Tex numa vinheta só

Tex numa vinheta só

Por Pedro Cleto[1]

Embora o José Carlos Pereira Francisco insista em considerar-me “um verdadeiro texiano”, a verdade é que estou longe da paixão que ele e, com certeza, muitos leitores regulares deste blogue, nutrem pelo mais famoso ranger da história dos quadradinhos. E até – suprema heresia, mais a mais revelada num local como este – tenho maior preferência por outros dos heróis da casa Bonelli, como Dylan Dog, Martin Mystère ou Júlia.

No entanto, e continuando a falar dos heróis Bonelli, se descobri Mister No e Zagor no final dos anos 70[2], a verdade é que o meu primeiro contacto com uma criação Bonelli foi mesmo Tex (embora na altura não o soubesse), ainda na minha adolescência, numa edição espanhola[3], no formato “talão de cheques” (como dizem os brasileiros), “herdada” (em vida) de tios meus e que hoje ainda conservo…

E se mais tarde, nos anos 80, me fui cruzando com histórias de Tex, emprestadas por um amigo que as consumia em bom número, só quando a banda desenhada começou a ser mais do que um simples passatempo na minha vida, já na década de 90, comprei os primeiros Tex, o “Tex #300 – Oklahoma” e alguns “Tex Edição Especial”, todos da Editora Globo brasileira.

Mas tudo isto não passa de uma simples introdução, para aquele que eu escolhi como tema desta minha crónica “texiana”…!

Selo italiano de TexSe comprei aquelas edições por acaso, por as ter visto nalguma banca ou quiosque, a primeira vez que procurei com verdadeiro afinco Tex não foi em revista ou livro, mas sim na tal “vinheta só” presente no título deste artigo. Refiro-me ao selo de correio emitido em Itália, em 1996, pertencente à série “Invito alla filatelia… I Fumetti…”, que incluiu também um outro selo representando o Corto Maltese de Hugo Pratt, o que espelha bem a popularidade e a importância de Tex naquele país. A estampilha é de autoria de R. Morena, baseia-se num desenho original de Galep, mede 40 x 30 mm e tem o valor facial de 750 liras. O herói é reproduzido a preto e branco, em primeiro plano, à esquerda, surgindo também no topo, à direita, já a cores, com a sua inconfundível camisa amarela, de costas, a cavalo, juntamente com Jack Tigre e (suponho…) o seu filho, Kit Willer. Por baixo destes três cavaleiros, fazendo a ligação à figura de Tex, pode também observar-se uma ponte pênsil que tomba, provocando a queda de dois cavalos e (pelo menos) um cavaleiro.

Tex teria uma outra presença em selos de correio, no ano seguinte – 1997 – em San Marino, na folha filatélica intitulada “Storia del Fumetto Italiano”. Agora totalmente a cores, o ranger protagoniza o quinto dos dezasseis selos de 800 liras que a compõe, cada um medindo 38 x 28 mm, aparecendo em grande plano, a cavalo (que só se vê parcialmente), com uma espingarda na mão, tendo em fundo uma montanha pedregosa. O desenho original é mais uma vez de Galep, cabendo a autoria do selo (bem como de toda a folha) a Courvoisier.

E mostrando um grande atrevimento – para não lhe chamar pior – repito o acto herético inicial, para acrescentar que Tex não é o único herói Bonelli presente nesta folha, pois nela também estão Martin Mystère e Dylan Dog, bem como o Kit Carson criado por Rino Albertarelli.

Storia del fumetto italiano em selos de San Marino


[1] Colaborador do BDJornal e do Jornal de Notícias, assinando neste último uma coluna semanal, ao domingo, de crítica e recensão de novidades, nacionais e estrangeiras.
[2] Em edições não autorizadas, feitas à revelia da casa italiana, editadas entre 1978 e 1979. Próximas do formato original italiano (15×22 cm), mas com remontagem de duas pranchas por página. No caso de “Zagor” atingiria os 16 números, enquanto “Mister No” se ficaria por 12 números.
[3] Da Hispano Americana de Ediciones, S.A., na qual Tex foi rebaptizado de “Texas Bill” e de que possuo os números 1 (”El totem misterioso”) e 4 (”El hombre de la tumba”), com 24 tiras/páginas cada, que ostentam a inconfundível assinatura de Galep (Aurelio Galleppini).

