Desenhista ‘Vecchio’, Texiano Novo

TEX nº 464A recente entrevista concedida por Pasquale Del Vecchio em exclusivo ao blogue do Tex, deu origem a um artigo da autoria de Júlio Schneider, publicado na edição nº 464 de Tex, datado de Junho de 2008, artigo esse que muito prestigia o blogue e por isso o apresentamos de seguida:

Texto da revista TEX nº 464, de Junho de 2008
Júlio Schneider

Desenhista ‘Vecchio’, Texiano novo (*)

Desenhista ‘Vecchio’, Texiano novoAmigo texiano,
.
Os personagens de quadrinhos sentem o passar do tempo de uma forma diferente daquela dos seres humanos de carne e osso. Anos, décadas se passam e os nossos heróis de papel estão lá, firmes e fortes como quan­do começaram a dar seus primeiros passos nas bancas. Mas o mesmo não ocorre com quem escreve as histórias. Para os roteiristas e desenhistas o peso dos anos às vezes influencia seu trabalho de forma bastante sensível, por vezes é difícil fazer o pincel fluir sobre a folha de desenho com a mes­ma naturalidade de tempos idos. Por outro lado, pode ocorrer renovação no quadro de profissionais não por fadiga dos envolvidos com o processo criativo, mas simplesmente para dar vazão à quantidade de histórias que devem ser feitas para aplacar a sede de aventuras dos leitores.

Por este ou por aquele motivo, ou simplesmente para trazer um ar fresco às tramas, um personagem como Tex, que já está na estrada há 60 anos, sente “uma necessidade fisiológica de novas forças criativas. É o positivo e o negativo de uma publicação em série: depois de um certo nú­mero de anos os roteiristas inevitavelmente devem se alternar; infelizmente as ideias não são inesgotáveis“.

Pasquale Del VecchioDepois do criador do herói, Gian Luigi Bonelli (que faria 100 anos de ida­de em 2008), os menestréis que contaram as aventuras do ranger podem ser contados nos dedos: Guido Nolitta, Claudio Nizzi, Mauro Boselli, Giancarlo Berardi, Decio Canzio. Michele Medda, Antonio Segura, Pasquale Ruju, Gianfranco Manfredi e Tito Faraci.

Já o número de desenhistas supera bastante a quantidade de dedos das mãos: como escre­ver uma história toma menos tempo do que desenhá-la, com o passar dos anos muitos ilustradores foram chamados a fazer parte das fileiras de Tex, primeiro ladeando e de­pois continuando a obra de Aurelio Galleppini.

No ano passado, 2007, a SBE divulgou que nada menos de quinze novos desenhistas estavam preparando seus trabalhos com o ranger, e amostras de seus trabalhos foram expostas no Salão de HQ de Moura, Portu­gal. São eles: Alessandro Piccinelli, Corrado Mastantuono, Dante Erasmo Spada, Franco Devescovi, Giacomo Danubio, Giovanni Bruzzo, Lucio Filippucci, Marco Bianchini, Marco Santucci, Marco Torricelli, Orestes Suarez, Pasquale Del Vecchio, Pasquale Frisenda, Rossano Rossi e Ugolino Cossu.

Dessa turma, os leitores brasileiros já tiveram o prazer de conhecer a versão texiana de Corrado Mastantuono (TXG 20) e de Rossano Rossi (ATX 27, junto com Fabio Civitelli). E agora, com Dinheiro Sujo, temos a honra de apresentar a primeira aventura de Tex Willer desenhada por Pasquale Del Vecchio. Aliás, é o primeiro trabalho de Pasquale a ser publicado no Brasil.

Desenhista ‘Vecchio’, Texiano novo - 2ª parteNascido às margens do mar Adriático, em Manfredonia (Itália), no dia 17 de março de 1965, Pasquale concluiu o Segundo Grau e mudou-se para Milão em 1985, onde começou a dar seus primeiros passos no mundo do desenho profissional, levado pela paixão que dedicava aos quadri­nhos desde pequeno, quando começou suas leituras com Tex, Zagor (a primeira paixão) e Tarzan e, mais tarde, Mister No, Ken Parker e Dylan Dog.

Fez algumas histórias curtas para uma revista chamada 1984, além de colaborar com Il Giornalino – revista italiana histórica – e com outras publicações. No início da década de 1990 Pasquale colaborava com uma equipe terceirizada que produzia a série Zona X, para a Sergio Bonelli Editore, quando Gino D’Antonio apresentou-o a Reinato Queirolo, então supervisor da série Nick Raider, da SBE. E em julho de 1993 foi às bancas da Velha Bota o seu primeiro trabalho com o investigador nova-iorquino – que também é conhecido como o “Tex de Nova York” – cujo roteiro havia sido escrito pelo próprio Gino D’Antonio.

Depois de ilustrar quatro aventu­ras de NR (a última com roteiro de Gianfranco ‘Mágico Vento’ Manfredi), Pasquale passou para a equipe de Napoleone, série criada por Carlo Ambrosini que, no projeto original, deveria ser a primeira minissérie bonelliana, prevista para durar oito números. Só que as aventuras do detetive, dono de hotel e entomologista de Genebra (Suíça) supe­raram as expectativas e, de 1997 a 2006, foram 54 edições bimestrais, das quais doze desenhadas por Pasquale.

Águia da Noite por Pasquale Del VecchioConvidado a integrar o time de Tex, no início Del Vecchio sentiu-se um pouco “desambientado”, pois as histórias que ele havia feito até então tinham ambientação eminentemente metropolitana, e agora tinha que desenhar o Velho Oeste. Leitor de Tex desde pequeno, tomou como referências Giovanni Ticci e Claudio Vilia, assistiu a um monte de filmes de faroeste, empunhou lápis e pincel e… realizou um sonho.

Então, aqui está o Tex “dele”, para nossa curtição. Pasquale é o autor da frase do início do nosso texto – sobre a renovação que acontece em Tex depois de 6 décadas de vida editorial – e que extraímos do bate-papo que originou a entrevista concedida ao Blogue do Tex em maio último. Para ler essa entrevista e ver muitas imagens, é só acessar https://texwillerblog.com e clicar em “Entrevis­tas” na coluna da direita. Esperamos a sua opinião a respeito deste novo desenhista, tanto sobre esta aventura de estreia quanto sobre o papo no blogue.
Até a próxima.

(*)Vecchio“, em italiano, significa “velho“.

Copyright: © 2008 – Tex – Mythos Editora; Júlio Schneider
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima referentes ao texto publicado na revista, clique nas mesmas)

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