Balanço TEXiano 2007

O ano de 2007 foi um ano de transição, um ano onde acima de tudo começaram a notar-se algumas das mudanças que se perspectivam para 2008. Mudanças no staff de autores, com a chegada de novos desenhadores como Pasquale Del Vecchio, Dante Erasmo Spada, Corrado Mastantuono e Garcia Seijas, se bem que nem todos fiquem no staff, mas também a estreia de Tito Faraci como argumentista, o que vem trazer nova dinâmica à série e criar naturais expectativas para os próximos tempos.

“Collezione Storica a Colori” de TexFoi também um ano caracterizado pela mudança numa certa filosofia reinante na Sergio Bonelli Editore que, com a chegada da Collezione Storica a Colori, acaba por deixar o exclusivo do preto e branco como imagem de marca da casa, patrocinando a publicação das primeiras aventuras da série em versão colorida, no que acabou por ser um êxito, cimentado na edição de mais 34 números relativamente aos 50 inicialmente anunciados.

Carlo Rafaelle MarcelloMas foi também um ano doloroso e triste porque assistiu à morte de dois desenhadores aplaudidos a nível mundial, Manfred Sommer e Carlo Rafaelle Marcello. O espanhol regressara à banda desenhada expressamente convidado por Sergio Bonelli para desenhar Tex, enquanto que o italiano, apesar de já se encontrar afastado das páginas texianas desde há algum tempo, continuava a ser recordado por, em conjunto com Mauro Boselli, ter sido o autor de grandes aventuras do ranger.

Ainda falando de desenhadores, merece especial realce o facto de Fernando Fusco ter desenhado mais uma aventura, mesmo depois de ter anunciado a sua retirada, continuando afinal como um dos desenhadores da série, apesar de aceitar apenas trabalhar em argumentos menos extensos.

Claudio Nizzi2007 foi ainda um anno horribilis para Claudio Nizzi, que continuou a escrever a maior parte das aventuras de Tex, denotando sempre pouca motivação, algum cansaço e sobretudo quase nenhuma imaginação.

Finalmente, o facto de que ainda não foi este ano que assistimos a uma nova aventura desenhada pelo magnífico Claudio Villa, apesar do deleite que cada capa deste extraordinário artista nos oferece, e também a ausência dos irmãos Cestaro, uma grande dupla de desenhadores que começam a criar saudades nos apaixonados.

As Aventuras

La Banda dei TreLa Banda
dei Tre escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Fabio Civitelli, conta a história de Elmer Daves um xerife que, chegado à reforma, resolve ir em busca dos assassinos da sua mulher, morta 15 anos antes durante um assalto a um banco. A ideia de Claudio Nizzi foi boa, ao colocar lado a lado Tex com Daves, dois homens que sofreram a mesma experiência dramática, o assassinato da sua mulher, mas acabou por fracassar na pouca credibilidade dos factos apresentados. Realce para o desenho limpo, elegante e perfeito de Civitelli, um autor que esteve por terras lusas, como convidado do Festival de Banda Desenhada de Moura onde espalhou simpatia e granjeou ainda mais adeptos. Uma nota para o facto de Civitelli estar a ultimar a aventura que comemorará o nº 600 da edição italiana.

Morte Nella NebiaMorte Nella Nebia
escrita por Mauro Boselli e desenhada por Alfonso Font, pode ser considerada a melhor história de 2007. Sem estar ao mesmo nível de grandes aventuras como O Passado de Kit Carson ou Os Invencíveis, ainda assim uma aventura de grande qualidade que marca o reencontro de Kit Willer com o seu amigo Bronco Lane (Os Sete Assassinos). Uma aventura onde mais uma vez Boselli confere especial protagonismo ao jovem Kit Willer.

EvasioneApesar de não ser a primeira aventura escrita para Tex, Evasione, com desenho de José Ortiz, marcou a estreia de Tito Faraci junto dos leitores, isto porque os irmãos Cestaro ainda estão a desenhar o seu primeiro argumento, perspectivando-se a sua publicação durante 2008. Sem revolucionar, Faraci escreveu mesmo assim um argumento pleno de dinamismo e ritmo, que leva Tex até uma prisão mexicana com o objectivo de conseguir a fuga de um fora da lei e trocar este por Carson que se encontra cativo dos seus cúmplices. É uma aventura que pode marcar uma viragem na série, porque o Tex de Faraci mostrou ser actuante e empreendedor, inteligente e imaginativo, em contraponto ao que Nizzi vem fazendo com a personagem.

