ESTATÍSTICAS BONELLIANAS – 2020: ATTICA NO TOPO DA LISTA

Por Saverio Ceri

ATTICA NO TOPO DA LISTA

Terceiro apontamento com o resumo da safra bonelliana do ano 2020. Um esclarecimento antes de começar, sobretudo porque se irá falar de desenhadores: algumas edições são assinadas por várias mãos, muitas mãos; Essa abundância de assinaturas às vezes impede a equipa editorial de indicar quais páginas individuais da edição em questão são desenhadas por um ou por outro ilustrador.
Por isso, existem volumes nos quais dois a oito desenhadores colocaram as mãos, muitos dos quais são recém-chegados (e, portanto, com uma característica menos reconhecível), “amalgamados” em alguns casos pelos coloristas, que, por um lado com o seu trabalho, facilitam a fusão entre os estilos que impedem desfasamentos brutais de design, por outro lado, complicam a atribuição dos autores dos desenhos originais.
Portanto, ao tentar creditar melhor as várias páginas, não se diz que tal foi conseguido; pelo contrário, exorto os desenhadores e os coloristas envolvidos nesses volumes com várias assinaturas a relatar imprecisões, se as encontrarem, ajudando-me a corrigir as cronologias da série envolvida, dando a todos os seus próprios méritos.

Último número de Attica, série fundamental para atribuir o título de desenhador bonelliano mais prolífico de 2020 – Capa de Giacomo Bevilacqua

Desta vez debaixo dos holofotes, como dissemos anteriormente, estão os ilustradores, os 185 desenhadores que este ano nos brindaram com os seus lápis e tintas da china. Comparado ao ano anterior são 10 a menos, mas registam-se 18 estreias, 6 a mais que em 2019. O estreante mais publicado é Marco Villa, filho do mítico Claudio Villa, graças às 160 páginas do especial outonal de Dampyr, o seu primeiro volume oficial bonelliano.

Menos impressionante do que nos anos anteriores, mas ainda muito longa a lista de desenhadores bonellianos dos últimos 12 meses. A tabela abaixo parece uma verdadeira torre de 184 andares num dos quais coabitam os irmãos Esposito, o único par fixo que encontramos este ano no ranking dado que os irmãos Di Vitto, assim como os Montanari e os Grassani, desde há algum tempo que não trabalham mais exclusivamente juntos, e dado que os gémeos Cestaro, em 2020, vamos encontrá-los apenas como capistas no próximo capítulo. Voltando aos desenhadores: temo-los mais abaixo, listados pelo número de páginas publicadas. Lembramos que o “PB” verde ao lado do nome representa Personal Best, caso o desenhador em questão tenha estabelecido o seu recorde pessoal de páginas Bonelli publicadas este ano (o “PB” é amarelo em caso de recorde igualado), e que o “E” significa Estreante, e que os números decimais são consequência de histórias assinadas por várias mãos.
O pódio
No topo da torre dos desenhadores, na casa mais cobiçada, no topo, continuando com a semelhança do edifício, encontramos Giacomo Bevilacqua, graças à parte final de Attica, a saga em estilo mangá criada e desenhada por ele (com a colaboração de Lecce ) para o selo Audace, e distribuída apenas no circuito de livros. O autor de A Panda piace, no quarto ano consecutivo de publicação nas edições Bonelli, além de estabelecer seu recorde pessoal de páginas publicadas ao longo dos doze últimos meses, também conquista a distinção de ser o primeiro desenhador a chegar a um ”título” bonelliano sem nunca ter aparecido em nenhuma edição de bancas.

Giacomo “Keison” Bevilacqua com o personagem que o tornou famoso

Fabrizio Russo, por sua vez, publica em volumes Bonelli desde 1994 e com as 448 páginas deste ano, que o levam ao pódio pela primeira vez e batem seu recorde pessoal, chega a exactamente 4000 pranchas desenhadas para a Bonelli desde a Zona X, até Zagor, passando por Martin Mystère, Dampyr, Dylan Dog e Tex.
Recorde pessoal e primeiro pódio também para Ernesto Garcia Seijas, que, com a história de Tex publicada este ano, ultrapassa as 2000 páginas realizadas no decurso de quinze anos.

Fabrizio Russo com uma das suas 4000 páginas bonellianas

O Top Ten
Se o topo de um arranha-céu é o andar mais cobiçado, mesmo aqueles logo abaixo não devem ser desprezados, eles ainda têm uma bela vista do resto da cidade; e numa “cidade da banda desenhada” ideal, a torre bonelliana certamente seria uma das mais altas, senão a mais alta.
Nos andares imediatamente abaixo estão os do clube dos dez, os desenhadores que este ano alcançaram o Top Ten. Entre eles, apenas Corrado Roi consegue reconfirmar-se um ano depois. O mais gótico dos ilustradores Bonelli, que ostenta no palmarés bonelliano 2 “títulos”, chega ao Top Ten pela décima quarta vez, desde a sua estreia, em 1987, no lendário Dylan Dog 4.
Entre os outros nove membros deste clube exclusivo, este ano encontramos Diso, que estava ausente desde 2015, mas que é um habitué, ao atingir o Top Ten pela 20ª vez na carreira, incluindo uma vitória em 2010; encontramos pela oitava vez Sedioli, já vencedor em 2018; encontramos Della Monica que está entre os dez primeiros pela décima vez; também encontramos Russo, na sua quarta entrada no Top Ten; Rubini, pela terceira; Bertolini e Garcia Seijas, pela segunda; e por fim, na primeira inscrição no clube destacamos os vencedores Bevilacqua e Carnevale.

