Tex Gigante: Terra Sem Lei

Tex Gigante - Terra Sem LeiArgumento de Claudio Nizzi, desenhos e capa de Alberto Giolitti. Com o título original Terra senza legge, a história foi publicada em Itália no Tex Albo Speciale nº 2 em 1989 e no Brasil pela Mythos Editora em 1999.

Terra sem lei é um western clássico, caracterizado por um argumento despretensioso, sem outro objectivo que uma bela homenagem ao velho oeste: Tex e os seus companheiros têm por missão acabar com a actividade de um conjunto de malfeitores que dominam, a seu bel prazer, uma cidade.
Mais uma vez, Nizzi faz gala em apresentar-nos todo um conjunto de valores sólidos  do velho oeste, misturando, ao longo das suas páginas, exército, índios, mexicanos, pistoleiros e até uma perseguição a uma diligência, tão do agrado do argumentista.

É o velho argumento da caça aos fora-da-lei que, lido e relido, acaba por nunca nos cansar, quando o mesmo se afirma coerente e credível. Neste caso, Nizzi coloca sempre a cadência e o ritmo certos no desenvolvimento da história.
Primeiro, a chegada à cabana do sargento retirado Mac Cormick, depois, no rancho de Bill Gorman, mais tarde na pousada de Paco Chavez, passando pela perseguição à diligência e, finalmente, terminando no duelo final em Stanford. Tudo é feito por etapas precisas, à boa maneira dos velhos clássicos. Não há, por assim dizer, precipitações nem falha de coerência no desenvolvimento da acção.

Os 4 pards por Alberto GiolittiDesta vez, Nizzi escolheu um protagonismo a quatro, uma vez que Kit e Tigre dividem a acção com Tex e Carson, existindo também aqui um certo classicismo, um retorno a velhas aventuras do ranger.
Para um grande clássico, como é este Terra sem lei, nada melhor que um desenho pleno de aura, como só o velho oeste nos consegue transmitir. Giolitti caracteriza-se por um desenho extremamente detalhado, uniforme e feito de inúmeros grandes planos ao nível das suas personagens, como também nos habituámos a ver e a apreciar em Ticci.
Aliás, são muitas e por demais evidentes as semelhanças com o traço do desenhador genovês, mas foi certamente este que sofreu a influência de Giolitti e não o contrário.

O Tex de Alberto GiolittiEm Giolitti o desenho é menos imponente e altivo, tornando-se, a meu ver, mais romântico. Nota-se sobremaneira que o que o autor mais aprecia no western tem aqui marcada presença: movimento (veja-se a riqueza da cena da perseguição à diligência), animais, paisagens e aventura.
Em cada quadrado sentimo-nos mergulhados no velho oeste, tão grande é a profundidade, a rudeza, o jogo de sombras e o detalhe colocado no desenho.
É a isto que nós chamamos a aura  que nos referimos anteriormente.

No entanto, a figura de Tex é algo pesada e envelhecida, surgindo com um semblante carregado, mais lembrando o xerife Matt Dilon em Gunsmoke, uma outra personagem brilhantemente ilustrada por Giolitti.

Texto de Mário João Marques

3 Comentários

  1. Eu adoro a arte imortal de Alberto Giolitti!
    Recordo, com saudades, dos seus traços nas aventuras de
    Tonto, Paladino do Oeste, Gunsmoke, Turok e, graças a um alerta do Pard Jesus, brilhantemente entrevistado pelo Blogue do Tex, li, muito recentemente, Terra sem lei e concordo com o autor do texto acima, Tex e Carson estão mesmo envelhecidos, até Kit Willer está diferente, mesmo assim, trata-se de Giolitti e isso basta.
    Abraços,
    João Guilherme.

  2. Existem algumas histórias do Tex que tenho sempre junto a mim: Caçada Humana, El Muerto, O Pueblo Perdido e Terra Sem Lei.

    As duas primeiras porque considero os melhores roteiros já escritos para o Tex (lamento desde já a injustiça com outros roteiros e roteiristas, mas gosto de fã e justiça nem sempre andam de mãos dadas).

    A terceira porque tem o traço magistralmente solto, fluido e dinâmico do grande mestre Ticci, com seus cenários desconcertantes.

    E a última porque me remete aos meus tempos de garoto quando lia e relia as histórias do Tonto no traço magnífico e certeiro do meticuloso Giolitti.

    Quando li o texto do caro Mário João Marques, senti-me compelido a reler a história. Ela está aqui comigo enquanto escrevo e parece melhor a cada vez que corro meus olhos pelas suas páginas, sempre revelando mais um segredo de outra leitura menos atenta ou uma referência escondida num cantinho de um quadro. De fato, é sempre prazeroso reler Terra Sem Lei.

    Perdoem o excesso de adjetivos que usei acima, mas não posso deixar de usá-los para qualificar aquele que é para mim o meu primeiro grande mestre na Nona Arte.

    Parodiando Rabindranath Tagore: “Só não me curvo diante de ti, Giolitti, porque minha humilde reverência jamais poderá alcançar a profundidade onde repousa tua arte!

    Parabéns ao Mário João Marques pelo texto.

    Fred Macêdo

  3. Considero um substituto para o grande mestre Giolitti, não que venha ocupar o seu lugar, mas que venha somar aos leitores e fâs das HQ de faroeste, já que Giolitti não se faz mais presente, esse é Fred Macêdo, seu traço lembra muito ao do grande mestre.
    Longa vida a nona arte.

    Paulo José

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