Tex sem Fronteiras: MEGA ENTREVISTA (a maior de todos os tempos em todo o Universo Texiano) com JOSÉ CARLOS FRANCISCO

ENTREVISTA

ENTREVISTADOR: G. G. CARSAN*
ENTREVISTADO: JOSÉ CARLOS FRANCISCO – ZECA

José Carlos Francisco

Senhores e Senhoras, Rapazes e Moças, Meninos e Meninas, texianos e texianas, ou não…

Apresento-lhes a maior entrevista de todos os tempos, que tenho conhecimento no Universo Texiano, gentilmente concedida pelo cavalheiríssimo pard e amigo José Carlos Francisco, o Zeca que todos conhecem e para mim, o JF, que pesquei de um e-mail que ele utilizava há muito tempo atrás.

Eu fiquei muito feliz de conseguir essa efeméride, porque o JF é arredio a falar em público. Expor-se, então, dessa forma, eu nunca pensei que fosse conseguir. Ele, a princípio, disse que responderia, quando houvesse tempo. Imaginei que se tratava de um engodo para me driblar e perder o tempo de publicar no Omnibus que lancei em setembro de 2025.

Todavia, a nossa velha amizade, que já dura 26 anos, é por demais garantidora de factos concretos e, quando menos esperei, chegaram as respostas. E não eram aquelas respostas que se dá para não ficar calado. Eram, são respostas gabaritadas, amplas, conclusivas, que me fizeram exultar.

Quem acompanha o trabalho do pard JF, Zeca, sabe de quase tudo o que ele falou, mas sabe um pouco aqui, um pouco ali, informações fragmentadas. Mas, agora, com essa entrevista, saberá tudo, conseguirá formar uma imagem completa, especial, compreendendo o que é ser um grande texiano, um grande divulgador, um grande amigo, esse sujeito que todos gostam, admiram.

Essa entrevista-documentário, podem pensar assim, vem em boa hora, porque os tempos do colecionismo estão mudados, os colecionadores envelhecendo, é preciso e necessário apresentar todas as informações para leitores e pesquisadores que virão. Todos os leitores que orbitam o Tex têm histórias interessantes e precisam deixá-las por escrito, para que sirvam de legado social. O Tex não é apenas a revista, é o negócio e os seus colecionadores. E nesse item, o JF suplanta a imensa maioria, por sua entrega espontânea, por seu caráter agregador, por sua inteligência ímpar, capaz de tantos feitos valorosos.

Para mim é uma felicidade enorme poder homenageá-lo dessa maneira e forma, publicando-o na obra master, o Omnibus de mil páginas, porque é uma amizade antiga, como supracito, em que já realizamos diversas e variadas operações em conjunto e sempre nos comportamos muito bem, guardando o devido respeito, a seriedade, a rapidez, e todas as qualidades repassadas, ensinadas por nosso herói em comum.

Espero que ele goste demais e sinta toda minha amizade quando ler essa entrevista, diretamente no próprio Omnibus, que mais dia, menos dia, chegará, estará em suas mãos.

Peço muita atenção para a leitura da entrevista, talvez a leitura por partes, com a devida reflexão, para captar em latitude e longitude, altura e profundidade, esta mega conversa, que aviso de antemão, apresenta vinte páginas desse português tão querido, tão amigo, tão importante para o Tex, em todo Mundo. Vocês estarão lendo o Zeca, vocês estarão lendo o portador do maior acervo de Tex, em nível planetário. Estarão lendo o criador de mídias infalíveis, vanguardistas, importantes. Zeca, o aglutinador de artistas Bonelli em sua residência. O homem que colocou Portugal na trilha do Tex e conseguiu vitórias e sucessos que nenhum outro, em tempo e lugar, alcançou.

Termino e concluo emocionado, por fazer parte desse momento tão bom, que representa o aspecto ‘ser pard texiano’ e por imaginar e sentir que não terei outra oportunidade semelhante de lhe homenagear.

Com vocês, o grande pard Zeca, o dileto amigo JF. Eis sua biografia.

José Carlos Francisco e Anadia, a capital portuguesa do Tex

ENTREVISTA

  1. Quem é o Zeca? Podes dar uma rápida informação para quem vai te conhecer agora?

Chamo-me José Carlos Pereira Francisco, mais conhecido por Zeca e nasci em Lourenço Marques, a antiga designação da actual cidade de Maputo, capital de Moçambique, em África, a 13 de Dezembro de 1967, tendo vindo para Portugal, na companhia dos meus pais, em 1977. Sou casado há 36 anos com a Fátima, pai de duas lindas filhas que são o meu orgulho, a Andreia Sofia de 32 anos (mãe do meu netinho Afonso Dias, já Texiano com apenas 3 anos e que será o futuro herdeiro da minha colecção) e a Ana Beatriz de 21, e como bom chefe de família, sou adepto e simpatizante do glorioso Benfica. Habito actualmente na região centro/norte de Portugal, relativamente próximo ao litoral, entre as cidades de Coimbra e Aveiro, mais precisamente numa localidade chamada Malaposta, pertencente ao concelho de Anadia, distrito de Aveiro e profissionalmente sou chefe de produção numa indústria de mobiliário metálico na região de Águeda, uma empresa robusta e dinâmica, fabricante de todo o tipo de expositores metálicos para o comércio e indústria, a Expoluso, sendo também no campo editorial o representante da Mythos Editora em Portugal. 

José Carlos Francisco e família; a esposa Fátima Francisco, o genro Luís Dias, a filha mais velha Andreia Sofia e a filha mais nova Ana Beatriz

O netinho Afonso Dias, já Texiano com apenas 3 anos e que será o futuro herdeiro da colecção

  1. O que o Tex representa para você? Quando isso se fez presente em sua vida?

Tex representa para mim o irmão mais velho, o grande companheiro e amigo, já que com ele fui consolidando valores como a honra, a honestidade e a integridade uma vez que Tex coloca a justiça acima da lei. Vivemos num mundo onde a violência predomina, repleto de injustiças e isso faz-nos ansiar por uma divindade capaz de acertar o passo da humanidade. E Tex Willer é a personificação procurada e que continua actual. Desde que me conheço por gente, sempre tive um enorme fascínio pela Banda Desenhada. Nasci praticamente no meio dela, em virtude da minha mãe ter uma livraria. No entanto, a paixão por Tex nasceu de um modo inesperado e foi o típico caso de amor à primeira vista. Descobri o cowboy já em Portugal, em 1980, quando os meus avós foram morar para uma quinta em Vila Nogueira de Azeitão. Durante as limpezas descobri uma caixa com muitas revistas de BD, entre elas um exemplar de Tex, mas uma edição especial: Tex 94 – “Pacto de Sangue”, que retrata a aventura do casamento do Tex. No mesmo dia, fui a um quiosque e comprei o número que estava nas bancas (114). A partir daí, fui comprando as edições que iam saindo e correndo alfarrabistas e feiras de livros ou antiguidades em busca das edições perdidas até conseguir completar toda a colecção, no início deste século. 

