As Leituras do Pedro: Mágico Vento #131: Memórias do Tempo Perdido (último número)

As Leituras do Pedro*

Mágico Vento #131: Memórias do Tempo Perdido (último número)
Gianfranco Manfredi (argumento)
Carlo Marcello, Giuseppe Matteoni, Fabio Pezzi, Stefano Biglia (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Maio de 2013
135 x 180 mm, 212 p., pb, capa mole, mensal
R$ 19,90 / 10,00 €

Por vezes gostava de poder parar o tempo, suspender obrigações familiares e profissionais, dispensar o sono e a alimentação e isolar-me.
Porquê? A explicação vem nas linhas que se seguem.

Gostava de poder parar o tempo, o sono, o trabalho, até outras leituras (pendentes e atrasadas) para reler, recordar, viver, de uma vez só, sem as inevitáveis interrupções a que a vida obriga, as centenas de pranchas escritas e desenhadas de séries como Akira ou Blueberry, 100 balas ou Tintin, Calvin & Hobbes ou Príncipe Valente ou todas as outras que a memória não conseguiu evocar neste rápido correr dos dedos pelo teclado…
Ou, neste momento, as cerca de 15 mil pranchas que compõem a longa saga do herói Bonelli Mágico Vento.

Para as poder apreciar na sua totalidade, na sua unidade, para recordar episódios que já esqueci, apreciar a coerência do todo, descobrir ligações e referências que Manfredi espalhou e que a leitura espaçada não permitiu descobrir nem desfrutar, para compreender de forma mais completa tudo o que ele quis fazer-nos viver (ou sonhar).

Neste último volume de Mágico Vento – despedida custosa de uma série que, primeiro desconfiado, depois rendido, aprendi a reencontrar regularmente – deparamos com um Poe envelhecido a desfiar algumas memórias – que o tempo não permitiu incluir na cronologia normal.

Quase desnecessário na longa cronologia de Mágico Vento, tem apenas o mérito de entreabrir uma porta sobre o seu destino e de ter prolongado um mês mais o companheirismo com um herói que resistiu nas bancas brasileiras (e também portuguesas, embora aqui com alguns hiatos) durante mais de uma década. (Parabéns à Mythos pela coragem e pela tenacidade!)

Não vou hoje voltar a escrever sobre os méritos deste western de contornos históricos e fantásticos, pois já o fiz aquiaqui e aqui.

Peço apenas que, se algum dia conseguirem parar o tempo, me expliquem como o fazer. Tenho esta e muitas mais leituras para repetir….

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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