As Leituras do Pedro: Tex Edição em Cores #35 – Sangue em Laredo

As Leituras do Pedro*

Tex Edição em Cores #35: Sangue em Laredo
Gianluigi Bonelli (argumentos)
Aurelio Galleppini (desenhos)
Mythos Editora
Brasil, Fevereiro de 2019
160 x 210 mm, 224 p., cor, capa mole, semestral
R$ 44,90

De forma natural, associámos as edições integrais a grandes volumes, com duas ou três centenas de páginas. Este último factor está presente na colecção (integral) Tex Edição em Cores, com que a Mythos replicou no Brasil – com variações no número de páginas – a Collezione Storica a Colori original italiana, que entre 2007 e 2012 (com uma extensão mais recente) a Sergio Bonelli Editore publicou numa parceria com o jornal La Repubblica e a revista L’Expresso. Falta-lhe o grande formato, que seria ilógico, pois este integral – sim, é disso que se trata – respeita o tamanho original italiano. E falta-lhe, também, de forma gritante, um pequeno dossier ou um texto que contextualize a obra na sua época ou, no mínimo dos mínimos, a indicação das datas originais de publicação das histórias. E, a talhe de foice, deixo a pergunta: que sentido faz o texto (básico e descontextualizado…) sobre (poucos) filmes e séries de TV de temática western, que desperdiça duas páginas da publicação?

Uma vez que aquela informação não é apresentada, deixo-a eu aqui: as histórias Sangue em Laredo e Emboscada Fatal (aproveitando aqui o título da primeira vinheta de cada uma delas, uma vez que esta edição compila histórias originalmente publicadas em cadernos com 32 tiras, cada um deles com título próprio) que são publicadas na íntegra, datam de Agosto/Setembro de 1965. Quanto a México Mortal, que arranca no final deste volume, surgiu originalmente neste último mês.

Esta é uma característica algo polémica da colecção, as histórias incompletas. Se em termos de integrais francófonos é fácil agrupar um número determinado de álbuns, no caso de Tex, em que as aventuras tinham duração variável isso torna-se mais complicado. É verdade que no caso de uma publicação de lançamento semanal, como aconteceu em Itália, não é gravoso para o leitor, mas a questão pode mudar de figura no que diz respeito à edição brasileira (compreensivelmente) bem mais espaçada no tempo… Sabendo que seria muito difícil ter só histórias completas por número, o que iria variar significativamente o número de páginas por edição e o respectivo preço, este aspecto pode afastar eventuais leitores… Ou, contraporão alguns, levá-los a comprar a edição seguinte para completarem a leitura!

De temática semelhante, apesar de bases diferentes – uma parte da investigação do fabrico de notas falsas com uma mensagem, a outra da tentativa de compra de um rancho a qualquer custo – as duas aventuras referidas, da autoria dos criadores de Tex, apresentam um western clássico estereotipado, com Tex e Kit a limparem duas cidades dos bandidos que as dominam, cujos assalariados caem como tordos perante o fogo contínuo dos rangers. Nada que surpreenda no contexto da época e da série, que haveria de evoluir para relatos mais consistente, o que não invalida que nos quase 20 anos que já levava de existência e mesmo nos anos similares seguintes, não publicasse alguns dos relatos que tornaram Tex um western tão especial e garantiram a sua longevidade.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

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