Tex Série Normal (Itália): Dieci anni dopo

Tex Série Normal (Itália) - Dieci anni dopoTex 567 – “Dieci anni dopo” de Janeiro de 2008 e Tex 568 – “Sangue in Paradiso” de Fevereiro de 2008.
Argumento de Claudio Nizzi, desenhos de Rossano Rossi e capas de Claudio Villa. História inédita no Brasil e Portugal.

Tex e Carson regressam a Paradise, dez anos mais tarde, chamados por Marcus Glendon, uma vez que a cidade está a ser ameaçada por Rhonda Carpenter, uma ambiciosa criadora de gado que pretende controlar todas as terras da região.

Depois de “Terra Prometida”, um épico escrito por G. L. Bonelli, Nizzi leva Tex e Carson de regresso a Paradise, trazendo ao leitor o perfume dos grandes clássicos da série. Numa época onde as grandes empresas absorvem pequenas cooperativas e pequenos proprietários, almejando apenas o lucro, Nizzi traz-nos a história da luta pacífica de homens cujos valores já não cabem nos novos tempos, homens que amam a terra, homens que acreditam nos seus valores e na honra dos mesmos, homens que crêem na harmonia como objectivo da vivência humana.

Tex Série Normal (Itália) - Sangue in ParadisoRhonda representa os novos tempos da expansão sem regras em detrimento de tudo e todos, apenas com o fito do lucro e do poder, surgindo em contraposição ao seu pai que desconhece a prática da filha em razão da sua já avançada idade que apenas lhe permite ir vivendo um dia atrás do outro.

Uma dualidade entre diferentes formas de estar que Nizzi explora de quando em vez nos seus argumentos, permitindo deixar expresso o seu olhar sobre um tempo actual que o Velho Oeste já vinha desenvolvendo. Mas o aproveitamento desta situação acaba sempre por ser algo superficial, porque a história de Nizzi é simples, roçando mesmo o banal, tal é a linearidade imposta no desenvolvimento do argumento, na aproximação do autor às personagens principais, por fim e sobretudo no modo como o autor vê o papel da religião, contrapondo Elia Glendon um paladino da justiça divina (fundamentalismo que se deve ao seu estado mental!) ao seu irmão Marcus, mais flexível nos seus dogmas, mais dialogante, de espírito mais aberto, realçando um maniqueísmo evidente entre os dois.

Arte de Rossano RossiCuriosamente, desta vez, Nizzi escreve uma história correcta, no sentido em que não apresenta erros, mas voltamos à questão da simplicidade do argumento, incapaz de levantar o interesse do leitor, feito de um ritmo quase sempre constante e sem grandes oscilações. Estancando as ingenuidades que vinha cometendo nos seus últimos argumentos, mesmo assim Nizzi não consegue transmitir ao leitor a sensação ou o sentimento de trazer um novo fôlego ou alguma inovação capaz de desenvolver a série.

Arte de Rossano RossiRossano Rossi já se havia estreado em Tex com a aventura “O Fugitivo”, onde na altura tínhamos notado um estilo muito influenciado por Civitelli, apesar de não atingir a qualidade e a firmeza do traço deste. Desta vez, cremos que este trabalho afirma um Rossi mais desenvolto, mais pessoal, mais seguro e afirmativo das suas capacidades. Um Rossi que, sem renegar as suas influências (o seu Tex é todo civitelliano), consegue encontrar o seu caminho, afirmando uma notória evolução no seu traço. Realce para as cenas nocturnas, onde o autor consegue excelentes jogos de contrastes e também para a composição da personagem de Rhonda, uma mulher tão bela como calculista.

Texto de Mário João Marques

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