Tex cumprimenta José Carlos Francisco

  1. Você poderia atualizar, mesmo que por alto, os números da sua magnífica coleção (tudo)?

Quarenta e cinco anos depois do primeiro Tex, somando as duas principais colecções (completas) de Tex, a brasileira e a italiana e volumes publicados em 30 outros países, inclusive em Portugal, tenho mais de 2.000 revistas do Ranger. Há ainda a acrescentar mais de 2.000 revistas e livros de várias outras colecções e novas séries de Tex que têm surgido ao longo dos anos, tanto italianas como brasileiras e ainda um festival de edições especiais e extras com destaque para as coloridas, de vários tipos, formatos e países, para além de mais de uma centena e meia de livros temáticos dedicados a Tex, totalizo no presente um valor superior a 4.500 edições de Tex, mas o meu maior tesouro são as ilustrações originais de Tex que já beiram as 200. Ela começou em 2006, quando durante uma das minhas visitas à Sergio Bonelli Editore, em Milão, Claudio Villa teve a gentileza de me fazer um desenho exclusivo de Tex enriquecendo-o com uma dedicatória personalizada. Pouco tempo depois, um amigo italiano enviou-me, pelo correio, um desenho original realizado por Fabio Civitelli e também esse com a devida dedicatória. A partir desse momento comecei a ganhar um carinho especial pelos desenhos originais, sobretudo por serem peças únicas e realizadas propositadamente para mim, não somente por desenhadores de Tex mas também por muitos outros autores da Casa Bonelli (e não só; para além de desenhos de autores bonellianos também possuo o Ranger desenhado por muitos outros desenhadores consagrados a nível mundial como sejam Adauto Silva, Hermann Huppen e David Lloyd, somente para dar três exemplos) que conhecia pessoalmente, e também dos mais renomados ilustradores, por ocasião das entrevistas publicadas no Blogue Português de Tex e sobretudo nas vindas de cerca de três dezenas de autores a eventos portugueses, a maioria a Anadia. Com tudo isso, a minha casa transformou-se em uma verdadeira “galeria” Texiana, com os desenhos expostos nas paredes. Depois há ainda uma enorme panóplia de itens Texianos já que aquilo que começou por ser apenas uma colecção de BD, passou a ser uma colecção de todo e qualquer objecto relacionado com Tex, por isso, além das edições de papel, adquiri ao longo dos anos e com a ajuda de amigos que tenho espalhados por vários países, uma vasta gama de outro tipo de objectos que também ultrapassam largamente o milhar de peças que vão desde bonecos e estatuetas, pósteres, cartas e baralhos, postais e selos, marca páginas e cadernos, agendas e cartões telefónicos, filmes e desenhos animados, CDS de música e documentários oficiais, cadernetas e cromos, postais e selos, porta-chaves e saca-rolhas, ímanes, pins e botons, chávenas, copos e canecas, azulejos e gravuras, litografias, desenhos e pranchas originais, camisas, t-shirt’s, bonés e chapéus, canetas e esferográficas, jogos e puzzles, medalhas, moedas e estrelas, livretos e prospectos, azulejos e quadros, jornais e fanzines, maços de cigarros, etc., etc., etc., não esquecendo ainda as mais de 3.000 páginas de roteiros e argumentos originais de escritores como Guido Nolitta (Sergio Bonelli), Claudio Nizzi, Mauro Boselli, Pasquale Ruju, Gianfranco Manfredi, Tito Faraci e Moreno Burattini. 

José Carlos Francisco e a sua colecção de Tex

  1. Como você conquistou as amizades de Sergio Bonelli e de Dorival Lopes? E o que isso mudou na sua vida de colecionador?

Conheci o editor Dorival Vitor Lopes em Abril de 2001. No final do ano de 2000 consegui completar a minha colecção brasileira de Tex e de tão feliz resolvi escrever para a Mythos Editora dando conta dessa minha façanha. Passado alguns dias, em Janeiro de 2001, recebi uma carta de ninguém mais do que o próprio editor Dorival a dar-me os parabéns pela proeza e dizendo-me que em breve viria a Portugal e para além de me querer conhecer pessoalmente queria pedir-me um favor particular, sem nada a ver com Tex. Ele queria correr a Meia-Maratona de Lisboa e precisava de alguém para fazer a inscrição. Respondi de pronto dizendo que teria o maior prazer em fazer isso para ele, mas sobretudo pela oportunidade de o poder cumprimentar pessoalmente. E em Abril desse ano lá estava eu no aeroporto de Lisboa com a minha esposa e com a minha filha Andreia. Foram lá os primeiros momentos que privei com o editor Dorival e mal sabia eu as alegrias que viriam, ao longo dos anos, depois daquele encontro… visitas várias a minha casa, em Anadia, por parte do editor Dorival e visitas minhas à sua casa, em São Paulo, para além de viagens juntos a Itália, Espanha, Holanda e Suíça neste quarto de século de uma Amizade que se tornou uma verdadeira Irmandade!

José Carlos Francisco e Dorival Vitor Lopes

Quanto a falar de Sergio Bonelli é lembrar de uma pessoa especial a qual tive o grande prazer, mas sobretudo o grande privilégio, de conhecer pessoalmente aquando da minha primeira visita à Sergio Bonelli Editore, que ocorreu em Setembro de 2002, tendo nascido de um convite que recebi do editor Dorival (a quem estou eternamente grato) para o acompanhar a ele e ao tradutor Júlio Schneider numa visita de cortesia precisamente a Sergio Bonelli. Um convite irrecusável, pois já dizia a lendária diva da canção francesa Edith Piaf: “A vida é um banquete servido para todos. Tem gente que sabe escolher sempre as melhores porções, e há aqueles que se contentam com os ossos.“, ou seja, a vida sempre nos oferece momentos maravilhosos, nós só precisamos estar atentos para aproveitá-los. Conhecer Sergio Bonelli e realizar o meu sonho de criança de visitar a casa de Tex era uma oportunidade que eu não poderia desperdiçar porque certamente nunca mais teria uma ocasião igual. Chegando a Milão, onde passei uma semana fantástica, fui apresentado a Sergio Bonelli como sendo o maior coleccionador português de Tex e como tendo inclusive a colecção brasileira completa, o que surpreendeu (e agradou) Sergio Bonelli, que como reconhecimento pelo feito, me presenteou com toda a colecção italiana do Ranger. A partir daí fomos trocando correspondência e telefonemas, fortalecendo os laços de uma amizade tão magnificente entre dois homens de gerações e origens diferentes, unidos pela mesma devoção, a coisas simples e sem mácula como podem ser, afinal, os quadradinhos e os seus heróis, tendo eu depois retornado algumas outras vezes a Milão, reforçando conexões mais fortes, duradouras e saudáveis com Sergio, com o seu filho Davide e com os restantes colaboradores da editora, já que sempre fui recebido de uma forma muito carinhosa por todos que se mostravam muito admirados por haver alguém tão entusiasta de Tex sendo natural de um país onde Tex nem sequer era editado.

José Carlos Francisco e Sergio Bonelli num passeio nocturno por Milão, 2009

A amizade com ambos, Dorival e Sergio Bonelli, mudou completamente a minha faceta de coleccionador comum, já que ambos me deram a sua confiança e eu ficava a par de alguns segredos editoriais do Ranger conhecendo assuntos que os comuns mortais não tinham acesso, para além de me abrirem portas inimagináveis como por exemplo apresentarem-me autores do Tex ou mostrarem-me em primeira mão histórias do Tex em produção, tendo eu ao longo dos anos dado várias sugestões a ambos, algumas das quais acabaram por ser implementadas, para além de diversas edições italianas e brasileiras onde os editores Sergio Bonelli e Dorival Vitor Lopes me citaram, inclusive com fotos. A nível económico também tudo mudou já que ambos os editores me foram oferecendo ao longo dos anos tudo de Tex que ia sendo publicado tanto no Brasil como na Itália, facto que se mantém ainda hoje, mesmo após o falecimento de Sergio Bonelli, já que o seu filho Davide Bonelli continua a cumprir a palavra do pai e a enviar-me todos os Tex que vão sendo publicados em Itália. 