MoctezumaMoctezuma
é o canto do cisne de Nizzi, uma aventura quase completamente falhada e seguramente a menos conseguida do ano. Tal como na aventura de Faraci, Tex vai até ao México, onde acabará por resgatar uma jovem cativa de um senhor local. Um argumento simples, mas que Nizzi não consegue dar o dinamismo de Faraci ou a espessura de Boselli, primando pela superficialidade e alguns erros infantis. Apesar da idade, Fusco não acusa em demasia o peso dos anos, conseguindo expandir bem as suas qualidades de paisagista.

Soldi SporchiSoldi Sporchi
marca a estreia de Pasquale Del Vecchio numa aventura de Tex, onde o seu desenho acaba por ser a melhor parte de mais uma aventura pouco conseguida de Claudio Nizzi. Uma patrulha do exército que transporta o pagamento dos militares é atacada, tudo levando a crer por índios yaquis. Tex e Carson após investigarem concluem que afinal os brancos podem estar por detrás de tudo. Del Vecchio já trabalhara para a Sergio Bonelli Editore, desenhando aventuras de Nick Raider e Napoleone, mas também para o exigente mercado franco-belga onde desenha a série Russel Chase. Um desenho clássico, elegante e claro que apenas terá que melhorar na sua composição do ranger.

Spedizione in MessicoErasmo Dante Spada estreou-se em Spedizione in Messico, mais uma aventura interessante de Mauro Boselli e que leva Tex e os pards novamente até ao México, onde a pedido do exército norte-americano pretende trazer de volta o chefe coyotero Calvado, fugido há meses da sua reserva. Uma aventura onde o perigo e a suspeita espreitam em cada página e que testemunha um trabalho de grande nível de Spada, com um desenho muito expressivo e paisagens fantásticas. Mas a sua integração no staff não é certa, uma vez que o autor acaba de regressar a Martyn Mystère.

La SentinellaA série normal terminou com La Sentinella, que narra a descoberta por parte de Tex e Carson de um oficial sulista que vive há anos como um eremita numa caverna e que acredita que a Guerra da Secessão ainda não terminou. Uma aventura onde se pode optar por duas leituras. Se for um daqueles críticos acérrimos de Nizzi, trata-se de mais uma prova cabal da falta de dinamismo e motivação do autor, cometendo ingenuidades e incoerências. Se conseguir ultrapassar isso, o leitor descobrirá na aventura uma visão do sul do pós guerra da Secessão, de uma época de reconstrução e de regresso à civilização, de uma época onde, apesar do final da escravatura, o negro ainda não era aceite socialmente. Uma aventura onde o argentino Miguel Angel Repetto assina eventualmente o seu melhor trabalho em Tex.

Almanacco Del WestO Almanacco Del West testemunhou, junto dos leitores, a estreia de Garcia Seijas em Tex. Tal como com Faraci, se bem que por motivos diferentes, Polizia Apache não é a primeira aventura desenhada pelo excelente artista argentino, uma vez que o seu primeiro trabalho para Tex ainda aguarda publicação num Albo Speciale (Tex Gigante). Polizia Apache é escrita por Mauro Boselli e debruça-se num tema, baseado em factos reais e sempre presente em Tex, índios confinados em reservas que não aceitam a autoridade que lhes é imposta. Graficamente, o trabalho de Garcia Seijas não merece reparos, muito pelo contrário, ele é merecedor dos mais rasgados elogios, apesar do seu Tex não recolher eventualmente a unanimidade no modelo do autor.

Il Profeta HualpaiEm matéria de estreias, o Speciale trouxe mais uma, a do romano e versátil Corrado Mastantuono, sobejamente conhecido no mercado italiano e franco-belga. Il Profeta Hualpai conta a história de Manitary, um profeta que, após uma visão, sente-se investido a dar seguimento à sagrada missão de reunir as tribos índias debaixo de um só comando, com o objectivo de expulsarem os brancos das suas terras. Escrita por Claudio Nizzi, é uma aventura interessante no tema focado, mas sem criar grandes emoções. Mastantuono tem uma representação gráfica perfeita dos pards e o seu Tex vai melhorando com o decorrer da aventura. O autor imprime sempre um desenvolvimento dinâmico à aventura realizando planos de conjunto soberbos.

