ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2020: CAPAS E CORES

Por Saverio Ceri

CAPAS E CORES

Quarta e última parte dedicada aos números bonellianos de 2020. Depois das personagens, argumentistas e desenhadores, desta vez, descobriremos os ilustradores que realizaram capas inéditas para as edições da Bonelli, e os profissionais que foram chamados para colorir as páginas, inéditas ou não, neste 2020 que acabou de findar.

Esta capa assinada por Villa e Cavenago, embora lançada no final de 2019, será fundamental no ranking dos capistas deste ano

Para os autores das capas há que precisar que as capas que aparecem na classificação são apenas as inéditas encomendadas pela Bonelli para os seus volumes. Não foram contabilizadas imagens “recicladas”, isto é, feitas no passado para outros fins (como capas de edições estrangeiras ou ilustrações para eventos de banda desenhada) e usadas como capas para os volumes de banca ou volumes de livraria; assim como não foram contabilizadas capas, embora inéditas, publicadas por outras editoras (como por exemplo as do Dylan Dog para La Gazzetta dell Sport). Também não foram contabilizadas capas realizadas pela redacção criadas com montagem e coloração de imagens internas dos álbuns. Fazem parte desta categoria quase todas as capas de Darl Zed, de Darwin, de I racconti di Domani de Dylan Dog e do volume do free comics Book de Nick Raider.
Para os coloristas, deve-se precisar que para os álbuns assinados por várias mãos, tentei, tanto quanto possível, creditar o melhor possível as várias páginas; não posso dizer que o tenha conseguido totalmente; na verdade, exorto os coloristas envolvidos nessas revistas com várias assinaturas a relatar imprecisões, se as encontrarem, ajudando-me a corrigir as cronologias das séries envolvidas, atribuindo a cada um os seus próprios méritos.
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Este ano, foram chamados 44 ​​ilustradores para criar as 239 capas inéditas dos livros e volumes da casa Bonelli; 207 capas foram encomendadas para publicações inéditas e 32 para reimpressões ou variantes. Números efectivamente menores em comparação com os 61 desenhadores e 253 capas do ano passado. A falta de eventos de BD seguramente contribuiu para o declínio das capas variantes e, por consequência também para o número de ilustradores envolvidos pela editora nessas ocasiões especiais; a maior queda em percentual, -27,9%, está justamente no número de capistas.

Gigi Cavenago assina uma das poucas variantes de 2020, que só poderá ser adquirida online devido ao cancelamento do evento para a qual foi realizada

Abaixo encontra-se o ranking dos capistas, por número de capas publicadas, o “E” de estreante refere-se ao facto de ser esta a estreia nesta categoria para a Bonelli. As meias capas são todas devido às capas alternativas de Dylan Dog 400 assinadas a quatro mãos entre Cavenago e os capistas históricos do Investigador do Pesadelo.
O pódio
De volta ao degrau mais alto do pódio após três anos de ausência Claudio Villa, que precisamente graças à meia capa de Dylan Dog, consegue superar o pupilo Piccinelli. Com esta vitória anual Villa chega ao 20 “título” como capista ganhando uma segunda estrela virtual na camisa. O capista de Tex também atinge o 24º pódio consecutivo, aos quais outros três devem ser adicionados quando ele era  capista de Dylan Dog.
Alessandro Piccinelli consola-se com o quarto pódio consecutivo, graças a Zagor. Temos pela primeira vez no pódio Sergio Giardo com seu recorde pessoal de 15 capas anuais, todas de Nathan Never obviamente.

Claudio Villa, graças a esta fantástica capa que o esconde, regressa ao topo do ranking anual dos autores de capas

Pagliarani e De Biase entram pela primeira vez no Top Ten dos capistas, contra De Tommaso e Matteoni, que o deixam, respectivamente, após quatro e seis anos consecutivos de permanência.
Destaque para o facto de 12 ilustradores da classificação de 2020 (os Cestaro valem a dobrar), terem desenhado pelo menos metade de uma capa ligada ao mundo de Dylan Dog.
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Números de todas as cores
Neste ano que acabou de terminar as páginas que apresentaram cores inéditas totalizaram 5843 ou seja 8,98% a menos do que em 2019 e 24,41% a menos se compararmos os dados com a safra Bonelli mais colorida de todas, 2017.
Em 2020, as páginas inéditas publicadas em technicolor foram 4165, ou seja 2,58% a menos que nos doze meses anteriores, bem como 31,24% a menos que no ano recorde, quando a editora publicou mais de 6000 páginas inéditas a cores.
A incidência das páginas inéditas a cores no total subiu em 2020 para 19,18%, cerca de dois pontos e meio a mais do que em 2019, mas ainda muito longe do recorde de 25,49%, estabelecido obviamente em 2017, quando parecia que a cor fosse um caminho obrigatório para o futuro da editora.