Sergio Bonelli, José Carlos Francisco e Dorival Vitor Lopes jantando em Milão, 2006

  1. Ser o representante top one de Tex em Portugal é magnífico e responsório. Como você encara esse duo?

Com muito orgulho e felicidade, orgulho por ver reconhecido o facto de ter sido o primeiro português a completar a colecção de Tex e por muito provavelmente também ser quase unânime o facto de eu ter a maior colecção do Tex em solo português e de certo modo por estar também envolvido em diversos projectos, sobretudo como tradutor, das editoras portuguesas que publicaram o Tex e muita felicidade por ter tido o privilégio de conhecer e conviver com verdadeiras personalidades mundiais ligadas a Tex, para além do facto do Ranger me ter dado os melhores Amigos da minha vida e também por poder, de algum modo, ter contribuído para o crescimento e consolidação de Tex não somente em Portugal, mas até no Brasil, país onde já estive presente em alguns eventos dedicados a Tex, inclusive acompanhando autores como por exemplo em 2010 com Fabio Civitelli e em 2014 com Pasquale Del Vecchio, país que também lidera os acessos ao Tex Willer Blog, muito devido à familiaridade da língua, mas sobretudo pelo facto do Brasil ser o país do mundo, excepção óbvia a Itália, a ter o maior número de fãs e coleccionadores do Ranger, muitos deles sendo meus Amigos pessoais. 

José Carlos Francisco, Fabio Civitelli, e Tex montado no seu Dinamite

  1. Você representa o Blog do Tex e o Clube Tex Portugal. Fale um pouco sobre cada um.

Provavelmente, o Blogue do Tex é o maior meio de divulgação do Tex da actualidade, com matérias diárias envolvendo as principais notícias e informações acerca do personagem, com grande vanguarda para os factos que têm origem na Casa dos Sonhos que produz Tex, a Sergio Bonelli Editore, da qual o Blogue se tornou uma voz extra-oficial com ar oficial. O Tex Willer Blog é uma criação do meu grande amigo Mário João Marques. Ele, tal como eu, também um grande fã e coleccionador português do Tex. A ideia nasceu da mente dele em 2006 e foi posta em prática pelo próprio Mário em Setembro desse mesmo ano e como necessidade dele publicar muitos dos textos que escrevia sobre Tex e as suas histórias e desse modo dar a conhecer a outros leitores esses mesmos teores, divulgando assim também o herói criado por G. L. Bonelli e também para mostrar que mesmo não sendo Tex publicado em Portugal, havia muita paixão pelo Ranger neste pequeno, mas belo país à beira-mar plantado. Sendo o Mário um grande amigo e sabendo do meu conhecimento sobre Tex e das minhas amizades com editores e muitos dos autores do Tex, convidou-me a fazer parte deste seu projecto logo desde o início, ao que de pronto aceitei com a condição de fazermos algo muito a sério, já que Tex para mim é algo de sagrado e ao entrar para o projecto era para fazermos algo de verdadeiramente grandioso, à altura do Ranger e felizmente com o decorrer do tempo e com a ajuda e colaboração de muitos outros fãs e coleccionadores, tornamo-nos hoje em dia uma referência na Internet mundial, destacando-nos sobretudo pelas interessantes iniciativas que promovemos, como por exemplo as belíssimas entrevistas aos argumentistas e desenhadores, para além das inúmeras novidades que vamos dando em rigoroso exclusivo, sobretudo devido à forte amizade que me liga ao editor Dorival Vítor Lopes, assim como acontecia com Sergio Bonelli e hoje em dia acontece com Davide Bonelli, responsável maior da editora e com Mauro Boselli, o editor responsável por Tex na Itália que recentemente se aposentou. Hoje em dia creio que o blogue português do Tex se pode bem resumir em três adjectivos: informação, credibilidade e paixão. A nível das postagens, tudo passa somente por mim a nível de editoração, já que o Mário Marques infelizmente não tem tempo disponível para tal, mas a nível de conteúdo, conto com a colaboração de muita gente que me auxilia enviando textos, artigos, críticas, desenhos, fotos, traduções e novidades que eu depois só tenho o trabalho de editar e publicar. Ou seja, há uma grande equipa por trás e que torna possível que hoje em dia sejamos “grandes e influentes”, como muitos afirmam!

Direcção do Clube Tex Portugal; José Carlos Francisco, Mário João Marques e Carlos Moreira

Já o Clube Tex Portugal é uma associação sem qualquer orientação política ou religiosa e que tem por objectivo a divulgação e o estudo da série de banda desenhada Tex Willer. Foi criado em 10 de Agosto de 2013, por ocasião do 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, na presença de Andrea Venturi. A ideia germinava desde 2011 e foi, digamos assim, oficializada com a devida autorização da Sergio Bonelli Editore, na pessoa do seu director geral Davide Bonelli, que deu o seu apoio incondicional ao Clube desde o anúncio da sua criação. O Clube Tex Portugal é caso único em Portugal, de um Clube dedicado exclusivamente a um herói da BD, e foi o primeiro Clube oficial de Tex no mundo. É uma iniciativa destinada aos fãs e coleccionadores de Tex, que visa um maior convívio não somente entre os admiradores do Ranger, mas também, entre outras coisas, proporcionar a vinda a Portugal e consequente convívio com autores de Tex que se mostrem disponíveis para se deslocarem ao nosso país. O Clube, que já ultrapassa os duzentos sócios (a maioria oriunda de Portugal, mas também do Brasil, Itália, Espanha, França, Holanda, Finlândia, Angola, Moçambique e até da Índia), organiza e realiza várias actividades como encontros, reuniões, exposições, conferências e também uma publicação periódica semestral devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore, destinada em exclusivo aos sócios do Clube e que conta inclusive com a colaboração de numerosos autores do staff oficial de Tex em cada número, com destaque especial para as capas inéditas e exclusivas (duas por cada número já que para além da capa principal temos sempre uma capa variante). A revista é escrita por sócios e é destinada em exclusivo aos sócios do Clube. Teve até ao presente 23 números com uma média de 48 páginas por número e já publicou inclusive histórias curtas de Tex com a correspondente autorização da Editora Bonelli. A revista é tida em elevada consideração junto das “mais altas instâncias” da editora e dos autores, tendo sido já por diversas vezes elogiada e até sugerida a publicação de uma versão em italiano.

A direcçaõ do Clube Tex Portugal e o lançamento da Revista Clube Tex Portugal

  1. Como é ser um Texiano em Portugal? E quem quiser começar ou recomeçar, o que deve fazer e a quem procurar?

Ser Texiano em Portugal nunca foi fácil, tínhamos de ser sobretudo pacientes, já que tínhamos de esperar vários meses após o seu lançamento no Brasil para os termos por cá, havendo inclusive números que nunca chegaram a vir, mas a paixão e a persistência fizeram com que no decorrer dos anos houvessem vários coleccionadores portugueses que conseguissem, com maior ou menor dificuldade, completar as suas colecções de Tex, mesmo com algumas interrupções pelo meio, como acontece por exemplo no presente, já que as edições da Mythos deixaram de estar presentes nas bancas portuguesas e para as termos temos de recorrer à editora, ao seu site e até ao editor Dorival, para que a editora possa enviar as suas edições actuais pelo correio, onerando um pouco a despesa que acaba sendo compensada com o prazer de receber as mais recentes edições brasileiras de Tex praticamente após o seu lançamento no Brasil, apesar de alguns entraves da alfândega portuguesa que volta e meia pára alguns pacotes para inspecção e à caça de poder cobrar impostos de importação. Hoje em dia, apesar de cada vez menos, volta e meia aparecem novos coleccionadores e outros mais antigos são resgatados e isso nota-se nos eventos do Clube onde todos os anos há gente “nova” que perpetua a presença do Tex em Portugal, muitos deles entrando depois em contacto com o Clube Tex Portugal para que possamos indicar o caminho das pedras, ou seja a forma de receber as actuais edições brasileiras, assim como conseguirem números mais antigos e poderem então começar ou reiniciar as suas colecções. 