Fort SaharaPor fim, o Maxi Tex com a aventura Fort Sahara, escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Roberto Diso. A aventura consegue fazer bem a ponte entre realidade histórica e ficção quando a Legião Estrangeira prestou auxílio ao imperador mexicano Benito Juarez entre 1864 e 1867, reflecte timidamente sobre a disciplina militar, mas traz os defeitos habituais em Nizzi. Pelo lado do desenho, as coisas também não foram melhores, porque Roberto Diso, não discutindo as suas qualidades, não tem um estilo ou um traço que permita criar um verdadeiro ambiente texiano.

Os Desenhadores

Tex de Pasquale Del VecchioUm ano, como já afirmado, marcado pela estreia de novos autores em Tex, por força do desaparecimento de alguns artistas, mas também pelo ritmo que as novas aventuras vêm impondo. Pasquale Del Vecchio, Erasmo Dante Spada, Corrado Mastantuono e Garcia Seijas, cada qual a seu modo, deu o melhor de si e isso foi notório, porque os seus trabalhos merecem nota positiva. Mas cresce a dúvida em saber quem afinal continuará na equipa, porque para já Erasmo Dante Spada parece ter saído para Martin Mystère e o seu trabalho em Tex foi muito bom. Del Vecchio está novamente a desenhar para o mercado francófono, enquanto que tudo leva a crer que Mastantuono e Seijas continuarão.

Boas provas de Civitelli, que sempre nos habituou a excelentes trabalhos, Repetto com o seu melhor trabalho na série, o espanhol Font que sobe sempre a sua fasquia de qualidade, são aspectos positivos a realçar, não esquecendo que, apesar da idade, Fusco não desaprendeu (talvez o estilo já seja algo datado) e que outro espanhol, José Ortiz, continua em bom nível, mas quer-nos parecer que o seu ritmo elevado de trabalho acaba por influenciar negativamente o resultado final. Apenas Diso parece sobressair pela negativa na qualidade global.

Uccidete Kit WillerUma palavra para o trabalho ao nível das capas por parte de Claudio Villa. Qual delas a melhor? Em face de excelentes trabalhos, torna-se difícil escolher uma, todas elas são um regalo que importa apreciar ao pormenor. Moctezuma e Uccidete Kit Willer têm grande impacto, Spedizione in Messico impõe-se pela figura texiana, Morte Nella Nebia deixa uma sensação fria, Evasione cativa, enfim, estamos em presença de um notável desenhador e nunca é demais realçá-lo.

Os Argumentistas

2007 acentuou o declínio de Claudio Nizzi. Aquele que ainda é considerado como o verdadeiro herdeiro de G. L. Bonelli acusou erros e ingenuidades em demasia, alicerçados em argumentos sem alma e incapazes de cativar verdadeiramente, demonstrando que quantidade não é sinónimo de qualidade. Escreveu mais de mil páginas, Boselli cerca de metade, enquanto Faraci ficou-se por pouco mais de duzentas. 2007 evidenciou que Nizzi atingiu os limites da sua veia inspiradora, deu tudo o que de melhor tinha à personagem durante tantos anos, mas chegou a hora de uma desejável retirada, pelo simples motivo que pouco mais trará à personagem. O Tex nizziano foi-se arrastando ao longo do ano em aventuras que primaram pela superficialidade, apesar de alguns aspectos interessantes, referidos ao longo deste artigo, reiterando a ideia que o autor acusa cansaço e não dá provas de poder inverter o rumo.

Mauro BoselliPelo contrário, Mauro Boselli afirma-se como um criador de histórias com muito maior interesse e espessura, tendo já dado provas que pode ser o autor capaz de renovar o mito e trazer novos rumos à série. Em 2007 Boselli não assinou uma obra-prima, mas escreveu duas boas aventuras, Morte Nella Nebia e Spedizione in Messico, duas histórias onde as qualidades do autor estão bem presentes. Qualidades que passam muito por uma notável construção das personagens, alterando os códigos narrativos nizzianos. Gradualmente, Boselli vai assumindo o papel de principal argumentista o que é uma boa notícia para 2008, criando acrescidas expectativas nestes tempos de mudança.

Tito Faracci deixou uma boa impressão com Evasione. Já dissemos que não veio, para já, revolucionar nada, mas deixa antever algo de diferente para mais tarde. Para já o autor não entrou a querer mudar, quis sim ser honesto com os leitores e com os fãs, por isso foi buscar alguns dos atributos do Tex bonelliano e escrever uma história simples, mas capaz de atrair pela dinâmica, pela movimentação e por esse facto já apontado de trazer um Tex como nos habituámos a apreciar.

