Tex Ouro 22: Luta de Serpentes

Tex Ouro 22 - Luta de SerpentesArgumento de Claudio Nizzi, desenhos de Alberto Giolitti e capa de Aurelio Galleppini.
Com o título original La mano nella roccia , a história foi publicada em Itália nos números 357 e  358 em 1990 e no Brasil pela Mythos Editora em Janeiro de 2006.

O produto de um assalto, ocorrido há uns anos atrás, foi escondido por um dos assaltantes, Joe Fraser, em local desconhecido. Anos mais tarde, os seus companheiros vão libertá-lo para juntos poderem chegar aos dólares. Tex e Carson vão no encalço dos assaltantes.

Carson e TexApesar do papel dos dois rangers ser sempre mais de expectativa do que activo, intervindo sempre em função do que o grupo de assaltantes vai fazendo, a aventura apresenta qualidades que residem em dois ou três pontos bem construídos por Nizzi.
O primeiro passa por uma estrutura cinematográfica do argumento, com o autor a alternar permanentemente em toda a aventura o cenário e os actores. O leitor testemunha quase sempre em simultâneo o que se vai passando, ora com o grupo de assaltantes, ora com Tex e Carson que seguem no seu encalço. Nizzi logra sempre acompanhar a acção dos dois grupos em conformidade com o tempo em que esta decorre.

O modelo da aventura, onde a caracterização das personagens e as suas motivações são preponderantes, assume-se como um outro factor de relevo. Não é muito comum em Nizzi esta construção psicológica , mas aqui o autor consegue caracterizar um grupo de personagens, onde o único objectivo que as liga é a ambição em chegarem ao dinheiro. É este ponto que as une, tudo o mais as separa e Nizzi consegue fazer sobressair este factor coerentemente.

TexToda esta atmosfera de desconfiança, de rivalidade e de receio, acaba por constituir um terceiro factor marcante numa aventura, onde os assaltantes vão sucumbindo gradualmente até ao desenlace final, marcado num espaço restrito, uma cidade fantasma. Se houvesse uma moral para esta história, ela seria certamente e, mais uma vez, a de que o crime não compensa.

Giolitti foi um dos melhores desenhadores de sempre de Tex, assinando aqui a sua terceira aventura (embora a primeira tenha sido concluída por Giovanni Ticci) do ranger. Apesar de uma composição original do herói, eventualmente pouco conseguida, se comparada com outros modelos, a verdade é que, pelo contrário, o seu traço muito elaborado, detalhado, preciso e correcto, mantém sempre em altíssimo nível cada sequência e cada página da aventura.
FimQuer em registos mais contidos, quer em cenas de acção, onde se impõe o dinamismo e a expressividade, Giolitti faz uso de um estilo e de uma precisão notáveis, conseguindo transmitir como poucos toda a atmosfera do velho oeste. As suas personagens têm força, emanam a violência das paisagens e das situações vividas. Só foi pena que o autor tenha desaparecido e deixado poucos trabalhos na saga texiana.

Texto de Mário João Marques

2 Comentários

  1. Apesar da participação não muito ativa de Tex e Carson, é uma aventura bem interessante mesmo, até pela arte do Giolitti.

  2. Olá Yudae,
    Para mim é uma excelente aventura, sempre em ambiente cinematográfico. Para além disso, tem o desenho excelente de Giolitti, que volto a frisar, foi um dos melhores da saga texiana, apesar do seu Tex ser pouco conseguido
    Um grande abraço.

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