Auto-retrato em tons de cinza de Edoardo Arzani, um dos coloristas mais publicados em 2020

Os coloristas (ou estúdios de coloração) empregados diminuíram para 43 unidades mais uma pequena parte de páginas não creditadas; por isso encontrarão no final da classificação um número de páginas coloridas … não se sabe por quem.
Um esclarecimento: não são atribuídas páginas já coloridas em ocasiões anteriores e simplesmente republicadas; por exemplo, faltam na contagem as páginas de Tex e Zagor Classic (visto que as cores são as habituais da Collezione Storica do La Repubblica). Eis a classificação completa:
O pódio
Mais uma vez vence o estúdio GFB Comics, mas desta vez graças à equipa coordenada por Valentina Mauri, que se encarregou de colorir 8 dos 12 volumes da reedição de Storia del West. O mesmo grupo tinha ficado em segundo lugar há doze meses. Nos outros degraus do pódio encontramos em segundo lugar, após dois anos de ausência dos radares bonellianos, Edoardo Arzani, que coloriu 4 volumes de Odessa, seguido de Sergio Algozzino, graças ao seu trabalho nas páginas do mundo de Dylan Dog.

Sergio Algozzino, um dos coloristas mais solicitados pela Bonelli em 2020

Um agradecimento especial a Paolo Francescutto. Vemo-lo apenas em 13º neste ranking de 2020, mas no primeiro rascunho deste post ele estava no terceiro degrau do pódio, só que ele mesmo prontamente apontou que em relação às cores do Dragonero: Cacciatori di Kraken, a Bonelli atribuiu-as todas erroneamente a ele, enquanto as da primeira longa aventura contida no cartonado são obra de Piky Hamilton (como consta acertadamente no site da Bonelli). Isso o fez cair para o 13º lugar, subir Piky para o 5º e a Algozzino ganhar um degrau, o suficiente para o ilustrador de Palermo conquistar o seu primeiro pódio bonelliano.

Menção honrosa para Paolo Francescutto, outro colorista retratado em tons de cinza

Números… especiais
Vamos terminar a quarta e última parte dos números bonellianos de 2020, com os dados relativos às edições fora de série.
Este ano os volumes especiais, incluindo gigantes, maxi, magazine, cartonatos à francesa, color, mini-séries e vários spin-offs, foram 53, três a mais do que em 2019, mesmo que as páginas inéditas publicadas em todos os números extras fossem apenas 6328, praticamente oitocentas a menos que nos doze meses anteriores. Essa queda acentuada em face do ligeiro aumento dos números fora de série traz a média de páginas dos especiais de Bonelli para 119,4 páginas inéditas, o equivalente a menos 16,26% que no ano anterior; este é o valor mais baixo desde 1988 e quase o mais baixo de sempre, que permanece em 112 páginas, ou seja, as contidas nos dois primeiros Martin Mystère Special, os únicos lançados fora da série em 1984 e 1985.
O personagem que teve mais páginas publicadas fora da série regular foi, em 2020, pelo segundo ano consecutivo com 12 volumes e 1630 páginas, Zagor, embora com uma margem muito estreita sobre Dylan Dog, e cerca de 200 páginas de vantagem sobre Tex, terceiro em número de páginas inéditas fora de série publicadas. A soma das páginas extras dos três personagens do pódio representou em 2020 73,75% do total dos especiais bonellianos.
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Mauro Boselli com 702 páginas foi o escritor mais publicado em álbuns fora de série em 2020; volta a sê-lo pela segunda vez na sua carreira, sete anos após a “vitória” anterior. Nos degraus inferiores do pódio especial encontramos Burattini e Perniola.
Dois zagorianos, Gianni Sedioli e Raffaele Della Monica, com 286 páginas, são ex-aequo os desenhadores mais “especiais” do ano 2020; precedendo Massimo Carnevale no pódio.
Os artistas de capa mais utilizados ​​em edições fora de série foram três com 6 capas cada: Piccinelli, Rubini e Villa.

Alessandro Piccinelli, Claudio Villa, Mauro Boselli: um trio verdadeiramente “especial” em 2020

Sobre este 2020 é tudo; se vos escapou quaisquer números, podem encontrá-los na primeira parte dedicada aos personagens, na segunda na qual falamos sobre os argumentistas ou na terceira onde nos ocupamos dos desenhadores.
Marcamos um novo encontro no final de 2021!

Saverio Ceri

Material apresentado no blogue Dime Web em 28/12/2020; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2019, Saverio Ceri

2 Comentários

  1. O saudosismo de muitos fãs Texianos talvez mantenha alguns tabus injustificados, mas Claudio Villa é claramente o maior desenhista de Tex e um dos mais importantes da Europa. Todo bom fã bonelliano sabe que uma edição com capa de Villa é sempre um privilégio. Viva, Villa!
    E feliz ano novo a todos.

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