Corrado Roi é o único a figurar no Top Ten dos desenhadores mais publicados na casa Bonelli nos últimos dois anos

Os veteranos
Entre os desenhadores publicados este ano o veterano é Roberto Diso, no seu 45° ano de carreira bonelliana, seguido por Giancarlo Alessandrini que estreou em Ken Parker há 43 anos, da dupla Montanari & Grassani que apreciamos há 41 anos, quando estrearam no Piccolo Ranger e Carlo Ambrosini, na crista da onda bonelliana há exactos 40 anos.
Entre os desenhadores mais constantes, aqueles publicados continuamente durante décadas, destacamos que as páginas de Giovanni Freghieri, admiramo-las pelo 36º ano consecutivo, um a mais que a dupla Montanari & Grassani; seguido por Brindisi, publicado continuamente há 31 anos, Michelazzo há 26 e Piccoli há 23.
Por outro lado, após 27 anos consecutivos de presença nas publicações bonellianas, a participação de Rodolfo Torti como desenhador foi interrompida.

Roberto Diso há 45 anos na Editora Bonelli, é o mais prolífico desenhador bonelliano em actividade, o sexto de todos os tempos

Série per série
Encerramos com a lista dos desenhadores mais publicados para cada série, pelo menos aqueles com 500 páginas publicadas no ano que acaba de terminar. Segue-se, abaixo, uma tabela-resumo, com o número de páginas publicadas e o número de vitórias anuais relativamente à série em questão.
Como sempre, vamos começar pelo Dampyr, que este ano tem três vencedores em completa igualdade: Genzianella, com o quarto título, Lozzi com o segundo e Gualandris com o primeiro.
Continuamos com Dragonero, que vê no topo do ranking dos desenhadores mais publicados do ano, pela primeira vez, Riccardi, que pôs a mão, ou melhor o lápis e os pincéis, em 5 diferentes livros de Ian Aranill lançados em 2020.
Sétimo título para Roi nas páginas de Dylan Dog; O Mestre do preto e branco retorna ao degrau mais alto do pódio da série após nove anos. Com as 350 páginas anuais, todas publicadas na série principal do Investigador do Pesadelo, Roi destrona Freghieri do recorde do desenhador mais publicado na série regular de Dylan Dog.
Ex-aequo triplo nas páginas de Júlia; aos veteranos Boraley e Marinetti, ambos com o quinto campeonato, junta-se Di Clemente, estreante na série, obviamente com a primeira vitória.

Antonio Marinetti e Steve Boraley, concidadãos e desenhadores históricos da criminóloga berardiana, desta vez também compartilham o título de desenhador mais publicado do ano nas páginas de Júlia

Primeiro título para Nisi nas páginas de Martin Mystère, este ano ele publicou 250 páginas, ainda que acreditemos que o resultado foi “distorcido” pela escolha de publicar, este ano, muitas histórias que ficaram na gaveta durante anos, em vista de um relançamento do personagem na próxima Primavera.

Em Mister No é o veterano Diso a destacar-se neste 2020: Com 370 páginas anuais, ele conquista o seu 12º título na série que o lançou na Bonelli.
Terceiro título para Val Romeo nas páginas de Morgan Lost. Valentina também é a desenhadora mais prolífica de todos os tempos do personagem.
Ao diminuir a produção de Nathan Never, o número de páginas para ganhar o título inevitavelmente diminuiu, e assim Giardo com “apenas” 252 páginas publicadas ganhou o seu primeiro campeonato neveriano. Trata-se da menor pontuação do vencedor nos últimos 23 anos, a terceira menor de toda a história da série, mas também o terceiro melhor resultado de Giardo que no passado, apesar de publicar 282 e 376 páginas do personagem em doze meses, não tinha conseguido alcançar o topo do ranking.
Igualdade, com 188 páginas, entre Gallo e Barletta nas páginas da outra revista de ficção científica da Bonelli, Odessa. Para ambos, é o primeiro título da jovem série.

Ernesto Garcia Seijas, no seu melhor ano em Tex, conquista também o terceiro degrau do pódio bonelliano 2020

Segundo título texiano para Garcia Seijas, depois do que conquistou em 2012; as 397 páginas anuais levam-no a bater o seu próprio recorde anual em Tex, mas também ao quinto lugar no quesito páginas publicadas entre os desenhadores do Ranger em actividade.
Sedioli, vencendo Russo apenas por 10 páginas conquistou o seu quinto campeonato zagoriano e passou para a sexta posição no ranking de todos os tempos do personagem, pelo número de páginas publicadas.
Encerramos aqui esta terceira parte dos números bonellianos de 2020, convidando-vos a descobrir nos “episódios” anteriores todos os números das personagens e as classificações dos argumentistas. Voltaremos a encontrar-nos novamente em breve,  para o quarto e último post dedicado aos números bonellianos de 2020: irá falar-se de capistas, coloristas e álbuns especiais.
Saverio Ceri

Material apresentado no blogue Dime Web em 26/12/2019; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2020, Saverio Ceri

Um comentário

  1. Parece quem em 2021 a Bonelli terá várias surpresas no seu aniversário de 80 anos de publicações. Espero que este belo blogue fale delas durante o ano, pard Zeca.

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