei, então decidi comprá-la, já que não queria esperar a Salvat lançar, pois o lançamento ainda iria demorar bastante.

Porquê esta paixão por Tex?
Misac Braga Cruz: O personagem me fisgou logo na primeira história, me dava uma sensação de nostalgia ao me lembrar dos filmes de velho Oeste que costumava assistir junto com meu pai, e claro, pela qualidade da história, era diferente da maioria das minhas leituras da época, possuía um roteiro mais adulto, nenhum pouco previsível, bons personagem, excelentes desenhos, tanto na caracterização dos personagens como na arte sequencial, e claro, dosada de uma boa ação. Todos esses fatores me fizeram querer me aprofundar cada vez mais no mundo de Tex.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Misac Braga Cruz: A coerência com a qual ele é feito me agrada bastante, possui fortes ideias de justiça e nunca os abandonou. Já vi, por exemplo, muitos outros heróis virarem vilões, mudarem seus ideais e até as características básicas. E a grande capacidade dos argumentista de fazerem boas histórias ao longo desses anos é de se admirar.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Misac Braga Cruz: 157 revistas, sendo a maioria da edição histórica, já que são as que foco prioritariamente. A mais importante com certeza é edição gigante 32, afinal foi a primeira que li.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Misac Braga Cruz: Apenas os quandrinhos mesmo.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Misac Braga Cruz: Adoraria ter Action Figures. Mas se pudesse ser mais ambicioso adoraria ter algum original escrito pelo Bonelli ou desenhado pelo Galleppini, mas nem sei se esses itens existem para comercialização, já que conheço apenas alguns autores e pouquíssimas editoras que fazem essa prática.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Misac Braga Cruz: Histórias preferida é difícil, pois adoro muitas, mas já que só posso escolher apenas uma, escolho: A grande invasão ( Tex ouro 83). Desenhista: Aurelio Galleppini. Argumentista: Mauro Boselli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Misac Braga Cruz: Adoro a ambientação e os personagens, até dos secundários, pois alguns deles, por mais que apareçam apenas em uma única história conseguem marcar na memória de alguma forma. Já o que mais me desagrada é a falta de vilões que realmente sejam verdadeiros desafios para o Tex, pois como ele é um personagem que possui forte faro para achar rastros, mira quase perfeita, força física acima da média, e companheiros muito bem preparados, torna-o um personagem extremamente difícil de ter antagonistas à altura.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Misac Braga Cruz: O respeito às raízes do personagem, pois o Tex que vemos sair nas revistas atuais é o mesmo que saiu na revista número 1, onde ainda há a mesma concepção do personagem criado pelos autores. Diferente de super-heróis, por exemplo, que por decisões editoriais, ou algum outro motivo, costumeiramente perdem suas raízes.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Misac Braga Cruz: Não, na minha cidade conheço no máximo dois ou três, e só os encontro esporadicamente.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Misac Braga Cruz: Com bons olhos, graças à internet vejo novos leitores surgindo a cada dia, e são pessoas que se tornaram realmente fãs. E como esse é um fator importante para a sustentação da revista, creio que ele ainda terá uma vida longeva.

Prezado pard Misac Braga Cruz, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

2 Comentários

  1. Essas entrevistas são sempre muito boas. Um dos meus artigos favoritos do blog.
    Abraços, Zeca.

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