Almanacco del West 2007: Polizia apache

Almanacco del West 2007 - Polizia apacheAlmanacco del West 2007- “Polizia apache”, de Janeiro de 2007.
Argumento de Mauro Boselli, desenhos de Ernesto Garcia Seijas e capa de Claudio Villa.
História inédita no Brasil e Portugal.
 
Os Apaches encontram-se confinados na reserva de Warm Springs, tutelada pelo agente índio Farrell. Quem zela pela segurança da reserva é o apache Salgado, que persegue o seu primo Klanay. Este nunca aceitou a autoridade de Farrell e agora é acusado de ter envenenado um dos riachos que abastece água à reserva, provocando a morte de parte da manada enviada pelo governo americano para alimentar os Apaches. Tex está na região e não acredita nesta versão dos acontecimentos.
 
Tex por Ernesto Garcia SeijasO argumento de Boselli baseia-se em factos reais, uma vez que em 1875 o agente índio John Clum teve a ideia de substituir o exército americano por uma companhia militar composta por elementos das várias tribos apache, para tutelar a ordem e a justiça na reserva de White Mountain. Com esta medida, pretendia-se que a lei fosse respeitada pelos próprios apaches mediante um sistema de tribunal composto pelos próprios, que processavam e puniam os transgressores.
 
Tex de Ernesto Garcia SeijasEm boa verdade, trata-se de um tema recorrente na saga texiana e que teve em G.L. Bonelli o seu firme defensor. A convivência entre o branco e o índio, a coexistência entre duas formas de civilização e de cultura, trouxe sempre mais disputa e confronto do que pacificação, nem sempre porque a esfera política o legitimou, mas sobretudo, como é agora o caso, porque agentes corruptos tentaram alterar os desígnios do poder central em proveito próprio. Não é preciso avançar muito na história para sabermos o que Farrell pretende e como age. O seu único objectivo passa por confinar os apaches à sua reserva, cerceando-os do seu próprio habitat e dos seus legítimos anseios.
 
Este tema recorrente serve também para Boselli construir uma história honesta, mas onde se nota alguma ausência de profundidade, a que não é alheio o reduzido número de páginas característico deste tipo de publicação. Boselli precisa de maior número de páginas para expressar na plenitude a sua capacidade em construir enredos densos e psicologicamente ricos e acaba por ter que optar por cânones clássicos e lineares, onde a influência bonelliana é evidente.
 
O argentino Seijas é muito bem vindo à equipa texiana, mas convém irmos por partes. Graficamente, o seu trabalho não merece reparos, pelo contrário ele é merecedor de rasgados elogios. Traço firme e seguro, realista, dinâmico e perfeitamente sintonizado com os ambientes e aura do western.

Prancha de Ernesto Garcia Seijas 
Mais, os seus cenários são detalhados, os seus contrastes de rara beleza, com o leitor a sentir verdadeiramente os ambientes nocturnos na montanha ou mesmo em interiores como é exemplo a cena que decorre no saloon. No entanto, o seu Tex já não colhe a unanimidade do restante trabalho. O Tex de Seijas  não é um ranger duro, cínico ou mesmo altivo. O Tex de Seijas não patenteia aquela firmeza que se impõe por si só em qualquer ambiente. O Tex de Seijas surge sempre de sorriso estampado no rosto, mesmo em situações delicadas e por isso há aqui qualquer coisa que sai dos cânones. Longe de ser uma composição falhada, o que sobressai é que o autor estudou a personagem, tentou dar-lhe uma identidade sem fugir dos moldes tradicionais, mas acabou por cair no seu próprio estilo, no seu próprio cunho. No Tex de Seijas é bem evidente esse traço pessoal que se sobrepõe a modelos texianos, na esteira do que observamos, por exemplo, em autores como De La Fuente ou Sommer.

Prancha de  Ernesto Garcia Seijas
Texto de Mário João Marques

6 Comentários

  1. Os desenhos parecem ótimos mesmo. Quando a figura do Tex de Seijas, só lendo a história para dar minha opinião.

  2. Parabéns pelo belo trabalho que com certeza não deve estar sendo fácil, todos nós só podemos agradecer o seu esforço Zeca.

  3. Obrigado Reinaldo, mas há que louvar igualmente o Mário Marques, não só porque a crítica é da autoria dele, como ele foi o mentor do projecto do Blogue do Tex.
    Quanto ao trabalho, realmente não é fácil e é preciso dispor de bastante tempo, mas como quem corre por gosto não cansa, é sempre maravilhoso trabalhar em prol do Tex e dos Texianos, porque o Tex já me deu tanto nesta vida, que tudo que eu faça por ele, sempre será pouco!

  4. Yudae,
    Eu adorei os desenhos de Seijas, é mesmo do melhor que tem aparecido. Mas não estendo estes elogios na composição texiana. Apenas porque Tex parece-me fora dos cânones, fora daquilo que apreciamos na personagem: dureza, cinismo e imponência física. O Tex de Seijas é elegante, mas falta-lhe o carisma de outros autores, Villa, Ticci, por exemplo. Quando eu o comparo com De la Fuente ou Sommer não o faço por semelhanças físicas, mas por aqueles autores, tal como Seijas, adoptaram um modelo próprio para o ranger.

  5. Olá,

    Pelo pouco que vi desse trabalho de Seijas observo que é muito bom o trabalho sobre Tex.
    Ainda não posso ter uma opinião formada porque ainda falta ler esta edição da série Almanaque.

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