Tex Série Normal: Conspiração Contra Custer

Conspiração Contra CusterArgumento de Claudio Nizzi, desenhos de Giovanni Ticci e capas de Claudio Villa.
Com o título original Congiura contro Custer, a história foi publicada em Itália nos nº 490 a 492 e no Brasil, pela Mythos Editora nos nº 406 a 408.

Um jornalista está a escrever uma biografia do general Custer e é recebido por Tex na aldeia navajo. Com o objectivo de construir um retrato mais preciso e menos lendário do general, Tex e Carson vão relatar os acontecimentos ocorridos dois anos antes, quando ambos serviram como mediadores de Custer a pedido do general Davis.

Com a crise que se vivia por todo o território norte americano, o governo enviou o exército fazer uma expedição às Black Hills, local entregue aos Sioux por um tratado e considerado sagrado por estes. O governo esperava ali encontrar ouro e com isso fazer face à crise que alastrava, mas para isso tinha que ir contra os legítimos anseios dos Sioux.

Tex WillerO escolhido para chefiar a expedição foi o general Custer, considerado um herói e um mito pelos americanos, mas ao mesmo tempo um militar de carácter arrogante e pouco respeitador dos direitos dos pele vermelha. Devido ao massacre ocorrido nas margens do rio Wichita, os índios nutriam profundo ódio por Custer e Tex e Carson iriam servir de mediadores, tentando evitar um conflito. Mas na sombra, alguém pretendia assassinar Custer e lançar as culpas nos Sioux, provocando assim uma guerra.

General Custer

Conspiração contra Custer” é um mergulho literal na história norte americana, na conquista do oeste, num dos episódios mais dramáticos e humilhantes do exército americano. Imaginando uma fictícia conspiração levada a cabo contra Custer, Nizzi relata os acontecimentos vividos pelo 7º de Cavalaria do general, o famoso regimento que em 25 de Junho de 1876 foi derrotado pelos índios chefiados por Sitting Bull (Touro Sentado) e Crazy Horse (Cavalo Louco) na batalha de Little Big Horn.

As Grandes PradariasE é com especial mestria que Nizzi nos oferece esta aventura plena, densa e dramática. Porque ela é feita por grandes homens em defesa dos seus valores, das aspirações dos seus povos e está excelentemente conduzida no seu ritmo dramático. Mais uma vez, Tex encontra-se com homens que fizeram a verdadeira história norte americana. Custer (1839-1876), Sitting Bull (1831-1890) ou Crazy Horse (1840-1877) são personagens saídas da realidade, não do imaginário, personagens que conseguiram viver uma aventura memorável, uma aventura que faz parte dos compêndios e que consegue captar a nossa admiração.

A conspiração levada a cabo contra Custer é um episódio fictício que serve para introduzir a realidade ocorrida, serve para encontrar o espaço propício aos acontecimentos que vão terminar na trágica batalha. Aqui, Sitting Bull e Crazy Horse tiveram o seu dia de glória ao derrotarem o ambicioso mas imprudente Custer. Foi um episódio das guerras índias, um dia memorável para os pele vermelha, na altura já confinados a reservas.

Custer, Tex e CarsonSem inovar no modo como nos conta os acontecimentos, em perfeitos flash-back que funcionam como autênticas viagens ao passado histórico, Nizzi não se coíbe de, pela boca de Tex e Carson, ir relatando e saltando os acontecimentos. Ou seja, o relato dos dois rangers não serve apenas para ir contando os acontecimentos vividos, ele fala também de acontecimentos posteriores que vão servir para ajudar Farrell (o jornalista) a compreender melhor os factos.

Tex dialogandoNizzi consegue antecipar alguns acontecimentos, cronologicamente posteriores ao que se vem relatando, mas que funcionam como explicação cabal do que se seguiu. Também por isso, a aventura nunca morre, nunca cansa, consegue sempre captar a atenção do leitor. Tudo é fluido e escorreito, tudo se lê de uma assentada e o leitor vai passando por fases em que aprecia a aventura texiana, enquanto noutras fases se vê mergulhado numa lição de história. Nizzi nunca tenciona mudar os factos, mesmo a imagem que nos dá de Custer é sempre muito próxima daquela que sempre nos ensinaram. Quando assim é, está o autor de parabéns, está a banda desenhada de parabéns.

A Batalha de Little BighornTicci é um grande desenhador. Todos estamos de acordo. Mas o que esta afirmação significa em concreto nesta aventura é que Ticci soube captar a essência do argumento de Nizzi, soube captar a grandeza do episódio histórico, soube captar o dramatismo que atravessa todas as páginas da aventura. O seu traço, mais sintético e já não tão preciso como antes, consegue no entanto caracterizar a grandeza dos protagonistas da aventura, os grandes espaços que lhe servem de cenário e a acção da grande batalha.

É sempre um enorme prazer ver e apreciar o Tex nizziano, um Tex de grande porte, pujante, categórico e digno de respeito. São poucos os que conseguem dinamizar as páginas como Ticci o faz, através de fisionomias humanas e espaços cénicos que destilam um movimento capaz de arrastar o leitor. O seu traço ou o seu estilo hoje estão diferentes, mas a sua capacidade de inovar, o seu dinamismo, a expressividade do desenho, a sua força narrativa, tudo está lá, intacto, como só Ticci sabe fazer.

Texto de Mário João Marques

7 Comentários

  1. Se mais motivos não houvera para ler e coleccionar Tex bastavam estas três capas magníficas de Claudio Villa para o fazermos! Que maravilha! Especialmente a primeira, com aquele desenho soberbo, em contra-picado, de Tex a cavalo (e como é difícil desenhar cavalos!)… Villa é, de facto, um desenhador extraordinário!

  2. É Carlos, tem toda a razão. Villa é um extraordinário desenhador. Na verdade, Tex tem tido alguns grandes desenhadores, porque para além de Villa, eu sou um grande apreciador de Ticci, dos irmãos Cestaro e de Venturi. Para já não falar de alguns novos que se perfilam num horizonte não muito distante.
    Um abraço
    Mário João Marques

  3. Mário, “força narrativa” é também esta matéria escrita por ti e que gostei muito de ler.
    Um abraço,
    Orlando Santos Silva

  4. Olá meu bom amigo Orlando,
    Ainda bem que gostaste de ler a crítica desta excelente aventura escrita pelo mal amado Nizzi e desenhada pelo extraordinário e bem amado Ticci. E que tal a aventura também gostaste?
    Tudo de bom para ti amigo e um grande abraço
    Mário João Marques

  5. Tive a oportunidade de ler Conspiração contra Custer e conhecer que nem sempre aqueles que são considerados heróis o são de fato. Não simpatizo com a forma que foram tratados os índios nos EUA, como também aqui no nosso país. E como sempre o Tex mostra seu caráter incorruptível, humano e justo. Um grande parlamentar.

  6. Estou querendo ler o final da história Funeral em Silver Pine. Tiraram o vídeo antes de eu terminar de lê-lo.

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