“A Viagem do Elefante” – A adaptação, realizada por João Amaral, para banda desenhada do romance de José Saramago e os agradecimentos a Fabio Civitelli

Capa de “A Viagem do Elefante”

A Viagem do Elefante é um álbum, publicado a 21 de Novembro último com o selo da Porto Editora, de João Amaral que adapta para BD o romance homónimo de José Saramago. Como diz Pilar del Rio, no prefácio que para ele escreveu, o caminho até Viena é tortuoso: «João Amaral sabe-o bem porque o esteve a desenhar durante mais de dois anos passo a passo. Estava em sua casa e também ouviu os barritos do elefante, pelo que se pôs a delimitar a zona para que nenhum leitor se perdesse na aventura de ler. João Amaral estudou muito bem aquilo que José Saramago havia escrito e logo que o soube com todas as letras pintou-o para que nada na sua banda desenhada fosse falso.»

João Amaral e o lançamento de “A Viagem do Elefante”

Li o livro de uma rajada e senti o mesmo que tinha sentido quando adaptei ‘A voz dos deuses’ [de João Aguiar]; estava a ver as imagens da história na minha cabeça“, afirmou João Amaral à agência Lusa.

O autor demorou mais de dois anos a passar o realismo das palavras do prémio Nobel para o formato da BD, e o que mais lhe agradou na obra de Saramago foi a construção das personagens e o facto de se abordar a condição humana.

Manuel Valente, da Porto Editora, proferindo algumas palavras no início da sessão de lançamento da obra de João Amaral

Há quem pense que uma adaptação é só pegar nas palavras do autor, mas há coisas que na literatura funcionam de uma maneira que depois não funcionam em banda desenhada. Tenho muitas sequências de silêncio, que no livro são palavras“, afirmou.

O livro de José Saramago conta a história épica de um elefante asiático, Salomão, que no século XVI, “por alguns caprichos reais e absurdos desígnios teve de percorrer mais de metade da Europa“, escrevia Pilar del Rio, mulher do escritor, citada pelo “Público”, quando a obra foi publicada (2008).

João Amaral e o seu mais recente êxito

João Amaral nasceu em Lisboa, em 1966. Foi jornalista, desenhador de publicidade, colaborou com a revista “A Rua Sésamo” e fez ilustrações para livros. Adaptou para banda desenhada o romance “A voz dos deuses“, de João Aguiar, com Rui Carlos Cunha, e a banda desenhada “As cinzas da revolta“, com argumento de Miguel Peres.

Fabio Civitelli e João Amaral em Viseu

Mas o que muitos não sabem é que João Amaral é também um grande fã e coleccionador de Tex (inclusive é um frequentador assíduo dos Convívios do Clube Tex Portugal), em especial de alguns dos grandes desenhadores do Ranger e o nosso Tex também está presente nesta magnífica obra (mais um motivo para os fãs de Tex adquirirem este livro), através de Fabio Civitelli, autor que inclusive é alvo de um agradecimento no próprio livro por ter partilhado com João Amaral alguns dos segredos da sua excelente técnica do pontilhismo, que o consagrado desenhador português usou por exemplo na figura do Saramago a andar.

Técnica do pontilhismo de Fabio Civitelli usada por João Amaral

Sobre esse agradecimento, a palavra do próprio João Amaral: “Sobre o agradecimento em si, não fiz mais do que a minha obrigação, depois do Civitelli em Viseu ter falado comigo um pouco sobre a sua técnica do pontilhismo, depois de eu ter ficado maravilhado com as provas que ele trouxe com aquele magnífico álbum que saiu no Tex gigante que é “A Cavalgada do Morto”. Em “A Viagem do Elefante”, sobretudo nas sequências em que aparece o José Saramago, pus um pouco em prática aquilo que ele na altura tão gentilmente partilhou comigo.

Técnica do pontilhismo de Fabio Civitelli usada por João Amaral

(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)

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