José Carlos Francisco e Tex Willer na ARTE mágica de Luca Vannini

  1. O que significa e representa ser um país que não publica o Tex regularmente, mas ser o único País que realiza eventos com participação de artistas da BONELLI? Esses eventos são homologados e quanto tempo para organizar tudo junto à SBE?

É um tremendo orgulho para Portugal realizar grandes eventos dedicados a Tex e que contam sempre com a presença de autores do Ranger, tendo inclusive já trazido ao nosso país mais de trinta autores do staff oficial do Ranger, tornando Portugal o país, excepção obviamente feita a Itália, que recebeu mais autores e sempre com a devida autorização e apoio da Sergio Bonelli Editore, que inclusive divulga e incentiva os eventos, sobretudo os realizados em Anadia. De ano para ano, a cidade de Anadia tem vindo a constituir-se também como a capital portuguesa do Tex, cuja Mostra, organizada anualmente pelo Clube Tex Portugal, tem adquirido crescente importância no panorama mundial dos eventos de banda desenhada dedicados a Tex e temos de agradecer a todos os que, desde a primeira hora, sempre nos apoiaram com um enorme carinho e simpatia, e que são parceiros indispensáveis à concretização deste evento: o Executivo Camarário, em especial à Senhora ex-Presidente da Câmara, Engenheira Maria Teresa Belém Correia Cardoso e ao Senhor Presidente da Câmara, Engenheiro Jorge Sampaio, mas também ao Museu do Vinho Bairrada, em especial ao Sr. Director, Dr. Pedro Dias, bem como a todos os colaboradores do Museu que, com o seu trabalho, empenho e sobretudo simpatia, têm sido uma inexcedível ajuda. Consideramos que sem este apoio, certamente seria inviável a promoção do evento, ressaltando que é de extrema importância a participação do Poder Público, a qual, combinada com a parceria do Museu do Vinho Bairrada, possibilita a propagação da cultura e do lazer na sua melhor qualidade, afinal, marcas desta terra tão singular, agradecendo ainda a todos os presentes nos eventos, sócios e não sócios do Clube Tex Portugal, assim como a todos os sócios que por motivos de força maior gostariam de estar e não podem, porque este evento só continua a ser possível devido à colaboração e disponibilidade individual, cujo esforço, reunido em conjunto, traduz e interpreta em pleno o verdadeiro espírito Texiano! Evento esse que é sempre preparado com cerca de um ano de antecedência, já que assim que acaba uma Mostra a direcção do Clube começa logo a pensar na data da próxima Mostra e dos próximos autores a convidar, iniciando as formalidades com a editora italiana para que sejam emitidos os convites oficiais, a compra dos bilhetes aéreos, a realização por parte dos autores dos desenhos oficiais e exclusivos para o evento e o envio das páginas, por parte da editora, a expor de modo a que na data certa tudo esteja preparado a tempo e horas e nada falta para podermos ter mais um evento realizado no Museu do Vinho com a pompa e circunstância que o nosso Tex merece! 

Tex (Mário João Marques), José Carlos Francisco, Presidente da Câmara Municipal de Anadia (Eng. Jorge Sampaio) e Dr. Pedro Dias (Director do Museu do Vinho Bairrada) e o estatuto de Anadia – Capital Portuguesa do Tex!

  1. Como o Zeca consegue todas as notícias de vanguarda das séries italianas e brasileiras, principalmente referentes ao Tex?

Sobretudo pela grande amizade com os editores italianos, brasileiros e portugueses, assim como pela carismática amizade que me liga à grande maioria dos desenhadores e escritores do Tex fazendo com que muitos deles acabem por dar-me notícias em primeira mão que possam ser publicáveis, já que muitas notícias acabam sendo de foro particular e não podem ser divulgadas, honrando-me imenso a confiança que os editores e autores têm por mim, mas também conseguimos muitas notícias e factos exclusivos devido ao reconhecimento da força, importância e prestígio do Tex Willer Blog nestes quase 20 anos de vida na blogosfera mundial estando sempre na vanguarda da informação Texiana mundial, até porque por vezes também conseguimos exclusivos referentes à publicação de Tex em outros países onde o Ranger é lançado e onde também existem manifestações.

Moreno Burattini, José Carlos Francisco, Claudio Villa e Dorival Vitor Lopes

  1. Há vinte anos se fala que os Quadradinhos têm os dias contados. Você concorda? Você tem alguma fórmula que desminta essa falácia? Em sua opinião, o que o futuro nos reserva?

Já quando conheci Sergio Bonelli há mais de duas décadas, ele dizia que o futuro da banda desenhada era negro e que inclusive Tex não resistiria por muitos mais anos e afinal, quase um quarto de século depois, Tex ainda está bem pujante e muitos outros personagens ainda são publicados pela sua editora, pelo que creio que sobretudo em países como a Itália, a França e o Japão, o cenário ainda continua bem forte e estou plenamente convencido que o futuro a breve e médio prazo no que diz respeito aos quadradinhos ainda é risonho, sobretudo no que se relaciona aos fumetti e às edições franco-belgas, aqueles com que mais lido habitualmente, mas certamente chegará o dia em que a banda desenhada será apenas para um restrito número de apreciadores, mas acredito que tal ainda demorará umas décadas a acontecer e já não estarei neste mundo para o constatar… 

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco em Rapallo; 2009

  1. Conte-nos suas aventuras com Tex: uma em Portugal, uma na Itália.

Nestes mais de 45 anos de coleccionador, há muitas histórias curiosas para contar, mas com relação a Portugal destaco uma que tem mais a ver com a BiblioTex em si do que com a minha colecção em particular. Aquando de uma visita Pascal, tradição que ainda hoje se mantém por estas bandas, o sacerdote ao entrar em minha casa e ao deparar-se logo à entrada com a minha colecção de Tex, parou durante alguns segundos observando detalhadamente a BiblioTex, enquanto a família estava toda reunida na sala à espera de beijar o compasso, e mostrando-se admirado com o que via, confidenciou-me que já tinha estado em muitos santuários, mas nunca tinha visto um santuário do género, reforçando novamente a admiração no final da visita, dando-me os parabéns pelo santuário Texiano, nome pela qual passou a ser conhecida depois desse dia a minha biblioteca. Para além desta história, há muitas de teor não muito diferente, sempre de pessoas que me visitam pela primeira vez e que ficam admiradas ao ver uma casa de habitação transformada em galeria de arte e muitas dessas pessoas acabam até por perguntar à minha esposa como é que ela consente a maluquice do marido (…risos…)

José Carlos Francisco e o ‘Santuário Texiano’ na imprensa

Com relação a Itália, destaco um episódio caricato ocorrido logo na minha primeira visita a Itália e que mostra bem o carácter e a forma de ser de Sergio Bonelli. Num fim de tarde em Milão, Sergio Bonelli convidou-me a mim, ao editor Dorival Vitor Lopes, ao tradutor Júlio Schneider e ao escritor Moreno Burattini para um jantar, o que de pronto todos aceitamos. Mas o que eu pensava ser um jantar num restaurante “normal” acabou por ser um jantar num dos mais luxuosos restaurantes de Milão e eu ia vestido muito informalmente, com a camisa do Benfica inclusive já que o dia foi passado a passear e chegados ao restaurante, fui impedido de entrar, precisamente por não estar vestido a rigor para tão nobre local. Em vez de Sergio Bonelli nos conduzir a outro restaurante, pediu ao funcionário para chamar o proprietário do estabelecimento e quando o dono chegou Sergio Bonelli, habitual frequentador do restaurante, disse ao dono que se eu não pudesse entrar que ele não voltaria ao local, e de pronto o proprietário pediu desculpas a Sergio Bonelli e a mim dizendo que eu estava autorizado a entrar com a roupa que trazia… pois bem, entrei e por acaso fomos para uma mesa bem ao fundo e senti mil olhares em cima de mim já que todos os homens, a maioria deles de fato e gravata, e todas as senhoras, a maioria com belos e certamente caríssimos vestidos, não tiravam os olhos de cima de mim enquanto íamos passando, certamente a pensar como seria possível alguém vestido como eu estava, poder estar ali com eles… na altura senti uma espécie de vergonha, mas depois no hotel, quando Sergio Bonelli nos deixou, foi motivo de algumas gargalhadas por parte de todos nós com o Sergio a dizer para eu nunca mais ir vestido desportivamente àquele restaurante já que sem a presença dele eu não voltaria a entrar e certamente ele estava coberto de razão (…risos…).

