Tito Faraci: Um profícuo argumentista

Tito FaraciDe há algum tempo a esta parte, respondendo às justas dúvidas de muitos coleccionadores, o blogue do Tex, começou a apresentar os autores Texianos do futuro. O elenco – já consistente, mas destinado a aumentar ainda mais – tem privilegiado somente os desenhadores. Parece-nos assim justo dedicar este texto de hoje a um daqueles argumentistas que passarão a fazer parte da exígua equipa de narradores das aventuras do Ranger.

Tito Faraci per scrivere fumettiO nosso “estreante”, porém, goza já de uma sólida reputação, e tem ás suas costas uma maciça experiência na casa Bonelli, advinda de Nick Raider, Dylan Dog, Chico, Martin Mystère e Mágico Vento, isto para não falar das frequentes incursões no mundo de Diabolik, Lupo Alberto, de super-heróis Marvel e até o rato Mickey.

Na editora da Via Buonarroti, estão, além disso, agradecidos pelo recente sucesso de público e de crítica, conquistado aquando da primeira mini-série da editora, Brad Barron. A respeito da merecida qualificação de veterano, Tito Faraci, é dele que falamos – aceitou ao que sabemos, com o entusiasmo de um estreante, o inegável e árduo encargo de acolher a herança de Gianluigi Bonelli.

Uma sua primeira história de Tex está actualmente nas mãos capazes dos irmãos Raul e Gianluca Cestaro, uma segunda (que será a primeira a ser editada) foi entregue ao mestre da banda desenhada espanhola, José Ortiz, mas, na sua mente, outras histórias estão já tomando forma, visto que Tito Faraci está firmemente empenhado em “explorar” ainda mais a fundo o mundo de Tex.

Tito Faraci por Giorgio CavazanoAntes de lhe passarmos a palavra, mostramos de seguida (aqui no lado esquerdo), o simpático desenho, que lhe dedicou Giorgio Cavazzano. Tito é o senhor com óculos que está a ser interrogado por um desconfiado inspector Manetta e um outro policial do mundo Disney.

E agora, eis a sua longa “confissão”:
Tex, primeiro o amamos, depois o conhecemos. A aproximação instintiva, sentimental é talvez mais importante do que aquela racional. Pode-se estudar a personagem longamente, procurando extrair as regras. Mas estas regras não funcionarão, não saberão como aplicar, se antes de tudo não se tem a paixão por ele e pelo seu mundo. Uma paixão, que no meu caso, vem desde quando eu era criança. Não arrisco em recordar a primeira vez em que li uma história de Tex. Parece que desde sempre esteve comigo. Um velho, caro e fiel Amigo. Somente se o conhecermos bem, com a frequência do tempo, pode-se procurar entrar na psicologia do ranger (assim como na dos seus pards). Em cada situação deve-se saber bem como ele se comportará, o que dirá e pensará. E com quais precisas palavras, para calibrar uma a uma. Acontece-me de escrever sequências durante as quais Tex faz somente coisas lógicas, racionais, espectaculares, sem falhar um movimento… mas, depois, no fim, sinto a necessidade de voltar atrás e repor as mãos porque tenho a sensação que falta qualquer coisa mais. Qualquer coisa “à la Tex”. Às vezes basta um compasso, um pensamento, um gesto. Junto com este sentimento de amizade e de familiaridade, tenho também um grande respeito por Águia da Noite. Ou melhor, digamos que frequentemente, sinto-me dependente de Tex. Em suma, é o mais importante mito da banda desenhada italiana. E confrontarmo-nos com um mito mete medo.
Assim no início, tive que superar uma espécie de bloqueio. Algo que não me tinha acontecido antes com nenhuma outra personagem (nem com Mickey, nem com Dylan Dog ou Diabolik), mas com Tex senti ter provavelmente chegado à prova mais difícil da minha carreira. E, francamente, o medo não me passou ainda.

Tito  Faraci
Texto de José Carlos Francisco, baseado na rubrica “Caro Tex…“, de Sergio Bonelli, inserida em Tex Nuova Ristampa nº 175 de 16 de Janeiro de 2007.

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