Entrevista com o fã, coleccionador e crítico de BD: Pedro Cleto

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Pedro CletoPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Pedro Cleto: Nasci em Julho de 1964, no Porto, onde residi até casar. Actualmente vivo em Vila Nova de Gaia e tenho dois filhos.
Sou formado em Engenharia Química e trabalhei nesta área durante 15 anos. Desde 2002 trabalho exclusivamente na área da banda desenhada. Traduções, colaborações com salões e festivais, uma experiência editorial e escrita no Jornal de Notícias (desde 1997), no BDJornal (desde 2005) e na revista In’ (suplemento da revista NS, distribuída aos sábados com o JN e o DN) desde 2008.

Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Pedro Cleto: A minha paixão pela banda desenhada existe desde que me lembro. Em miúdo, antes mesmo de eu saber ler, o meu pai comprava-me a revista do Mickey; por volta dos 10 anos, trocou-a pelo “Mundo de Aventuras”, que acompanhei praticamente até ao seu final, onde fiz a minha “formação” aos quadradinhos, e a quem agradeço a escolha variada e equilibrada de géneros – clássicos portugueses e americanos, comics, franco-belga, autores espanhóis, novos autores nacionais – que me abriu os horizontes em termos de BD e me permitiu evoluir dentro de género.
Paixão pelo Tex, para desgosto do José Carlos Francisco, sinceramente não tenho. O que não quer dizer que não tenha aprendido a apreciar as suas aventuras.

Colecção AstérixPorquê o Tex e não outra personagem?
Pedro Cleto: A resposta está na questão anterior. A existir paixão – comedida – será pelo Tintin. Actualmente acho que sou mais um leitor de autores do que de heróis… O que não quer dizer que não aprecie alguns.

O que Tex representa para si?
Pedro Cleto: Um western “puro e duro”, em que o herói faz a lei, em que os fins justificam os métodos, em que raramente somos surpreendidos. Para o bem e para o mal…

Colecção TintinQual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Pedro Cleto: Tenho cerca de duas centenas de (ou com) Tex. Não as considerando das obras mais valiosas da minha colecção de BD (que tem cerca de cinco milhares de títulos), prezo especialmente os “Tex Gigante” e (heresia!) a série curta “Tex e os Aventureiros.

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Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem?

Colecção TexPedro Cleto: Para além dos livros tenho um chaveiro “Tex”, oferecido com um “Tex Anual”, a primeira estátua da colecção editada em Itália pela Hachette, o pin português dos 60 anos do Tex e um desenho original (feito a meias!) pelo Fabio Civitelli e o Marco Bianchini. O coleccionismo relacionado com a BD, que pratico, tem duas vertentes: selos de correio com esta temática (tenho à volta de 2500, dois dos quais com Tex!) e estatuetas, em especial de pequeno tamanho (possuo à volta de 250, com o já citado Tintin e também Astérix, Marvel, DC Comics, entre outras figuras soltas).

Tex WillerQual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Pedro Cleto: As histórias que apreciei mais, são aquelas em fui surpreendido, por fugirem um pouco à linha tradicional de Tex. “El Muerto” ou “Forte Sahara”, em que, no entanto, achei os finais algo apressados, depois de intrigas diferentes e muito bem delineadas são dois exemplos. Também posso citar o diptíco “O preço da honra/A força do destino” (Almanaque Tex #30), em que Tex não consegue os seus objectivos, as histórias em que o ranger defronta Mefisto, os Tex gigantes, desenhado por Magnus ou Joe Kubert ou o Tex Anual #7, “O trem blindado”, de Segura e Ortiz. De leitura recente, tendo constituído uma agradável surpresa, quer pela trama original de Boselli, quer pelo excelente desenho de Manfred Sommer, posso citar o diptíco “A última diligência”/”A noite dos torturadores” (Tex #452-#453).

Colecção BDO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Pedro Cleto: Mais, a boa qualidade média das histórias, com guiões bem escritos, quase sempre bem desenhados. Menos, a previsibilidade das histórias, em que o final é quase sempre o esperado.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é?
Pedro Cleto: Essa mesma previsibilidade, a certeza da vitória do herói, que encarna a vitória do bem sobre o mal. A forma como ele defende sempre os mais fracos, a referência moral que constitui, pese embora os métodos que utiliza. Que na vida real poderiam levantar muitos problemas, pois o ser humano normal não é omnisciente como Tex e poderia enganar-se muitas vezes, o que nunca acontece ao herói, que sabe sempre quem são os culpados…

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Pedro Cleto: Um Tex sempre igual a si mesmo, imune às mudanças da sociedade.

José Carlos Francisco e Pedro CletoPedro Cleto e Jorge Machado-Dias no Salão de Viseu

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Prezado pard Pedro Cleto, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

(Para aproveitar a extensão completa das fotografias acima, clique nas mesmas)

Um comentário

  1. Bom, eu tenho 18 anos e há poucos meses comecei a ler Tex, só compro as edições Gigantes.
    Gostei do personagem, típico herói clássico de ética inabalável, e valentão, minha história preferida do Tex é na Trilha de Oregon.

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