Moreno Burattini e José Carlos Francisco com a camisa do Benfica à espera de poder entrar no restaurante

  1. Você já esteve no Brasil, numa viagem aventuresca do início ao fim. O que mais te marcou? O que podes dizer mais de 10 anos depois?

De facto em 2010 tive uma viagem completamente inusitada entre Lisboa e São Paulo… já no aeroporto durante o check-in fui informado que devido a uma delegação ministerial do governo português que teve de viajar imprevistamente no mesmo avião, eu e mais alguns passageiros que viajavam sozinhos não poderíamos embarcar nem muito menos seguir viagem devido a passar a haver overbooking, ou seja, havia mais passageiros do que a aeronave tinha capacidade, prontificando-se a companhia a aérea a fazer-me embarcar como prioritário no voo do dia seguinte assim como pagar-me todas as despesas de estadia e alimentação. Tentei explicar que eu não poderia adiar o voo já que em São Paulo iria participar no dia seguinte num evento que contaria com a presença de outro convidado europeu: Fabio Civitelli e que o evento não poderia ser adiado. A minha justificação foi considerada improcedente e irrelevante pelo que não me foi dada ordem de embarque em detrimento de outro passageiro. Mas como eu tinha de embarcar custasse o que custasse, assim determinava o Tex, tinha na minha companhia no aeroporto alguns Amigos e um deles lembrou-se que tinha altos conhecimentos dentro da companhia aérea e contactou alguém importante que por sua vez contactou o próprio comandante do voo para ver se ele conseguia desbloquear a minha situação. Foi ponderado pelo comandante eu viajar na cabine de pilotagem na companhia dos pilotos, mas por um tremendo azar à última da hora embarcou um outro comandante que ia de férias para o Brasil e iria usar precisamente o lugar extra na cabine dos pilotos. Como última alternativa e num acto de louvar, mas também de até de algum atrevimento invulgar e até de elevado risco, o comandante pergunta-me se eu me sujeitava a fazer toda a viagem de pé durante as 10 horas de voo, sentando-me apenas num banco de tripulação durante a descolagem e a aterragem, o que de pronto eu respondi afirmativamente porque queria mesmo viajar até porque à minha espera em São Paulo estariam o editor Dorival Vitor Lopes e o desenhador Fabio Civitelli que segundo as previsões aterrava alguns minutos antes de mim. Encontrada a solução, que ainda hoje agradeço pela ousadia do comandante porque deve ter proposto algo totalmente inédito, eu tive de assinar um documento em que me sujeitava a viajar de pé e em que futuramente não poderia reclamar sobre as minhas condições de viagem junto da companhia aérea e muito menos exigir alguma indemnização, o que de pronto aceitei e assinei e parti então rumo a São Paulo, num voo de cerca de 8.000 quilómetros que correu muito bem e onde durante a noite com a cabine completamente às escuras e onde todos dormiam, eu estava em pé, mas aguentando firme porque Tex assim o exigia e ao chegar ao aeroporto de Guarulhos lá tinha à minha espera o editor Dorival já com Fabio Civitelli a seu lado, não imaginando ambos a aventura que eu me sujeitei para poder estar ali lado a lado com eles.

G. G. Carsan, Fabio Civitelli e José Carlos Francisco no Fest Comix; 2010

Esse foi o facto que mais me marcou, obviamente, nessa estadia de cerca de dez dias em São Paulo, mas houve alguns mais, como por exemplo o facto de devido a um atraso do intérprete Júlio Schneider durante uma conferência na Fest Comix eu ter de acabar por ir para a mesa de honra, ladeando o Fabio Civitelli e o G. G. Carsan, fazendo de intérprete do desenhador italiano, e foi engraçado ter um português a fazer de intérprete de um italiano para um público brasileiro onde tive de me adaptar falando mais pausadamente para poder ser compreendido e tendo sempre a preocupação de usar termos que pudessem ser entendidos pelo numeroso público que certamente desconhecia na sua maioria muitos dos termos usados em Portugal, a começar pela própria banda desenhada, termo não usado no Brasil, mas no final, após uma estrondosa salva de palmas para todos tive a percepção que apesar das dificuldades, ainda mais por ser uma estreia da minha parte, tudo correu pelo melhor  e não houve problemas de compreensão.

José Carlos Francisco, Paulo Guanaes e Fabio Civitelli no Rio de Janeiro; 2010

Já agora narro mais um episódio engraçado, este ocorrido no Rio de Janeiro já que eu, o editor Dorival e o Fabio Civitelli acabamos por viajar a passeio até ao Rio de Janeiro respondendo a um convite do mítico tradutor Paulo Guanaes, e chegados lá, após as apresentações o Paulo Guanaes levou-nos a um belo passeio pela cidade e Fabio Civitelli como certamente todos sabem, tem um grande hobby pela fotografia e anda sempre acompanhado de duas imponentes máquinas fotográficas a tiracolo e não prescindiu de ser fotógrafo enquanto passeávamos pelo Calçadão de Copacabana com todos os olhares atraídos para ele sobretudo paras as suas duas valiosas máquinas fotográficas. O editor Dorival não querendo melindrar o Fabio Civitelli veio ter comigo e pediu-me para eu ladear o desenhador de um lado enquanto  o editor das bermudas o ladeava do outro lado, fazendo nós os dois uma espécie de papel de guarda-costas com o Paulo Guanaes um pouco mais afastado atento a tudo que se passava ao redor, ao mesmo tempo que algum temor se apoderava de nós os três porque nunca saberíamos o que podia acontecer, mas felizmente o Civitelli tirou as fotos que quis, nunca se apercebendo do real perigo da situação, porque ninguém tentou assaltar-nos, talvez porque a presença de dois guarda-costas com a escola de Tex (…risos…) ser um grande motivo dissuasor.  Essa viagem foi mesmo muito rocambolesca tendo mais alguns causos engraçados, como por exemplo quando o Dorival e o Helcio de carro me foram dar a conhecer uma favela, com o Helcio completamente aterrorizado por estar dentro da favela ou quando um atentíssimo Paulo Guanaes impediu que eu fosse assaltado numa praia do Rio de Janeiro, mas a resposta já vai muito longa e essas aventuras ficam para contar em outra oportunidade.  

José Carlos Francisco e Fabio Civitelli na estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro

  1. Talvez a grande sensação portuguesa seja o evento anual do Clube Tex Portugal. Como é fazer um grande evento anual sobre Tex?

