Tex Gigante de Victor De La Fuente em grande destaque no Diário As Beiras: 4 de Julho de 2009

Logótipo do Diário das BeirasTexto do jornal Diário “As Beiras“, de 4 de Julho de 2009
João Miguel Lameiras

MYTHOS RECUPERA TEX DE VICTOR DE LA FUENTE

MYTHOS RECUPERA TEX DE VICTOR DE LA FUENTEVerdadeiro fenómeno de popularidade em Itália, onde chegou a vender mais de um milhão de exemplares mensais, Tex tem sido regularmente objecto de referência nesta coluna, normalmente por via dos “Texones”, edições anuais em formato maior e com uma produção mais cuidada, em que autores de renome na Banda Desenhada mundial, como Joe Kubert, Jordi Bernet, Magnus, Alfonso Font, Buzelli, Manfred Sommer, Ivo Milazzo, ou Colin Wilson tem a sua oportunidade de imprimir a sua marca pessoal ao mais popular cowboy da BD italiana, em histórias de longo fôlego, com mais de 200 páginas de acção.

E é precisamente um desses Texs Gigantes, acabado de chegar aos quiosques portugueses, que motiva este texto, dando-me o pretexto ideal para, 13 anos volvidos, voltar a falar neste espaço do talento de Victor De La Fuente, um dos maiores desenhadores realistas espanhóis vivos. Com efeito, este “Arizona em Chamas”, publicado originalmente em Itália em 1992, já tinha tido uma primeira edição em português do Brasil em 1995, com a chancela da Editora Globo, edição essa distribuída em Portugal em 1996 e alvo de destaque na edição do “Diário As Beiras” de  5 de Abril desse mesmo ano.

E, tal como fiz na altura, parece-me da mais elementar justiça destacar uma vez mais o trabalho de Victor De La Fuente, nome que infelizmente pouco dirá às novas gerações de leitores portugueses, ao contrário do que acontece na sua Espanha natal, onde recebeu o Grande Prémio do Salão de Barcelona em 2006, pelo conjunto da sua obra, obra essa que tem vindo a ser reeditada de forma cuidada pela editora Glenat.

Nascido em 1927, De La Fuente faz parte de um grupo de desenhadores espanhóis, como José Ortiz, ou Esteban Maroto que, tendo alcançado projecção internacional nas décadas de 70 e 80 do século XX, desde finais dos anos 90 que apenas nas publicações da editora Bonelli encontram espaço para fazerem aquilo que melhor sabem fazer: desenhar histórias de aventuras de forma dinâmica, rigorosa e personalizada. No caso de De La Fuente, que em França trabalhou com argumentistas como Jean-Michel Charlier, ou Jodorowsky, o convite para desenhar Tex, permitiu-lhe regressar a um género onde se lançou com o magnífico “Sunday” e que, como o próprio refere num dos textos introdutórios a esta edição: “é uma grande aventura, onde tudo é possível, menos o tédio”.

Victor De La FuenteA história que Nizzi escreveu sob medida para De La Fuente, confirma-o.
Passada entre o Arizona e o México, envolvendo jogos de interesse, conflitos entre o exército americano e os índios navajos, ao serviço de uma intriga movimentada e cheia de golpes de teatro, “Arizona em Chamas” faz lembrar os argumentos de Jean-Michel Charlier, o escritor de “Blueberry”, com quem De La Fuente colaborou na série “Los Gringos”.

Em termos gráficos, De La Fuente mostra-se em grande nível, desenhando cavalos como poucos e dando grande dinamismo às cenas de acção (veja-se a sequência em que o chefe navajo Delgado consegue fugir ao cerco do exército americano, na Mesa Sagrada). E, desde as paisagens áridas e rugosas do México ou do Monument Valley (que desde os filmes de John Ford associamos automaticamente ao Western), até às feições das personagens, que parecem também elas próprias esculpidas na rocha, o estilo único de Victor De La Fuente é imediatamente reconhecível.

Aqui fica pois a sugestão para aproveitarem a oportunidade que a Mythos nos dá com esta reedição e descobrirem (ou redescobrirem) o “Tex” de Victor De La Fuente.

(“Tex Gigante nº 19: Arizona em Chamas”, de Claudio Nizzi e Victor De La Fuente, Mythos Editora, 242 pags, 8,50 €)

Copyright: © 2009 Diário “As Beiras“; João Miguel Lameiras; crítico e especialista de BD.

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