Tex Série Normal: Nas Florestas do Oregon

Tex 420Argumento de Claudio Nizzi, desenhos de Andrea Venturi e capas de Claudio Villa.
Com o título original Le foreste dell’Oregon, a história foi publicada em Itália nos nº 513 e 514 e no Brasil, pela Mythos Editora nos nº 420 e 421.

Nas florestas do Oregon têm vindo a ocorrer estranhos acidentes entre os lenhadores de Luc Leroux um pequeno empresário que fornece madeira para uma fábrica de papel local. As suspeitas recaem sobre Roy Shannon, um homem de negócios sem escrúpulos, recentemente instalado naquelas paragens e que pretende a todo o custo obter a fábrica de papel. Gros-Jean, amigo de Leroux, acaba por chamar Tex e Carson para investigarem o que vem ocorrendo.

Kit Carson e Tex por VenturiOu seja, este é um resumo como tantos outros de uma aventura como tantas outras de Tex. O que não seria sinónimo de alguma falta de originalidade ou de qualidade. Porque o que faz uma grande aventura não está tanto no tema escolhido, mas no modo ou na maneira como os autores juntam os ingredientes e lhe dão o paladar final. Muitas vezes e ainda bem que assim é, grandes aventuras têm por base argumentos lineares e repisados, mas sendo capazes de desenvolvimentos que lhes conferem uma qualidade ímpar.

Arte de VenturiA bem dizer, não é o caso desta aventura. Se o argumento vai buscar muitos pontos em comum, por exemplo, com “Tex Il Grande” desenhada por Buzelli, a verdade é que estamos em presença de uma aventura banal ao longo de quase todas as suas páginas. E dizemos quase todas, porque Nizzi, mesmo assim, consegue introduzir nela um elemento pedagógico interessante e que importa ressalvar.

Num lugar recôndito, homens das mais variadas origens trabalham de sol a sol em busca de um sustento que lhes permita sobreviver e posteriormente chamar as suas famílias, em busca de futuros mais risonhos, polacos, irlandeses, alemães ou russos, nas florestas do Oregon encontram-se homens em busca de uma oportunidade e é este retrato que Nizzi acaba por deixar junto do leitor, caracterizando ainda o modo como o negócio das madeiras se processava, retratando uma indústria do papel que florescia, porque era capaz de atrair homens das mais variadas origens, assim como o poder do dinheiro.

Tex 421Tirando isto, a aventura denota então quase sempre a ausência de factos interessantes, onde falta capacidade dramática, acontecimentos, espessura nas personagens, e onde a acção de Tex e Carson é, numa primeira fase, caracterizada mais pela vontade de Gros-Jean do que por uma estratégia própria.

No entanto, graficamente estamos em presença de um dos melhores desenhadores de Tex. Andrea Venturi vem sempre em crescendo de aventura em aventura, dominando cada vez mais o seu Tex, assumidamente influenciado pelo modelo ticciano (quem mais?).

No mais, Venturi assume o seu próprio estilo, a sua liberdade gráfica, assinando um trabalho de grande valor, mercê do seu traço elaborado e de grande qualidade ao nível das fisionomias. Um traço muito natural, capaz de se exprimir com o mesmo à vontade nas cenas com maior ou menor acção, variando enquadramentos e perspectivas que conferem elevado dinamismo a cada página. Um valor maduro a ter em conta.

Texto de Mário João Marques

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