Trata-se da Mostra do Clube Tex Portugal, é uma mostra que o Clube promove anualmente, com a devida autorização e colaboração da Sergio Bonelli Editore assim como da Mythos Editora e com o apoio do município, num espaço nobre da cidade de Anadia, mais precisamente no luxuoso Museu do Vinho Bairrada e que é destinada em especial aos fãs e coleccionadores de Tex Willer, mas também a todos os apreciadores de banda desenhada, que visa um maior convívio não somente entre os admiradores da carismática personagem italiana, mas também proporcionar um convívio com autores de Tex que se deslocam ao nosso país, havendo ainda exposições de material relacionado a Tex, desde histórias em produção até itens Texianos de colecções privadas, havendo ainda uma agenda muito preenchida com sessões de autógrafos, desenho ao vivo, aula de desenho, workshop, conferência, sessão cinema e BD. Uma infinidade de actividades que quase é redutor chamar-se Mostra a um evento que em nada fica a dever a alguns Salões de BD. Reunir os sócios, inclusive muitos vindos do estrangeiro, significa acima de tudo que o Clube tem grande vitalidade e é um feito considerável e muito ambicionado tanto pela Direcção como pela totalidade dos sócios que podem assim desfrutar de momentos inolvidáveis junto de autores de renome e que permite passar-se dois dias em alegre e salutar convívio onde os fãs e coleccionadores presentes respiram Tex por todos os poros, já que este convívio tem como característica reunir a grande família dos sócios (e seus familiares) do Clube Tex Portugal que privilegiam a leitura e o lazer. 

José Carlos Francisco e Laura Zuccheri no Museu do Vinho Bairrada

  1. Por falar no Clube, o que faz o Clube tão robusto? O evento? A revista? O próprio Clube?

Creio que um pouco de tudo isso, mas sobretudo o próprio Clube, a sua génese e a razão de ser. O evento e a revista vieram como consequências naturais. O facto de sermos um Clube sério, devidamente autorizado pela Casa Bonelli, que inclusive colabora oficialmente connosco, para além das colaborações do município de Anadia e do Museu do Vinho Bairrada, entidades prestigiadas e competentes, têm sido um factor aglutinador, com sócios de todos os recantos de Portugal, das zonas rurais às urbanas, de norte a sul do país e inclusive até do estrangeiro, destacando-se sobretudo a sua presença no evento anual de Anadia, porque a maioria dos nossos sócios esforça-se para abrilhantar o evento com a sua presença e o facto de Portugal ser um Pais pequeno geograficamente também torna as deslocações mais fáceis e rápidas. Outro factor determinante para uma presença massiva de público é precisamente a excelente localização de Anadia, situada sensivelmente no centro do país tornando-se um excelente ponto de encontro para os fãs e coleccionadores tanto do norte de Portugal como da sul, proporcionando assim que mais sócios e público em geral possam comparecer aos eventos do Clube realizados nesta região. Região esta muito bem servida a nível hoteleiro ou não fosse Anadia e sua zona limítrofe, com especial destaque para as prestigiadas Termas da Curia,  uma região turística por excelência, contando actualmente com diversos hotéis, havendo ainda alguns complexos de apartamentos turísticos, várias pensões e casas de hóspedes. Para finalizar o tema, uma constatação que muito nos orgulha: devido à popularidade, mas sobretudo ao profissionalismo que o Clube coloca em tudo o que faz, ao longo dos anos temos sido requisitados por outros organismos e outros festivais para dar o nosso contributo. Foi assim com o CPBD (Clube Português de Banda Desenhada), foi assim com o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e mesmo a Comicon não prescindiu da nossa presença. 

Kit Carson (Ricardo Leite), Tex (Mário Marques), José Carlos Francisco, Presidente da Câmara Municipal de Anadia (Eng. Jorge Sampaio), Leomacs, Andrea Venturi e Dr. Pedro Dias (Director do Museu do Vinho Bairrada)

  1. O quanto o Zeca, o Clube, os Eventos, conseguiram alavancar e popularizar o Tex em Portugal?

Desde que me recordo o Tex sempre teve uma grande popularidade em Portugal, sobretudo porque desde 1971 que a edição brasileira também chegou a Portugal, conquistando muitos leitores lusos, apesar de durante décadas não ter havido nenhuma edição editada em Portugal. Assim como na Itália e no Brasil também em Portugal a mais popular personagem dos quadradinhos italianos é justamente Tex Willer. Ainda que pequeno em relação a esses dois grandes mercados, o mercado português de banda desenhada sempre foi constituído por leitores fiéis, entusiastas e pacientes, pois tiveram que esperar que as suas revistas preferidas viessem do outro lado do Oceano, do Brasil. De facto, até Agosto de 2005 Tex nunca tinha sido publicado por uma editora portuguesa; a única excepção, no campo Bonelliano, foram dezasseis edições de Zagor e doze de Mister No, lançadas a partir de 1978, sem a autorização da editora italiana. Durante décadas as revistas brasileiras do Tex só chegavam a Portugal depois de seis/nove meses do lançamento no Brasil. Se o editor brasileiro não tinha mais edições disponíveis nos seus depósitos, alguns números não eram enviados, e nem os pedidos de edições atrasadas eram atendidos. Tudo se interrompeu em 1999, quando a Editora Globo suspendeu a publicação de Tex; mas em 2002, quando os direitos já eram da Mythos, Tex desembarcou de novo, e com sucesso, em terras lusitanas, um pouco por minha influência na altura junto do editor Dorival, convencendo-o de que as edições brasileiras de Tex deveriam voltar a ser vendidas em Portugal, o que após algum estudo de mercado o editor Dorival juntamente com o Helcio de Carvalho, seu sócio, concretizaram para gáudio de todos os fãs e coleccionadores portugueses, indicando-me como sendo o representante da Mythos Editora em Portugal pela importância que tive em conseguir algumas portas concretizando o desejo de voltar a ter o Tex em Portugal. Voltando atrás, a 2005, também fui de certo modo importante para a publicação daquele que foi o primeiro volume de Tex made in Portugal, “Tex Contra Mefisto” integrado na Série Ouro dos Clássicos da Banda Desenhada, com o número 8 de uma colecção de 20 números, um lançamento do jornal “Correio da Manhã” em associação conjunta com a Panini onde inicialmente estava prevista a publicação de Ken Parker em detrimento do Ranger, edição onde ainda tive o grato privilégio de ser co-tradutor, o que motivou inclusive um editorial de Sergio Bonelli na edição Tex Nuova Ristampa nº 148, datada de 30 de Novembro de 2005: “Os artífices da minuciosa adaptação são dois amigos nossos de quem já tive ocasião de falar: José Carlos Francisco (há anos aficionado apoiador de Tex em Portugal, tanto em jornais quanto em manifestações de quadradinhos) e Júlio Schneider, advogado na cidade de Curitiba, que cuida das traduções de muitas edições bonellianas publicadas por editores brasileiros. Em suma, como deu para entender, “Tex contra Mefisto” é o primeiro volume de Tex que um português aficionado por BD pôde ler na sua língua. O trabalho de Júlio Schneider e José Carlos Francisco mereceu a citação no frontispício do volume “histórico”, mas principalmente, os agradecimentos de todos nós da rua Buonarroti.”.

José Carlos Francisco com as versões italiana e portuguesa de ‘Tex contra Mefisto’

Foi entretanto preciso esperar uma década, para em 2015 vermos um novo Tex com selo português: “Patagónia”; Polvo Editora, lançamento o qual já decorreu numa Mostra do Clube Tex Portugal, a 2ª Mostra e que contou com a ilustre presença do desenhador Pasquale Frisenda e onde tive também a honra de ser o tradutor e escrever o texto de abertura da obra e sem dúvida alguma que nesse caso já muito se deve ao Clube Tex Portugal e aos eventos do Clube, já que a partir da sua criação houve uma dinâmica nunca antes vista, aglutinando fãs e coleccionadores já que os eventos atraem público de todo o Portugal e inclusive até do estrangeiro, como dito anteriormente fazendo também com que as editoras portuguesas tenham vindo a publicar outras edições especiais do Ranger, como foi o lançamento de mais alguns volumes com o selo da Polvo, mas também d’A Seita e até da Levoir através da Colecção Bonelli em parceria com o jornal “Público”, tornando Tex mais visível e conhecido junto dos fãs e coleccionadores de banda desenhada no geral.