Um ponto parece ter sido comum nos três: nenhum trouxe uma aventura sobre a temática do fantástico ou passada em ambientes exóticos. Neste ponto em concreto de ambiente e temas, Morte Nella Nebia e La Sentinella fogem um pouco do lugar comum, a primeira pelos ambientes a segunda pela visão que traz do pós-Guerra da Secessão.

Tex em Moura - PortugalVeremos o que nos reserva 2008, com a gradual e anunciada retirada de Nizzi, a afirmação crescente de Boselli, a continuidade de Faraci, sem esquecer Pasquale Ruju que, depois de Demian, regressa a Tex com a aventura do Almanaque, Manfredi, Segura e o próprio Guido Nolitta (aliás Sergio Bonelli) que com Boselli e Ticci (no desenho), cria naturais expectativas para uma aventura a três a publicar já em Março.

Se em 2007 a Collezione Storica a Colori marcou a revolução da cor nas aventuras de Tex Willer, de acordo com as palavras do próprio Sergio Bonelli, 2008 poderá ser o ano da evolução e de algumas mudanças. As expectativas são grandes!

Texto de Mário João Marques

10 Comentários

  1. GG Carsan,
    Obrigado pelas elogios, sobretudo porque veem de um profundo conhecedor de Tex, alguém que tem feito muito em prol da série, alguém que me habituei a ver como um dos que falam e escrevem com propriedade. E obrigado pela sugestão que me parece muito boa, deixando já aqui expressa a aceitação da mesma, esperando que em futuras retrospectivas e balanços o blogue possa contar com a sua colaboração GG.
    Um grande abraço
    Mário

  2. Nanda,
    Folgo muito em ler aqui as tuas palavras, que são sempre muito bem vindas, mais a mais de uma pessoa entendedora, apaixonada e tão simpática.
    Estamos todos de acordo na questão em que Nizzi está cansado e desinspirado. A sua retirada deveria há muito ter sido preparada, mas esse facto não se deve a ele. Nizzi, como muito bem diz o José Carlos, chegou a escrever quinze roteiros ao mesmo tempo. É obra e ao alcance de poucos, mas a qualidade acaba por se reflectir. Só espero que o mesmo Boselli que hoje está na moda não venha a passar pelo mesmo no futuro e ser alvo de acérrimas críticas, a maior parte das vezes injustas.
    Obrigado pelas tuas palavras Nanda
    Mário

  3. Prezado GGCarsan, atendendo à sua sugestão, esta matéria inaugura uma nova rubrica no blogue do Tex até porque de facto merece um diferencial no menu e também porque é uma rubrica que continuará a sair nos anos vindouros ou sempre que se justificar. Para já fica denominada RETROSPECTO TEXIANO, mas se houver alguma sugestão melhor, inclusive do próprio pard Mário Marques, será alterada.

  4. Primeiro de tudo, parabenizar o Mário por tão soberba retrospectiva (eu que já fiz algumas no passado para o Portal Tex, não tão boas assim, sei do trabalho que dão) e enfatizar o seu valor para os visitantes do Blog, possibilitando uma rápida atualização para aqueles que se deparam com a matéria (e por que não lhe dar um diferencial no menu?). Concomitante, chamar a atenção para a veia narrativa do autor da matéria, que me surpreende a cada texto, pela clareza e segmentação das idéias e também por argumentar com grande propriedade.
    Relativamente ao Nizzi, acredito que já deu a sua grande contribuição e já pode parar. Poderá por vezes assinar algum roteiro, realizado com calma, sem o pique do tempo e da responsabilidade autoral, talvez ficando com alguma série. Todavia, quando ele deveria diminuir o ritmo e se dedicar mais ao Tex, eis a notícia, pelo JF, de que está escrevendo romances, e isso tira toda a sua concentração.
    A minha pouca vivência em escrever histórias (nunca foram publicadas) serve para compreender como é difícil desenvolver um roteiro até o fim, quando precisamos viver (isso mesmo) as experiências de cada personagem. A pior hora é quando somos obrigados a parar para dormir, pois ao continuar no dia seguinte ou dias depois, é complicado retomar o ritmo anterior. Imaginemos, assim, o Nizzi, com vários roteiros na cabeça, parando um e entrando noutro, mesmo com a sua vasta experiência. Certamente que ele anota tudo o que tem na mente para quando retomar a escrita, mas imagine-se deixando uma festa pelo meio, corra pra casa, tome um banho, durma duas horas e retorne para ver que coisa esquisita, por mais que tente, o clima será outro, as emoções anteriores estarão adormecidas, outras se elevarão em seu lugar.
    Assim o Nizzi foi nos privando daquelas conclusões mirabolantes, dos planos infalíveis do Tex, cada vez mais entregando o jogo no início do primeiro tempo e podando as capacidades mais inerentes do faroeste: os duelos, as brigas de saloon e as perseguições pelas paragens de Monument Valley e canyons do Arizona.
    Enfim, parabéns ao Blog e ao Nizzi, com vocês fica mais amena a luta nesse vale de lágrimas.
    Abraço desde a Paraíba – Brasil.
    G. G. Carsan

