Texto sobre FABIO CIVITELLI para o MAB INVICTA 2012

Por José Carlos Francisco

Fabio Civitelli, o consagrado desenhador italiano, natural de Lucignano, na província de Arezzo, Toscana, onde nasceu a 9 de Abril de 1955, regressa pela quinta vez ao nosso país, para participar na exposição organizada pelo MAB Invicta – Festival Internacional de Multimédia, Arte e Banda Desenhada a realizar na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, depois de já ter estado presente, e sempre ter sido acolhido com grande afecto por um público cortês e bem informado na XVI Edição do Salão Internacional de BD de Moura em 2007, aquando dos 60 anos de vida editorial de Tex Willer na XIX Edição do Festival Internacional de BD da Amadora em 2008, tal como a propósito dos seus 25 anos a desenhar Tex no VI Festival Internacional de BD de Beja em 2010 e por fim para expor As Cidades do Tex em 2011 no XVII Salão Internacional de BD de Viseu em 2011.

Civitelli, que aos sete, oito anos apaixonou-se pela BD e cujo traço luminoso, de linhas seguras, limpo de pormenores desnecessários, quase sempre sem tons intermédios entre o preto e o branco, que contrasta equilibradamente, não teve qualquer tipo de formação escolar específica, embora cultivasse diariamente a sua paixão pelo desenho, já que o seu sonho era tornar-se um desenhador profissional, depois de ter estudado no Liceu Científico de Arezzo, começou de imediato a trabalhar como desenhador de banda desenhada, ofício que nunca mais abandonou.

A sua estreia ocorreu em 1974 com Lady Dust para o estúdio de Graziano Origa, publicada pela Edifumetto, que editava predominantemente banda desenhada pornográfica. Num período particularmente activo para o mercado da BD italiana, dado o proliferar nos anos setenta, de publicações nos quiosques, colabora também para a Editoriale Dardo e para a Ediperiodici. Para a Editora Universo desenhou para as revistas Il Monello e L’Intrepido em 1977. Nesse período utiliza o pseudónimo Pablo de Almaviva, à causa do qual Sergio Bonelli o inculpa de ter retardado o seu ingresso na editora Bonelli porque não conseguia descobrir quem era esse desenhador que tanto apreciava. Em 1979 o seu desenho está nas páginas de Bliz, para a mesma editora Universo, com a personagem Doctor Salomon. Ainda em 1979 teve uma breve experiência com as personagens Marvel, desenhando histórias do Homem-Aranha e do Quarteto Fantástico, produzidas na Itália, para a revista SuperGulp!, da Arnoldo Mondadori Editore e em Outubro desse mesmo ano acontece o grande momento da viragem na sua carreira ao ser apresentado a Sergio Bonelli, que o recruta imediatamente para trabalhar inicialmente em Mister No, personagem para o qual realiza meia dúzia de histórias publicadas entre 1980 e 1984, retornando dez anos mais tarde ao desenhar uma história para a série Almanacco dell’Avventura e concluindo em Fevereiro de 2006 a sua participação, ao colaborar na história escrita por Guido Nolitta (pseudónimo de Sergio Bonelli), que encerrou a saga do piloto Amazónico, tendo entretanto em 1983 desenhado na revista Orient Express para a Isola Trovata, de Bolonha, a história “Pomeriggio cubano”, com texto de Giuseppe Ferrandino, um dos mais interessantes ensaios de revista de conteúdo que procurava conjugar a banda desenhada de autor com a popular.

Mas a verdadeira afirmação de Fabio Civitelli acontece em 1984, quando é chamado a desenhar Tex, personagem na qual trabalha até hoje, sendo a sua versão de Tex uma das mais apreciadas pelos leitores, respeitando a tradição, mas sendo ao mesmo tempo moderna e cativante, tendo como reconhecimento pela sua qualidade e dedicação sido encarregue pela Sergio Bonelli Editore, de desenhar o álbum celebrativo (colorido) do sexagésimo aniversário de Tex Willer, em Setembro de 2008, após uma ideia sua. A sua primeira história de Tex, “I due killer”, escrita por Claudio Nizzi, foi publicada na edição nº 293, em 1985 tendo a sua mais recente história, “La grande sete”, sido publicada no Verão de 2009!

No Mab Invicta 2012 Fabio Civitelli abrilhantará a exposição relativa à história que acabou de produzir e que será publicada na Itália em Julho deste ano na série Tex Gigante que na Itália é denominada Tex Albo Speciale e que é publicada desde 1988. Concebida para não ser somente grande no formato, mas sobretudo grande na ideia que tinha na sua génese, assim como grandes foram também os autores que desde os seus primórdios foram chamados a concretizá-la, foi com naturalidade que surgiu o convite efectuado pelo editor Sergio Bonelli para que Fabio Civitelli também desenhasse um Tex Gigante. Aventura escrita por Mauro Boselli, La cavalcata del morto (é este o nome provisório da história) tem um argumento centrado numa antiga lenda do Sudoeste, a do famigerado comanchero Arturo Videla e cuja história baseia-se numa vingança após a morte onde se encontrarão aspectos misteriosos e sobrenaturais, como demonstra a presença de El Morisco ao lado dos quatro pards, como se poderá constatar observando as páginas expostas no Festival do Porto, que deste modo proporcionam uma vez mais a Portugal, a honra de apresentar em estreia mundial páginas de Tex Willer, personagem que detém um invejável primado: esteve sempre presente no mercado italiano, durante os mais de 60 anos de vida editorial, e entre as inúmeras séries de banda desenhada existentes no presente, impõe-se à atenção de todos, seja pela longa duração, seja pela sua difusão, sendo uma figura carismática da BD europeia e uma das personagens de “western”, com maior longevidade a nível mundial, assume simultaneamente o papel de investigador, justiceiro e até chefe índio, sob o nome de Águia da Noite, sendo também um Ranger do Texas que põe a justiça e a legalidade – a par da amizade – antes e acima de tudo, tendo sempre a seu lado Kit Willer, o seu filho, Kit Carson, o inseparável companheiro de aventuras, e o índio navajo Jack Tigre.

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