José Carlos Francisco e Pasquale Frisenda

  1. O Blog Tex Portugal tem passe livre no Grupo Tex Willer. Tem sido uma boa parceria? O resultado é positivo?

Sem dúvida alguma, mas creio que essa parceria é benéfica para ambos os lados, aumentando a visibilidade, a interacção e a autoridade tanto do blogue do Tex como do Grupo Tex Willer. Entre as vantagens mais evidentes destaco sobretudo a maior visibilidade que o Grupo Tex Willer dá ao Tex Willer Blog, atraindo novos leitores, aumentando a audiência e o engajamento, mas também o compartilhamento de conteúdo já que ao longo dos anos o blogue compartilhou conteúdo relevante com o Grupo Tex Willer, e vice-versa. Isso certamente ajudou a aumentar a interacção entre os membros do grupo e os leitores do blogue, além disso considero que o grupo do Facebook forneceu um feedback valioso sobre o conteúdo do blogue, ajudando a melhorar a qualidade e a relevância do nosso conteúdo. Além disso, a interacção entre os membros do Grupo Tex Willer e os leitores do Tex Willer Blog  ajudou a criar uma comunidade mais forte e ajustada. Por fim julgo que a parceria ajudou a aumentar a autoridade e a credibilidade do Tex Willer Blog e do Grupo Tex Willer no Facebook, especialmente porque ambos temos uma boa reputação e uma audiência ao serviço da causa Texiana. 

Stefano Biglia e José Carlos Francisco

  1. Há algum tema texiano que você gostaria de desenvolver uma opinião e não foi tocado? Fique à vontade.

Sim, pelo conhecimento que tenho, mas sobretudo porque esta entrevista vai ser publicada no Brasil, há um tema que eu gostaria de abordar: a influência de Tex Willer na cultura popular brasileira. Como todos que lerem esta entrevista certamente sabem, Tex Willer é um personagem icónico da banda desenhada italiana, criado por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini. No Brasil, Tex Willer foi publicado pela primeira vez na década de 1950 e rapidamente se tornou um sucesso, conquistando o coração de muitos leitores. Pelo que eu me fui apercebendo, sobretudo desde a minha primeira viagem ao Brasil, no início do século, mas também com o muito que leio e fui aprendendo, a influência de Tex Willer na cultura popular brasileira pode ser vista em várias áreas:
– Influência nos quadradinhos brasileiros: Tex Willer foi um dos primeiros personagens de banda desenhada a ser publicado no Brasil e influenciou muitos artistas e escritores brasileiros. Ele ajudou a estabelecer o género de western na banda desenhada brasileira e inspirou a criação de outros personagens, sendo a referência mais evidente o personagem Chet, uma publicação da Editora Vecchi, escrita por Wilde Portela e desenhada por Watson Portela.
– Ícone da cultura popular: Tex Willer tornou-se um ícone da cultura popular brasileira, com a sua imagem e personalidade sendo referenciadas em diversas áreas, como a música, a poesia, a literatura e a arte.
– Legado duradouro: Mesmo após décadas da sua publicação inicial, Tex Willer continua a ser lido e admirado por milhares de pessoas no Brasil. O seu legado é um testemunho da sua qualidade e do impacto que teve na cultura popular brasileira, e por isso eu quis destacar esse grandioso facto verdadeiramente importante e até histórico e que mostra bem que Tex também é cultura e não apenas lazer.

José Carlos Francisco e a ligação de Tex a Portugal e Brasil numa arte de AMoreira

  1. Como é distribuído o grande acervo – coleções e acessórios) pela residência, que deve parecer um Museu. Os seus visitantes querem ver tudo? Você consegue mostrar?

Para distribuir e exibir o grande acervo das variadas colecções de Tex e demais itens pela minha residência, que de certa forma parece um museu dedicado a Tex, foi importante criar uma organização lógica e visualmente atraente, já que os numerosos Texianos que viajam até à Malaposta para a conhecerem, por norma querem ver tudo, no entanto foi importante eu ter criado um equilíbrio entre mostrar quase tudo e manter a organização e a privacidade da minha residência, por isso as mais belas, importantes e imponentes colecções de revistas, livros e itens Texianos estão espalhados pela casa em locais, por assim dizer, públicos, como sejam por exemplo o hall de entrada, a sala de estar, o corredor, o hall interior e as paredes da casa e nesses espaços podem admirar as colecções brasileiras completas, assim como as italianas assim como os mais maravilhosos e belos itens como sejam por exemplo as estatuetas do mundo do Tex, mas também todo o tipo de itens como já abordei anteriormente, mas sobretudo expostos nas paredes alguns dos mais belos desenhos originais e exclusivos, todos eles devidamente dedicados por grandes mestres do staff oficial do Tex, assim como inúmeros pósteres, mas sobretudo algumas pranchas originais das histórias do ranger, que fazem as delícias de todos os fãs deste icónico personagem italiano, que me visitam. Mas apesar de eu residir numa habitação bastante espaçosa, o espaço já começa a faltar e por isso também existem peças e obras da colecção guardadas nos quartos e até na dispensa da cozinha e essas por norma são as partes da colecção que não costumo mostrar a quem me visita, salvo raríssimas excepções, já que tem a ver com a dita privacidade, mas até hoje creio que ninguém ficou desiludido ao visitar o meu “museu” Texiano, o meu “santuário” Texiano, museu esse que certamente um dia será uma realidade já que sendo a cidade de Anadia a capital portuguesa do Tex, nada mais natural será que no futuro tenhamos na nossa cidade Bairradina um verdadeiro Museu do Tex, com o apoio da autarquia e com a minha valiosa e imponente colecção, que tem itens originais variados e exclusivos que não existem em mais lugar algum e que merecem ser vistos e apreciados por todos os fãs e coleccionadores do Tex! Esse será um dos meus próximos objectivos de vida! 

A honra de receber em casa Andrea Venturi e Leomacs

  1. O Tex Willer Blog deve ser o maior do Planeta. Fale-nos desse porte gigantesco e da dinâmica de administrá-lo. O que pode nos contar sobre a visitação? Há muita pesquisa ou somente visita às novidades? Qual a matéria que deu o maior Ibope?

O maior do planeta no quesito Tex, com certeza o será, são cerca de sete mil artigos, mais de 21 mil comentários e por volta de quarenta mil itens multimédia, com milhares e milhares de visitas diárias de leitores espalhados pelo mundo que buscam as novidades, mas que também fazem pesquisas várias e que acessam artigos antigos, mas sempre actuais, como o provam comentários feitos na actualidade nos artigos escritos ao longo dos quase 20 anos de vida do blogue, sempre com actualizações diárias que fidelizam e cativam os leitores em busca de tudo que se relacione a Tex Willer e ao seu mundo fantástico. E prova da grandiosidade e importância do Tex Willer Blog são as participações numerosas, no decorrer do tempo, de autores e editores do Tex, muitas vezes entrando em interactividade com os leitores e algumas vezes eles mesmo dando novidades em primeira mão. Administrá-lo é um processo praticamente solitário e que ocupa muitas horas a cada semana, tempo esse roubado à leitura e sobretudo à família, mas que dá um prazer incomensurável mesmo apesar dos custos porque apesar do blogue do Tex ao longo dos anos ter recebido variadas e excelentes propostas de publicidade, seguimos o mesmo princípio de Sergio Bonelli nas suas revistas, ou seja nunca ter publicidade já que os leitores que compram as edições do Tex, assim como os leitores que nos visitam não o fazem para ter de estar sujeitos a publicidade, mas sim lerem histórias e artigos relacionados a Tex! Um princípio que também não abdicamos mesmo que essa decisão nos traga despesas que temos de suportar nós próprios.