  5. Parabéns Mário pelo resumo interessante do TEX em 2007. Concordo plenamente com tuas palavras no que se refere a Nizzi. Acho que ele já deveria ter preparado sua saída com glória sem se sujeitar às críticas a que vem se expondo. Concordo que ele foi um personagem importante para continuação do legado de G.L. Bonelli mas tudo tem seu tempo e tudo tem sua hora de mudar.
    A minha opinião é de que tudo tem que se adaptar ao mundo que não pára. Me perdoem os mais ferrenhos fãs, mas se hoje o Tex vivesse das histórias antigas eu as leria talvez por nostalgia, mas não por interesse. E mesmo assim, não leria tantas. O mundo mudou, a cabeça e o comportamento das pessoas mudou, e Tex portanto tem que acompanhar… ou estagnar!

  6. Que maravilha ver (ler) comentários (e comentadores deste calibre)destes (repetidos em outros assuntos, como por exemplo na recente entrevista ao grande Claudio Villa)aqui no blogue do Tex!!!!

    Perante os vossos comentários pouco mais tenho a dizer, senão acrescentar duas coisas… se não fosse o Claudio Nizzi seguramente hoje não estaríamos aqui a falar do Tex, porque se Tex Willer está vivo (e bem vivo apesar de muitas críticas ao Nizzi) muito, mas mesmo muito se deve ao Nizzi e só por isso ele merece a gratidão eterna dos fãs do ranger, gratidão que ele tem do Sergio Bonelli, que acredito nunca seria (será) capaz de afastar o Nizzi e só o facto do próprio Nizi actualmente estar a priorizar os seus romances (tem vários prontos e está a escrever outros, procurando quem os edite) o tem levado a algum afastamento da série, embora eu acredite que não abandanará de todo a saga… outro factor para haver muitas críticas ao Nizzi, na minha óptica prendem-se com outro factor… o que depressa e bem há pouco quem, ou seja, o excesso de trabalho em tempos recentes que levaram o Nizzi a produzir mais de 15 histórias de Tex em simultâneo, o que se queira ou não, penso que é (era) um fardo muito pesado, porque penso que não é fácil imaginar tantas histórias ao mesmo tempo, embora saiba que os argumentistas conseguem escrever várias histórias em simultâneo (prova disso é o próprio Jorge Magalhães…risos…)… e hoje em dia, continuo a pensar o mesmo, mas com relação ao Boselli que é quem tem muitas histórias de Tex em produção, tendo substituído o Nizzi nesse campo e hoje em dia, noto que as histórias do Boselli (na minha modesta opinião) não são tão boas como eram num passado recente, como por exemplo constatei com as histórias dele que saíram em 2007 e que estão muito longe de histórias como “O Passado de Kit Carson”, “Os Invencíveis”, “A Grande Invasão” e outras do mesmo quilate, o que me faz novamente constatar que “depressa e bem há pouco quem”…