5 Comentários

  1. Gostei muito de ler o seu artigo, cujo título (”Tex numa vinheta só”) considero simplesmente brilhante!
    Também tenho um fascínio especial por esses selos.
    Mantenho leitura atenta aos seus artigos no Jornal de Notícias (além do José Carlos sempre me avisar quando sai algo dos heróis Bonelli e eu compro logo o jornal!).

  2. Caros amigos,é com prazer que leio os textos de opinião ou resultado de investigação de Pedro Cleto, pois o considero um verdadeiro especialista da nossa praça na área da BD. Leio com apreço e mostro mesmo ao meu filho de 9 anos os trabalhos sobre coleccionismo da BD, ele que embora criança também já adora coleccionar tudo o que tem a ver com a bd de super-heróis. Aliás, gostaria mesmo de saber se o Pedro Cleto estaria disponível e teria gosto em vir a Viseu, durante o XV salão internacional de bd, falar entre amigos sobre Coleccionismo na BD. Relativamente ao Tex, na realidade não faz parte do meu álbum de preferidos dentro do género Western, mas ainda li algumas histórias, embora sem aquela avidez de coleccionador, alma que o José Carlos Francisco verdadeiramente possui e cultiva e que lhe admiro. Um abraço. Carlos Almeida – Gicav – Viseu

  3. Também eu delicio-me com os excelentes textos do Pedro Cleto, tanto no JN como no BDJornal e foi por causa disso também, e por saber que ele apesar de tudo, também é um Texiano (…risos…) que o convidei a escrever um texto para o blogue do Tex. Agradeço de coração por ele ter aceite e agora aguardo por novos textos (dele e de outros fãs portugueses da Banda Desenhada – não só de Tex – a quem convidei para tal) para esta nova rubrica do blogue que denominei de “A Tribuna dos Texianos”.

    Mas voltando ao Pedro Cleto, para quem se diz que não é um verdadeiro Texiano tem preciosidades Texianas que verdadeiros fãs do Tex não têm… por exemplo, eu tenho todos os selos do texto, mas não tenho as edições espanholas… por isso, parabéns pelo seu acervo Texiano, caro Pedro Cleto!

    Aproveito para agradecer também a presença aqui no blogue, do Amigo Carlos Almeida de Viseu, responsável pela secção de BD e a pessoa que me convidou para expor a colecção de Tex (mesmo não sendo grande fã do Tex, como admite no comentário acima) naquela cidade, algo que possibilitou que Tex tivesse uma divulgação ainda maior e no fundo se Civitelli vai estar em Moura, tal também se deve a esta primeira iniciativa do Carlos Almeida, que despoletou tudo que veio a seguir… por isso muito obrigado uma vez mais.

  4. Acho extraordinário a adoração e a devoção que o José Carlos e outros texianos em Portugal têm pelo Tex pois durante muitos anos eu coleccionava-o e passavam-se mil peripécias para o podermos obter nos quiosques e a série era interrompida sem explicações e mais que uma vez o que me levava muitas vezes a questionar se Tex não teria realmente leitores em Portugal que justificassem um maior empenho na divulgação e distribuição da b.d. por parte das distribuidoras. Uma série sempre ou quase desenhada com esmero e com enredos verdadeiramente apaixonantes tal que das centenas de edições que tenho nunca deixei nenhuma sem ler toda de corrido só tenho a enviar o meu mais profundo lamento por esta falta de divulgação aqui no nosso país. Quanto à exposição de Moura vou fazer os impossíveis para estar lá até porque tenho grandes afinidades com essa zona do alentejo. Quase toda a minha família é de uma povoação próxima: Amareleja. Muito obrigado pelo convite José Carlos. Saudacões do “pard” Sérgio.

  5. Sérgio Monteiro, obrigado por este teu sincero comentário, onde se vê bem a paixão que nutres pelo nosso Tex Willer.
    Creio que com a persistência de muitos Texianos portugueses e com o profissionalismo de jornalistas como o Pedro Cleto ou o João Lameiras, que mesmo não sendo grandes fãs do ranger, sempre que há motivo, escrevem de Tex nos “seus” jornais, a falha da divulgação que havia no passado no que ao Tex diz respeito já está ultrapassada, se bem que toda a divulgação possível nunca será muita (…risos…).
    Quanto a Moura, espero então ser possível a tua viagem até lá, para eu ter o prazer de finalmente te conhecer pessoalmente.

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