As cores originais de algumas capas de Tex – Collezione storica a colori

Por José Carlos Francisco

A “Collezione Storica a Colori” (Colecção Histórica a Cores) agregada ao quotidiano “La Repubblica” e ao semanário “L’espresso” na Itália, terminou a longa maratona com o ducentésimo sexagésimo nono volume publicado a 22 de Janeiro deste ano. Tratava-se de uma proposta semanal iniciada no longínquo mês de Fevereiro de 2007 (tendo uma interrupção entre o nº 239 e nº 240, ocorrida entre Agosto de 2011 e Outubro de 2014) e foi uma iniciativa que obteve um sucesso entusiasmante e que permitiu aos leitores italianos desfrutar, no espaço de menos de uma década, de toda a carreira do Ranger mais famoso e mais duradouro do mundo da banda desenhada, pela primeira vez a cores.


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Era suposto ser apenas um “experiência” limitada a 50 números e que, em vez disso, motivada por um sucesso tão extraordinário quanto imprevisível, tornou-se um “encontro semanal” mais ou menos obrigatório para dezenas de milhares de leitores…

A colecção que reeditou todas as histórias da série principal de Tex marcou a introdução triunfal da cor no universo do nosso Ranger, uma “entrada” que, em doses assim maciças, nunca se tinha visto antes. Não foi fácil, para muitos leitores conseguirem completar com sucesso a série inteira, fosse pelo compromisso financeiro que a empreitada requereu, fosse para a obrigação de encontrar na própria habitação, um espaço suficiente para acolher uma espécie de “montanha de papel”. Mas, a oportunidade era realmente imperdível – mesmo única – e, profissionalmente, a Sergio Bonelli Editore não podia deixá-la fugir tal como os números finais (e oficiais) o provaram, mas estamos aqui para falar de capas desta colecção, capas essas que foram todas da autoria de Claudio Villa.


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E as capas de Villa publicadas nessa colecção colocaram em prática uma técnica totalmente diferente daquela usada nas capas da série inédita e nos “pósteres” incluídos em Tex Nuova Ristampa, pelo estilo usado para a ocasião por parte de Claudio Villa, já que correspondiam a um preciso e particular pedido de Sergio Bonelli: querendo distinguir de qualquer outra precedente, nessa especialíssima proposta, Sergio Bonelli pediu a Claudio Villa, desenhador oficial das capas de Tex, para “inventar” uma técnica (mas também um tipo de enquadratura) que recordasse as primeiras vinhetas executadas por Galep nos anos cinquenta.

No imaginar do editor italiano deveria tratar-se de uma espécie de jogo entre o editor, o desenhador e os leitores, pensado para acrescentar um ulterior toque de novidade a uma colecção que, graças às cores, já se distingue de todas as outras. Mas para falar melhor deste tema quem melhor do que o próprio Claudio Villa?


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A entrega deste trabalho foi precisa e fascinante … “ confessou-nos Claudio Villa. “Galep foi único e inimitável e para me achegar da sua atmosfera, tive que tirar do desenho cada traço do meu estilo, simplificar o traço, usar os esboços “quentes” que davam vida às suas rochas e limitar-me muito no quesito das vestimentas. O Galep daquele período era ágil e desembaraçado, arejado e nada estático; estudando-o, tive por vezes uma sã inveja de como conseguia delinear com dois traços, um rosto, um gesto, uma paisagem. Para efeitos de comparação tinho debaixo de olho um outro grande nome da banda desenhada e a quem o mesmo Galep admirava: Alex Raymond. A época cultural, o gosto por um traço elegante e sintético, a pose plástica e dinâmica fazem parte do mesmo universo. É um prazer que atenua a fadiga, descobrir uma síntese gráfica do passado e reportá-la no presente. Assim, o jogo entre o editor, desenhador e leitores ao qual acenava a proposta inicial, pôde tornar-se mais interessante: fazer reviver o Tex de Galep. Como se ele estivesse ainda aqui!”.


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Para concluir este post, mostramos no decurso do mesmo, algumas capas desta inolvidável colecção com as cores originais de Claudio Villa ao lado, para efeitos de comparação entre as cores do autor italiano e as cores da revista em si, tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia de Villa que nos tem dado a conhecer nos últimos tempos as suas cores originais das capas que vai produzindo ao longo dos tempos para Tex Willer nas diversas séries do Ranger criado em 1948 por G. L. Bonelli e Aurelio Galleppini!


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(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

2 Comentários

  1. Para mim, a collezione storica a colori foi a melhor coisa que aconteceu a Tex e a Zagor nestes últimos anos. Desde que comprei os primeiros exemplares desisti de comprar as edições brasileiras em formato pequeno.
    Espero sinceramente que brevemente haja também uma collezione storica a colori de Mister No. Os fãs ficariam muito satisfeitos e seria uma bela forma de homenagear o nosso querido Sergio Bonelli.

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