  7. Meu caro Jorge Magalhães,
    Depois de durante anos ter acompanhado o Mundo de Aventuras, nunca pensei que um dia pudesse ler semelhantes palavras e elogios para comigo. Eu naturalmente agradeço, fazendo questão de frisar que desde novo que sou um apaixonado pela série e pelas suas personagens e que nunca me limitei à leitura das suas aventuras, querendo sempre saber algo mais, no fundo o que está por detrás do pano. Mas também tenho que agradecer a todos os texianos que proliferam por esse mundo fora (em Portugal temos muitos)e que com os seus conhecimentos têm ajudado no estudo de uma série que comemora este ano o seu sexagésimo aniversário, o que é obra.
    Penso que quando alguém escreve sobre algo, acima de tudo tem que ser objectivo e imparcial e infelizmente não vemos que isso aconteça com um autor como Nizzi. Já escrevi sobre a sua falta de inspiração e motivação, sobre a sua estrutura narrativa, sobretudo sobre um rumo imprimido a Tex. Depois de tantos e tantos argumentos é natural que exista uma certa falta de fôlego, mas Nizzi será sempre para mim o autor que pegou na personagem de G.L. Bonelli e conseguiu com sucesso conduzi-la nos anos seguintes, conseguiu com que a série sobrevivesse ao seu criador. Chegou a sua hora certamente, mas essa hora já devia ter sido previamente preparada, evitando com que Nizzi estivesse assim tão exposto às críticas que, muitas das vezes, considero injustas. Hoje Boselli está na moda mais pela força com que constrói as suas personagens, porque no fundo o seu Tex não é o Tex bonelliano. Como muito bem diz, há assim um excesso de favoritismo que leva os leitores a não condescenderem com Nizzi e esquecerem a elevada gratidão que têm para com ele. Eu confesso aqui uma coisa: se calhar não sou assim tão objectivo quanto diz, porque não há uma história de Tex que eu não tenha gostado de ter lido. Às vezes só aqueles diálogos entre Tex e Carson dão-me um enorme prazer. Por isso, há que renovar, mas há que renovar mantendo o espírito bonelliano e esse ainda foi Nizzi que o soube conduzir até hoje. Entre Nizzi e Boselli poderá estar um dos rumos a seguir. A minha crítica a Nizzi parte principalmente da excessiva desmotivação que vem dando mostras, o que se reflecte em argumentos que se repetem ou num Tex que por vezes actua pouco. Mas isso também são sinais dos tempos de hoje, de um tempo certamente muito diferente quando Bonelli criou a série. A exposição de Nizzi às críticas nem sequer a ele se deve. Por isso, volto a dizer, a sua retirada devia ter sido desde há algum tempo preparada. Gradualmente, a bem dizer.
    Um abraço
    Mário João Marques

  8. Excelente balanço de um ano fértil em novidades e expectativas, feito por um grande especialista da saga de TEX e crítico competentíssimo, cujas análises primam pelo rigor e pela objectividade, não deixando de lado nenhum aspecto das obras abordadas, mesmo o mais subtil.
    Quanto à opinião, ao que parece muito generalizada, de que Nizzi já deu o seu melhor à série, acho que ele poderá ainda ser capaz de nos surpreender com um novo fôlego, produzindo alguns argumento à moda antiga. E certas críticas que lhe fazem repetitivamente pesam, na minha opinião, por excesso de favoritismo em relação a Boselli e a outros – sem desprimor para estes, bem entendido -, desvalorizando o facto de Nizzi (como salienta Mário João Marques) ter sido o continuador da “pesada herança” de G. Luigi Bonelli e merecer, pela sua incansável produtividade e pelo seu inegável talento, um lugar à parte entre os melhores argumentistas da BD europeia dos últimos 30 anos. Ou seja, cegos a tudo o que não seja novidade, alguns leitores de Tex esquecem-se da imensa dívida de gratidão que têm para com Claudio Nizzi!
    Mas, de facto, tudo aponta para que os caminhos da renovação em Tex passem pelo seu gradual afastamento, em prol de obras mais consensuais entre os leitores. Embora eu acredite que o próprio Nizzi não quererá ainda pôr um ponto final na sua carreira…
    Jorge Magalhães

  9. Geraldo,
    Eu também concordo, chegou a hora da retirada de Nizzi. Penso mesmo que essa retirada já deveria ter sido gradualmente preparada desde há algum tempo. Aquele que eu considero como o autor mais fiel a G. L. Bonelli merece que toda a sua obra em prol de Tex e da série seja preservada, respeitada e sempre lembrada. Com a hora da mudança que se avizinha, que todos os texianos saibam dar tempo aos autores que se vão estrear.
    Um abraço
    Mário João Marques

  10. É triste ver a falta de criatividade do Nizzi. Talvez já esteja na hora de passar a bola para outro. Sinto bastante saudade do Bonelli Pai. Vamos aguardar as mudanças e que elas tragam fôlego novo para Águia da Noite.
    Abraços.
    Geraldo Ribeiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.