Davide Bonelli e José Carlos Francisco

Com relação ao post com mais Ibope no Tex Willer Blog talvez seja “Galep, sempre um grande?”. Este artigo, publicado em 18 de Maio de 2012, aborda a questão da influência de actores de faroeste nas poses e capas de Tex, gerando bastante discussão entre os leitores. O post original expressa o desconforto do autor em relação a essa influência, o que suscitou muitas opiniões e comentários. O post, intitulado “Galep, sempre um grande?”, discute a prática de Galep, o desenhador original de Tex, de se inspirar em fotos de actores de faroeste para criar as poses e capas de Tex. O autor do post expressa o seu desconforto ao descobrir que algumas poses e capas não eram originais, mas sim “copiadas” de fotos de filmes. Essa revelação gerou uma ampla discussão entre os leitores, com muitos compartilhando as suas opiniões sobre o assunto. Alguns comentários no post expressam concordância com o autor do texto, enquanto outros defendem Galep, argumentando que a sua habilidade em incorporar essas referências de forma criativa, torna-o um grande mestre. Há também comentários que discutem a originalidade da arte e se a cópia, mesmo que inspirada, afecta a qualidade da obra. Em resumo, o post “Galep, sempre um grande?” é um exemplo de como um tema aparentemente simples pode gerar um debate acalorado e interessante sobre a arte e a influência no mundo dos quadradinhos. 

José Carlos Francisco e Mauro Boselli

  1. Suas considerações finais, seu recado aos Texianos de língua portuguesa.

Aos Texianos de língua portuguesa, quero deixar um recado de apreço e admiração pela paixão e dedicação ao personagem Tex Willer. É incrível ver como uma criação italiana de 1948 ainda consegue capturar a imaginação e o coração de leitores em todo o mundo, especialmente no Brasil e em Portugal. Tex Willer é mais do que apenas um personagem de banda desenhada – é um ícone cultural que representa valores como coragem, justiça e lealdade. As suas histórias e aventuras continuam a inspirar novas gerações de leitores e artistas. Aos fãs e coleccionadores brasileiros e portugueses de Tex, quero encorajá-los a continuar a compartilhar a sua paixão e conhecimento sobre o personagem. A comunidade texiana é uma prova de que a cultura da banda desenhada pode unir pessoas de diferentes origens e idades. Seja um coleccionador de longa data ou um novo fã, há sempre algo novo para descobrir e apreciar em Tex, por isso continue lendo, discutindo e compartilhando a sua paixão por este personagem incrível! A todos os Texianos, um grande abraço e que a justiça prevaleça, como sempre! 

Júlio Schneider, José Carlos Francisco e Giorgio Bonelli

Pard JF, pard Zeca, muito obrigado por esta incrível entrevista, por esse agradável bate-papo. Sempre muito bom conversar com um texiano do seu porte.

* G .G. Carsan, 60 anos, paraibano, fã, coleccionador e divulgador, começou aos 7 anos a ler Tex e nunca mais parou. Realizou 10 exposições em João Pessoa, escreveu várias aventuras para Tex, palestras em vários Estados e plateias e quatro livros sobre a personagem no Brasil.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

19 Comentários

  1. Fantástica entrevista com esse pard, igualmente fantástico: Zeca!!

  2. Adorei, Zecão! Muito mesmo!
    Sou um admirador da sua história com o Tio Dori e com o SB.

    • Muito obrigado, Silvio. É sempre um deleite contar uma vez mais essas histórias mesmo que já sejam conhecidas por muitos como você (…risos…)

    • Muito obrigado, Silvio. É sempre um deleite contar uma vez mais essas histórias mesmo que já sejam conhecidas por muitos como você (…risos…)

  3. O que mais resta a ser dito, depois da exposição de imagens e de um relato emocionante e emocionado? Nada! Meus mais sinceros parabéns, pard Zeca!

    • Muito obrigado pelos seus parabéns e por ter gostado tanto da entrevista, prezado Pard Gerval!!!

  4. Ufa, pronto, acabei de ler esta fantástica entrevista ao também grande e fantástico, mítico, Zeca. Sua história com Tex é inspiradora e apesar de já ter conhecimento de alguns dos momentos que mencionaste, relembrá-los hoje, lendo seus relatos, torno a me emocionar. Parabéns pard Zeca, ontem, hoje e sempre. Forte abraço.

    • Muitos parabéns a ambos, ao G. G. pela belíssima ideia de entrevistar um dos maiores representantes do amor a um personagem de BD, que se torna de fictício em real à medida que falamos com o Zeca, e quanto ao futuro dos quadrinhos e do Clube Tex, do blogue, etc., eu diria que o que a experiência dos já alguns anos de vida me tem ensinado é… mais vale poucos e bons e que tragam algo de novo! Um forte abraço a ambos!

      • Muito obrigado pelos teus parabéns, Sérgio, e obrigado pelas tuas palavras 🙂
        Um forte abraço, Amigo!

    • Muito obrigado, pard Jesus pelas suas palavras. É uma grande satisfação para mim saber que um dos maiores colecionadores de Tex, mas sobretudo um dos maiores especialistas do Ranger leu e apreciou a minha entrevista!
      Um forte abraço e em Outubro nos reencontraremos em São Paulo 🙂

  5. Demorou pra ler, mas li tudo. Uma demonstração de amor ao personagem, emoção e fatos curiosos como você ter nascido em Moçambique ou sido barrado no restaurante italiano porque não estava a caráter, mas com a camiseta do Benfica… haha

    • Muito obrigado pelas suas palavras e por se ter até divertido a ler a entrevista, prezado Amigo Raphael 🙂

  6. Que entrevista magnífica, pard Zeca!
    Espero que já tenha separado essa matéria para o seu futuro livro de memórias, pois tenho certeza que haverá mais duas centenas de páginas a acrescentar.
    Grande abraço deste amigo brasileiro.
    JM

    • Muito obrigado pelas suas palavras, Pard Alvarez,
      Com certeza várias destas respostas devem ser incluídas no tal livro dedicado a Tex que penso escrever um dia quando me aposentar e tiver mais disponibilidade para tal, livro esse que também trará dezenas de desenhos da minha galeria de originais feitos por muitos dos grandes Mestres do staff do Tex!

  7. Pard JF, quero agradecer sem limites pela Coluna e Espaço SEM FRONTEIRAS a mim concedidos, claro que em nome do Tex, para levar assuntos que já foram tão importantes na saga. E poder fechar com tão nobre Entrevista, esta que faltava no universo Texiano, é de uma felicidade e de uma explosão de alegria imensa, da magnitude do nobre Pard Zeca, que com sua abnegação incontida, mantém o personagem aceso e acessível em Portugal, levando motivação e desejos para todas as partes do Globo. Saudações Texianas!
    Acrescentar que foi um prazer gigante publicar a entrevista no Ômnibus Justiça e Vingança Texiana, e deixo o meu obrigadaço ao amigo.

    • Eu é que tenho de agradecer pela sua ideia de me dar a conhecer ainda melhor a todos os pards, caro GG e é um imenso orgulho ver inclusive a entrevista publicada na edição de papel da sua mais recente obra Texiana, Ômnibus Justiça e Vingança Texiana.
      Suas perguntas foram muito boas e deram-me muita “luta” para responder em profundidade a algumas delas, porque eu não queria dizer banalidades que todos já soubessem 🙂

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